terça, 18 de fevereiro de 2020 ISSN 1519-7670 - Ano 20 - nº 1074

2010, o ano chave na guerra pela cobrança de notícias

A guerra pela cobrança de notícias jornalísticas já tem pelo menos quatro protagonistas definidos e deve durar até dezembro deste ano. Os protagonistas são os



donos do jornal ingleses The Guardian, do The New York Times, do The Wall Street Journal e o novo leitor de livros produzido pela Apple.


 


Vai ser uma disputa muito interessante porque de um lado vão estar os princípios que fundamentam a nova realidade digital enquanto do outro estarão interesses comerciais e corporativos. 


 


O Times e o seu arqui-rival Rupert Murdoch, que controla o Journal, já anunciaram que até o final do ano iniciam a cobrança das notícias de atualidade publicadas nas versões online dos dois jornais. Pelo menos no caso do jornal nova-iorquino, a cobrança estará associada à uma nova engenhoca eletrônica produzida pela Apple, a mesma fabricante do iPod e do iPhone.


 


O leitor eletrônico da empresa de Steve Jobs pretende marcar uma revolução na imprensa ao viabilizar um dispositivo onde o usuário pode ler as versões digitais de todos os jornais pagos de seu interesse. Para os especialistas, este jornal eletrônico substituiria o jornal em papel.


 


Tudo isto porque o Times e os jornais do império de Murdoch apostam na cobrança de conteúdos publicados em aparelhos de leitura eletrônica para assegurar a sobrevivência de conglomerados midiáticos, cujas estruturas foram severamente abaladas pela notícia grátis e onipresente, na internet.


 


Esta semana aumentou a boataria sobre o iminente pedido de concordata do jornal Los Angeles Times, que até a virada do século era um dos quatro maiores jornais dos Estados Unidos.


 


Mas enquanto o Times e o Journal apostam em soluções eletrônicas e no modelo pagou, o britânico The Guardian posicionou-se como o líder da corrente anti-pagamento compulsório, ao levantar a bandeira de que é necessário buscar um novo modelo de negócios para a imprensa, em vez que procurar apenas uma nova fonte de receitas.


 


Numa entrevista publicada no dia 25/1 , o editor chefe Alan Rusbridger atacou o que chamou de “muros da cobrança” por meio do qual muitos jornais pretendem impedir o acesso grátis e obrigar os leitores a pagar pelo noticiário  online. Alan admite a cobrança de acesso a documentos, arquivo histórico, pesquisas, investigações jornalísticas e material com alto valor agregado, mas afirma que o noticiário corrente, inclusive as colunas de opinião, deve ser grátis.


 


O responsável pela edição do The Guardian a cobrança cria um muro entre as redações e os leitores, batendo de frente com toda a tendência, viabilizada pela internet, promover a interatividade entre jornalistas profissionais e o publico, bem como a integração dos chamados jornalistas amadores na produção de notícias.


 


Na sua entrevista, Rusbridger revelou que a versão online do Guardian cresceu 40% em audiência nos últimos 12 meses e que 1/3 dos seus 37 milhões de visitantes únicos mensais vivem nos Estados Unidos, onde o jornal gastou a ninharia de US$ 34 mil dólares em 2009 para promover sua página noticiosa.


 

O The New York Times marcou para janeiro de 2011 o início da cobrança de conteúdo. O Wall Street Journal deve começar cobrar ainda em 2010, ano que tanto pode assistir a popularização do jornal eletrônico sem papel, como pode testemunhar o fim de ícones jornalísticos que pareciam indestrutíveis.