TV AMERICANA

A televisão entra forte na política

Por Joaquim Falcão em 15/03/2011 na edição 633

Uma das explicações para a crescente radicalização na política americana é o crescente envolvimento dos canais de televisão com a política partidária, rompendo, inclusive, a tradição entre uma eventual opção editorial política e a neutra informação jornalística. Está havendo mudança no comportamento político da televisão.

Que mudança é esta?

São muitas. Uma, menos visível, diz respeito à ascensão da televisão a cabo, da televisão paga, em relação às redes nacionais, à televisão aberta. No mês passado, pela primeira vez na história da audiência da televisão americana, a televisão paga superou por alguns momentos as redes de televisão aberta. Será esta uma tendência mundial?

Radicalizando corações e mentes

A televisão aberta busca programas e postura política comuns a uma audiência nacional. Precisa de todos, de todas as classes sociais, de todas as religiões, sem distinções. Acaba focando em valores culturais ou políticos mais consensuais e homogêneos da sociedade.

Não é por menos que o programa mais visto na última quinzena foi a cerimônia da entrega do Oscar, na ABC, mas com apenas 21% da audiência. Já a televisão a cabo, ao contrário, busca a audiência segmentada. Nichos de mercado. A estratégia é a intensificação da fragmentação de valores, inclusive políticos e culturais. Busca as tribos, os grupos, cada classe em particular. A ascensão da TV a cabo pode ter como consequência a ascensão da fragmentação de valores e ideologias.

Assim aposta o canal a cabo Fox News, que faz inédito ativismo a favor do Partido Republicano. Ativismo muito além de apenas uma opção editorial. Joga tudo nos republicanos. E assim radicaliza corações e mentes.

Incubadora político-partidária

O professor de direito Paulo Daflon, do Boston College, diz que a história da política americana é assim mesmo: períodos de mais e outros de menos radicalismos.

A Fox tem vários candidatos republicanos em potencial à presidência da República, como colaboradores pagos. Remunera não somente a ex e futura candidata Sarah Palin, como outros prováveis candidatos, tais como o ex-presidente da Câmara de Deputados, Newt Gingrich. Ao já se declarar candidato esta semana, este deixará a Fox News, mas é difícil não relacionar sua exposição prévia na televisão a cabo com a construção de sua candidatura.

A Fox News parece atuar como explícita incubadora político-partidária. Celeiro de ideias e de candidatos. Será esta tendência mundial?

***

Mestre em Direito pela Universidade Harvard (EUA), doutor em Educação pela Universidade de Genebra (Suíça) e professor de Direito Constitucional da FGV-Rio

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