segunda, 17 de fevereiro de 2020 ISSN 1519-7670 - Ano 20 - nº 1074

Raridade na mídia: jornal desmente revista

É incomum, e antes não fosse, o que o Estado fez hoje, graças ao repórter Herton Escobar.

Ele foi averiguar o quer poderia haver de verdade na matéria da Veja desta semana, segundo a qual militantes petistas infectaram de propósito plantações no sul da Bahia na virada dos anos 1980 para os 90, a fim de golpear o poder dos barões do cacau.

A fonte da revista é um cidadão que se denunciou a si mesmo em 2005 como participante do ato de sabotagem biológica.

Luiz Henrique Franco Timoteo, esse o seu nome, disse que fungos trazidos de Rondônia foram amarrados em árvores em várias fazendas para gerar a epidemia da praga da vassoura-de-bruxa que devastou a cacauicultura baiana.

Pois o repórter foi checar a história com quem talvez mais entende de vassoura-de-bruxa no Brasil, o cientista Gonçalo Pereira, da Unicamp.

Pesquisas genéticas o levaram a concluir que a introdução da praga foi, sim, criminosa. Mas, escreve Escobar, elas também “sugerem fortemente que a denúncia relatada na última edição da revista Veja é insustentável do ponto de vista científico”.

A matéria do Estado, amparada no trabalho de Gonçalo Pereira, explica tecnicamente por quê.

Já pensaram que maravilha seria se jornais, revistas e emissoras tivessem o costume de levar ao microscópio acusações divulgadas por outros jornais, revistas e emissoras, para checar a sua veracidade – em vez de apenas “repercutir” as denúncias, deixando para terceiros, geralmente os denunciados, portanto suspeitos, o ônus de contestá-las.

Ver, a propósito, o artigo de Daniel Thame “Ações de terrorismo jornalístico” .

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