2/5

Imprima esta página  Procure no arquivo

Alberto Dines


GRANIZO
Ninguém vê 20 cm de gelo nas ruas

Às 16h50 do sábado (9/6) desabou uma chuva de granizo na Zona Leste de São Paulo. Além da água, formou uma camada de vinte centímetros de gelo. Isso em plena estiagem, com uma ameaça de apagão e 170 milhões de brasileiros de olho nas nuvens para ver se chove.

Dia seguinte, domingo, nos dois jornalões paulistanos o fato foi reduzido à condição de insignificância com algumas linhas de texto nas páginas internas. Àquela hora, grande parte da tiragem das edições do dia seguinte já estava nas bancas de São Paulo.

Na segunda-feira (11/6), o milagre: a irrelevância tornou-se relevante! A Folha de S.Paulo caiu em si mas não pode dar o braço a torcer. Ao invés de reconhecer a importância do que acontecera no sábado escapou noticiando as conseqüências 36 horas depois: "As ruas da Zona Leste amanhecem [no presente, portanto segunda] com granizo".

No dia em que algum editor brasileiro resolver que o jornal de domingo também pode ter notícias do dia anterior vai ser um deus-nos-acuda.



CORREIO DA MANHÃ
Lágrimas embaçam a visão do historiador

A matéria lembrando os 100 anos da fundação do Correio da Manhã (O Estado de S.Paulo, 9/6/01, pág. D5) com o título choroso "Para o ‘Correio’ com uma lágrima" não acrescenta coisa alguma à história do glorioso jornalão. Ao contrário, confunde e esquece um dado importante: quem ajudou a fechar o Correio foi o grupo que o arrendou e onde militavam empresários e jornalistas de esquerda de olho na candidatura "desenvolvimentista" do coronel Mário Andreazza à presidência da República.

Arrendar é operação legítima, mas arrendar um jornal e usar sua estrutura e sua circulação para lançar um concorrente (Diretor Econômico) é pilantragem. O Correio da Manhã foi literalmente sugado por aqueles que usaram o seu nome, seu prestígio e suas páginas para neles encartar um outro jornal.

O regime militar tudo fez para calar a única voz da oposição. Mas quem faliu a empresa que editava esta voz foram aqueles que a saquearam.



                                Mande-nos seu

 comentário




Observatório | Índice da edição | Busca
Objetivos | Purposes | Edições anteriores
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe