CASO NOVO JORNAL
Elucubrações sobre um arrombamento
Por Cristina Moreno de Castro em 30/09/2008 na edição 505
Na sexta-feira (26/9), o último funcionário do Novo Jornal apagou as luzes e trancou a porta da redação do portal de notícias por volta das 20h, segundo seu dono, Marco Aurélio Carone.
Na segunda-feira (29/9), às 9h, a auxiliar de veiculação Kátia Ferreira chegou ao escritório, em Belo Horizonte, e encontrou o seguinte: computadores roubados (ao todo, quatro CPUs e seis monitores); gavetas arrombadas; objetos no chão, bagunçados e revirados; uma caixa de documentos desaparecida e pelo menos uma pasta de papéis furtada.
Perguntas que não se calam (e atenuantes antiparanóia entre parêntesis):
**
Quem arrombou a redação do Novo Jornal? (Pode ter sido um ladrão qualquer.)**
Por que o ladrão levou quatro CPUs e seis monitores, mas deixou a impressora, o telefone/fax e nem chegou perto da sala do segundo andar, onde ficam equipamentos mais caros? (Pode ter ouvido barulhos que evitaram sua incursão ao segundo andar.)**
Por que o "ladrão" carregou consigo documentos, papéis, CDs com informações de reportagens? (Não consigo pensar em atenuantes comuns.)**
Mesmo se não tivesse levado, por que teria arrombado um arquivo de pastas de papel – onde, portanto, só poderia haver papéis? (Pode ter tentado encontrar cédulas de dinheiro.)**
E por que revirou gavetas; o que buscava? (Pode ter tentado buscar dinheiro)**
Qual o teor dos papéis desaparecidos e a quem as informações contidas neles interessavam? (Não consigo pensar em atenuantes.)Dúvida surpreendente
Todas são perguntas sem resposta, ao menos enquanto o inquérito policial não terminar. Mas a que mais interessa, sem dúvida, é a primeira. Porque, se for um caso de furto comum, o Novo Jornal foi vítima de ladrões com gostos e interesses incomuns.
Porém, se for caso de furto de informações, o Novo Jornal pode ter sido vítima de uma intimidação ao exercício do jornalismo, corriqueira nos anos da ditadura militar, mas nem tanto em um regime democrático como o nosso. Na calada da noite, sem mandato de busca e apreensão, nem mesmo o processo contra o Novo Jornal que hoje corre em segredo de justiça poderia justificar esse ato de vandalismo.
E, então, ficamos com a dúvida mais surpreendente desde o começo do caso Novo Jornal: quem seriam esses ladrões?
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| Ivan Moraes |
| Enviado em: 01/10/2008 02:57:22 |
| E o caso aconteceu menos de uma semana depois da postagem dessa reportagem: http://www.novojornal.net/politica_noticia.php?codigo_noticia=7405 ... que comeca com esse paragrafo: "Depois de diversas reportagens publicadas pelo Novojornal, denunciando a existência de uma central de escutas clandestinas instalada no prédio da Procuradoria Geral de Justiça de Minas Gerais, finalmente nossa equipe teve acesso a mais de 50 CDs, contendo quase um ano de escutas telefônicas feitas pelo “serviço de inteligência do Ministério Público mineiro”". Mais esquizito ainda, Christina, porque frustrante, eh o tamoscomraiva estar fechando as portas enquanto a unica "explicacao" no seu texto de despedida eh essa: "E aqui nos despedimos, com a sensação de dever cumprido, de limite alcançado, depois de muito trabalho feito com a única vontade de fazer algo bem feito e que consideramos útil e importante"!!!!! |
| Ivan Moraes |
| Enviado em: 01/10/2008 03:00:53 |
| "essa história do Novo Jornal e da família Castro já virou piada de além mar.... ": censura em Minas Gerais ja virou, de fato, assunto internacional sim. |
| Jaime Guimarães |
| Enviado em: 05/10/2008 11:28:39 |
| "essa história do Novo Jornal e da família Castro já virou piada de além mar.... ". Sim, claro. Uma piada. Estamos evoluindo! Ladrões que roubam papéis e CD s de dados. E arrombam a redação de um jornal para conseguí-los! Bacana! Antes arrombar jornais que bancos,não? Ora, não tratemos deste assunto com leviandade. Evidente que a polícia tem que fazer um inquérito e investigar, mas nada é surpreendente se tomarmos como base o histórico de intimidações e tentativas sofridas pelo Novo Jornal. Intimidação à liberdade de imprensa não é piada. |
| Lourdes Maia |
| Enviado em: 30/09/2008 18:30:19 |
| Provavelmente o Novo Jornal foi vítima de espiões dinamarqueses, cujos nomes podem muito bem ser Joaquim ou Manuel, ora pois!!! Isso porque teriam levado, além das cpus os 6 monitores – evidentemente para lerem as páginas com as “preciosas informações” que eram digitadas nos computadores... essa história do Novo Jornal e da família Castro já virou piada de além mar.... |
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