CUBA

O puro exercício do arbítrio

Por Ricardo Noblat em 07/02/2012 na edição 680

Reproduzido do blog do autor http://oglobo.globo.com/pais/noblat/, 3/2/2012; intertítulo do OI

A gente se acostuma com tudo. Até com as coisas mais absurdas, a ponto de esquecer de indagar por que elas são assim e não de outro jeito. Alguém por aqui conhece a razão oficial para que a saída e o retorno de um cubano ao seu país dependa de autorização do governo? (O governo negou autorização para que a blogueira Yoani Sánchez visite o Brasil a convite. É a 19ª vez que Yoani é proibida de sair de Cuba.)

Não, não vale alegar que Cuba é uma ditadura. E que, portanto... Quando me refiro à “razão oficial”, quero dizer: a razão invocada pelo governo cubano. Certamente não será “porque somos uma ditadura”. Jamais uma ditadura se reconhece como tal.

Falei há pouco por telefone com o ex-ministro José Dirceu de Oliveira, amigo do governo cubano e hóspede dele quando foi obrigado a se exilar durante a ditadura militar de 64. José Dirceu desconhece a “razão oficial”.

Falei há pouco por telefone também com o escritor Fernando Moraes, autor do célebre A Ilha, livro lançado em 1976 e que fez um estrondoso sucesso. Fernando desconhece a “razão oficial”.

Vai ver que não existe “razão oficial”. Não faz sentido imaginar que exista o temor de que um cubano aproveite viagem a outro país para transferir dinheiro guardado em segredo. Ninguém ganha em Cuba o que mereça ser expatriado. Não faz sentido imaginar que o governo tema ser alvo de críticas de um cubano que só viajou porque ele permitiu. Depois de 53 anos da revolução, uma crítica a mais não abalará o regime. De resto, se um cubano viajar e falar mal do governo lá fora, naturalmente não desejará voltar. E não o deixarão voltar.

Base de espionagem da CIA

Razão econômica não existe. Nada custa ao governo conceder visto de saída. Pelo contrário. Ele até ganha uns trocados com isso. Sobra um motivo: o exercício do arbítrio em estado puro.

O governo reafirma o poder que detém sobre a vida dos seus governados, premiando com autorização para que viajem os bem comportados e incapazes de lhe criar problemas. Não é o caso de Yoani, reconhecida crítica do regime. Porta-vozes do regime cubano garantem que ela frequenta com assiduidade o escritório do governo dos Estados Unidos, instalado em um prédio de 12 andares cravejado de potentes antenas, no centro de Havana. O escritório não passaria de uma base de espionagem da CIA.

A ser verdade, por que o governo não divulga imagens de Yoani entrando e saindo do prédio? Não haveria maior dano à imagem dela.

***

[Ricardo Noblat é jornalista]

