PRINCÍPIOS & FINS

Cartas ao jornal O Globo

Por Eduardo Valente em 20/12/2011 na edição 673

A seção “Direito de Resposta” é um espaço para acolher mensagens e reclamações de leitores dirigidas aos veículos de comunicação. Os temas são livres. Serão descartadas as manifestações ofensivas e as que incitem a qualquer modalidade de intolerância ou crime.

Enviei na quarta-feira (14/12) a seguinte correspondência ao Globo:

Prezados editores de O Globo, agora estou oficialmente preocupado. Como vocês podem ver pela carta abaixo, que enviei nos dois últimos dias, eu achava que algum engano estava acontecendo sobre nenhuma menção ao livro Privataria tucana, às denúncias contidas nele, fartamente documentadas, nem à reação ao mesmo, que ontem levou um deputado federal a pedir abertura de CPI e outros dois a se pronunciarem no plenário. Até mesmo o ex-governador José Serra precisou responder finalmente sobre o tema, afirmando que se tratava de lixo. No entanto, continua não havendo uma linha em O Globo sobre a existência desse livro que, há cinco dias, mobiliza a opinião pública brasileira. Digo que estou preocupado porque, como leitor do Globo que conhece e partilha dos mesmos princípios editorias que o jornal (como exposto no final da minha carta de ontem), agora estou totalmente convencido de que neste momento o jornal encontra-se sob censura.

E, por isso mesmo, quero me irmanar ao jornal na sua luta para escapar das garras deste inimigo tão insidioso que, em um passado ainda próximo, nos afetou a todos de maneira tão tacanha. A publicação, hoje (15/12), de nada menos que 10 cartas em sua seção de correspondência do leitor sobre uma “blindagem” que está sendo feita ao ministro Pimentel me pareceu uma genial maneira (como as antigas receitas de bolo) de explicitar que quem está sob blindagem e ameaças é o próprio Globo, impossibilitado como está de dar voz a este tema grave. Por isso, faço questão de dizer que podem contar comigo para publicar esta minha carta, que agora entendo estar impedida de ser publicada no jornal por forças maiores, nas redes sociais que hoje permitem a nós escaparmos das garras deste animal tão doentio que é a censura. Estamos juntos nesta luta e podem acreditar que não vamos arrefecer nossos ânimos até que esta cortina esteja levantada!

PS: uma outra coisa que podia ajudar era seguir o modelo que o Estadão tem usado, e escrever “O Globo, há cinco dias sob censura” e depois ir atualizando a cada dia. É muito efetivo para deixar clara nossa luta.

“O critério é ser notícia”

A carta anterior, enviada no segundo dia, era:

“Tenho certeza que foi por algum engano que não saiu nenhuma nota no jornal O Globo dos últimos dois dias sobre o livro A privataria tucana, que foi destaque absoluto na internet e estampa uma das principais revistas semanais do país. Afinal, as denúncias, idôneas ou não, que costumam ocupar a capa de uma outra revista semanal, são sempre muito bem repercutidas em O Globo logo na segunda-feira, quando são publicadas. Uma vez que o livro já está em primeiro entre os mais vendidos do país, segundo os mais distintos sites que acompanham o mercado editorial, é certo que ele será logo foco de uma matéria grande neste jornal que se ocupa sempre dos principais temas do país. Não fugirá deste, uma vez que, inclusive, um pedido de CPI já foi feito no Congresso. Quem sabe em seguida não seja resenhado no caderno de lançamentos literários também o livro Crimes de Imprensa, lançado há 15 dias. Sabemos que uma imprensa livre, afinal, é uma demanda do Globo e de seus leitores.

PS: Aproveito para relembrar isso que vi publicado em algum lugar, e achei uma leitura precisa e importante para todos, que me tranquilizou ao saber que partilhamos dos mesmos princípios. Dos princípios Editoriais das Organizações Globo: “(...) Não pode haver assuntos tabus. Tudo aquilo que for de interesse público, tudo aquilo que for notícia, deve ser publicado, analisado, discutido; (...) gostar ou não de um assunto ou personagem não é critério para que algo seja ou não publicado. O critério é ser notícia; (...) as Organizações Globo são apartidárias (...) os jornalistas das Organizações Globo devem evitar situações que possam provocar dúvidas sobre o seu compromisso com a isenção.”

***

[Eduardo Valente é cineasta, Rio de Janeiro, RJ]

