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NO LIMITE
Big Brother já chegou!

Alberto Dines

Na sua utopia às avessas 1984, George Orwell imaginou que isto aconteceria num estado totalitário, tipo estalinista: todos espionados em suas casas por câmeras de TV e controladas por sistema central (não havia computadores em 1948, quando escreveu o livro). O monstro foi apelidado de Big Brother, grande irmão, santo protetor, controlador dos corações e mentes.

Big Brother já chegou, tem o mesmo nome, só que funciona no mundo capitalista – EUA e Europa. O filme The Truman Show foi uma paródia por antecipação. Hoje existem diversos programas na linha show-realidade ou realidade-em-show onde pessoas que não se conhecem aceitam ser trancadas num ambiente fechado e observadas pelas câmeras 24 horas ao dia. Ganham uma fortuna, óbvio.

No Brasil, Big Brother veio disfarçado, de mansinho. Chama-se No Limite, bate todos os recordes de audiência, freqüenta as primeiras páginas de O Globo, foi assunto do Jornal Nacional e consagrado pela empresa concorrente como tema de capa de Veja (edição de 16 de agosto).

A matéria saiu mais deslumbrada do que um press release da assessoria de imprensa da Globo: classifica a palhaçada televisiva de "indústria cultural" e saúda a derrocada de Vera Fischer – com duas décadas de exposição, escândalos e silicones – diante de um punhado de anônimos, hoje ídolos nacionais.

Esta sociologia de botequim tem o título de "O povo na TV" e pretende persuadir os 3 milhões de multiplicadores de opinião habituados a folhear Veja que os 28 milhões de vidiotas que assistem No Limite estão participando de uma revolução social, onde "gente como a gente" vira estrela de televisão.

É a opção edificante do esquema Big Brother que nos EUA e Europa roça mais embaixo: compreende sexo explícito, escatologia e exposição de privacidade.

George Orwell desiludiu-se com a esquerda na Guerra da Espanha. Era um ingênuo, achava que o inimigo do humanismo e da inteligência era o totalitarismo vermelho. Big Brother está aí, velho George, empurrado pela livre iniciativa, pela democracia platinada e pelas feras da nossa indústria cultural.


No limite da ética
Spacca

Ninguém pode acusar o programa de ser anti-ético... há representantes
de todas as minorias se matando!!!


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