DESLIGAMENTOS
Um doce para quem descobrir o culpado
Está posto o grande desafio ao jornalismo e aos jornalistas brasileiros: descobrir quem errou nos cálculos, quem escondeu o tamanho da crise, quem falhou na hora de acionar os alarmes, quem ou quais os responsáveis que produziram o vexame de levar o presidente da República a admitir que foi "surpreendido".
Esta é uma investigação autêntica. Reportagem para gente grande. Neste caso, de nada adiantarão grampos, fitas ou embrulhos. Aqui terá que ser contada uma história, tintim por tintim, com princípio, meio e fim. Não valem notinhas em coluna ou catilinárias em artigo.
A sociedade brasileira está pronta a pagar o sacrifício. Mas quer saber o que aconteceu, mesmo que seja um encadeamento de pequenos erros, cuja soma produziu este enorme curto-circuito no processo decisório. Mesmo que São Pedro, desatento aos seus devotos brasileiros, mancomunado com El Niño e La Niña seja o grande culpado. Neste caso, nós, os ignorantes em meteorologia, climatologia e ecologia, queremos saber quanto choveu e quanto deixou de chover no inverno, primavera e verão de 2000-2001. O cidadão que vai cortar 20% do consumo quer números exatos, com todos os zeros e vírgulas.
A imprensa esteve desligada e apagada desde o fim do ano passado preocupada exclusivamente com os ACMs e os Jaders da vida. Nas ante-salas e corredores palacianos só se liam as colunas políticas. Agora a mídia terá que religar-se às tomadas da responsabilidade social.
Se não o fizer, será parceira do vexame. Com a desvantagem de não poder alegar surpresas.
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