A IMAGEM FIXA (que, no entanto, se move)

Mulheres, mulheres peladas

Por Eugênio Bucci em 04/03/2008 na edição 475

Com um título como esse aí em cima, a leitura da coluna de hoje ganha estímulos artificiais. Anabolizantes. O visgo do desejo – aqui acionado pelo uso da expressão "mulher pelada" – potencializa o olhar, o apetite. Todos os leitores do Observatório, sem exceção, clicarão no título: e a minha projeção não admite margem de erro, nem de 0,02%. Em seis ou sete linhas é provável que 90% já tenham se evadido ao sabor de outras atrações, mas que o primeiro impulso trará todos para cá, isso é certo.

Nariz de cera – ou de silicone

Nos tempos em que as bancas de revistas tinham alguma importância, e isso já vai longe, quando ainda não havia venda de revistas em supermercados nem a internet, os editores redigiam chamadas de capa com o objetivo de despertar duas pulsões malignas nos passantes: desejo (libido) e medo (aparentado da morte; o medo salva vidas à medida que leva o sujeito a fugir do perigo, mas a morte que desperta medo exerce uma atração irresistível). Quem, desavisado, perambulando pelas cercanias da banca, fosse atingido pela seta das chamadas de capa e experimentasse desejo ou medo comprava a revista.

Ainda compra. Mulher pelada vende revista, mesmo revista feminina, pois mobiliza pulsões. Hipocondria – ou o medo de morrer que se converte em culto ao medo de morrer – vende revista. Notícias de crime, desde sempre, constituem o filão do sensacionalismo. Vende como o quê. Medo do crime, do criminoso e de si mesmo. Medo da existência de vida além da linha da legalidade, a vida desgovernada que chama e intimida o leitor ao mesmo tempo. A descrição minuciosa dos mecanismos amorais da corrupção pós-moderna acendem faíscas diabólicas nas pupilas curiosas e medrosas da classe média bem-comportada. Ela se deixa fisgar por aquilo que a assusta – e por aquela paixão pelos tipos que desprezam as ameaças da lei e da ordem, essa gente que não tem medo da cana, nem do esquadrão da morte.

A psicopatia potencial ou desbragada dos corruptos aterroriza e apaixona o leitor. Ele fica alucinado para ver o desregramento mais de perto, mais ou menos como os motoristas que param na estrada, provocando congestionamentos quilométricos, só para ver, um pouquinho só, o corpo esmagado dentro da lataria do automóvel que acaba de se espatifar contra um caminhão. O pavor e seu fascínio vendem publicações, atravancam as rodovias e lotam as farmácias.

De olho no medo alheio, as revistas trazem inventários caprichosos e sádicos sobre as doenças que espreitam a nossa era. São enfermidades físicas ou psíquicas, biológicas ou econômicas, individuais ou coletivas. Todas elas. As revistas trazem também os indefectíveis questionários. "Responda as perguntas a seguir e descubra se você pode morrer de infarto depois de amanhã." Ou: "Preencha os quadrinhos com um `x´ e veja quais as chances de você estar sendo traído(a) pelo(a) seu(ua) marido (mulher)". "Saiba se você é alcoólatra." "Saiba se o seu chefe quer demitir você." Medo, medo, medo.

Suspiro secreto

Os jornais não podem ir tão longe. Seu discurso é mais impessoal que o das revistas. Eles não podem se permitir, digamos, certas intimidades. Por isso, exploram os medos, digamos, mais "cidadãos". Isso, "medos cidadãos". As revistas tratam de pânicos privados, pânicos amorosos, pânicos próprios da ambição inconfessável e do carreirismo atroz que pouco se disfarça por trás de boas maneiras corporativas. Já os jornais falam dos horrores próprios da pólis. Rebelião em massa. Recessão nos Estados Unidos. Rombo nas contas públicas. Guerra na Colômbia.

