PLANETA DIGITAL

Como fazer um e-book

Por Ricardo Basques em 18/10/2011 na edição 664

O livro digital (e-book) é um formato de livro que se tornou muito interessante tanto para os leitores quanto para os escritores. Embora ainda não seja a forma mais popular de leitura, vem crescendo em proporções assustadoras. Publicar um livro para que possa ser lido nos tablets (iPad, GalaxyTab, Sony etc.) e nos leitores digitais (Kindle etc.) tem que ser algo fácil para que você possa focar na escrita e no conteúdo.


Algumas más notícias ainda rondam este mercado. Uma delas é que ainda não existe um padrão único de livros digitais. A Apple, a Barnes &Nodle e os outros fabricantes de leitores de e-books (como sony) adotam o formato EPUB. A Amazon, a maior loja mundial de livros, tem um formato proprietário para o Kindle (o leitor mais popular). Esta é uma disputa ruim para quem quer publicar e que tem uma disputa boa [iremos tratar deste assunto em outro post].

Os formatos existentes ainda estão muito limitados de recursos. Eles não suportam as interatividades que os tablets permitem ao usuário como imagens e sons. A boa notícia é que estão evoluindo muito com o aumento crescente da demanda por este tipo de publicação.

Maneira mais fácil

Enquanto esperam a evolução, muitas editoras estão adotando aplicativos próprios para produzir seus livros na era digital e móvel. Embora ainda muito caros de serem produzidos, estes “livros aplicativos” permitem interatividade que podem aumentar a experiência da leitura envolvendo mais o leitor no tema. Um exemplo é o aplicativo do Menino Maluquinho (Ziraldo) pra iPad.

Achei muito interessante um artigo do escritor Jason Mark na Smashing Magazinesobre como produzir os e-books de forma fácil. Deste artigo retirei algumas traduções:

A maneira mais fácil de fazer um eBook é terceirizar. Uma série de serviços, como Lulu e Smashwords, vai traduzir o seu documento do Word em um EPUB razoavelmente barato. Estes serviços têm relações com a Amazon e Apple (assim como outras livrarias digitais) e podem não apenas criar seu e-book digital, mas submetê-lo a essas livrarias por uma pequena taxa. Para mais informações sobre como escolher um serviço, consulte Christine Marcos guia sobre como escolher uma editora EPUB.

Se você quiser vender o seu único livro na loja da AmazonKindle, você pode converter o seu arquivo do Word de graça submetendo-se a Amazon KindlePublishing direto (KDP). Criar uma conta é gratuito e o serviço é fácil de usar.

Problemas de layout

Se você está interessado principalmente no eco-sistema da Apple, então você provavelmente já tem uma cópia do Pages em sua máquina (se não, você pode obtê-lo por US $ 20). Pages é a versão da Apple do Microsoft Word e tem uma opção de exportação simples e eficaz EPUB. Para criar o seu livro, basta fazer a primeira página capa do seu livro, use quebras de seção entre os capítulos, e em seguida, selecione File → Export → EPUB.

Se você não tem um Mac ou deseja converter para outros formatos, a sua melhor escolha do software é Calibre. Calibre é relativamente fácil de usar e faz um bom trabalho de conversão de muitos formatos padrão (incluindo o Microsoft Word) para os formatos de e-book superior (EPUB e formato do KindleMobipocket). Você pode baixar gratuitamente Calibre. Alternativamente, se você precisa converter apenas para Kindle, a Amazon oferece software de conversão livre chamado Kindlegen.

Outra opção comum para construir e-books é o InDesign, mas eu recomendo que você fique longe dela até que você tenha alguns e-books em seu currículo. Mesmo que tecnicamente pode exportar para os formatos EPUB e Kindle, que é um pouco desajeitado e acrescenta uma série de crud. Mais importante, InDesign foi construído a partir do zero para lidar com impressão, por isso convida-o a pensar em metáforas de impressão, que nem sempre se aplicam aos e-books e que irá levar a problemas de layout. Em nossa experiência, a sua programação EPUBs própria à mão é mais fácil. Mesmo assim, eu não recomendo...

Para ler mais

Outros artigos podem ser encontrados nos links abaixo:

** “Fixed-Layout EPUBs for iPadand iPhone“ – Excelente guia Elizabeth de Castro sobre a forma de um código EPUB layout fixo.

** “GuidetoComparing Services for PublishingeBookstoiPad“ – Christine guia de Marcos sobre a escolha de uma editora EPUB.

** Amazon’sKindleDirectPublishing – A maneira rápida e fácil para a auto-publicar seus livros para venda no KindleStore.

Os aplicativos da Abril

A transformação digital de revistas é um assunto atual que vem despertado muito interesse no mercado editorial. As mais de 4.200 revistas que existem no país, estão buscando o momento certo para se renderem aos crescentes leitores que preferem seu tablet à revista impressa.

Um exemplo de editora que saiu na frente e tem uma grande equipe focada em transformar suas revistas impressas em experiências digitais fascinantes é a Editora Abril.

Ela percebeu o potencial de criar um formato adicional para seus títulos. É como se fossem outras publicações.

