PROFISSÃO PERIGO

Morte de jornalistas ocidentais chama atenção para massacre na Síria

23/02/2012 na edição 682

 

O fotógrafo francês Rémi Ochlik, de 28 anos, e a correspondente americana Marie Colvin, 56, foram mortos na quarta-feira [22/2], na Síria, em mais um dia violento na cidade de Homs, principal foco da resistência ao regime do presidente Bashar al-Assad – segundo ativistas, mais de 80 pessoas foram mortas no bairro sitiado de Bab al-Amr, atacado regularmente pelo exército sírio nas últimas três semanas.

As mortes dos jornalistas levaram líderes ocidentais a pedir um basta à violência na Síria e à “era Assad”. “Já chega”, afirmou o presidente francês, Nicolas Sarkozy. “Este regime tem que acabar e não há razão para que os sírios não tenham o direito de viver suas vidas e escolher livremente seu destino. Se os jornalistas não estivessem lá, os massacres seriam muito piores”.

Já o ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, descreveu as mortes como “um terrível lembrete do sofrimento do povo sírio”. “Marie e Rémi morreram nos trazendo a verdade sobre o que está acontecendo com as pessoas em Homs. Governos em todo o mundo têm a responsabilidade de agir em nome desta verdade – é preciso redobrar nossos esforços para encerrar esta desprezível campanha de terror do regime de Assad na Síria”, afirmou.

Marie Colvin era correspondente internacional do jornal britânico Sunday Times e tinha 30 anos de experiência na cobertura de conflitos. Rémi Ochlik fazia trabalhos para a revista Paris Match e foi um dos vencedores deste ano do concurso de fotojornalismo World Press Photo, com uma série de imagens tiradas na Líbia.

Ofensiva

Ochlik e Marie foram mortos em Homs quando a casa em que estavam foi bombardeada. Outros três jornalistas estrangeiros e sete ativistas de Bab al-Amr ficaram feridos no ataque. Um dos feridos é o fotógrafo Paul Conroy, que viajava com Marie.

Jean-Pierre Perrin, correspondente sênior do diário francês Libération, contou que os jornalistas haviam sido alertados, há vários dias, que o exército sírio estaria preparando uma grande ofensiva e que jornalistas poderiam ser alvos. Diversos profissionais, incluindo Perrin, decidiram deixar a cidade, mas Marie achou que a ofensiva não ocorreria e resolveu retornar a Homs alguns dias depois.

Segundo Perrin, o exército planejava matar qualquer jornalista que fosse encontrado, e os correspondentes estavam cientes disso, já que ligações interceptadas mostravam oficiais do exército recomendando o assassinato de jornalistas que estivessem entre a fronteira com o Líbano e a cidade de Homs. A ideia era matar os profissionais de imprensa e depois inventar que eles haviam sido mortos em confrontos entre grupos terroristas.

Três jornalistas-cidadãos sírios também foram mortos recentemente, em uma aparente tentativa do regime de Assad de evitar a disseminação de notícias sobre o massacre em Homs. Um deles, o videoblogueiro Rami al-Sayed, havia postado na internet pelo menos 200 vídeos mostrando a rotina de morte e destruição em seu bairro. Com informações de Martin Chulov e Angelique Chrisafis [The Guardian, 22/2/12].

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 Dante Caleffi
 Enviado em: 25/02/2012 21:46:32
Os jornalistas mortos,na Síria, estavam por sua conta e risco.Entraram clandestinos no país,que tem governo legal e as instituições funcionam ,apesar da mídia "ocidental". Aliás, se,fossem sul americanos os corrspondentes mortos, seriam considerados "ocidentais"?

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