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 André Dantas
 Enviado em: 08/02/2012 21:12:26
Quanto jornalista tosco existe nesse Brasil (Deus meu...). Perceba a metodologia: o jornalista não sabe porquê um cubano precisa de visto de saída. Qual a solução? Ele pergunta para o Dirceu... O Dirceu não sabe? Ele pergunta pro Fernando Moraes... Esse também não sabe? Não tem problema nenhum, o jornalista conclui por conta própria: é arbítrio. Pronto, agora já sabe. Se ele quer a "razão oficial" por que não pergunta ao Governo Cubano (mais oficial que isso impossível...). Além disso, em Cuba existe um troço chamado lei e se o jornalista quisesse fazer jus ao diploma que recebeu poderia fazer uma coisinha chamada "pesquisa" na legislação de lá. Fazendo essas duas coisinhas (isso sem tirar a bunda da cadeira) poderia escrever um texto (ainda que profundamente crítico) bem melhor e fundamentado e prestar um melhor serviço ao leitor, mas foi preguiçoso e preferiu ficar repetindo ideologia de colonizado estadunidense. Por fim, já que sua revolta é porque não pôde receber a visita da Yoani, deveria o jornalista procurar saber porque ela morou anos na Suiça (paraíso) e pediu para voltar para Cuba (calvário castrista). Seria também do interesse dos leitores saber quem financiaria a viagem de Yoani para assistir um filme no interior da Bahia (isso já deu no wikileaks). Isso sim seria jornalismo e não mais um panfletinho rasteiro tipo "veja". Mas seria esperar demais.
 André Dantas
 Enviado em: 08/02/2012 21:19:37
Outra coisa. Já que o jornalista está interessado em imagens, ele poderia solicitar que a Yoani divulgue as fotos que ela alega ter tirado depois de ser "espancada" pela "repressão" cubana (que por sinal teria lhe devolvido a máquina fotográfica!!)... Já fazem dois anos que aguardo sentado por essas fotos tão comprometedoras do regime... E está bom. Já gastei muita vela com defunto ruim.
 Ricardo Oliveira
 Enviado em: 09/02/2012 13:36:26
O autor do texto, defensor da democracia, é o mesmo que sugeriu em seu blogue que se ocupasse a cadeira da presidência da república, quando Lula estava em viagem ao exterior e Alencar internado para uma cirurgia. Pediu abertamente um golpe na democracia. Agora, apresenta-se como defensor de uma blogueira cubana, impedida pelo regime cubano de deixar o país, que para ele, Noblat, é um exemplo do arbítrio. O que dizer então, do cineasta Michel Moore que foi proibido pelo governo americano de visitar Cuba, com a alegação que se fizesse seria preso. Medo de Moore falar bem das conquistas do socialismo cubano ? Tudo isso aconteceu na "democracia" americana. Uma pergunta que não cala: Quais as ligações da blogueira cubana com o Instituo Milleniun, centro de reuniões da extrema direita brasileira ? Toda essa obsessão infantil com a blogueira seria fruto da visita de Dilma a Cuba, e as repercussões de suas declarações sobre direitos humanos ? Ou ainda, os recentes dados sobre sobre a inexistência de analfabetos e também de subnutrição infantil em Cuba, incomodam nossos briosos protojornalistas ? Os caminhos de Cuba devem ser definidos pelo seu povo, não por propagandistas de um estilo de vida idiota calcado no consumo de quinquilharias e na ditadura globalizada, essa talvez a mais cruel, das finanças. Uma alternativa de vida a um modelo suicida, incomoda os abutres da imprensa.
 Ney José Pereira
 Enviado em: 09/02/2012 17:11:32
A companheiradura brasileira acha que o Brasil sempre ignorou Cuba!. Não!. No início dos anos 1960 o Brasil votou favoravelmente a Cuba nas assembleias da OEA!. Naquela época o Brasil (amigo dos states) não acompanhou o Tio Sam na OEA!. E agora o BNDES financiará atividades econômicas em Cuba!. Financiará porque no governo FHC (1995-2002) os estatutos do BNDES foram modificados para a introdução de cláusulas que permitissem o BNDES financiar "países da América Latina"! (sic!)!. Observação: Mas, o governo da presidente Dilma Rousseff não precisa nem deve ajudar Cuba!. Afinal, o Brasil nunca fez mal a Cuba!. O Brasil da capitalista Dilma e a Argentina da socialista Cristina Kistch e o Uruguai do comunista José Mujica têm a obrigação de ajudar o... Paraguai!. Afinal, o Paraguai é do Mercosul!. E Cuba é do MercoCaribe (se é que existe MercoCaribe!)!. Afinal, a tríplice aliança não invadiu Cuba ,mas, destroçou o Paraguai!. Observação: Aquela foto de Dilma Rousseff e Raúl Castro sorrindo é tão horripilante que a Dilma até tapou o rosto com a mão!. De vergonha!.
 Ricardo Oliveira
 Enviado em: 10/02/2012 10:53:48
O comentário de Ney Pereira poderia ser interessante se não fosse um mico-papagaio-platinado.

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