A libido é igual: vende. Mas a libido é, sem trocadilhos, um tanto mais reprimida que o medo. Por isso, nos jornais diários, não tem como aparecer assim, nua. Jornais não falam de sexo a não ser na forma de escândalo político ou de contágio da Aids. No seu código não cabem permissividades. Revistas são espaço íntimo. Jornais são espaço público. Revistas são lidas no tempo de lazer. Jornais são material para o trabalho. Revistas são guardadas no quarto. Jornais velhos, "jornais já lidos", como dizem as aeromoças na hora de limpar o avião, aterrissam no lixo. Revistas são libidinosas. Jornais são conscienciosos. Mas se permitem, ah, isso sim, eles se permitem um beliscão ali, outro lá. Quando é verão no litoral norte de São Paulo, quando o sol torra nas praias, ou quando os tamborins entram em aquecimento dionisíaco prenunciando a chegada do carnaval, os jornais mostram mulheres quase em pêlo. Eles se valem dessas oportunidades para aliviar o peso das notícias, como se mulheres ao sol – ou no samba – dessem leveza às manchetes rabugentas.

Parece haver, nos contornos curvilíneos de jovens esbeltas, um fator de contraste vital com as linhas retas da diagramação de todo dia, um fator desejável demais para ser deixado de lado – e embaraçoso demais para ser habitual. Jornais sérios, que procuram ter a voz da autoridade paterna, são universos masculinos, mas acima de tudo recatados, como os gabinetes oficiais e os quartéis – por mais que haja mulheres jornalistas, mulheres políticas e mulheres militares. A mulher nua só aparece ali, e mesmo assim em doses cautelosas, na condição de um refresco, de um enfeite inofensivo. São as mulatas sorridentes no ensaio da escola de samba, a paulistana jogando frescobol no Guarujá, a tenista suja de saibro, suada.

No universo de páginas engravatadas, um corpo de mulher, com o tônus que não é dado por músculos, nem por exercícios, nem por dieta nenhuma, mas por uma força vital que pulsa na alma e se deixa ver na pele, surge para nos lembrar que aquilo existe – aquilo, o desejo. Ou, o que dá no mesmo, porque o editor se distraiu e foi traído pelo próprio.

Vai daí que uma imagem linda de mulher vem, quase sempre, sem gancho, mas vem, e vem bem-vinda. Os leitores até apreciam, mas com moderação, por favor, se não a pose vai por terra. O desejo caminha entre as fotos do hard news e as letrinhas dispostas como batalhões em dia de parada militar. Ele caminha sem ser convidado, mas anda assim mesmo, sem convite. É próprio dele. E é assim que ele se mostra ao leitor, na imagem de uma mulher sonhadora e entregue. "Ah, uma mulher quase nua, no meio de tanta notícia", suspira secretamente o leitor, o leitor masculino, sim senhor. "Ah, essa visão, essa lembrança, esse perfume visual que me leva para tão longe."

As mulheres peladas propriamente ditas

Tudo isso escrevo – e há de ser pouco o demasiado que escrevo – a propósito de três quadrinhos de Angeli, que apareceram na página 11 da do caderno "Ilustrada" da Folha de S.Paulo (domingo, 2/3). Na seção "Quadrinhos", adequadamente. À esquerda, dando título à seqüência, um texto vazado sobre fundo branco, na vertical, em itálico: "Dias Felizes da Minha Vida". Como fotos de uma revista do ramo, temos ali três retratos em cartoon de três mulheres despidas. São três personagens diferentes, provavelmente três lembranças, ficcionais ou reais. A primeira, lemos na legenda, tem o nome de Madalena Villanueva. Consta que posou para o cartunista em Segóvia, na Espanha, no ano de 1990. Veste um top verde, e se debruça sobre o gradil da varanda, fundido em art nouveau. Ao lado do seu cotovelo direito, um copo (uísque? um mate frio?). Talvez esteja fumando. Ela é vista pelas costas, como as duas que se seguem, e sua calcinha amarela, minúscula, mal cobre o que está em primeiríssimo plano.

Nata Mourão, a segunda modelo, está inteiramente nua, de óculos escuros e cabelos vermelhos. Lê um livro. Deitada de bruços na varanda, outra varanda, ela se acomoda sobre os cotovelos com a perna esquerda dobrada, formando um 4 com a direita, que se estende, retilínea. Tem formas generosas, como Madalena, mas parece, engraçado isso, ser um pouco mais jovem. Nata Mourão deixou-se desenhar em Copacabana, em 1989, tomando sol nos glúteos.

