COMO RATINHOS
A “hamsterização” do jornalismo multimídia
20/06/2011 na edição 647
Artigo publicado na semana passada na Wired fala sobre a “hamsterização” do jornalismo americano. Trata-se do jornalismo multimídia e multitarefas – cada vez mais comum – que exige que um repórter de jornal se desdobre para, além de escrever suas matérias no papel, blogar, videoblogar, postar no Facebook, fazer podcasting, publicar fotos na internet e twittar. O termo foi usado pela Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC, na sigla em inglês) para definir o aumento contínuo de tarefas digitais no rotina dos jornalistas.
Em um relatório sobre as necessidades de informação nas comunidades e as mudanças no cenário da mídia diante da era da banda larga, a FCC lembra que este aumento de tarefas ocorre em grande parte por conta do enxugamento das redações. “Estas responsabilidades adicionais – e ter de aprender as novas tecnologias para executá-las – consomem mais tempo e vêm com um custo. Em muitas redações, o jornalismo à moda antiga – do tipo em que o repórter vai às ruas falar com as pessoas ou sondar membros do governo – tem sido, por vezes, substituído pelas buscas na internet”, alerta o estudo.
Volume pelo volume
A comparação com o hamster tem relação com a roda colocada nas gaiolas dos pequenos roedores domesticados para que eles se exercitem. O fechamento sem fim nas redações – em que depois de entregar a matéria para o formato impresso é preciso inseri-la nos outros formatos – lembraria o movimento sem fim dos ratinhos correndo dentro da roda. A observação foi feita originalmente em um artigo do jornalista Dean Starkman na Columbia Journalism Review. O relatório da FCC cita Starkman, afirmando que a roda na gaiola do hamster não tem a ver com velocidade, e sim com movimento. “É o movimento pelo movimento... o volume sem consciência. É o pânico das notícias, falta de disciplina, a inabilidade de dizer não”. Ele continua: “A roda do hamster são as investigações que você nunca vai ver, o bom trabalho por fazer, o serviço público não executado”.
As observações de Starkman impressionaram Steven Waldman, jornalista que coordenou a equipe responsável pelo relatório da FCC. “Como eu agora trabalho no governo federal, decidi burocratizar um pouco a expressão”, brincou. “E agora nos referimos a isso como ‘hamsterização’”. Informações de Matthew Lasar [Wired, 13/6/11].
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| Fábio Rogério Gimeni |
| Enviado em: 22/06/2011 11:25:43 |
| Nós leitores, pelo menos os da minha geração, acredito: já vivemos esta "roda". Tudo bem que muitas vezes publiquemos opiniões diferentes em diversos meios mas, eu por exemplo: não deixei de comentar aqui, comento no web site da Folha, aprovo conteúdos no MSN, twitto reportagens, criei um blog, tinha um spaces, participo de fóruns, opino no youtube, leio e repondo minhas três contas ativas de e-mails, participo de outras comunidades, tudo isso e mais, diariamente. Pode? Pode sim e é muito divertido e proveitoso! Agora, voltando para o jornalismo, em minha cidade, por exemplo, há anos o jornal impresso local diário, não apresenta reportagens investigativas, acreditava eu que por terem maior custo financeiro, ou mesmo incapacidade ou inexperiência técnica. Por fim, independente de serem "cópias" ou pesquisas na web ou mesmo serem onerosas para a redação, a qualidade final das reportagens não se adequam às minhas necessidades de "momentos da verdade". A qualidade da leitura é zero. É o mesmo que ler nada para nada. E, o papel do jornal, que deveria ser o de publicar o bem para o povo, ou instiga-lo a lutar por dias melhores, servir aos cidadãos, acaba por ser nada versus nada. Teremos que voltar às praças pra firmar nossas opniões, ops!, que tal ao Twitter? |
| Rosicler Santos |
| Enviado em: 03/08/2011 22:35:32 |
| Muito bom esse artigo,associo a uma fábula ,onde um ratinho esperto tentou avisar no galinheiro que a dona da casa estava doente,as galinhas não ligaram e uma virou sopa.A dona casa morreu ,e ele foi avisar os porcos,que também não deram importância,como veio muitas pessoas ao funeral um dos porcos foi assado......e a fábula continua.....assim eu comparo o jornalismo. |
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