FOLHA DE S. PAULO
Susana Singer
21/02/2012 na edição 682
“#nãofaçanadaestúpido”, copyright Folha de S. Paulo, São Paulo (SP), 19/2/12.
“Estreia do Corinthians na Libertadores, quarta-feira passada. Sai o primeiro gol, do Deportivo Táchira, já no primeiro tempo. No Twitter, um jornalista da Folha comemora: ‘Eu disse que o ano ia começar a ficar divertido. (Agora só falta a obra do estádio desabar)’
Reação de um seguidor: ‘Torcer contra, beleza; tirar sarro, tudo bem; pedir por uma tragédia é coisa de imbecil’.
Resposta: ‘Ui’.
O diálogo retrata bem os perigos das mídias sociais. Basta pensar e teclar. Talvez nem precise pensar... Em apenas 140 caracteres, dá para ofender a segunda maior torcida do Brasil, desejar um acidente e desdenhar de um leitor.
No dia seguinte, foi a vez de um apresentador da Rede Globo, que tem 1,5 milhão de seguidores, soltar impropérios na internet. Ele xingou de ‘babaca’, ‘otário’, ‘tribufu’e ‘retardado’quem o provocou.
É a festejada interação jornalista/público que Twitter, Facebook & cia. permitem hoje. Não se trata de negar os ganhos que essas novas mídias trouxeram à reportagem: ficou fácil medir a repercussão de determinados assuntos, recolher sugestões de pauta, fazer contato com especialistas e obter informações de pessoas que vivem sob ditaduras ou em situações extremas.
O problema é administrar o caos. As redes sociais vivem do imediatismo (não há a mediação de um editor), da mistura do pessoal/profissional e da egolatria.
As principais empresas de comunicação estão discutindo adendos aos seus códigos de conduta, numa tentativa de colocar baias seguras, mas eis uma tarefa insana.
A SkyNews baixou, no último dia 7, uma orientação que proíbe os jornalistas de retransmitir mensagens que não sejam produzidas pela Redação. É uma tentativa de evitar a propagação de notícias falsas ou que fujam dos padrões editoriais da empresa, mas também de impedir que se faça propaganda dos concorrentes na internet.
Na BBC, a nova orientação é não mais correr para o Twitter sempre que houver uma informação nova. A prioridade é avisar a chefia da Redação, numa forma de restabelecer o controle sobre os repórteres.
Nos EUA, a CNN suspendeu, no último dia 8, um comentarista que, também movido pela adrenalina do esporte, tuitou uma mensagem considerada homofóbica: ‘Se um cara vai na sua casa ver o Super Bowl e fica todo animado com a propaganda de cueca do David Beckham para H&M, encha ele de porrada’.
No comunicado em que anuncia a suspensão, a CNN ressalta que aquele tipo de linguagem não é compatível com os ‘valores e a cultura da organização’.
Na Folha, as regras são muito genéricas, dizem apenas que o jornalista deve evitar:
1) manifestar posições partidárias e políticas;
2) antecipar reportagens que serão publicadas ou divulgar bastidores da Redação, a menos que seja decisão do jornal;
3) emitir juízos que comprometam a independência ou prejudiquem a imagem da Folha;
4) o jornalista deve agradecer a eventuais críticas e indicações de possíveis erros e encaminhá-las ao superior hierárquico.
Sobre o caso do jornalista que torceu contra o Corinthians e o seu estádio, a Secretaria de Redação avalia que o profissional violou o item 3 do código acima, ou seja, prejudicou a imagem do jornal.
Assegurar a presença da marca Folha nas mídias sociais, que muitos creem vitais para o futuro da imprensa, e não perder a identidade é um tremendo desafio. Regras demais podem tornar as mensagens anódinas a ponto de parecerem despachos de agências de notícias.
Mas talvez um quinto mandamento, retirado do guia de mídia social da BBC, fosse útil por aqui: ‘Todas as recomendações podem ser resumidas em: ‘não faça nada estúpido’.”
Este é um espaço de diálogo e troca de conhecimentos que estimula a diversidade e a pluralidade de idéias e de pontos de vista. Não serão publicados comentários com xingamentos e ofensas ou que incitem a intolerância ou o crime. Os comentários devem ser pertinentes ao tema da matéria e aos debates que naturalmente surgirem. Mensagens que não atendam a essas normas serão deletadas - e os comentaristas que habitualmente as transgredirem poderão ter interrompido seu acesso a este fórum.
ATENÇÃO: Será necessário validar a publicação do seu comentário clicando no link enviado em seguida ao endereço de e-mail que você informou. Só as mensagens autorizadas serão publicadas. Este procedimento será feito apenas uma vez para cada endereço de e-mail utilizado.
RELAÇÕES PÚBLICAS
Memória e história das organizações
| Edição nº 695 | 22/05/2012 | 0 comentários
OBSERVAÇÃO DO LEITOR
Jornalistas acima do bem e do mal
| Edição nº 695 | 22/05/2012 | 0 comentários
REINO UNIDO
Depois de sete anos, caso dos grampos ainda longe do fim
| Edição nº 695 | 22/05/2012 | 1 comentários
JORNALISMO LOCAL
Warren Buffett compra 63 jornais nos EUA
| Edição nº 695 | 22/05/2012 | 0 comentários
NEWS INTERNATIONAL
Murdoch nega intenção de venda de jornais britânicos
| Edição nº 695 | 22/05/2012 | 0 comentários
Ver todos os textos desse autor






