CRISE COM A BOLÍVIA

A imprensa alimenta radicalismos

Por Luciano Martins Costa em 09/05/2006 na edição 380

A imprensa latino-americana ainda pensa em preto-e-branco, linearmente e em apenas duas dimensões. Lentamente, mas de forma inexorável, essa visão antiquada, mecanicista e principalmente irresponsável sobre o funcionamento do mundo mantém aquecidos na sociedade continental os ovos de duas serpentes que, historicamente, estão destinadas ao auto-aniquilamento. E com o triunfo suicida dessas duas serpentes corremos o risco de ver naufragarem importantes conquistas individuais e sociais, entre as quais a própria democracia.

A perspectiva resumida acima pode ser contraposta a esta outra, também válida: a imprensa latino-americana é antiquada, voltada para o passado, comprometida com forças políticas e econômicas que historicamente se opõem ao progresso social, mas a complexidade da sociedade contemporânea traz em si mesma uma energia que se impõe como um tsunami sobre todas as âncoras que tentam obstruir o processo evolutivo da história.

Na primeira visão, somos induzidos a acreditar e temer que de fato ocorre no continente uma "onda vermelha" representada por governantes populistas, esquerdistas, nacionalistas, cuja ação ameaça isolar das grandes oportunidades globais os 36 países da região e seus 517 milhões de habitantes. O noticiário sobre a recente decisão do governo boliviano de nacionalizar suas reservas de gás, predominante na grande imprensa regional, nos induz a enxergar no horizonte o apocalipse do fundamentalismo indígena.

Na visão oposta, o processo de globalização, até aqui conduzido de maneira opressiva e irresponsável – observem-se as enormes dificuldades dos organismos multilaterais para fazer cumprir em tempo aceitável os protocolos de defesa da biodiversidade, da diversidade cultural e dos direitos fundamentais da sociedade civil nas atividades do capital internacional –, acaba provocando o fenômeno recente de ascensão de novos líderes nacionalistas. Ou seja, quanto mais agressivo e menos respeitoso em relação aos direitos dos povos, mais o capitalismo globalizado produz seu próprio antivírus.

Destaque-se, em meio à histeria e à irracionalidade geral, a esclarecedora reportagem da revista CartaCapital e a ponderada inteligência do comentarista Mário de Almeida, na TV Gazeta de São Paulo. Almeida brindou os privilegiados telespectadores do programa conduzido pela apresentadora Maria Lídia, na noite de sexta-feira (5/5), com uma análise simples e brilhante: a Bolívia está tentando valorizar seus ativos naturais, a Petrobras tem acumulado lucros suficientes para absorver o impacto do aumento do preço do gás sem onerar seus clientes, a oposição faz oposição e os diplomatas do governo anterior têm seu próprio viés, que nunca será imparcial.

Pensamento conservador

Faltou lembrar que as reservas de gás de Camisea, no Peru, são uma fonte alternativa contra o risco de um "apagão" que estará disponível já em 2007. Que o Brasil é importante parceiro dessa iniciativa, cujas obras foram iniciadas em 2004, com a participação brasileira no capital, no projeto e na execução. E que o temor dessa concorrência iminente pode ter motivado mais a atitude de força do presidente boliviano Evo Morales do que suas conhecidas premissas ideológicas.

Mas a imprensa prefere acenar com o fim do mundo. Mesmo se declarando liberal, o que a conduziria a concluir que, no final, o mercado imporá algum equilíbrio nas negociações em torno do preço e da disponibilidade de gás, nossos formadores de opinião correm para trás. Porque a grande imprensa latino-americana não chega a ser liberal. Sua constituição ideológica é autocrática, sua visão econômica é anterior ao liberalismo.

Contempla melhor os interesses da grande imprensa continental a visão que se alimenta na superficialidade de obras como o Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano, escrita pelo cubano Carlos Alberto Montaner em parceria com o peruano Alvaro Vargas Llosa e o colombiano Plinio Apuleyo – todos eles jornalistas, diga-se de passagem.

