terça, 18 de fevereiro de 2020 ISSN 1519-7670 - Ano 20 - nº 1074

Pesquisa mostra avalancha informativa em números 

Uma pesquisa realizada pelo Centro da Industria da Informação (Global Information Industry Center) da Universidade da Califórnia (San Diego) indicou que cada norte-americano consumiu em média 34 gigabytes de informação por dia durante o ano de 2008, o que equivale à leitura de aproximadamente 100 mil palavras ou um livro de 222 páginas[1] a cada 24 horas.


 


Os dados da pesquisa How Much Information, se referem apenas aos Estados Unidos mas eles podem ser vistos como indicativos de tendências que já estão se manifestando no resto do mundo, em maior ou menor intensidade. Maior, porque em alguns países escandinavos e do norte da Europa, o uso da internet é ainda mais intenso do que nos EUA.


 


Além do volume de dados absorvidos por indivíduo, o que impressiona é o aumento do número de horas que um norte-americano ficou exposto à informação. A pesquisa chegou a um total de 11 horas e 45 minutos diárias em 2008, um aumento de 59,4% em relação a 1980.


 


Se levarmos em conta a atividade diária de uma pessoa, vemos que em 2008, o americano médio ficou consumindo informação durante 75% do tempo em que esteve acordado, contra menos de 50% , 28 anos atrás.


 


O consumo de 34 gigabytes (equivalente a ver diariamente quase 8 DVDs com 4,4 GB cada) inclui 20 tipos diferentes de mídia, desde jornais impressos até mensagens eletrônicas transmitidas pelo Twitter. Quase metade do volume de informações consumidas é formado por imagens e sons transmitidos pela televisão, cinema e vídeos em DVD ou pela internet.


 


Em 1980, apenas 22% do tempo dos americanos era gasto consumindo informações transmitidas pela radio e pela televisão. Isto mostra como o texto impresso está perdendo a hegemonia absoluta diante da presença cada vez maior de narrativas visuais e auditivas.


 


A pesquisa mostrou também alguns paradoxos que nos indicam a necessidade de pesquisar melhor as mudanças em curso na ecologia informativa contemporânea. Nos 18 anos tomados como referência pelos pesquisadores Roger Bohn e James Short, a quantidade de informação consumida na forma digitalizada cresceu, em média, 5,4% ao ano enquanto a capacidade de processamento dos computadores aumentou 30% a cada 12 meses.


 


O outro paradoxo é que apesar da queda do consumo de informações via imprensa escrita e livros, triplicou o índice de leitura reportado pelos entrevistados na pesquisa no período entre 1980 e 2008. Isto mostra que a leitura não está necessariamente associada ao papel  e que a internet é hoje a principal responsável pelo hábito de ler. 


 


Este aumento no tempo de consumo está associado à presença cada vez maior da informação no nosso quotidiano. Ela não vem mais apenas pelo jornal, pela noticia do radio ou pelo telejornal da noite. Ela está em todos os lugares, porque cada vez mais os objetos, serviços e indivíduos passam a ser portadores de mensagens informativas que identificam padrões de consumo, status social e estados de espírito, para dar apenas alguns exemplos.


 


As doses maciças de informação que o homem contemporâneo começa a consumir alteram completamente tudo aquilo que imaginávamos em matéria de midiatização do mundo em que vivemos. A mídia é cada vez mais a realidade percebida pelas pessoas porque não há tempo e nem condições materiais para comparar o que um jornal publicou, por exemplo, com a realidade concreta.






[1] Tomando por base a existência de 450 palavras por página.