MÍDIA & CORRUPÇÃO

Fernando Pimentel é a bola da vez

Por Guilherme Cardoso em 13/12/2011 na edição 672

Não quero fazer julgamento precipitado de ninguém, mas uma coisa é certa: Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte, vai ter que dar muitas explicações ao povo mineiro e às autoridades policiais sobre a vultosa importância recebida em um ano sob a alegação de consultoria prestada a vários clientes. A mídia o escolheu como a bola da vez. Este tem sido o jogo de bilhar, a conhecida sinuca, o mata-mata das bolas de um a sete. E o temido adversário é a grande mídia, que semanalmente escolhe um ministro, a bola da vez, investiga, descobre falcatruas, denuncia e o joga na caçapa.

É lamentável dizer, mas se a Polícia Federal for acionada e o Ministério Público quiser, basta uma investigação detalhada em todos os ministérios, estatais, ONGs e outras entidades governamentais, e certamente, em todos eles ou na maioria, serão encontradas corrupção, falcatruas, desvios de verbas e má gestão do dinheiro público. Tudo isso por culpa da impunidade e do sistema político vigente, que ninguém quer mudar.

Razões para duvidar da honestidade da maioria dos políticos brasileiros, nós temos de sobra. É só fazer um rápido exercício matemático para chegar a algumas conclusões. Por exemplo: como um candidato a cargo político, vereador, no caso, pode gastar até um milhão de reais numa campanha, sabendo que, se eleito, vai receber, no máximo 60 mil reais mensais? De que jeito em quatro anos um político eleito recupera tal importância investida apenas com o salário legalmente pago?

Não há santo entre os políticos

Não precisa ser muito inteligente para deduzir que quem gasta tanto dinheiro numa campanha, tem certeza que vai participar de várias concorrências, licitações e aprovações de projetos e receber polpudas doações de empresários e interessados nessas transações. Só assim os altos investimentos voltam rapidamente, com juros e correção monetária, fazendo com que em apenas quatro anos um político enriqueça tanto.

Fiquem certos, eleitores. Não há santo entre os políticos.

***

[Guilherme Cardoso é jornalista, Belo Horizonte, MG]

ATENÇÃO: Será necessário validar a publicação do seu comentário clicando no link enviado em seguida ao endereço de e-mail que você informou. Só as mensagens autorizadas serão publicadas. Este procedimento será feito apenas uma vez para cada endereço de e-mail utilizado.

Nome   Sobrenome
 
     
E-mail   Profissão
 
     
Cidade   Estado
 
     
Comentário    

1400
   
Preencha o campo abaixo com os caracteres da imagem para confirmar seu comentário, depois clique em enviar.
Recarregar imagem
   
   



Este é um espaço de diálogo e troca de conhecimentos que estimula a diversidade e a pluralidade de ideias e de pontos de vista. Não serão publicados comentários com xingamentos e ofensas ou que incitem a intolerância ou o crime. Os comentários devem ser pertinentes ao tema da matéria e aos debates que naturalmente surgirem. Mensagens que não atendam a essas normas serão deletadas - e os comentaristas que habitualmente as transgredirem poderão ter interrompido seu acesso a este fórum.

 

Nenhum comentário.

Guilherme Cardoso

DIPLOMA DESNECESSÁRIO

Nota de falecimento

Guilherme Cardoso | Edição nº 543 | 23/06/2009 | 2 comentários

IMPRENSA & CORRUPÇÃO

Se a mídia quisesse mudanças...

Guilherme Cardoso | Edição nº 542 | 16/06/2009 | 0 comentários

JORNAL NACIONAL

Quando a Globo fala bem dos evangélicos

Guilherme Cardoso | Edição nº 540 | 02/06/2009 | 6 comentários

HISTÓRIA REVISITADA

Simonal, quanta hipocrisia

Guilherme Cardoso | Edição nº 538 | 19/05/2009 | 7 comentários

BBB DOS IDOSOS

A ilusão de um programa"democrático" e"pluralista"

Guilherme Cardoso | Edição nº 524 | 10/02/2009 | 4 comentários

Ver todos os textos desse autor