A obra foi concebida como um panfleto de autogozação, tendo sido, os três autores, jovens de classe abastada simpatizantes da esquerda. O que era apenas um deboche acabou se convertendo em vade mecum do pensamento conservador latino-americano, citada como referência por articulistas que dão todos os sinais de nunca o haverem lido. Só isso explica o fato de intelectuais e jornalistas ligados ao PSDB usarem o livro como referência, desconsiderando que os autores alinham o sociólogo Fernando Henrique Cardoso entre os grandes formadores da suposta imbecilidade dos latino-americanos.

Stalinismo e integralismo

A imprensa escolhe o viés do conservadorismo e da exacerbação da intolerância, para se fazer representante de qualquer coisa relevante. Mas também por ignorância de seus próceres, que seguem linear e planamente desconhecendo ou desprezando a natureza das complexidades que governam as relações do nosso tempo, mas também por pura irresponsabilidade.

Fechados na bolha dessa mídia, que exclui o contraditório e não enxerga a diversidade de visões com que se pode hoje ver o mundo, os cidadãos que têm acesso ao conhecimento podem estar progressivamente se afastando de valores que nos ajudaram a iniciar a reconstrução da democracia no continente e a alcançar certa modernidade em nossas sociedades.

Dentro dessa bolha podem estar vicejando as duas serpentes da intolerância: o stalinismo que se infiltra nas demandas por mais justiça social, dentro e fora dos governos da região, e o fascismo que se nutre do medo essencial da classe média – o horror ao coletivismo. Não é por puro senso de oportunidade que os herdeiros ideológicos de Plínio Salgado estão em campanha de arregimentação para seu movimento integralista em São Paulo. Os dois extremos da insanidade política sabem que o caldo de cultura pode estar pronto para o triunfo da estupidez.

Este é um espaço de diálogo e troca de conhecimentos que estimula a diversidade e a pluralidade de idéias e de pontos de vista. Não serão publicados comentários com xingamentos e ofensas ou que incitem a intolerância ou o crime. Os comentários devem ser pertinentes ao tema da matéria e aos debates que naturalmente surgirem. Mensagens que não atendam a essas normas serão deletadas - e os comentaristas que habitualmente as transgredirem poderão ter interrompido seu acesso a este fórum.

