VEJA & ÉPOCA

Daime, ignorância e preconceito

Por Luciano Martins Costa em 22/03/2010 na edição 581

Duas das mais lidas revistas semanais de informação, Veja e Época, trazem em suas capas reportagens vinculando o assassinato do cartunista Glauco e seu filho Raoni ao uso da ayahuasca, a beberagem utilizada por indígenas e caboclos da Amazônia Ocidental e que faz parte dos rituais do Santo Daime e outras seitas originadas na região.

Mas há uma diferença fundamental entre os títulos nas capas das duas revistas e também entre suas reportagens internas.

Época abre com a pergunta: "O daime provocou o crime?" – e observa que "a morte do cartunista Glauco reacende o debate sobre o uso da droga indígena ayahuasca em rituais religiosos".

Veja parece não ter dúvidas: sob o título "O psicótico e o Daime", questiona "até que ponto se justifica a tolerância com uma droga alucinógena usada em rituais de uma seita".

Para a revista da Editora Abril, não há o que discutir: foi a ingestão da beberagem que levou o jovem Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, a matar o cartunista da Folha de S.Paulo e seu filho de 25 anos, a tiros de pistola.

Época destaca que Cadu vinha apresentando sinais de distúrbios psíquicos nos últimos três anos, aponta indícios de que a família não atuou com o rigor necessário para levá-lo a tratamento e pondera fortemente que ele era usuário de drogas pesadas.

Além disso, a revista do grupo Globo ouviu representantes do Santo Daime no Acre, onde o uso ritualístico da ayahuasca nunca produziu episódios de violência e não costuma ser vinculado a atos antissociais.

Para Veja, porém, trata-se de uma droga poderosa que precisa ser proscrita, ou no mínimo fiscalizada pelo governo.

Tema polêmico

Entre as duas reportagens, nota-se o cuidado maior de Época em também verificar a responsabilidade de uma das vítimas.

Glauco, o cartunista da Folha, se considerava e era considerado pelos adeptos de seu culto como uma espécie de guru do Santo Daime.

Um dos responsáveis pela expansão do uso da ayahuasca para fora de seu ambiente nativo, ele mantinha e dirigia uma comunidade religiosa na região metropolitana de São Paulo, onde ministrava a bebida a fiéis e visitantes.

Sua tolerância com relação à maconha era conhecida. Sua posição com relação às drogas pode ser observada em alguns de seus personagens, mas esse é tema proibido.

Afinal, no Brasil, não se pode fazer observações sobre atitudes, preferências ou comportamentos de artistas e jornalistas, sob pena de cair apedrejado sob a acusação de ataque à liberdade de expressão.

Diante do tema polêmico, pouco conhecido, como é a bebida usada por comunidades amazônicas, Época procura distribuir responsabilidades. Veja embarca no preconceito e condena aquilo que desconhece.

