THE NEW YORK TIMES
As muitas vozes de um jornal na era digital
21/02/2012 na edição 682
Sobre artigo de Arthur S. Brisbane, de Nova York (EUA)
“Mais e mais veículos de mídia podem ser vistos como uma federação de vozes, mas é preciso ter um único princípio ou valor unificador”, escreveu o jornalistaDavid Carr,colunista do New York Times, em um artigo que lidou com a tensão entre as expressões de mídias sociais de jornalistas e os padrões estabelecidos por seus empregadores. A inovação digital criou grandes oportunidades para os funcionários e desafios para as empresas, comenta o ombudsman do diário, Arthur S. Brisbane [19/2/12].
O problema faz parte de um fenômeno maior. No ambiente atual, jornalistas do NYTimes podem construir suas próprias redes sociais pessoais, como Twitter e Facebook, enquanto, ao mesmo tempo, uma audiência maior pode acessar blogs e sites que tiram conteúdo do NYTimes. O resultado é um jornal “desconstruído”na web, bem diferente do NYTimes.com.
O jornal deve, ao menos, tentar equilibrar isto, ao usar os próprios jornalistas para reforçar sua voz e seu padrão de jornalismo. O site do jornal deve ser uma âncora que oferece não apenas conteúdo, mas também uma declaração institucional sobre o que pensa. Uma maneira de se realizar isto é ter um portal poderoso, com ferramentas úteis e comunicação direta que pode fortalecer a marca do NYTimes.
Na opinião de Pexton, o portal deveria incluir um blog que permita que a redação e líderes das páginas editoriais comuniquem-se diretamente com leitores, e vice-versa. No passado, o NYTimes publicava uma seção que fazia exatamente isso. Esta prática deveria ser resgatada com o objetivo de dar a editores um lugar para articular filosofia e valores. Outros jornais, como o Washington Post, já oferecemisso com um bom resultado. Um fórum permitiria que o NYTimes faça o que atualmente não tem como: comentar seu próprio trabalho quando é notícia.
Transparência
No ano passado, por exemplo, o diário estava sendo duramente criticado por um artigo sobre um estupro por uma gangue no Texas. Como ombudsman, Brisbane publicou um post sobre o caso em seu blog, oferecendo sua opinião e citando o jornal – o NYTimes não tinha um lugar para falar diretamente com leitores e esperou que o ombudsman o fizesse.
O blog dos editores também deveria fornecer espaço para questões frequentes sobre como uma organização de notícia funciona. “Como jornalistas, todos temos um entendimento de como as seções opinativas e editoriais são separadas das de notícias, mas há muitos leitores que não entendem como funcionam”, explicaCraig Silverman, que edita um blog do Instituto Poynter sobre correções e precisão na mídia.
Uma outra solução seria a publicação de uma lista com informações sobre a equipe do NYTimes. Um outro jornal do grupo, o Boston Globe, oferece uma lista com cargos e departamentos em seu site. Atualmente, no jornal de Nova York, há uma lista incompleta e desatualizada, junto com outros temas. Uma lista atual e bem organizada daria mais transparência. Além disso, seria importante publicar as políticas de jornalismo do diário em um formato que pudesse ser facilmente encontrado e um formulário online para que leitores pudessem submeter sugestões de correções. No ano passado, foram publicadas 3,5 mil correçõesno jornal. O blog e a coluna do ombudsman também não são facilmente encontráveis e, defende Brisbane,deveria haver um link mais destacado para eles.
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