GRUPO FOLHA
Jornalistas demitidos por comentários no Twitter
05/04/2011 na edição 636
Comunique-se, 4/04
Izabela Vasconcelos
Editor da Folha e repórter do Agora são demitidos por comentários no Twitter
O jornalista Alec Duarte, editor-assistente de política da Folha de S.Paulo, e a repórter Carol Rocha, do Agora SP, foram demitidos do Grupo Folha por postarem comentários no Twitter a respeito do jornal. Os dois comentavam a morte de José Alencar, ex-vice-presidente da República, que morreu no dia 29/3.
‘Nunca um obituário esteve tão pronto. É só apertar o botão’, comentou o editor-assistente da Folha, sem citar nomes.
‘Mas na Folha.com nada ainda... esqueceram de apertar o botão. rs’, respondeu a repórter do Agora.
Alec então lembrou do erro do jornal, que noticiou erroneamente a morte do senador Romeu Tuma, em outubro de 2010. ‘Ah sim, a melhor orientação ever. O último a dar qualquer morte. É o preço por um erro gravíssimo.’
Apesar dos comentários, os perfis dos jornalistas não informavam que eram empregados do Grupo Folha. O Comunique-se tentou contato com Alec, mas ele não foi localizado.
‘É nosso perfil pessoal e foi um comentário normal, não teve repercussão, retuítes, mas fomos demitidos mesmo assim’, disse Carol.
A jornalista também enviou um e-mail para a ombudsman do jornal, Suzana Singer: ‘Você não acha hipocrisia o jornal negar - ou censurar comentário sobre o tema - que depois da notícia errada sobre a morte do Tuma, os cuidados foram redobrados? Nada mais natural. Mais hipocrisia ainda é um jornal que zela tanto pela liberdade de expressão, que diz não admitir qualquer tipo de censura, praticar a mesma censura contra seus funcionários. Me lembro que o manual de redação diz alguma coisa como ‘somos abertos a críticas’. Sério? Não conheço ninguém que tenha criticado a Folha e não tenha sofrido represália’, escreveu. A repórter também fala do episódio em seu blog.
A ombudsman negou que tenha participação na demissão dos jornalistas e afirmou que o caso foi decidido pela chefia do grupo. Suzana também alegou que não se trata de censura. ‘Não acho que isso seja censura. A Folha tem meios de fazer e receber críticas (painel do leitor, ombudsman, o blog da crítica interna, a seção erramos). Imagina se todo jornalista resolvesse colocar na rede os erros de colegas e desafetos’, respondeu.
A coluna da ombudsman deste último domingo (3/4) também citou o caso.
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