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 Paulo Ribeiro
 Enviado em: 22/03/2010 10:35:14
Não acho que as revistas tenham sido preconceituosas. Porém, um aspecto a ser considerado no caso é que a vítima, no caso o cartunista Glauco, atuava em um veículo do PIG, o que de imediato já causa suspeição na cobertura do caso. Não é de se descartar a possibilidade que os cultos tivessem a particpação de jornalistas da Folha de São Paulo, uma vez que o próprio Otavio Frias admitiu ter consumido a droga, em um livro lançado anos atrás. O que está se procurando esconder, na minha opinião é a responsabilidade do cartunista ao se auto-proclamar lider religioso e fundador de uma igreja. Por várias vezes, a Folha de São Paulo denunciou a profusão de seitas evangélicas, mas agora o que se vê é um silêncio sepucral. è indiscutível que o daime é um alucinógeno e que governos algum nada fez para aprofundar os estudos a respeito, inclusive o ex-ministro José Serra, que tanto se orgulha de sua gestão no Minisitério da Saúde. Glauco foi morto por um fanático, mas a situação inversa também seria perfeitamente possível. Basta lembrar o assassinato de Sharon Tate, nos anos 60, por uma turma de fanáticos religiosos. Não se trata de querer incriminar a vítima neste brutal episódio, mas há que se enxergar sob todos os pontos de vista.
 José Lara
 Enviado em: 22/03/2010 10:38:07
Fico triste em perceber quanto preconceito ainda existe em relação aos psicotrópicos entre eles o Santo Daime. Como qualquer "droga" não deve ser consumida por pessoas com predisposição a alguma doença psíquica como bipolaridade ou esquizofrenia. Até mesmo um simples "baseado" pode ativar tais doenças não sendo necessário o consumo de uma "droga poderosa", como disse a revista Veja, para isso. O que me deixa mais tranquilo é que a alguns bons anos a revista Veja é motivo de piada e não tem mais o poder de influência que tinha antes. O que se pode esperar de uma revista que abriga e publica [ ] da imprensa brasileira: Diogo Mainardi - Triste!
 Nisia Rizzo
 Enviado em: 22/03/2010 10:53:16
Luciano, concordo contigo, a matéria da Veja culpabiliza o chá, ao que parece empreendendo uma espécie de guerra santa, pois é nítido o incômodo que as religioes que usam a hoasca provoca na revista. Além disso, a Veja sentencia o chá, ignorando o que ela mesma descreve como ato premeditado do Cadu - traficar maconha pra juntar o dinheiro com que comprou a arma do crime. Por que nao investigar a atitude criminosa dele, de traficar droga e comprar armas (como foi essa compra? etc), há outros temas-tabu envolvidos na questão... Não li ainda a matéria de Época, mas por sua recomendação o farei.
 Nisia Rizzo
 Enviado em: 22/03/2010 11:10:51
Ao Paulo Ribeiro, indico que leia a resolução do Conad (Conselho Nacional Anti-drogas) que regulamenta o uso religioso do chá, foi para ela constituída uma comissáo científica sob os auspícios do governo federal, inclusive com representação de autoridades nessa comissão. Saiu no final de janeiro no DOU. Ou seja, o governo está ciente e orientando o uso religioso do chá, com restrições normativas quanto à propaganda e comercialização (ambas proibidas) e a necessidade de realizar entrevistas com os novos usuários para saber se usam algum tipo de droga (o que é incompatível com o chá) ou medicamento controlado, casos em que o chá não deve ser ministrado. No caso do Cadu, ou ele fazia uso do chá em associação com drogas ou ele sofria, como o próprio pai dele sustenta, de esquizofrenia herdada da mãe. Não se pode culpabilizar o chá nem a vítima, no caso Glauco, senão me parece aquele velho discurso que defende o opressor contra o oprimido, que não entendo como pode persisrtir nos dias de hoje.
 Felipe Valentim
 Enviado em: 22/03/2010 11:47:01
Parabens pelo texto. É trsite como as vezes, e muitas vezes, a midia se coloca como juiz dos fatos.
 sergio ribeiro
 Enviado em: 22/03/2010 12:06:06
Chama realmente a atenção que toda vez que se comenta o veículo veja (merece a minúscula) sempre nos deparamos com o preconceito, o mau jornalismo, a linguagem ofensiva e inadequada a um veículo de comunicação, etc., etc. Eles deveriam ser alvo de uma enxurrada de processos, como aconteceu com o locutor Ratinho. Aliás, eles cada vez mais se assemelham a ele no quesito baixo nível.
 Ana Carolina Pinto
 Enviado em: 22/03/2010 12:15:22
Fiquei satisfeita com este artigo. Sou jornalista recém-formada e ontem, junto com duas amigas também jornalistas, tratávamos exatamente da questão da matéria da Veja. O cúmulo do sensacionalismo, preconceito e ignorância. Salve o Observatório.
 Cristiana Castro
 Enviado em: 22/03/2010 12:31:25