Rina Fusco, de Treviso, Itália, foi flagrada em 1992 dentro de um quarto. Calcinha vermelha, sentada na cama, ela ajeita os cabelos, como se os prendesse num rabo-de-cavalo. Ou quem sabe os soltasse? Não, ela os prende. Só pode ser. A blusa verde está acima do sutiã, como se já tivesse passado pelo pescoço e pelos braços e, de repente, fizesse uma parada estratégica. Rina parou ali o movimento de se vestir para amarrar um laço de fita nos cabelos castanhos. Depois, certamente, irá puxar a barra da blusa até a cintura. Aí, vai puxar a calça jeans, ainda arreadas pouco acima dos joelhos. Ela está de costas, todas estão de costas.

São três cenas análogas, muito próximas entre si e, ao mesmo tempo, longe, muito longe uma da outra. Segundo informa o artista, foram dias felizes de sua vida. Um corpo de mulher, passeando assim bestamente a um palmo do nariz de um mísero leitor de jornal, evoca a possibilidade de dias menos áridos, passados ou futuros – por que não? Para isso, para que respiremos sem pressa, deve servir essa imagem. Mulheres peladas nos jornais, desde que com parcimônia, atraem o leitor e, também, relaxam a leitura. Cumprem uma função semiótica um tanto contraditória, mas cumprem. Só não se pode exagerar na dose. Nunca.

Na França é que é bom

Não foram gratuitos os comentários cometidos há pouco acerca da natureza empertigada dos jornais, sua sisudez, seu cenho enérgico. Havia uma segunda intenção, é preciso confessar que havia, e a razão que a inspirou só agora se revela. A razão se chama Carla Bruni. Sim, Carla Bruni, ela mesma, a primeira dama da França (acabou se casando, afinal, na manhã do dia 2 de fevereiro, em cerimônia rápida com Nicolas Sarkozy).

Em janeiro, pelo menos dois jornais brasileiros, a Folha e O Globo, trouxeram fotos da cantora e ex-modelo assinadas por Mario Testino, para a edição de fevereiro da revistas espanhola DT. Não há formalismo na imprensa que tenha resistido à tempestade noticiosa – ou às notícias tempestuosas – sobre o affaire Carla-Sarkozy. Como um pouquinho de mulher pelada se admite na fórmula dos jornalões, dá-lhe Carla Bruni. No dizer de uma psicanalista paulistana, o affaire marca a mais desabrida conversão da república francesa ao espetáculo. Em parte, e põe parte nisso, a explosão da popularidade incômoda de Sarkozy tem a ver com sexo, com a imagem de uma mulher cuja presença irradia a pulsão da libido em arenas que não admitem a libido.

No Globo, Carla traja nada mais que um par de botas de couro escuro que lhe sobe até o início das coxas. Deitada sobre almofadas rijas, quadradas, dispostas de tal modo que formam um colchão de solteira, cruza os braços formando um W sobre os seios, num gesto quase místico. Os cabelos meticulosamente desgrenhados se esparramam ao redor do seu semblante e lhe dão uma aura de descompostura calculada.

Na Folha, Carla Bruni é a mesma, só que se moveu. Ela se moveu divinamente. Deitada meio de lado, deixa à mostra um dos seios, o esquerdo, tapando o direito com sua mãozinha de Botticelli, com os dedos apontando para o que pende, desnudo. A concha que ele desenha, em meia-lua, com o mamilo no centro de gravidade em perfeita geometria, conecta-se, na extrema direita, com a linha reta formada pela sombra do músculo peitoral sobre axila. Essa linha reta desce, abrupta e espessa. Na junção da curva do seio com a reta sobre a axila, vemos uma foice. No meio da foice, uma estrela solitária: o mamilo. Coisa mais estranha. E aquela mão de Botticelli apontando para a estrela.

Impossível não ver a mulher de Sarkozy como vemos as mulheres de Angeli. Carla Madalena Villanueva, Rina Fusco e Nata Mourão são obras do cartunista, Carla Bruni parece obra do presidente francês, uma obra que se entregou ao seu autor e depois se expõe aos olhos sequiosos da platéia mundial. Isso é que é ser um presidente popstar.