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 Alexandre Carlos Aguiar
 Enviado em: 09/05/2006 14:43:10
Aliás, o que não faltam são parcialidades nessa imprensa e seus agregados. No dia posterior à decisão do presidente da Bolívia uma série de formadores de opiniões, especialistas em energia, sociólogos, antropólogos e jornalistas em geral ocuparam as estações de rádio, de televisão e os jornais imprensos para extravazar, ora um severo descontentamento, ou uma ansiedde incontida, ou, ainda, um puxão de orelhas no presidente Lula por uma suposta inércia nas decisões. Nessa mesma manhã, na rádio CBN, logo após a fala de um diplomata e da magistral aula de energia dada pelo engenheiro Pinguelli Rosa sobre como deveria ser o comportamento do Brasil nessa questão e informando, ambos, que as coisas se resolveriam, vem a colunista Miriam Leitão a dizer que não concordava com aquilo que acabara de ouvir, pois a decisão do Brasil (Lula, especialmente) deveria ser enérgica e na mesma medida, ou então a "honra" do Brasil se esfacelaria. Ouviu-se até um "indiozinho" proferido, mais tarde, pelo Arnaldo Jabor que, olha, em outras épocas dava cadeia! Será que alguém quer aparecer, quer ser mais realista do que o rei? Será que acreditam mesmo nessa história de quarto poder e agora é a hora desse "poder" tomar decisões?
 Gilson Raslan
 Enviado em: 09/05/2006 17:02:09
O articulista Luciano Martins Costa falou tudo que a mídia teima em não ver, por ignorância ou conveniência. Com lucidez, objetividade e inteligência, o artigo é uma cartilha para a mídia comprometida com a classe dominante em detrimento dos interesses da grande massa, que, afinal de contas, é quem elege nossos governantes. Parabens, Luciado.
 Ismael Rocha Negri
 Enviado em: 09/05/2006 20:11:23
Pode até parecer bincadeira, mas não é! Enquanto, no Brasil, houver uma emissora de TV que faz jornalismo tendencioso, e esta emissora for (ao menos é o que se diz por ai) a de maior audiência (que eu não acredito, pois a maioria das pessoas que eu conheço assiste aos telejornais de outras emissoras), o Brasil estará sujeito aos julgamentos por ela denunciados. A Rede Globo de Televisão faz, indevidamente, o papel de promotor e juiz: acusa e julga. Porém, nunca absolve. No Brasil, infelizmente, as pessoas (na sua grande maioria) não tem opinião própria. Elas fazem, comem, veste, ouvem... TUDO o que a novela mostra, o que a Xuxa usa, o que o Faustão fala etc. Se, apenas no entretenimento estes, digamos, "usos e costumes", fossem objetos de "exemplo", tudo bem. Porém, o jornalismo não! Não sou jornalista, mas na minha humilde e singela opinião, a emissora, o jornalista, a redação, quem quer que seja, tem o DEVER de informar, porém, ISENTANDO-SE de opniões e críticas pois, assim, teriamos um país capaz de decidir soberanamente sobre o seu futuro. Que os filhos de nossos filhos possam ter a felicidade de ver um jornalismo de qualidade. Ismael Negri
 Fernando Lindoso
 Enviado em: 10/05/2006 00:43:44
Gostaria de agradecer pelo brilhante artigo,informativo,esclarecedor e acima de tudo lúcido.Fernando
 Angelo de Souza
 Enviado em: 10/05/2006 09:57:23
Não só a imprensa brasileira, mas a boliviana, que acompanho diariamente, distorce os fatos em favor de uma perspectiva na qual o que menos conta é o interesse das populações de todas as camadas, dos dois lados da fronteira, e sim o ganho político imediato. Do lado de cá, é nítido que os comentaristas econômicos e políticos em geral querem atacar o Lula, a quem nunca engoliram, e a Petrobras, a quem não desistiram de lotear e entregar. Evo Morales exagerou, parece estar servindo a outros interesses, conscientemente ou não, mas não é hora de convocar a cavalaria para exterminar os indiocitos, como querem fazer crer certos cineastas frustrados ou certos bicos de tucano que andam por aí.
 Alecu Castilho
 Enviado em: 10/05/2006 11:31:28
Não ouvi o "indiozinho" do Jabor, mas acredito. Em outro momento, numa enumeração, ele falou da união entre o "neopopulista venezuelano, o cocalero boliviano e o peronista argentino". Todas as palavras ditas com desprezo. Ou seja, "cocalero", para ele, é palavrão.
 Zulcy Borges de Souza
 Enviado em: 10/05/2006 11:50:02
Bastante oportuna ainda que só no plano macro a análise. O leitor em geral está com relação ao caso simplesmente teleguiado quando não enojado com alinhamentos patrioteiros como o do jornão do ão. A questão Bolívia remete a uma ideologização bushiana de toda imprensa brasileira que valeria ser mais esmiuçada por este Observatório.
 Apolonio Silva
 Enviado em: 10/05/2006 15:54:18
É muito ilustrativo: sempre que acabo lendo um artigo que é a favor da diversidade de opiniões, lá pelo meio do texto encontro que as únicas opiniões diversas válidas são as do próprio autor, que ele apresenta após axincalhar todas as outras. Depois de termos criado o preconceito invertido do operário que tinha que ser presidente porque se não fosse seríamos uma sociedade preconceituosa, devemos ir atá a Bolívia dar parabéns ao Evo Morales que desapropriou (e pode nem pagar) ativos de uma empresa nacional, porque se não fizermos assim, é porque seremos iguais ao Bush que trata o Iraque com Tomahawks. Tenha a santa paciência. A esquerda tem na américa latina tudo aquilo que sempre sonhou, e quando vê o resultado, quer tapar o sol com a peneira. Faça-me o favor.
 L. Paulo Azevedo
 Enviado em: 10/05/2006 16:40:19
Impressionante! Com um título que sugere uma abordagem equilibrada e inteligente, o autor embala uma reportagem que peca pela absoluta falta de discernimento e parcialidade. Tratar "reportagens" e artigos da revista Carta Capital como ponderados, esclarecedores e inteligentes é fazer pouco da inteligência do leitor. Será pedir muito que o autor se inteire melhor sobre os fatos para produzir pensamentos mais matizados antes de analisar o suposto "radicalismo" de órgãos de imprensa efetivamente bem-estruturados? Dá até preguiça comentar...
 Claudia Rodrigues
 Enviado em: 10/05/2006 16:48:27
A imprensa nunca engoliu também Maluf, Garotinho, Pitta, Collor... Será que foi por preconceito de classe ou por cumprir o mínimo que dela se espera, ou seja, algum bom-senso e esclarecimento? Se não fosse a imprensa ter construído Lula, talvez hoje não precisássemos ouvir Chico Buarque destilando preconceitos de classe, enquanto acredita ter uma visão isenta e justa da sociedade brasileira. O problema, minha gente, é a qualidade de nossos políticos, seja a esquerda ou a direita. Se estamos como estamos, não foi apenas graças a políticos de direita, que, a rigor, o país sequer possui. Tivemos oligarquias, assim como tivemos políticos de esquerda explorando a miséria da população. O que falta, repito, é qualidade entre nossos representantes da classe política. A prova cabal de que nosso problema não é excesso de "direitismo", um recurso infalível na propaganda de certos políticos, é que até FHC, que sempre foi um socialista, é tratado hoje como "direitista". EStamos é atravessando o pior momento de nosso cenário político porque perdemos o absoluto senso de realidade, a ponto de termos hoje no poder alguém que pode fazer o que bem entender sem, além de não receber nenhum tipo de puniçao, contar com a absoluta benevolência da população. Acho que nunca estivemos num buraco tão grande como agora.
 Francis Gomes vale
 Enviado em: 10/05/2006 17:36:03

