GERAÇÃO SUPERFICIAL
Internet e o comércio da distração
Por Elisangela Roxo em 21/02/2012 na edição 682
A geração superficial, de Nicholas Carr, 312 pp., trad. Mônica Gagliotti Fortunato Friaça, Editora Agir; reproduzido da Folha de S.Paulo, 18/2/2012; título original “Para Carr, internet atua no comércio da distração”
O jornalista americano Nicholas Carr acredita que a internet não estimula a inteligência de ninguém. Ele fez um apanhado teórico sobre a superficialidade que a web provoca no livro A Geração Superficial – O que a Internet Está Fazendo com os Nossos Cérebros, lançado agora no Brasil pela Agir.
Na obra, o autor explica descobertas científicas sobre o funcionamento do cérebro humano e teoriza sobre a influência da internet sobre nossa forma de pensar. Graças a este livro, Carr se tornou referência quando o assunto é oposição aos avanços e às possibilidades criadas pela internet. Para ele, a rede torna o raciocínio de quem navega mais raso, além de fragmentar a atenção de seus usuários.
Mais: Carr afirma que há empresas obtendo lucro com a recente fragilidade da nossa atenção. “Quanto mais tempo passamos online e quanto mais rápido passamos de uma informação para a outra, mais dinheiro empresas de internet, como Google e Facebook, fazem”, avalia. “Essas empresas estão no comércio da distração e são experts em nos manter cada vez mais famintos por informação fragmentada em partes pequenas. É claro que elas têm interesse em nos estimular e tirar vantagem da nossa compulsão por tecnologia.”
A crítica de Carr começou com o artigo “O Google Está nos Deixando Mais Burros?”, publicado em 2008 na revista The Atlantic Review. A repercussão foi tamanha que a história virou livro.
Fronteiras
No ano passado, a obra figurou entre as mais vendidas nos EUA e foi finalista da categoria de não ficção do Prêmio Pulitzer, o “Oscar literário”. O livro foi traduzido para mais de 20 línguas.
Segundo Carr, a internet, com seu alcance ilimitado, pode ser uma ameaça às fronteiras culturais.
“Nosso uso de tecnologia é influenciado por normas sociais e culturais. Mas, a longo prazo, a tecnologia tende a homogeneizar tudo. Ela já começa a apagar as diferenças culturais e estimula um uso padrão em todo o lugar”, ressalta Carr.
“Acho que, ultimamente, a internet é usada de forma igual, com efeitos semelhantes, independentemente do lugar e da cultura.”
Offline
Para tentar recuperar o raciocínio perdido, o próprio jornalista resolveu se desconectar um pouco. Fechou suas contas no Facebook e no Twitter e mantém apenas a atualização de um blog pessoal. Carr afirma não ter interesse em voltar para nenhuma das duas redes sociais. Ele as considera fontes de “limitação do pensamento”.
Apesar disso, o autor aderiu recentemente à nova rede social do Google, o Google+, que diz ter achado “muita chata”.
“Entrei porque escrevo sobre tecnologia e quero entender esse serviço. Apesar de não ser tão banal quanto o Facebook, espero poder encerrar logo minha conta.”
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Muitas hipóteses e uma visão apocalíptica – Carlos Eduardo Lins da Silva
***
[Elisangela Roxo, da Folha de S.Paulo]
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| Gerson Chagas |
| Enviado em: 21/02/2012 16:47:38 |
| Não é necessário ser um especialista da área para constatar o quanto a internet tem fragmentado as relações humanas, represado a percepção crítica e embotado a cidadania, pois é um veículo que se baseia na contemplação narcísica e no fomento à alienação. Nunca antes tanta disponilidade à informação, assim como tão revigorada a estupidificação. |
| Eduardo de Andrade Machado |
| Enviado em: 24/02/2012 16:06:17 |
| Muito embora curiosa e provocativa a obra e a matéria, seria necessária a leitura da argumentação por completo para se realizar uma crítica, para que não se corra o risco de ser leviano com a penas um trecho. Entretanto, há de se notar que o tempo investido em leituras assim, também financiam uma distração, também movem todo um mercado de marketing especializado em formar 'mentes críticas' a partir da leitura, sendo que a obra foi tão divulgada após ser premiada pelo Pulitzer, como diz a mesma matéria. Me questiono se não seria limitar nossa compreensão, endossar a argumentação do autor, visto que de forma alguma as práticas culturais são homogeneizáveis, independentemente do padrão normativo ao qual elas estão pressupostas. Se enveredarmos por este caminho, talvez acaberemos por tampar nossas vistas de antemão à mesma indústria da crítica, que na verdade é falsa crítica, e produz aquilo que um filósofo francês de nome Maurice Merleau-Ponty nominou de 'má dialética', porque o ciclo de compreensão esbarra na metade do curso e não proporciona outro estágio de apreensão da realidade. Aos usuários das redes sociais, se deveria perguntar se os mesmos querem utilizar as redes para seus fins ou para seguirem patamares discursivos de quase robôs treinados pela teoria social. Quem estaria apto a julgar quem? Não se estaria sendo distraído? |
| Fabio de Oliveira Ribeiro |
| Enviado em: 25/02/2012 14:21:52 |
| Comprei este livro a algum tempo, mas o deixei numa das pilhas de livros que pretendo ler. Após ler os dois que estou lendo (um sobre antropologia da cidade, o outro sobre e as relações entre urbanismo e arte) vou ler o livro aqui resenhado com a devida atenção. Pertenço a geração que mergulhou na internet depois de ter chegado a maturidade intelectual, que não usa a rede para comprar coisas e nem se deixa afogar completamente nela. Realmente não consigo imaginar como ou porque a superficialidade se tornou a regra das gerações mais jovens. |






