TV NOS EUA

Canais encontram formas de burlar a audiência

07/02/2012 na edição 680

Telespectadores que assistiram ao programa matutino Good Morning America, da rede americana ABC, na última semana de 2011 encontraram o mesmo mix de notícias e fofocas típicas da programação do horário. Mas, pelo menos segundo a medição do Instituto Nielsen, quatro dos programas da semana em questão não foram definidos como Good Morning America, mas sim como programação especial da ABC – e chamados deGood Morning Amer.

O canal fez esta mudança para que a última semana do ano – tipicamente a pior em audiência, por conta dos feriados – fosse ignorada nos índices nacionais de audiência. A alteração possibilitou que a ABC alegasse que o Good Morning America obteve o número mais próximo de telespectadores do Today, da NBC, em 16 anos.

Este é um dos truques de programação usados por executivos de emissoras na medida em que buscam ganhar cada margem dos índices de audiência da TV, já que cada décimo aumenta sua posição e a possibilidade de conseguir anunciantes que gastam bilhões de dólares ao ano. No entanto, estas táticas são familiares para a maior parte dos envolvidos no negócio – que insistem pelos números reais, não as versões artificiais. Classificar um programa como “especial” é apenas uma das técnicas. Outras estratégias incluem colocar comercias nacionais no começo do programa e ampliar a duração da programação.

Truques

A NBC tomou o caminho oposto com o uso da palavra “especial” em sua apresentação do debate das primárias republicanas, no dia 23 de janeiro. Telespectadores atentos notaram que o debate estava dentro de uma edição regular do programa Rock Center with Brian Williams – que dobrou a audiência habitual para mais de 7,1 milhões de telespectadores. O aumento não deve alterar seu futuro – o programa perdeu metade da audiência uma semana depois. Mas, em um período de declínio de público, uma manobra como esta significa que a média para a temporada pode subir um ponto ou dois, o que faz diferença para a emissora.

A manipulação de onde os comerciais são colocados em um programa tornou-se um dos modos favoritos que as redes usam para melhorar seus números. Programas recebem índices de audiência nacionais da Nielsen apenas quando o último comercial nacional é exibido – depois disso, os números não contam.

Outra tática que virou rotina envolve ampliar a duração dos programas mais populares, permitindo que eles sejam exibidos um minuto ou dois além do horário programado para terminar. Isto significa uma audiência maior para o programa seguinte. Informações de Bill Carter [New York Times, 1/2/12].

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