10/05/2006 ¦ 14:22 Que cada um cumpra com seu dever Cadê aquele velhinho que meteu a bengala na cabeça do então deputado José Dirceu (PT-SP)? Chamem ele depressa antes que Sílvio "Land Rover" Pereira acabe de depor na CPI dos Bingos. Orientem o velhinho para se postar à saída da sala onde funciona a CPI. E que tão logo que veja Silvinho saindo... Bem, ele sabe o que fazer.

O texto acima foi transcrito do blog do jornalista Ricardo Noblat, aquele mesmo que tanto condena a violência de invasões realizadas pelos sem-terra. Devo esclarecer que seu escrito enquadra-se nas penalidades previstas nos artigo 286 e 287 do Código Penal Brasileiro, que dizem o seguinte: 286 - Incitar, publicamente, a prática de crime. 287- Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime.

Até quando vamos ter que tolerar esse tipo de abuso do direito de manifestação de pensamento? Que autoridade pode ter um jornalista e um meio de comunicação que INCITAM E FAZEM APOLOGIA da violência?

 André Da Silva
 Enviado em: 10/05/2006 21:02:49
Concordo com as opiniões deste jornal de debates sobre a cobertura da imprensa brasileira. O desespero bate forte na mente da oposição. O Brasil não está em situação mais favorável ou em condições de explorar nossos irmãos latinos (como FHC pensou que podia fazer, replicando o modelo neoliberal de exploração no continente). Somos mais cumplices da expropriação capitalista do que outra coisa: olhe para os 500 anos de história da Bolivia (veja artigo de Eduardo Galeano no site da CUT), qualquer semelhança com nossa história não é mera coincidência. LULA parabéns. Faça mais pelos brasileiros: nacionalize a Vale do Rio Doce. Nosso minério também é entregue a preço de banana ao japoneses e seus sócios tucanos. O minério é nosso. Evo Morales para presidente do Brasil!
 L. Paulo Azevedo
 Enviado em: 10/05/2006 23:38:37
Que pequenez o comentário que sugere ser um ato de violência previsto no Código Penal a ironia usada por Noblat (sobre um velhinho de bengala) em seu artigo. Incitamento de violência já tivemos de aturar, e muito, só que comandados e instigados pelo próprio PT e seus militantes...
 Antonio Castro Ribeiro
 Enviado em: 11/05/2006 00:43:00
Brilhante!!! A população deste país precisa pensar na atuação da imprensa brasileira urgente, não é possível que o desrespeito a inteligência da população continue. O texto acima nos ajuda a refletir melhor. Parabéns!!! O OI é sem dúvida muito bom, diferente de outors meosa de comunicação, aqui não se prejulga mas nos leva a uma análise pelos fatos narrados de modo esclarecedor.
 Radamés A. Pereira da Silva
 Enviado em: 11/05/2006 01:50:32
É curioso o nacionalismo repentino de setores da imprensa que não se indignaram com a desnacionalização de FHC. O país ficou vulnerável, em setores muito mais estratégicos, mesmo porque o gás da Bolívia não é 100% do que é consumido, e para muitos de seus consumidores existem alternativas. No entanto, nos setores elétricos e de telecomunicações, por exemplo, há regiões totalmente dependentes de empresas sediadas no exterior, de forma que, se uma delas resolver, de sua sede pode acionar comandos que paralisem as atividades. Espero que nunca aconteça, mas se um dia houver uma divergência grave entre Brasil e Espanha ou com a Telefonica, o Estado de São Paulo ficará sem telefone fixo e celular (as outras operadoras utilizam transmissão da Telefônica) e também sem transmissão de dados, que é utilizada no sistema bancário, industrial, transporte etc. Uma única empresa pode parar o Estado de São Paulo, e parcialmente o Brasil, e os que agora se preocupam com a dependência do gás boliviano aplaudiram quando essa empresa foi entregue a estrangeiros.
 JP Ferreira
 Enviado em: 11/05/2006 03:56:40
Ótimo artigo. Sou assinante da CartaCapital e digo que a matéria da revista é um oásis no deserto informativo/intelectual da imprensa tupiniquim acerca desse assunto. Hoje o OI é uma fonte muito esclarecedora do que realmente se passa no Brasil e no mundo visto através de análises das notícias e a situação Brasil-Bolívia é bastante exemplificante. Não vi/ouvi/li nada sobre "O petróleo é nosso", talvez por medo de demonstrar a real necessidade do povo boliviano de fazer o mesmo que fizemos décadas atrás. Entre outros motivos, esse discurso patriótico brasileiro soa às vezes até hipócrita quando vindo de "jornalistas" como Mainardi e Jabor, que tanto gostam de achincalhar o nosso querido País. É muito óbvia a necessidade de se manter sob controle do Estado recursos estratégicos. Negar isso ou privatizar é ignorância... ou esperteza demais. E para terminar, nosso amigo administrador defensor do velhinho da bengala, seu comentário (acredito eu, afinal não sou advogado) também se enquadra em outros códigos penais. Falsa acusação ou acusação sem provas também é crime... correto?