Sarkozy, feito um Exu de Champs-Elysées, fez a ponte entre os oficialismos em que se perde a política e os signos do que se pode chamar de desejo. Ele toca o objeto-mulher – não a mulher-objeto. O poder se reconcilia com o desejo – casa-se com ele, contrai núpcias com ele. O jornalismo não sabe bem o que fazer com isso, mas Carla Bruni oficializou, por um instante fugidio, com seus olhos cálidos e seu corpo arfante, a instituição da mulher pelada no noticiário sério.

Grãos de felicidade nos nossos dias infelizes. Grãos efêmeros. Em breve, Carla será engolida por um tailleur, raptada pelos cerimoniais, e esse lapso de nudez, aberto por distração ou por amor, terá se fechado para sempre. Mulheres peladas voltarão a ser apenas um deslize nas páginas dos jornalões. Nada mais que um deslize. Ou que um cartoon. Mas sempre estarão por ali, rondando as redações, feito fantasmas, prontas para irromper numa falha das colunas cheias de palavras. O leitor pára, olha, sonha sem saber, e depois esquece.

***

Formado em direito e jornalismo pela Universidade de São Paulo, é doutor em Ciências da Comunicação pela mesma universidade e autor de alguns livros, entre eles Sobre Ética e Imprensa (Companhia das Letras, 2000); foi presidente da Radiobrás entre 2003 e 2007