Não me parece que esse crime tenha alguma coisa a ver com a ingestão do tal chá. O negócio é estabelecer, direitinho, o que aconteceu no dia do crime. Ess estória de dizer que queria ser chamado de Jesus, não ficou muito boa. O cara foi lá para matar o cartunista. Tinha muita gente na cena do crime. Não vai ser muito difícil, para a polícia, estabelecer o que aconteceu.
 Yves Galvão
 Enviado em: 22/03/2010 12:35:49
Quando eu vi a capa da Veja, eu estava com um amigo meu, nossa reação foi a mesmo, simplesmente falamos: "Como sempre a Veja!"
 Sergio Azevedo
 Enviado em: 22/03/2010 12:39:40
Não foi a Veja que fez campanha contra o desarmamento quando houve o plebiscito? Se a aquisição ou a posse de armas fosse mais restrita talvez o crime não tivesse ocorrido.
 Yves Galvão
 Enviado em: 22/03/2010 12:41:45
Paulo, eu acho que as reportagens sobre, como você chama, seitas evengélicas tem uma base. Agora, não vejo o que poderia ser dito sobre uma igreja do Santo Daime, só por que ela era de alguém do jornal teria de haver uma reportagem sobre? Antes de ser uma pessoa pública, ele era um indivíduo com seu tempo livre para abrir quantas igrejas tipo quisesse, se não cobrar a taxa de ida para o céu, tudo bem....
 Rafael Faraon
 Enviado em: 22/03/2010 14:50:08
Li a reportagem da Veja e não concordo com o texto. Ela realmente chama o chá de droga alucinógena, mas não há o que se falar em preconceito, afinal ela aborda a opinião de especialistas quanto ao DMT, principio ativo nas principais plantas das quais o chá é feito. A reportagem também não diz que a droga somente causou o episódio de violância, e sim que a chá pode ter potencializado alucinações numa pessoa com comportamentos psicóticos. Copio um trcho da reportagem: "A DMT aumenta a concentração no cérebro de três neurotransmissores: a serotonina, a noradrenalina e a dopamina. Como os portadores de esquizofrenia têm um aumento na atividade da dopamina, a sobrecarga dessa substância pode fazer com que eles percam a noção de realidade e tenham alucinações – estado que pode continuar mesmo depois que o efeito da droga termina". Isso não é preconceito, definitivamente....
 Euclides Bitelo
 Enviado em: 22/03/2010 15:19:56
"Para Veja, porém, trata-se de uma droga poderosa que precisa ser proscrita, ou no mínimo fiscalizada pelo governo." Muito bom o texto, legal ver que a Veja quer restringir tudo, menos o direito que ela tem de escrever estas bobagens. Tudo deve ser controlado, menos o jornalismo irresponsável e metiroso.
 Tiago Costa
 Enviado em: 22/03/2010 15:59:21
Vindo da Revista Veja não há surpresa alguma. Apenas mais uma das lástimaveis reportagens publicadas por esta.
 José Paulo Badaró
 Enviado em: 22/03/2010 16:34:10
Não entendo praticamente nada de drogas, mas gostaria de saber porque o daime predispõe o sujeito a uma religiosidade, e a maconha, o lsd, o cogumelo alucinógeno que nasce em cima do esterco, no pasto, não provocam o mesmo efeito. Ao contrário, de acordo com os especialistas, só servem para abrir as portas para as chamadas drogas pesadas. Mais... Gostaria de saber se o daime, usado totalmente fora do contexto ambiental e cultural onde surgiu e se tornou tradição, se ainda assim funciona para homens de terno e gravata das grandes cidades e respectivas regiões metropolitanas. Agora, se for me basear na serenidade ou doçura de alguns adeptos do santo daime, como a atriz Lucélia Santos, a ex-mulher do Glauco, mãe do rapaz que morreu ao lado dele, e o próprio Glauco (e nesse ponto juro que não estou ironizando), posso dizer sem medo de errar que a tal da ayahuasca é tanto ou mais poderosa do que o “soma” do Admirável Mundo Novo, de Huxley, pelo que deveria ser tratada, ao lado do aspecto religiosidade, como matéria de saúde pública e de segurança nacional.
 Paulo Ribeiro
 Enviado em: 22/03/2010 17:01:19
Nizia, se formos nos guiar unicamente pelo que diz a lei, vamos tratar a cerveja como uma bebida para crianças já que a legislação não detrmina que bebidas com até 12º GL seja considerada alcoólica. O daime é uma droga, esta norma precisa ser revista. Isto apenas reforça o poder do PIG e das elites econômicas junto aos órgãos oficiais.
 Luciano Martins Costa
 Enviado em: 22/03/2010 18:21:46