 Francis Gomes Vale
 Enviado em: 11/05/2006 06:41:06
Um leitor aí acha "pequenez" considerar que Noblat infringiu o Código Penal ao incitar a violência contra Sílvio Pereira. Diz tratar-se de "ironia". De fato, a esse leitor parece muito engraçado sugerir que alguém dê porrada nos outros. No tempo da ditadura, ele devia se divertir muito com a repressão política.
 Fabio Goveia
 Enviado em: 11/05/2006 10:44:38
Como o ser humano é desprezível. Quando o Iraque foi invadido por ter reservas de petróleo que interessavam aos EUA, 99% dos brasileiros fez o maior estardalhaço, gritou e tudo mais contra o Bush. Agora querem que o Lula faça o mesmo. Como diz o ditado, "pouca farinha, meu pirão primeiro", e danem-se os outros. Palmas para a atitude sempre franca e sensata de Lula. Bem que outros governantes poderiam aprender a negociar com ele.
 Angelina Marine
 Enviado em: 11/05/2006 13:36:39
É possível que as mudanças ocorridas no governo Lula tenham um impacto maior do que conseguimos projetar com nossas limitadas visões. No segundo semestre de 2004 a população começou perceber que a economia do país estava melhorando, me lembro do olhar de desespero de muitas pessoas. O mesmo olhar incomodado eu percebia nos jornalistas na TV. Aos poucos começaram as alfinetadas no Lula (gramática, alcoolismo etc). Por fim veio o Mensalão. Para que coisa melhor? Os agropecuaristas (que nos divertiram muito protestando em Brasília com performance igual ou superior aos antes condenados do MST) e muitos jornalistas acreditaram que o Rei estava nu e fugiria. Mas as previsões falharam e muitos estão enlouquecidos, veja os tremores nas mãos das jornalistas, os olhares que buscam identificação com uma população que não conhecem. E as pesquisas eleitorais... Ah! Então ontem apareceu o Arnaldo, enlouquecido, pensei que fosse falar da sandice dos agricultores fechando estradas, queimando máquinas. Não, era para falar do Silvinho. E xingou muito, até parecia um protesto do MST ou CUT. Então também me divirto. Inspirei-me numa música que estou ouvindo...e sinto que agora o Brasil está de cabeça para baixo e eu estou me divertindo. A imprensa representa os desesperados, os capitalistas que protestam porque acreditam que é justo compartilhar os seu prejuízos com o povo miserável ...tudo upside down.
 L. Paulo Azevedo
 Enviado em: 11/05/2006 14:34:59
Além de não entender a ironia e sarcsmo de um texto que não sugere violência alguma (visto que faz referência a um velhinho de bengala, não ao Mike Tyson), provavelmente, pelas simpatias políticas que revela, o leitor endossou atos de verdadeira violência incitados e comandados por um certo partido político e sua militância durante muitos anos. Também não sou eu quem valoriza regimes ditatoriais. Fui contra a ditadura militar, assim como sou contra quaisquer regimes de força, como Cuba. Fazer menção a código penal após ler um texto irônico de um jornalista que não passou nem perto de incitar a violência é um comportamento clássico entre aqueles que não prezam a democracia nem sabem como lidar com ela direito.
 Luis Neubern
 Enviado em: 11/05/2006 15:12:12
Sr. Luciano Martins Costa, não quero e não vou politizar meu comentário sobre seu texto. Gostaria de fazer-lhe uma única pergunta, de caráter técnico administrativo-financeiro, a saber: por que os acionistas da Petrobras devem concordar em ter seus lucros absorvidos em consequência do aumento de preço do gás boliviano? Não seria, por exemplo, mais viável assumir a perda do investimento feito naquele país, risco inerente ao negócio, e aplicar seu lucros em outros investimentos mais rentáveis objetivando a maximização dos mesmos? Se puder me responder agradeço, antecipadamente.
 lucia achutti
 Enviado em: 11/05/2006 17:25:41
Gostaria apenas de manifestar minha satisfação de ter lido o que escreveu Luciano Martins Costa sobre a crise com a Bolívia. Estamos precisando de opiniões e análises com fundamento e conhecimento político, sociológico e histórico que nos remeta à reflexão. Obrigada, um abraço, Lúcia.
 Luciano Martins Costa
 Enviado em: 11/05/2006 21:02:08