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 Laura Schutz
 Enviado em: 04/03/2008 17:52:41
Resta-me saber, então, enquanto eu estiver lendo jornais e/ou revistas, quando vou me deparar com homens nus. Mas diga-se, não qualquer um, afinal tem que ser algo que se compare a Carla Bruni, versão masculina. Oras, nós mulheres também temos esse direito, não?
 Marco Antônio Leite
 Enviado em: 04/03/2008 18:38:43
Não queira que as mulheres sejam igual aquilo que você projeta na sua mente ditatorial. A mulher tem os mesmos direitos que os homens, isso significa que sua liberdade é propriedade somente dela.
 João Ricardo Pedroso
 Enviado em: 04/03/2008 20:33:11
Excelente texto: comparação altamente elaborada entre os CARTOONS e a foto de Carla Bruni. Parabéns Eugênio! Seria muito bom trocar algumas idéias com você. Se possível, escreva-me. Obrigado.
 Eder Fonseca
 Enviado em: 04/03/2008 22:42:14
É mesmo triste esse posicionamento também vendido pela mídia, como se nota em alguns comentários sobre a notícia,de que a mulher tem liberdade e por isso mesmo pode fazer o que quiser. É triste perceber que um movimento tão sério pela libertação feminia acabou por transformou a mulher em um alvo você, em nome da liberdade sexual, em sexo fácil, vendagem de padrões. E isso explica o consumo alto de álcool, de drogas, de jovens cada vez com mais problemas psicológicos, sociais. A liberdade subjetividade não pode ser confundida com liberdade prostitua.
 Claudio Bacelar
 Enviado em: 05/03/2008 09:11:47
Tenho certeza que o jornalista não conhece o insignificante jornal chamado "Amazônia", editado no Estado do Pará, pelo mesmo grupo que é o responsável pela concessão da - pasmem - Tv Globo. Tive a curiosidade de bisbilhotar a edição da internet de hoje (05/03), e as "pérolas" são as seguintes: 1) "Três mortes em 24 horas" - manchete principal; 2) ""Santinha" fora da jogada - sobre BBB; 3) "Nova Bond Girl posa só de bíquini" - ??; e 4) "Santoro confirma fim do namoro com Jabour". O detalhe é que, na primeira página, temos, nada menos, que a foto da outra eliminada do "BBB", Jaqueline - se não me engano, o nome é esse - em poses sensuais, para promover a venda do jornal. Não que não goste das mulheres, diga-se de passagem, o que condeno é um jornal utilizar destes artifícios para vender. Além do excesso de "presuntos" (fotos chocantes de pessoas esfoladas é o mínimo), que nem cabe comentar aqui. Se alguém quiser constatar e confirmar nossa pobre e medíocre realidade jornalística, favor entrar no endereço: www.orm.com.br.
 Marco Antônio Leite
 Enviado em: 05/03/2008 09:45:53
Prostituição não é crime, segundo os antigos esta foi a primeira profissão que o mundo dos homens conheceu. Igualmente, se as mulheres vendem seus corpos, isso ocorre porque existe quem compra. Se as mulheres bebem e usam drogas, isso acontece porque existem comerciantes que vendem bebidas alcoólicas e traficantes que vendem drogas. Portanto, tudo que ocorre com as mulheres é culpa exclusiva daqueles homens sem caráter, bem como faltam com o respeito com a mulher alheia. Nada acontece por acaso, sempre existe relação causa e efeito. Efeito é quando vemos muitas formigas circulando pela nossa residência, já a causa que originou as formigas esta relacionada com a falta de limpeza da casa, principalmente quando existe açúcar espalhado pelo chão ou cantos da cozinha. Deixa a mulher viver como ela gosta ou que o sistema impõe através da miséria, a fim de que ela se prostitua.
 Alexandre Carlos Aguiar
 Enviado em: 05/03/2008 10:15:04
Sexo e alimentação são dois temas que empolgam o "Homo sapiens" desde tempos remotos. Encaramos o sexo em dois momentos, para reprodução e para o prazer, da mesma forma que temos hábitos distintos para a obtenção de alimentos (compras) e para o ato de comer (estar à mesa). Talvez seja por isso que a liguagem incorpore termos destas duas manifestações da cultura (o "comer" no ato sexual e o "comer" num restaurante) e a mídia na era da informação os absorva e os explore tão bem, como forma de alavancar vendas. O desafio imposto aos educadores é proporcionar que os educandos façam as devidas e honestas críticas àquilo que é informação e ao que se expõe apenas para a frivilidade. Belo artigo!
 Luis Neubern
 Enviado em: 05/03/2008 12:21:54
Sr. Bucci, confesso que parei de ler o seu texto quando me deparei com isso: "duas pulsões malignas nos passantes: desejo (libido) e medo (aparentado da morte; o medo salva vidas à medida que leva o sujeito a fugir do perigo, mas a morte que desperta medo exerce uma atração irresistível)" Malígnas!? Francamente Sr. Bucci, quem o Sr. quer enganar, heim?
