SOPA & PIPA
Mobilização online mostra força das redes sociais
31/01/2012 na edição 679
Em uma manifestação poderosa da força das mídias sociais e líderes em tecnologia, a comunidade online arruinou, pelo menos temporariamente, as duas propostas de lei americanas contra a írataria online e pela proteção dos direitos autorais que reuniam apoio significativo de políticos e grandes empresários.
O Congresso dos EUA tinha agendado para o fim de janeiro a votação dos dois projetos de lei destinados a combater o download e streaming ilegais de filmes, programas de TV e música: o Ato para Parar com a Pirataria Online (Sopa, sigla em inglês), da Câmara, e o Ato de Proteção de Propriedade Intelectual (Pipa, sigla em inglês), do Senado. Entretanto, blogueiros, usuários do Twitter e gigantes das mídias sociais, como Google, uniram-se contra as propostas de lei por medo de que as legislações dessem poder demais às empresas de mídia e constituíssem censura na internet. A pressão online foi tão forte que, apesar dos esforços de 115 empresas e organizações que tinham lobistas trabalhando a favor das leis, o Senado e a Câmara anunciaram, no dia 20/1, o adiamento da votação.
Na semana de 16 a 20 de janeiro, os protestos por conta do Sopa e do Pipa foram o principal tema debatido em blogs e no Twitter, segundo o Índice de Novas Mídias do Project for Excellence in Journalism, do Pew Research Center. Tanto nos blogs quanto no microblog, houve um esmagador consentimento de que as legislações seriam prejudiciais à liberdade na web. Em uma pesquisa relacionada ao assunto, o Pew Research Center for the People & the Press revelou que quase ¼ dos adultos de 18 a 29 anos nos EUA seguiram a batalha da Sopa mais atentamente do que qualquer outro tema há duas semanas, tornando a matéria de mais interesse entre jovens do que a disputa presidencial americana.
Protesto online
O nível de interesse foi demonstrado em um protesto massivo no dia 18/1, com a Wikipedia retirando sua versão em inglês do ar durante o dia e milhares de outros sites tomando a mesma atitude. “Por mais de uma década, passamos milhões de horas construindo a maior enciclopédia na história humana. Agora, o Congresso americano está considerando uma legislação que pode fatalmente prejudicar a internet livre e aberta”, explicou a Wikipedia.
Neste dia, milhões de indivíduos assinaram petições online e expressaram suas opiniões contrárias às propostas. A petição do Google conseguiu adesão de mais de 4,5 milhões de pessoas. No total, foram mais de dois milhões de menções no Twitter e 10 milhões de assinaturas em petições online, segundo a ONG Fight for the Future. A relação entre os protestos e a reação do Congresso foi vista como uma vitória clara e crucial do ativismo online. “Este é o primeiro teste real da força política na web”, comentou Tim Wu, professor da Universidade da Columbia.
Argumentos contra e a favor
Os defensores das propostas Sopa e Pipa alegam que sua intenção é dar às empresas de mídia recursos contra sites que hospedam material pirateado, mesmo se o site não for responsável por produzir ou postar o conteúdo. Nas mídias sociais, entretanto, houve preocupação generalizada de que as leis seriam mais prejudiciais do que benéficas. Muitos acreditam que elas também alterariam para sempre a natureza da internet. “Se forem aprovadas, arruinarão sites sociais. É possível imaginar um mundo sem Twitter, Google, Facebook e YouTube? Não há maneiras desses sites monitorarem seus conteúdos 24 horas por dia”, escreveu a blogueira Amy E. Boyte.
Mesmo antes do dia 18/1, a Casa Branca já havia anunciado a oposição do presidente ao Pipa e ao Sopa. No dia do protesto, houve mais adesões: 19 senadores anunciaram sua oposição, inclusive alguns que as haviam apoiado inicialmente. No dia 20/1, os principais patrocinadores do Sopa e do Pipa anunciaram que iriam adiar a votação das propostas. No Twitter, muitos seguiram as posições do Congresso atentamente. Informações de Paul Hitlin e Sovini Tan [Project for Excellence in Journalism, 27/1/12].
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| rosemeri bordignon |
| Enviado em: 01/02/2012 13:49:09 |
| Entendo que os direitos autorais estão sendo violados desde o momento em que a internet se tornou popular.Porém, não há como monitorar de maneira satisfatória publicações particulares. Essa medida do Governo americano me parece mais um jogo de interesses, uma campanha política, uma maeira de arrecadar mais impostos, do que efetivamente proteger os autores das obras. E sendo campanha política, o que conseguiram foi a contrariedade da opinião pública mundial. |
| Ricardo Oliveira |
| Enviado em: 02/02/2012 13:36:36 |
| Garantir direitos autorais é apenas uma cortina de fumaça. O que está em jogo é o poder da rede. Poder que vem transformando hábitos, inaugurando novos movimentos sociais, derrubando governos,e ridicularizando a informação midiática globalizada. Vale lembrar que Barack Hussein Obama, foi o primeiro presidente que soube utilizar a força da internete pata vencer uma eleição. O mesmo que fez John F. Kennedy, utilizando a força da então crescente televisão em meados do século passado. A internete transfere uma parte do poder, parte significativa, para o cidadão comum. É isso que incomoda os senhores do planeta. |
| fabio de souza santos |
| Enviado em: 02/02/2012 20:00:04 |
| As pessoas confundem direito à informação com uso de direito intelectual alheio.As grandes corporações como Google e Facebook se valorizam graça aos acessos que não seriam o mesmo em quantidade se prestasse tributo à quem os cria.Não creio que seria dificil monitorar e retribuir quem enriquece às custas de idéias alheias.Querem posar de bonzinhos nas costas dos outros.Só estão defendendo seu ganha pão. |
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