Tecnicamente falando, sr. Neubern, sabemos o sr. e eu que o investidor deve levar em conta todos os riscos de suas escolhas, bem como as oportunidades. Por exemplo, a decisão da Petrobrás de mudar o sistema de transporte do óleo das plataformas para as refinarias, com a construção de super-plataformas bombeadoras, significa uma oportunidade, pela redução dos riscos de vazamentos e pela redução de custos no longo prazo. Sabemos também que lucros elevados em curto período podem estar dissimulando riscos, como no caso boliviano. Também não desconhecemos que as empresas, em especial empresas públicas como a Petrobrás, devem pensar em todos os chamados stakeholders - seus relacionamentos de todos os níveis - e não apenas nos acionistas.

O consumidor brasileiro e o povo boliviano são parte dessa comunidade de stakeholders. Desde 2004 se sabe que a Bolívia terá de enfrentar a concorrência do gás extraido no Peru e que a própria Petrobras estava investindo para reduzir sua dependência dos fornecimentos da Bolivia. Era esperado que em algum momento, de alguma forma, eles buscassem uma melhor remuneração pelo gás. O que a imprensa chama de "onda verrmelha" - a recente eleição de líderes nacionalistas ou supostos esquerdistas na América Latina -, é claramente uma reação das populações empobrecidas da região, que não percebem os benefícios das políticas econômicas recentes, em especial das privatizações. Não tem relação com os conflios ideológicos dos anos 60 e 70.

