PRODUÇÃO DE TEXTO

As sete regras da redação

Por Rodrigo Panchiniak Fernandes em 25/01/2011 na edição 626

1. (C)onceder

Evite nomear os anônimos. Não é mérito algum enaltecer ou criticar um desconhecido. Ele acabará sabendo, de alguma forma, e você poderá passar por uma saia justa tanto pelo elogio quanto pela crítica. O nome é sagrado, conceda o privilégio do anonimato. No dia-a-dia, prefira exibir os nomes que já tenham sido expostos.

Observação: cite abundantemente os ilustres desconhecidos. Enalteça os famosos dos lugares inusitados e das metrópoles distantes.

2. (A)lienar

Faça o leitor se sentir um completo ignorante. Isto ajudará com que o seu texto seja visto como o manancial privilegiado dos conhecimentos. O leitor deve ser alienado do mundo que você descreve. Explore as catáforas.

3. (P)reservar

Evite exibir-se como o autor das suas idéias originais. Assim é mais fácil impedir o leitor de se sentir igualmente capaz de ter idéias, nivelando-se a você. Preserve a origem dos seus pensamentos sendo discreto. Se quiser, muito, veicular uma idéia original, faça parecer que a recebeu pronta, das mãos do anjo misterioso. Explore os artigos definidos.

4. (A)dornar

Endosse sua argumentação com os números. Sempre inclua, preferencialmente enfatizando a sigla, a menção à instituição que os gerou. Não se esqueça: em algum lugar há números adequados para adornar qualquer que seja o despautério.

5. (C)onfundir

Seja vago. Alienar faz o leitor se sentir ignorante. Confundir faz o autor e seu texto serem vistos através da névoa do mistério. Dependendo do tamanho da chamada e do nome do editor, o leitor irá atribuir à própria ignorância a existência da névoa. Evite apresentar as conclusões.

6. (D)issimular

Qualquer que seja a sua inclinação, critique o poder vigente. Quando você quiser enaltecer o poder, vai bastar não dizer nada, e isto será considerado um elogio da sua parte. O texto perfeito não tem palavras.

7. (A)mbicionar

Se você quer ser membro da elite, assuma o ponto de vista dela. Aos poucos, não haverá distinção entre o seu ponto de vista e o da elite.

***

Filósofo, mestre e doutorando em Linguística, professor e programador

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 Felipe Braga
 Enviado em: 01/02/2011 10:57:02
Caramba, que texto bem escrito.

Rodrigo Panchiniak Fernandes

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