CASO ELOÁ

O espetáculo nosso de cada dia

Por Paula Roberta Santana Rocha em 21/02/2012 na edição 682

Mais uma vez, não é de se admirar a forma como os meios de comunicação brasileiros cobriram o julgamento do caso Eloá. O assunto foi de grande repercussão em todos os meios de comunicação, mas principalmente na televisão, que obviamente possui os maiores índices de audiência e é o veículo onde a maioria das pessoas pôde acompanhar o caso.

Foi possível observar, ao acompanhar a cobertura do caso na TV, certo mimetismo nas notícias apresentadas, sem diferenciação de enfoques e argumentos. O que mudava eram apenas os repórteres, apresentadores e emissoras, não os argumentos, os gestos, as temáticas. Cada uma das emissoras exibia a notícia da mesma maneira. Não havia nenhum enfoque diferente nas informações e os excessos eram claros. A exploração da violência, do crime e tragédias pela televisão não constitui uma novidade – ademais, elas estão nos discursos e narrativas jornalísticas. O “mundo dos espetáculos” torna qualquer contexto, seja ele econômico, político, social ou cultural, uma sucessão de espetáculos ou mega espetáculos.

A Band, através de seu programa Brasil Urgente, foi, sem sombra de dúvidas, a que mais espetacularizou o julgamento do caso. Nos dias do julgamento, e mesmo após o julgamento, a única pauta era essa. Um excesso de repetições e uma exploração do assunto até não haver mais nada para se falar. O espetáculo do horror estava ali, sendo explorado minuto a minuto até que se esgotassem todas as possibilidades de novos assuntos. O crime, a violência, a tragédia foram o prato cheio para a televisão nesta semana. As cenas em que Eloá fora mantida em cativeiro eram constantemente retransmitidas, entrevistas com especialistas judiciários e a sede de justiça da população eram a cada minuto um espetáculo midiático sem precedentes.

Através de mais um exemplo diário de como a mídia constrói e vive espetáculos, parafraseando Douglas Kellner, percebe-se, de fato, que a experiência e vida cotidianas estão sendo moldadas e mediadas pelos espetáculos da cultura da mídia e pela sociedade do consumo. Isto é uma realidade, está presente em nossas vidas e não há como escaparmos dela.

***

[Paula Roberta Santana Rocha é jornalista e mestranda em Comunicação pela UFG]

Este é um espaço de diálogo e troca de conhecimentos que estimula a diversidade e a pluralidade de idéias e de pontos de vista. Não serão publicados comentários com xingamentos e ofensas ou que incitem a intolerância ou o crime. Os comentários devem ser pertinentes ao tema da matéria e aos debates que naturalmente surgirem. Mensagens que não atendam a essas normas serão deletadas - e os comentaristas que habitualmente as transgredirem poderão ter interrompido seu acesso a este fórum.

ATENÇÃO: Será necessário validar a publicação do seu comentário clicando no link enviado em seguida ao endereço de e-mail que você informou. Só as mensagens autorizadas serão publicadas. Este procedimento será feito apenas uma vez para cada endereço de e-mail utilizado.

Nome

  Sobrenome
 
     
E-mail   Profissão
 
     
Cidade   Estado
 
     
Comentário   Confirme o código da imagem

1400
 
Recarregar imagem
   
   
   

 

 Webert Machado
 Enviado em: 23/02/2012 19:57:54
Moção de Repúdio às três grandes redes de TV aberta Bandeirantes, Globo e Record Moção de Repúdio que faço às redes de TV abertas Bandeirantes, Globo e Record pelo péssimo exemplo e pelo mau jornalismo que praticam. Enquanto a Nação hoje, estava atenta à histórica votação da constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa pelo STF, as 3 maiores emissoras de TV do Brasil estavam preocupadíssimas na disputa do Ibope à custa da desgraça alheia cobrindo e enchendo a paciência de todos os telespectadores com mais um - dentre tantos, caso de crime passional, o caso Eloá, de Santo André! * * * * * É este mau jornalismo que colabora com a alienação da população brasileira para os sérios e reais fatos que afetam a qualidade de vida de todos os brasileiros. Repúdio o falso e vazio jornalismo que praticam!

Paula Roberta Santana Rocha

INFORMAÇÃO & SOCIEDADE

Para onde vai nossa televisão?

Paula Roberta Santana Rocha | Edição nº 689 | 10/04/2012 | 2 comentários

EMOÇÃO & INFORMAÇÃO

O sensacionalismo no jornalismo digital

Paula Roberta Santana Rocha | Edição nº 671 | 06/12/2011 | 0 comentários

Ver todos os textos desse autor