Em setembro de 1985, fui enviado pela Folha de S.Paulo à Amazônia para fazer uma reportagem especial. Deveria infiltrar-me nas comunidades do Daime e fazer um relato jornalístico. O Conselho Federal de Entorpecentes havia proibido a produção e consumo da ayahuasca, mas era impossível executar a medida, porque na maioria dos casos ela era consumida em comunidades isoladas, e mesmo naquelas próximas às cidades o uso era tão arraigao à cultua que até autoridades, professores, policiais, médicos, participavam dos rituais. Consultei muitos estudos disponíveis, entrei em contato com o Instituto Karolinska, em Estocolmo, na Suécia, e com o etnobotânico inglês Ghillean Prance, um dos maiores especialistas do mundo em plantas amazônicas. Fui aceito e fiz a iniciação na União do Vegetal, em Porto Velho, Rondônia, e depois no Alto Santo, Rio Branco, Acre, e posteriormente fui recebido pelo "mestre" Sebastião Motta, o líder do Cefluris, ao qual veio a pertencer postereriormente o cartunista Glauco. Com base na minha reportagem, que demonstrava a perfetia integração da bebida nos rituais praticados na região desde tempos imemoriais, e em outras evidências, o Conselho Federal de Entorpecentes liberou o uso da ayahuasca sob condições - apenas nos centros esotéricos ou de culto existentes e tradicionais. (continua)
 Luciano Martins Costa
 Enviado em: 22/03/2010 18:34:00
(ontinuação)... Os líderes do Alto Santo, seguidores do fundador do grupo mais antigo do Daime no Acre, Irineu Serra, diziam que seu velho mestre, na época já falecido, havia condenado a expansão do uso da ayahuasca fora do seu local nativo. Diziam que nas sociedades complexas das grandes cidades se perderia seu caráter sagrado e sua relação com a floresta. Muitas famílias de seringueiros, agricultores e até moradores das cidades, na região, usavam, o chá uma ou duas vezes por semana, em cultos e reuniões, por exemplo, para buscar inspiração no enfrentamento de algum problema familiar. Depois de 1985, segui estudando o Santo Daime durante cinco anos, com a ajuda de dois líderes do Alto Santo, Raimundo Gomes e Sebastião Jaccoud. Nunca vi alguém tomar mais do que duas doses do chá na mesma noite. Cada dose tem de um terço a meio copo do tipo americano. Durante esse tempo, tomei conhecimento apenas de um caso de uma jovem que tinha sintomas de esquizofrenia e foi afastada dos cultos. A jovem, filha de uma lojista de Rio Branco, fugiu de casa algumas vezes para ir morar na comunidade criada por Sebastião Mota, que iniciou a expansão do uso da ayahuasca para fora da Amazônia. O centro criado por Glauco era parte dessa expansão e guarda pouca ou nenhuma relação com a simbologia, as tradições e o papel social e cultural do Daime no ambiente dos amazônidas.
 Haroldo Werneck
 Enviado em: 22/03/2010 19:13:45
É interessante ver como as revistas semanais no país seguem a mesma linha de reportagem, parece que todas copiam os assuntos principais da semana, inclusive as capas! A Veja, Época e IstoÉ apresentam na capa assuntos religiosos, destacando o demônio em forma de chá ou exorcismo. A Veja segue a linha padrão de acusar sem base e depois negar que acusou. Por enquanto está falando mal do chá. Vamos aguardar a posição de FHC sobre o assunto. Depois de tomar frente pela liberação da maconha, seria interessante ouvir o que FHC pensa sobre o chá. Se ele for favorável, não tenho dúvidas de que a Veja vai mudar radicalmente de posição!...
 Leonardotti Blecher
 Enviado em: 23/03/2010 01:08:58
Concordo com você na análise sobre a reportagem da revista Veja. Mas não vi onde está a relação entre a posição de Glauco sobre as drogas e a suposta responsabilidade dele no crime que resultou em sua morte. O que a tolerância de Glauco para com o uso da maconha tem a ver com isso? E qual a relevância desse dado para a análise do crime?
 Luiz Carlos Borga
 Enviado em: 23/03/2010 01:48:44
O Daime é uma droga alucinógena e pode desencadear surtos psicóticos em esquizofrenicos ou predispostos a essa doença, independendo do lugar onde é usada: num ritual no meio da selva amazonica ou no saguao do Hotel Renaiscensse.Isto é fato.Não há o que contestar.Na reportagem de Veja quem afirma isso são psiquiatras da Unifesp e USP.Infelizmente o articulista se esquece dessas verdades insofismaveis e usa este espaço para destilar seu ranço ideológico contra uma revista,
 Rodrigo Saraceno
 Enviado em: 23/03/2010 08:34:09
Luiz Carlos, se o cara tem transtornos psicóticos não é culpa da planta né. É a mesma coisa de um cardiaco tomar viagra, ter um infarto e daí culpar a pílula. Um pouco de bom senso, pelamordedeus. As religões baseadas no comsumo a Ayahuasca estão aí a quase 100 anos e não vejo nenhuma lista de ataques causados pela planta.
 Nisia Rizzo
 Enviado em: 23/03/2010 11:43:18
O chá usado pelo santo daime sequer é tratado como droga pelos órgãos do governo que regulamentaram seu uso, mas como substância enteógena, que facilita o contato com a espiritualidade. Não vejo que seu uso deva ser reprimido, mas esclarecido à população, em especial nesse momento em que se levantam vozes que sequer sabem do que estão falando, como a da Veja e de seus defensores.