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 Marcus Salles
 Enviado em: 26/12/2011 21:32:36
Já enviei o link dessa página para amigos e desconhecidos
 Paulo Pereira
 Enviado em: 27/12/2011 02:52:54
Muito bom. Espero que o diretor da Brickmann&Associados Comunicação, B&A leia essa carta.
 Antonio Bedran
 Enviado em: 27/12/2011 15:17:04
Parabéns. Continuemos a propagar o que os "censurados" evitam como lepra (e É lepra para eles - a verdade os consome...). Vox populi vox Dei. Todos os dias eu divulgo de alguma forma o livro de Amaury Ribeiro Jr.
 Norman Cifuentrs V
 Enviado em: 28/12/2011 06:59:19
Tudo indica para um jornalismo culinário fortalecido.
 Lauro Soares Lellis
 Enviado em: 16/03/2012 15:08:40
Belo Horizonte 16 de Março de 2012 Para O GLOBO Seção “DOS LEITORES” DESINDUSTRIALIZAÇÃO. Com dados do IBGE, apareceu na mídia a “Participação da indústria de transformação no PIB em %”, em um gráfico. No governo Dutra essa participação era de 11%, a industrialização do Brasil tomou força com Getúlio e JK, chegando perto de 18,5% do PIB. Com Jânio e João Goulart caiu para perto de 17,5% e, já com os Governos Militares, Castelo Branco susta a tendência de queda, recomeça crescer com Costa e Silva, chegando perto de 25% no Governo Médici. Veio a 1ª crise do petróleo em 1973 e no Governo Geisel a participação caiu um pouco, para voltar aos 25%. Figueiredo, mesmo com a 2ª crise do petróleo no final de seu Governo, o Brasil atingiu o ápice chegando perto dos 26,5% de participação da indústria na composição do PIB nacional. Começa a derrocada com Sarney, caindo para 21,2%, entra o Collor e dá um pulo para perto de 24%, no maior crescimento médio anual, em seu curto governo. Com o Itamar acontece a maior média anual de queda, caindo para 18,6%. Entra o FHC, o embalo da queda era forte, chega perto de 16,5% no final de seu primeiro mandato e, assessorado por seis crises mundiais, mesmo assim, no final de seu Governo, já estava embalada a retomada do crescimento. O (dês) governo Lula aproveita por dois anos este embalo, chega perto d
 angela ferreira falcao
 Enviado em: 23/03/2012 20:33:34
descaso da comlurb é desagradável a saída do túnel noel rosa, o lixo que acumula na costa do túnel tem galinhas,ratos passeando fora o lixo acumulado.agora eu não entendo é que a comlurb é em frente.espero que limpem antes das chuvas chegarem é vergonhoso. angela ferreira falcao rj
 Angela Silveira dos Santos
 Enviado em: 29/04/2012 22:40:24
Absurdo e a falta de compreensão O que acontece com as pessoas que pagam por assistência médica cara e, PRIVADA!! Por falta de organização, não prestam seus serviços com responsabilidade. Passo a relatar um fato recente: Minha mãe, uma idosa já com seus 76 anos de idade, com muita dificuldade devido a importância para execução de exame de tiróide, foi uma das vitimas dos LABORATORIO SERGIO FRANCO. O material foi coletado por um médico experiente, há mais de 10 anos na área em que se especializou, e entregue por minha mãe no LABORATORIO acima citado, para execução da análise. Dentro do prazo exigido, qual não foi nossa surpresa ao saber que a análise não havia sido executada. Não houve nenhuma comunicação, tampouco explicação nenhuma! Perderam a coleta de material? Excesso de serviço? Irresponsabilidade? Descaso? Enfim, buscamos até hoje uma resposta plausível para o fato ocorrido. Outro exame terá que ser marcado, outra coleta de material. E, uma vez que o primeiro exame teve que ser marcado com três (03) meses de antecedência - tal a demanda para o referido exame -, esta demora deverá se alongar por quase seis meses. Além de tudo, o exame é extremamente estressante e delicado. A partir de agora, certamente, minha mãe passará a ter problemas para dormir, já que terá que recomeçar do zero, por culpa de pessoas que não estão se lixando
 Ana Marconi
 Enviado em: 04/05/2012 13:19:25
domingo, uma senhora ofegante descia a 22 de novembro(fonseca-niterói) com um cadeirante, pois o motorista do 43 avisou que domingo só roda micoronibus por ordem da diretoria pois o movimento é fraco. Ela cansada suando disse que tinha que leva-lo pois o médico na 2 feira era muito cedo e ia dormir na casa de outra pessoa p/ não perder o horário .Então domingo os cadeirantes não podem sair de casa, que beleza essa é a nossa Cidadania.
 Jussara Moté de Carvalho Novaes
 Enviado em: 22/05/2012 23:54:55
Esse não é o Brasil que eu quero para mim. Depois de ouvir tantos discursos de políticos que colocam a saúde pública como mote principal dos seus projetos, tive até lampejos de acreditar neles. Afinal, trabalho com medicina em hospitais públicos, estudei por pelo menos 10 anos e ainda continuo me preparando em pesquisa na saúde, mas sinceramente, tenho que admitir que eu vivo num país completamente contraditório. Depois de ouvir que esses próprios políticos votaram a Medida Provisória 568/2012, que reduz em 50% o salário dos médicos federais ativos e inativos, tenho vontade de caçar cada voto, dizer para cada um desses usurpadores da nossa democracia que não é possível viver nesse Brasil que eles dirigem. Por que o médico tem que pagar pela roubalheira que políticos tem feito nesse Brasil de tantas injustiças sociais? Por que o médico tem que viver correndo de emprego em emprego para ter retorno digno do que tem investido em sua formação para servir à sociedade? Por que o médico e não o desembargador, ou o ministro do supremo, o tecnólogo, senador, ou outro funcionário público, tem seu salário diminuído, contrariando a constituição desse país, que impede que sejam diminuídos os salários? Nesse Brasil de distorções e injustiças, o médico concursado trabalha lado a lado com médico de organizações sociais que ganham salários muitas v

Eduardo Valente