 Suzamara Fabiano
 Enviado em: 05/03/2008 16:24:28
É surpreendente a iconofilia que desperta o nu feminino, em qualquer discurso masculino, seja seu autor o mais boçal ignorante ou o mais sofisticado intelecto existente. Nas palavras dessa gente, a mulher é coisificada e apresentada como "refresco", "amenidade" para assuntos considerados "sérios"; de comércio de quinquilharias a diplomacia internacional. São discursos velhos, como a mentalidade de seus porta-vozes. A mim, que sou mulher, são risíveis, irritantes e cobertos por uma baba viscosa e nojenta de quem alisa sua própria lascívia. O respeito pela mulher passa a anos luz desses discursos.
 Suzamara Fabiano
 Enviado em: 05/03/2008 16:57:28
Por causa dessa iconofilia masculina, um jornalista "sério"-assassino-condenado, goza de toda a liberdade, sem, nem por um segundo, expiar seu crime. O Juiz "sério", que tem a mesma mentalidade iconófila, declarou que esse assassino não oferece risco para a sociedade. Afinal, devem pensar todos os homens solidários: ela, a moça, ex-namorada, era apenas uma amenidade e não um componente da sociedade (para qual ele "não" oferece risco). Não vi nenhum colega desse infame defender a mulher assassinada e pedir justiça. Claro ela que era apenas uma "amenidade", resolveu ser uma mulher real com seus próprios propósitos na vida. Como ela ousou fazer uma coisa dessas?!!! Por isso ela a matou. Não é, senhor...
 Sérgio Pires
 Enviado em: 05/03/2008 18:05:12
Respondendo e provocando a Laura Schutz de São Paulo-SP, hoje na Folha saíram três fotos de nús masculinos. veja em Esportes "Invasão de jogo". Não é uma Carla Bruni, mas... enjoy. O Homem por mais civilizado que seja ainda é um animal. E reage como tal ao visualizar o corpo de uma fêmea de sua espécie. Isso não aumenta nem diminui o respeito pela mulher, apenas acontece. Precisamos, homens e mulheres, respeitarmos as nossas crias indefesas lançadas ao mundo. Sr. Bucci parabéns pelo texto, ao artista Angeli congratulações pelas belas lembranças e ao Sr. Sarkozy... boa sorte.
 Roberto Lima
 Enviado em: 05/03/2008 18:43:50
Tá certo... foi o primeiro link que cliquei. Como Angeli, sou chegado em desenhar mulheres, fazer o quê ? Em meio a tantas tragédias, crimes e horrores que inundam os meios de comunicação, a visão de uma mulher pelada é a lembrança de que Deus existe e caprichou quando criou Eva, que por sinal andava pelada.
 Marco Antônio Leite
 Enviado em: 05/03/2008 19:50:33
Sorte das mulheres, pois ele só desenha a mulher pelada, isso mostra que ele não faz mal ao seu semelhante feminino. Caso todos os homens somente desenhassem as mulheres nua que bom seria isto porque muitas delas não necessitariam se prostituir para ganhar alguns trocados para ajudar no orçamento familiar. Abaixo o machismo tupiniquim, aquele que trata a mulher como objeto de prazer, respeito é bom e elas gostam.
 Lucas Soares
 Enviado em: 05/03/2008 23:37:03
Sérgio Pires seu comentário foi excelente!
 Alexandre Carlos Aguiar
 Enviado em: 06/03/2008 08:35:08
A Sra. Suzamara, me parece, precisa freqüentar mais a sociedade onde vive. A "coisificação", a "simbolização", a "objetivizãção" são comportamentos tanto dos homens quanto das mulheres. E isso é salutar, na medida em que as relações entre homens e mulheres se aprimoram e solificam. Como educador, dou um tempo em sala de aula para discutir entre meus estudantes aspectos de comportamento. Na fase da adolescência, principalmente, estes bate-papos são importantes. Tanto meninos como meninas pensam e agem da mesma forma e o que os difere não é o gênero, mas distinções de classe social ou de personalidade. No quesito do sexo, então, meninos e meninas "fantasiam" as mesmas coisas, por incrível que pareça aos pudicos de plantão. Meninas adoram observar glúteos masculinos tanto quanto os meninos em relação às meninas. Ambos os grupos vislumbram-se. E isso, por mais incômodo que seja para alguns, é importante, na medida em que, quer queiram ou não, somos animais estritamente sexuais. É a nossa natureza. Resolvendo isso, aprimoraremos nossas relações sociais e o respeito mútuo aparece e se sedimenta. Recomendo, se me permite, a leitura de um ensaio do zoólogo Desmond Morris, "O Macaco Nu".
 silvio tavares
 Enviado em: 06/03/2008 11:28:29
Grãos de felicidade é poder ler sua crônica tão poética, tão suavemente a luz de uma tarde outonal, que até me lembrei de alguns escritos de Drummond. Emocionou-me sua sensibilidade sutil, seu toque mágico. Parabéns Sr. Eugênio Bucci.
