RÚSSIA

Jornalista francesa expulsa após falar com membros da oposição

21/02/2012 na edição 682

A jornalista e escritora francesa Anne Nivat foi expulsa da Rússia três semanas antes das eleições presidenciais. Autoridades da imigração detiveram Anne depois de ela ter se encontrado com membros da oposição política do país. Ela foi interrogada por quatro horas e teve seu visto de trabalho com direito a diversas entradas em território russo anulado. Também recebeu ordens para deixar o país no prazo de três dias. A jornalista já voltou para Paris.

Em 1998, Anne tornou-se correspondente do Libération em Moscou. Também escreveu, da Rússia, para outros jornais, como Le Soir, Ouest France, Le Nouvel Observateur e Washington Post. No ano seguinte, viajou disfarçada como agricultora para a Chechênia para escrever um livro.

Desta vez, Anne fazia entrevistas para um outro livro. Ela disse que autoridades do serviço federal de imigração da Rússia deixaram claro que não estavam contentes com os contatos que ela havia feito com russos críticos ao primeiro-ministro Vladimir Putin. Formalmente, o serviço federal de migração acusou a jornalista de “violar” os termos de seu visto de trabalho. “Claramente não agradou a eles o fato de eu estar conversando com pessoas da oposição – me falaram isto muitas vezes”, disse Anne ao Wall Street Journal.

O primeiro-ministro (e ex-presidente) vem enfrentando protestos sem precedentes desde as vésperas das eleições parlamentares, em dezembro do ano passado, amplamente vistas como fraudulentas. Mesmo com a classe média descontente com seu governo, Putin deve vencer as eleições presidenciais no dia 4 de março. Até agora, fez poucas concessões aos manifestantes, comparou o símbolo deles a uma camisinha e os chamou de serventes do Ocidente.

Censura

Segundo grupos em defesa da liberdade de expressão, a expulsão da jornalista é apenas mais uma ação do Kremlin contra a imprensa – o governo é acusado de falhar na investigação de assassinatos de jornalistas russos, incluindo o da repórter investigativa Anna Politkovskaya, morta a tiros em Moscou em 2006, e de usar táticas da KGB contra repórteres que não agradam àqueles no poder. “Pedimos às autoridades russas que permitam que Anne Nivat retorne ao país e escreva sobre eventos importantes nas vésperas das eleições presidenciais de março sem medo de represália”, afirmou Nina Ognianova, do Comitê para a Proteção dos Jornalistas.

O escritor Andey Dmitriev disse, em seu blog, que a jornalista não encontrou com líderes da oposição, mas com um “espectro variado de pessoas”, e que nada semelhante havia acontecido nas diversas viagens a trabalho que ela havia feito anteriormente. Antes de sua deportação, ela viajou para diversas áreas da Rússia e se encontrou com representantes do Yabloko – partido liberal, cujo líder, Grigory Yavlinsky, foi desqualificado recentemente de concorrer às eleições contra Putin – e também com comunistas locais.

O presidente do serviço federal de imigração, Konstantin Romodanovsky, disse que a expulsão de Anne pode ser revertida. “Fatos preliminares mostram que a decisão estava errada. Talvez, possa ser revertida”, afirmou, ressaltando, em entrevista à agência de notícias RIA Novosti, que demitiu o chefe do serviço na cidade de Vladimir, onde a jornalista estava quando foi presa. Informações de Luke Harding [The Guardian, 14/2/12].

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