 Luciano Martins Costa
 Enviado em: 23/03/2010 14:04:00
Veja o tamanho do preconceito e da ignorância de Veja: http://cienciaemdia.folha.blog.uol.com.br/arch2010-03-21_2010-03-27.html#2010_03-22_20_58_04-129493890-28
 Fredson Neves Aguiar
 Enviado em: 24/03/2010 09:46:55
O desconhecimento sobre a Ayhuasca tange o ridículo na abordagem preconceituosa e nefasta da Revista Veja. Não me surpreende a ignorância de boa parte da imprensa brasileira. É uma herança cultural do ódio tão latente, que faz ruborizar até o mais fanático evangélico. A Ayuhasca é uma bebida enteógena e é uma expansora de consciência - ela não droga, não chapa, não lombra ou dá liga. Não é esse coquetel de barbitúricos e pós refinados que muita turma usa nas cidades grandes pra tentar descobrir devaneidades ou fugir da realidade sobre si mesmo. “Daime” Porque as ordens do Senhor são coisas belas E o silêncio dos que buscam ao todo vê-las Numa harmonia pelo caldo e compreendê-las Vêem que o chá desprende almas destas celas... E que às outras almas nossa luz revela (Nem que a ciência se recuse a recebê-las) Já que à vida necessita de entendê-las, Pra que a carne se consuma como a vela: Raspa de cera que se rasga – candeeiro; Curto pavio que se queima – nossa lida; Fogo que arde – nossa alma num braseiro; Sopro das Coisas que a Luz guarda esquecida, Porque é Deus quem rege o sopro derradeiro Que nos apaga e reacende noutra vida. (Fredson N. Aguiar) http://sonetosdosantodaime.blogspot.com/
 alfredo toné
 Enviado em: 24/03/2010 13:28:45
bem notado mas não defenderia a revista época em detrimento da revista veja a revista veja é evidentemente partidária da antiga mentalidade conservadora, e a época é explicitamente sensacionalista..
 Tom Damatta
 Enviado em: 24/03/2010 14:48:37
Não dá pra falar em VEJA sem associar o veiculo ao jornalismo tendencioso, preconceituoso e reacionário de que a tal revista se tornou o maior exemplo no Brasil. Li as duas matérias de que trata Luciano Martins neste bom e coerente texto. Época foi mesmo mais comedida. Veja pecou feio, como sempre peca. Pior ainda é o estrago que a tal revista permite no blogue de um de seus arrticulistas; não só pela verve matreira e impiedosa do autor quando trata do tema, mas principalmente pela filtragem de comentários. Quem discorda tem que achar muito jeitinho pra driblar a MODERAÇAO. Pra sentar a pua, no entanto... Sim, amigos deste Observatório. Muitos se posicionaram com alarde, desrespeito, preconceito e pancadaria no caso GLAUCO. "Dai-me" paciência para tanta matreirice e intolerância!
 Armando Nogueira
 Enviado em: 24/03/2010 17:20:36
Também li as duas revistas. E sei a que blogue e articulista o Tom Damatta se reffere: Blog do Reinaldo Azevedo. Respeito a opinião dele, Reinaldo: não toma nem gosta do DAIME. Só não dá pra aceitar é a forma com que trata quem diverge de sua opinião e a maneira maldosa e preconceituosa com que aborda o caso Glauco. O tal blogue tem MODERAÇAO, mas não a utiliza com justiça, impedindo um diálogo aberto, ético e franco, que respeite e estimule a diversidade e a pluralidade de idéias. Assim peca por intolerância, permitindo ofensas e xingamentos contrários ao Daime, açodando a questão. O blogueiro preconceituoso que se diz católico e sataniza o Daime, não permite em seu blogue o embate justo. Aló, Reinaldo Azevedo... pelo amor de Deus... CENSURA NÃO!
 Eliane Moraes Moraes
 Enviado em: 25/03/2010 01:27:54
Que otimo que vocês, fizeram essa reportagem , sou Daimista de outra linha, investigem mas, irão se surpreender... com o trabalho do Daime;
 Roberta Policarpo
 Enviado em: 27/03/2010 13:05:52
Alguns pontos importantes a serem salientados. O tempo máximo de duração do DMT, princípio ativo do daime, no seu corpo, é 4h. A última vez que Cadu usou daime foi no ano novo, ou seja, meses depois do crime. A única substância encontrada no seu organismo na análise do seu sangue foi THC, princípio da maconha. Vários trabalhos mostram que o uso prolongado da Canabis aumenta a incidência de esquizofrenia naquelas pessoas que são predispostas à doença. O surgimento de uma doença psiquiátrica depende de fatores genéticos e ambientais. No caso, Cadu tinha ambos. Agora o que não podemos é atribuir à esquizofrenia, ao uso de drogas nem à religião nem mesmo à soma desses fatores a responsabilidade por um crime. A responsabilidade por um crime é completamente idiossincrática. Nem mesmo todas as pessoas com transtorno de personalidade anti-social (nomenclatura nova para "psicopatas") são assassinos.

Luciano Martins Costa

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