 Paula Araújo
 Enviado em: 06/03/2008 12:15:10
As mulheres viveram (e ainda vivem, mesmo que em "menor proporção", digamos) em uma sociedade hierarquizada pelo homem e marcada pelo machismo e pelo complexo de virgindade, no qual o fato de não terem se relacionado sexualmente era sinônimo de dignidade. Hoje, principalmente entre os jovens, o tal complexo é visto como deboche pelos colegas. Acontece que, com o movimento feminista, as mulheres foram se libertando dessa hierarquia machista e acabaram usando seu corpo como valor de mercado. É isso que os meios de comunicação, especialmente as revistas, fazem com o corpo feminino: exploram seu valor como um produto a ser desejado e comercializado. As fantasias dos homens deveriam ser guardadas para eles mesmos e a mulheres poderiam utilizar melhor o espaço da mídia, principalmnete as revistas femininas. Poderiam mostrar suas conquistas, cada vez maiores na sociedade, sem ter que explorar seu corpo e sexualidade para tal, bem como não abordar essas conquistas como algo fabuloso, mas dignas de visibilidade e respeito.
 Marco Antônio Leite
 Enviado em: 06/03/2008 15:21:11
O sexo frágil como é chamado injustamente, não tem o que comemorar nesta história de revolução feminista. As mulheres de uma maneira geral são discriminadas na família, no lazer social, no trabalho e nas atividades profissionais, bem como percebem muito menos que o homem. Neste imenso país, muitas mulheres são usadas na prostituição, assassinadas, estupradas e sofrem todo tipo de agressões moral e física. Essa incomoda situação perdura já há muitos anos, sem que os governantes e a sociedade façam algo para minorar a dor e o sofrimento que atinge a alma e o moral dessas criaturas admiráveis. Portanto, sem paternalismo, governantes e sociedade civil, vamos trabalhar com afinco para atenuar e minimizar os problemas que afligem o cotidiano das MULHERES, no sentido de evitar todas as formas de exploração a que são submetidas, bem como aceitar e entender as MULHERES como seres humanos de grande valor a humanidade.
 Ivan Moraes
 Enviado em: 07/03/2008 11:19:26
Dos comentarios abaixo somente Laura teve a reacao que a minha esposa tem quando ve mulheres em capas de revistas e na tv expostas em excesso. Eh caso de "coisificacao" (Alexandre), ela nao quer realmente ver homens pelados na media. Mulheres sao mais coisificadas que o homem porque o maior poder aquisitivo eh dos homens... propaganda se dirige aos que compram elogiando suas capacidades... por mais ficticias que elas sejam.
 Alexandre CArlos Aguiar
 Enviado em: 07/03/2008 13:22:58
Ivan, ninguém nega isso, que a "coisa" é mais ampla em relação às mulheres, por toda a história que já conhecemos. O que eu discuto é essa ânsia em se dizer que apenas os homens tem tal comportamento, que o sexo exposto é dos homens, que o consumo exacerbado de sexo é apenas masculino. O que acontece é que, quando uma mulher expõe essa "necessidade" (normal para ambos os gêneros, diga-se), toda a sociedade bate em cima, dizendo que é "galinha", "vagabunda" e coisas assim. O ponto talvez seja esse. Porque, mulheres darem de puritanas e insesníveis a uma horas dessas, é hipocrisia. Todas têm os mesmos desejos que eles, apenas são reprimidos. Ou não são declarados. A Fisiologia explica.
 maria natalia lebedev martinez moreira
 Enviado em: 07/03/2008 17:20:01
Ah! Carissimo Eugenio Bucci... A pelada não sendo a sua mãe, a sua esposa ou am sua filha, da pra fazer esse "primor" de artigo, divagando sobre a nudez da mulher alheia. Tambem o Angeli não fez quadrinho da mãe ou da filha dele. É como o Fernando Henrique , o grande sociologo pode ter caso com a jornalista da Globo mas a Dona Ruth e as filhas dele são santas, não é mesmo. A intelectualidade brasileira não tem jeito. É atrasada no fundo, no fundo colonial. É dominada pelo arquétipo do homem que espalha o esperma. E os intelectuais acham que o seu esperma é muito mais valioso. Triste país atrasado. E voce pensou que esse artigo era ousado , poético ,quem sabe corajoso. E no fundo é essa porcaria de machismo latino cuja maior preocupação na vida é não ser chifrado. Meus pesames.
 Alexandre Carlos Aguiar
 Enviado em: 07/03/2008 19:56:08