Quem já baixou a revista Veja no iPad sabe o que estou falando. Cada reportagem tem uma formatação especial e uma forma diferente de prender nossa atenção. Sem perder o conteúdo jornalístico já consolidado desta revista.

A revista Info Exame também mostra conteúdos diferenciados de acordo com a área que é tocada no iPad. Vídeos adicionam conteúdo complementando os textos baseados na revista impressa.

Para o mercado publicitário, existe uma série de páginas com anúncios totalmente interativos. O leitores já não passam mais rapidamente pelas propagandas. Cada uma deles apresenta uma interatividade tão fascinantes que não tem como passar sem saber o que vai acontece. Gastamos muito mais tempo nestas propagandas do que nas revistas impressas. Os anunciantes estão sendo atraídos para atingir este consumidor e estão pagando pelos altos custos que envolve este formato de revista.

Ainda é muito complicado para todas as revistas existentes acompanhar este gigante do mercado brasileiro, mas estes brilhantes aplicativos da Editora Abril estão atraindo mais leitores e criando um novo conceito de leitura. Hoje já são mais de 500 títulos publicados no tablete mais usado no mercado.

Sua revista já está publicada?

Multiplataformas para alavancar o público

Terminou na quarta-feria (12/10) o 38th FIPP World Magazine Congress, o maior evento de revistas no mundo. E adivinha qual era um dos principais temas? Publicação digital.

As editoras revista estão discutindo o futuro destas publicações. Juan Senhor, diretor de inovação de um conceituado grupo inglês, apresentou uma palestra interessante que comprova que estamos nos movendo para um mundo baseado em app (aplicativos), impulsionados pelas interfaces móveis. E as revistas têm que ir onde o público está.

Segundo Juan, “a vida era mais fácil quando Apple e Blackberry eram apenas frutas, mas não era tão emocionante, e principalmente lucrativa, como é hoje”. E é verdade, as editoras estão aprendendo a fazer dinheiro com estas interfaces.

Os iPads pode oferecer uma segunda vida para as revistas, mas há uma necessidade de reinventar a publicação para as diferentes plataformas. As editoras devem preparar um conteúdo para cada meio. O papel trabalha com uma longa narrativa, o conteúdo tablete deve ter profundidade e interação, o celular é para notícias rápidas e a internet, para notícias de última hora.

Foi também abordado neste congresso mundial que há necessidade de estar em multiplataformas para alavancar o público, e não o contrário.

Aplicativo exclusivo

O mercado digital está reinventando a revista impressa. Não se deve pensar como um substituto, e sim como um alavancador de mercado trazendo mais e mais receitas. Só a Conde Nast, uma das maiores editoras mundiais com inúmeros títulos conhecidos, deve faturar em 2011 U$15milhões e a Hearst Magazines está prevendo U$10milhoes em assinaturas digitais em 2012.

Vai faturar quanto sua editora? Aplicativos próprios nos tablets, dão mais retorno às revistas. Compartilho uma informação do mercado de publicação de revistas no iPad. Acabei de ter acesso a mais um dado que busquei para o estudo que faço sobre publicações em tablets. Future, uma grande editora internacional com mais de 65 títulos. Este numero refere a quantidade de downloads de sua revista digital publicada em aplicativos tipo “jornaleiro” e os downloads (vendas) em aplicativos próprios da revista.

Uma publicação da Future (T3) tinha inicialmente 195 downloads em aplicativos jornaleiros” que, depois de muito esforço chegou a 7.314 downloads no mês passado (setembro de 2011). Setembro foi também o primeiro mês de seu aplicativo exclusivo, e este teve mais de 12mil downloads somente na estreia.

O aplicativo exclusivo da revista tem dado um retorno muito maior às publicações. A explicação para isso é simples: queremos pagar por minha revista com seu conteúdo exclusivo, e não por uma ibanca que reproduz a versão impressa de inúmeras revistas que não são para mim. Somente nesta semana, a Future lançou aplicativos próprios de 65 publicações na Apple Store, comprovando esta tendência de mercado.

Existem outras explicações também. Qual é a sua?

***

[Ricardo Basques é empresário, Belo Horizonte, MG]

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 Fernando Sampaio
 Enviado em: 20/10/2011 16:03:08
Ricardo Basques Gostei muito deste artigo e, com ele, aprendi muito. Estou mandando o link para meus filhos e filha, assim como para alguns amigos. Meus parabéns.
 Karine Fonte
 Enviado em: 22/10/2011 20:15:17
Err... sem querer botar água no chope de ninguém, dêem uma olhadinha nos aplicativos do Android Honeycomb. O E-reader padrão dele, que vem de fábrica, já lê formatos PDF, TXT, DOC e alguns outros (RTF não) como se fossem livros, coloca na estante lado a lado com os EPUB, mostra imagens e dá zoom (ainda não testei jornais, deixo bem claro). Compartilhar é a palavra-chave do futuro e isso só acontece quando todos falam os mesmos idiomas, ainda que com dialetos diferentes. Inventar aplicativos e formatos exclusivos (e excludentes) vai causar uma confusão semelhante à que ocorreu com os formatos de imagem, anos atrás.

Ricardo Basques