Quanto aos investidores, eles precisam buscar a ajuda dos analistas e observar se a Petrobras tem fôlego para pagar o preço por BTU (British Thermal Unit) exigido pelos boliviano e manter sua lucratividade. Superficialmente, considero que o preço mais elevado e uma boa diplomacia podem dar mais sustentabilidade aos negócios no longo prazo, que é o que deve interessar mais aos investidores. Grato pela leitura e pela paciência. Luciano Martins Costa

 Luis Neubern
 Enviado em: 12/05/2006 12:29:49
Sr. Martins, agradeço a resposta enviado a este leitor e compartilho de sua análise. Diplomacia e paciência são as melhores medidas no presente momento para os interesses de todos os envolvidos, os povos boliviano e brasileiro bem como acionistas e investidores. A visão de longo prazo e suas consequentes ações são poucas debatidas na imprensa, que parece preferir encontrar demônios inexistentes para serem exorcizados. O atual extremismo político que vivemos estão contaminando a imprensa que, nesta bipolaridade, deveria mostrar todas as tonalidades de cinzas, como vossa análise, e não tomar partido, deixandos seus leitores mais míopes do que são naturalmente. Mais uma vez, grato pelos esclarecimentos.
 Cláudia Rodrigues
 Enviado em: 12/05/2006 16:56:42
Teu artigo é extremamente equilibrado, vai em cima do ponto, só não podemos acreditar que o fascismo que rege o mundo globalizado possa se dobrar a desejos por justiça social sem força contrária de igual peso. Não há na imprensa luta de esquerda que tenha a mesma audácia e penetração da extrema-direita, como Diogo Mainardi e o Arnaldo Jabor. Os jornalistas que poderiam se opor a esses dois estão em nichos pequenos e fazem discursos corretos. É um quadro desesperador. A direita sempre dá um jeito de encurtar as pernas da esquerda. Enquanto a esquerda vai indo com a farinha da paz e do amor a direita já vem voltando com o bolo bélico assado, prontinho para servir.
 Felipe Rodrigues
 Enviado em: 12/05/2006 19:40:46
Parabéns ao físico Apolonio Silva pelo brilhante comentário.
 Marcio Gama
 Enviado em: 12/05/2006 20:10:10
O articulista continua com o discurso furado da classe média contra o povo. O objetivo do governo é criar condições para que uma GRANDE classe media consuma, gere empregos e impostos e mantenha os empregos, inclusive o do próprio. Este discursinho de esquerda, burguesia e o cacete já tá dando no saco.
 Francis Gomes Vale
 Enviado em: 12/05/2006 22:12:43
O Sr. Azevedo entendeu como ironia a sugestão do Noblat para que o "velhinho da bengala" atacasse o Sílvio Pereira na saída da sala da CPI. Parece que apenas ele entendeu assim. E me critica porque eu falei que aquele tipo de sugestão fere o código penal. Não vou ficar aqui discutindo com o defensor do Noblat, que certamente faz parte da mesma curriola. Só não quero que ele ou o Noblat façam a mesma brincadeira comigo. Porque saberei tomar providências legais. Querem ver, tentem!
 Geraldo Alves S. Júnior Alves
 Enviado em: 13/05/2006 05:55:37
Sempre a imprensa está endossando ou rejeitando correntes políticas, para que estas no embate se sobrponham umas as outras, e assim não haja uma estagnação. Essa questão com a Bolívia é delicada, querem o que? que o Brasil declare guerra, e que Chaves, diga que apoia a Bolívia, e assim se estabeleça aquí uma nova zona de conflito? Essa corrente é a corrente do Sr Bush, e com certeza tem seus adeptos por vários lados, pois é patrocinada pelos fabricantes de armas, que é uma atividade que movimenta muito dinheiro. O Brasil será firme na preservação dos interesses "nacionais" sem perder a sua condiçãoi de líder, será essa a corrente da diplomacia brasileira?
 Pablo Lorenzzoni
 Enviado em: 15/05/2006 18:35:33
Gostaria de ler comentario sobre uma materia da Veja edição de 17 de maio de 2006 intitulada "O grátis saiu mais caro". Acredito que eh uma materia tendenciosa.
 Paulo Silva Junior Silva
 Enviado em: 16/05/2006 21:55:37
No site www.fbde.org.br encontrei um artigo interessante a respeito da questão da Bolivia escrito por um professor. Acho que vale a pena ler. Obrigado PAULO

Luciano Martins Costa

luciano@revistaadiante.com.br

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