Hum, quer dizer então que os homens, heterossexuais, não podem mais apreciar, elogiar, analisar as mulheres sob pena de parecer, como é que é? politicamente incorreto? É isso? Os homens, heterossexuais, devem sentir vergonha de admirar as mulheres, sejam elas de que tipo for, pois pode parecer "consumismo barato"? Os homens, heterossexuais, devem fazer cara feia e se afastar de vez das mulheres, uma vez que ao se aproximar de uma pode parecer que estão apenas a apreciar a "coisa" ao invés da pessoa ali presente? Os homens, heterossexuais, devem passar a dormir com outros homens, pois ao tentar fazer sexo com mulheres estarão explorando suas formas e não demonstrando amor pelo semelhante? Ah, dá um tempo! Amo minha mulher, admiro suas formas, digo isso constatemente para ela e admiro também outras mulheres, porque admiro o que é belo. E ela sabe muito bem disso. O fato de admiração e de saudar o que é belo é diferente de fazer "coisificação". Eu, particularmente, tenho respeito pelas mulheres, principalmente pela minha, o que me garante um casamento forte e seguro. Amem mais e abandonem o rancor barato! Ou será que estes rancorosos não tem alguém para lhes apreciar?
 Alcides Cabelo Garcia
 Enviado em: 08/03/2008 00:46:27
Ahhh... É por iso que eu amo este Observatório. Onde iríamos encontrar uma "autoridade" escrevendo um texto tão fresco, tão reflexivo e profundo em sua leitura semiológica? Confesso ter tido até uma pontinha de tesão, apanhado que fui por esta isca infame da chamada mulher pelada. Melhor do que isto só o Gil cantando nas cerimônias do Palácio ou o Chavez bolerando entre as crises beligerantes. Parabéns pela audácia e pela inteligencia do texto.
 Patricia Valiño
 Enviado em: 08/03/2008 11:09:37
Houve um tempo em que se eu tivesse visto a tirinha do Angeli no jornal eu o fecharia furuiosa, pensando: "Machista, sexista! Apologia à mulher objeto! Apologia ao jeito cafajeste de ser!". Hoje, mais madura, penso que ele está apenas sendo ele mesmo. Como qualquer homem que não perde a oportunidade de dar uma espiada no que se revela, intencional ou não intencionalmente. Palmas para essa autenticidade.
 Lucas Artur
 Enviado em: 09/03/2008 11:32:40
Isso mostra como mulheres tem, muito pouco espaço na sociedade. Culturalmente as mulheres nunca vão conseguir direitos iguais. Até o modo de se fazer jornal pode ser consciderado machista. E colocar um caderno especial para as mulheres, não mostra em nada que os direitos delas são iguais, na minha opinião mostra o contrário. São muitas coisas mesmo, que é preciso mudar para que se possa falar em igualdade,
 calypso escobar
 Enviado em: 27/03/2008 18:24:12
Virou uma crise histérica a tal da Bruni,namorada,amante,espósa, [ ] ou seja lá o que for.Tenho,por ganho de herança,nús artisticos`.É diferente,eles se revelam em exposições,são vendidos ou leiloados e as contrações que eles ganham quando são estudados é diferente,verdadeiras joias,porem são mulheres modelos,criadas para um renomado pintor e não uma mulher que se profissionalisa,sendo assegurada por um homem público.É um estupor catatônico.Ademais não são minhas filhas as que surgem como objeto fazendo conexões por meios de que a carne ou a "coisa" a deixaria reconstruída à fome do animal.Para mim,arte é arte,tem seu lugar,seu momento,sua ocasião.E mulher pelada aos olhos dos bons costumes exprimi uma angústia a uma igual,uma fórma de denigrir uma ação abrupta.Inda que tôda mulher,hoje em dia resvala seu sexo a qualquer preço e ao teatro circensa.Grata calypso escobar .
 Luciano Luz
 Enviado em: 31/03/2008 19:06:37
E precisa comentar ?
 ana carolina silva
 Enviado em: 09/12/2008 12:01:28
caro sr, Ivan Moraes, o que você diz não passa de profunda ignorância e machismo capitalista. não se usa de forma predominate a nudez feminina porque os homens têm mais dinheiro para comprá-la, pois até o mais miserável pode ter acesso a nudez barata. isso ocorre devido a empiricamente comprovada, caracteristica masculina de se atrair pelo olhar, pelo visual. já a mulher é mais atraída pelo falar. vi em diversos comentários o argumento de que o homem é um animal e isso justifica a coisificação da mulher e da sua nudez. somos animais, isso é fato inegável. no entanto somos o únicos dotados de racionalidade, que não serve apenas para se escrever um artigo mas também para ajudá-lo no domínio de seus instintos e impulsos animalescos e bestiais. a sociedade vive buscando a domesticação de seus impulsos, o mesmo impulso que surge de esfolar o cara que te deu uma fechada no trânsito. o controle de nossos impulsos permite o convívio em sociedade. inadmissível é a permissividade hediondamente machista que se tem em permitir que esse impulso masculino não seja tambám domesticado.

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