João Sayad é
banqueiro ou não é?

O encarregado de tapar o gigantesco rombo no caixa do município de São Paulo promovido pela dupla Maluf-Pitta é banqueiro há mais de 10 anos. Não é o primeiro servidor público recrutado na iniciativa privada, o que não lhe tira os inegáveis méritos profissionais, acadêmicos e pessoais. Mas, ao contrário do que tem acontecido com os colegas banqueiros licenciados ou ex-banqueiros, a passagem do novo Secretário de Finanças do Município de São Paulo pelo sistema financeiro está sendo mantida num inusitado clima de reserva e descrição.

Até o momento não se sabe se Sayad vendeu sua participação no banco, se afastou-se provisória ou definitivamente da instituição. Esta é uma situação que, desde o início, deveria ser apresentada com toda a transparência para evitar malentendidos futuros. Inclusive com a Folha de S.Paulo (tão sensível aos conflitos de interesses), onde o novo secretário pontifica com sua prosa agradável às segundas-feiras (caderno Dinheiro, pág. 2) sem que os leitores sejam informados a respeito dos seus últimos lances profissionais.



Estadão não sabe
usar havaianas

O jornal dos Mesquitas, decididamente, não leva jeito para amenidades. No ramo de "comportamento", "variedades" e "sociedade" é quase um desastre. Parece lorde inglês calçando havaianas. Mas insiste, com certeza porque alguém da diretoria decidiu que o jornalão precisa enfrentar à altura as mundanidades novaiorquinas do jornal dos Frias.

A manchete de página "Universidades apostam no lado shopping-center" (21/11/00, pág. A-13) mostra uma dessas gigantescas fábricas de diploma com a sua nova praça de serviços no campus (farmácia, lanchonete, butique etc.). Segue-se um texto com a densidade de um press release.

O jornal que ajudou a criar a USP não consegue oferecer algo mais edificante e construtivo em matéria de ensino superior? Para conseguir aqueles míseros anúncios das universidades particulares será preciso fazer tamanha concessão?

Neste caso, melhor fazer como a Folha e o Globo que contrataram como articulista o imortal Arnaldo Niskier, chefe do lobby das privadas. O vexame, assim, fica confinado à página de opinião.



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