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Alberto Dines


CÁSSIA ELLER
Como alimentar os dragões

Quando se fala em sistema midiático não se pode deixar de incluir os objetos da mídia – as pessoas-assunto, aqueles que por sorte ou azar foram colocadas sob os holofotes dos meios de comunicação. Raros são aqueles que sabem se preservar, poucos são os que deixam escapar a oportunidade para defender seus interesses imediatos.

No trágico episódio da cantora Cássia Eller, sua companheira Maria Eugênia teve um comportamento exemplar e digno. Sobretudo na primeira fase, quando o jornalismo irresponsável ora garantia que a roqueira fora vitimada por uma overdose, ora levantava a hipótese de que fora assassinada.

Divulgados os laudos finais indicando uma reviravolta pericial e um enfarte como causa mortis, a equipe do programa Observatório da Imprensa na TV procurou o advogado Mario Campuzano, contratado para defender Maria Eugênia, para autorizar um depoimento sobre os "fuzilamentos da mídia" – na mesma linha do que foi comentado na edição online do OI [veja remissões abaixo].

Resposta categórica: a cliente precisava ser poupada.

Dia seguinte, no entanto, Maria Eugênia concedia um enorme depoimento à Rede Globo, franco e digno como sempre (e reproduzido em diversas edições dos seus jornais e também na GloboNews).

É evidente que o causídico já não estava interessado em preservar sua cliente. É evidente que não se falou sobre o linchamento póstumo da sua companheira promovido pela mídia (inclusive alguns veículos do grupo global) agora que têm pela frente uma batalha judicial com o pai da cantora pela posse do filho.

A esta altura ninguém está mais interessado em ajudar a desvendar os procedimentos do sistema midiático.

Quem alimenta o dragão são suas vítimas.

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