CASO PINHEIRINHO
Primeiro Jornal, apologia à violência policial
Por Francisco Fernandes Ladeira em 31/01/2012 na edição 679
Criminalizar a pobreza é uma prática corriqueira das grandes emissoras de televisão do Brasil. Entretanto, nos últimos anos, apoiar a violência policial contra as classes menos abastadas parece ter se tornado uma obsessão para a Rede Bandeirantes. Entre os noticiários da emissora, o Primeiro Jornal, telejornal matutino apresentado por Luciano Ribeiro Faccioli, tem se destacado pelo seu caráter ultraconservador. Na segunda-feira (23/1), ao cobrir uma ação de reintegração de posse da Polícia Militar na comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP),Faccioli,mais uma vez, deixou transparecer suas ideias reacionárias.
O terreno onde se localiza a comunidade do Pinheirinho pertence à massa falida da empresa Selecta, do especulador Naji Nahas(que chegou a ser preso, em 2008, por suspeita de corrupção). Em fevereiro de 2004, a área foi ocupada por um grupo de pessoas que foram expulsas violentamente de um terreno em um bairro vizinho. Nesse mesmo ano, Naji Nahas recorreu à justiça para a retirada das famílias que habitavam a sua propriedade. “A gente está lutando por uma moradia, a gente só está aqui porque a gente precisa, se não precisasse, ninguém estava aqui”, afirmou uma moradora do Pinheirinho à TV Vanguarda (afiliada da Rede Globo na região do Vale do Paraíba).
No domingo (22/11), por volta das seis horas da manhã, contrariando a orientação do Tribunal Regional Federal (que havia suspendido a ação de reintegração de posse pleiteada por Nahas), a PM, cumprindo ordens da justiça paulista, invadiu o Pinheirinho e expulsou brutalmente as cerca de 1.600 famílias que habitavam a comunidade (cerca de 5.000 pessoas).
O apoio da emissora
Apesar de a ação policial ter sido condenada por vários setores da sociedade civil, Faccioli, como era de se esperar, apoiou incondicionalmente a violência promovida pela PM na comunidade paulista. A cobertura de seu telejornal foi absolutamente tendenciosa: ressaltou os danos a propriedades realizados (supostamente) pelos moradores do Pinheirinho e escamoteou a truculência da polícia militar. “Infelizmente a situação aqui no Pinheirinho não é nada agradável. A madrugada foi tensa. [...] Desde o início da ocupação, trinta pessoas já foram presas. A casa do prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury, foi apedrejada. Uma casa lotérica e duas padarias foram roubadas. Dez carros foram incendiados em bairros no entorno [da região do Pinheirinho]”, fez questão de frisar a repórter Brisa Albuquerque.
Ao constatar que um carro de reportagem da TV Bandeirantes havia sido apedrejado, Faccioli foi irônico: “Fomos nós quem expulsamos os moradores, por isso nos atacam.” Evidentemente, não foi a TV Bandeirantes quem retirou os moradores, porém a conivência e o apoio da emissora a certas ações da polícia têm contribuído significativamente para corroborar a barbárie estatal contra a população pobre.
Resquícios da ditadura
Em última instância, segundo o apresentador, o direito de propriedade deve ser incondicionalmente preservado, independente do fato de milhares de pessoas ficarem sem ter onde morar. “O que ele [o proprietário] vai fazer com o terreno é problema dele, o importante é a desocupação”, afirmou. Curiosamente, em nenhum momento do programa foi mencionado o nome do proprietário do terreno e tampouco foram apresentadas informações sobre as atividades ilícitas de Naji Nahas.
Não foi a primeira vez (e provavelmente não será a última) que Luciano Faccioli demonstra todo o seu ódio às pessoas que não concordam com as ações policiais. Em outra ocasião, o apresentador chegou a chamar os estudantes que protestavam contra a presença da PM na USP de “vagabundos”, “vagabundas”, “dementes”, “bandidos”, “doentes” e “cafajestes”.
Infelizmente, pessoas reacionárias como Faccioli fazem com que alguns resquícios da ditadura militar ainda atormentem a sociedade brasileira.
***
[Francisco Fernandes Ladeira é especialista em Ciências Humanas, Brasil: Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e professor de História e Geografia em Barbacena, MG]
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| Carlos Roberto Araújo |
| Enviado em: 31/01/2012 15:34:53 |
| Infelizmente que tá sendo tendencioso é este site, ao questionar a ação legal da policia cumprindo determinação da justiça competente, a justiça federal nao tinha competencia para ajuizar tal ação, em segundo no tópico: RESQUICIOS DA DITADURA este site alega que o jornalista da band não divulgou o nome do proprietario e nem suas atividades ilicitas, mais pra um site que alega ser um OBSERVATÓRIO tinha que ter percebido a materia não se tratava das acusações contra o proprietario mais de uma desocupação, sendo assim como este site me fez entender, posso entrar na casa de um suposto ladrão, ou assassino e tomar posse de seus bens sem precisar ir aos meios legais? Foi a primeira vez que acessei este site e já vi que é um site tendencioso e formados por pessoas utopicas e que deveriam se abster de utilizar-se de tecnologia e deveriam comprar uma area e assim como a igreja ja possui varias propriedades e doar aos trabalhadores, comecem dando o exemplo e nada de so criticar a policia, dinheiro voces tem e muito entao porque querem o do Estado e as coisas alheias? |
| Jonas Sousa |
| Enviado em: 01/02/2012 01:39:46 |
| Discordo completamente do primeiro comentário e acrescento: que o que existe por trás da ação policial é uma declaração de guerra à sociedade. As prioridades do nosso Estado e do nosso sistema foi e será dos mais ricos e poderosos. As famílias que perderam tudo, os "vândalos invasores", esses sim são o lado mais desamparado que merecia toda a atenção positiva da imprensa. E pior, pessoas de "intelecto desenvolvido" da mídia insistem em não enxergar. Abraço e parabéns pelo artigo. |
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