ZILDA ARNS (1934-2010)

O jornalista quando chora

Por A.D., J.M.M, E.C., F.B. em 13/01/2010 na edição 572

Miriam Leitão chorou. Não foi voz embargada, foi choro mesmo. Por acaso havia outros jornalistas na sala: choraram ao ouvir a veterana repórter deixar de lado sua cruzada ambientalista e suas analises sobre a economia, para falar sobre Zilda Arns. Foi na quarta-feira, às 12h30, no Repórter CBN.

Tirar lágrimas da audiência nem sempre é um recurso jornalisticamente correto. Sobretudo em trabalhos editados, parece truque. Mas comover-se ao vivo, diante do público, torna a profissão do jornalista menos burocrática, menos fleumática. Acaba com o mito da objetividade. Neutraliza os ressentimentos que a própria imprensa é capaz de produzir. Irradia humanidade.

Miriam Leitão chorou quando falou em solidariedade – Zilda Arns trouxe a noção de solidariedade para a vida pública brasileira. (Alberto Dines)

***

Zilda Arns: chamado que salvou vidas

José Maria Mayrink

Reproduzido do Estado de S.Paulo, 14/1/2010; intertítulos do OI 

Se os homens fecham as janelas, Deus abre uma porta – assim pensou a médica Zilda Arns Neumann, depois de conversar com o cardeal d. Paulo Evaristo Arns, um de seus 12 irmãos, que lhe telefonara para perguntar se aceitava empreender uma obra capaz de salvar milhões de crianças. Pediatra e sanitarista, viúva e mãe de cinco filhos, ela estava encostada atrás de uma mesa da burocracia da Secretaria da Saúde do Paraná, após 23 anos de trabalho – os últimos 13 como diretora de Saúde Materno-Infantil do Estado, em Curitiba.

D. Paulo, então arcebispo de São Paulo, ligou para dar um recado do secretário executivo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), James Grant, com quem acabara de se encontrar em Genebra, na Suíça. "Por que a Igreja Católica, que tem tanta influência nas camadas mais pobres da população, não faz uma campanha contra a desnutrição?", propôs Grant, dispondo-se a financiar a obra se d. Paulo quisesse começar por sua arquidiocese. O cardeal argumentou que não teria tempo para tal empreitada, mas sugeriu o nome de Zilda.

"Tenho uma irmã que é especialista na área e pode fazer isso", respondeu o cardeal, e imediatamente levou a proposta adiante. "Não tenho grande mérito, a não ser o de aceitar a ideia", disse d. Paulo 20 anos depois, como se sua participação tivesse parado aí. Não parou. Foi ele também quem indicou o nome do então arcebispo de Londrina, d. Geraldo Majella Agnelo, para ajudar na organização de um projeto para reduzir a mortalidade infantil que se transformaria no ano seguinte, setembro de 1983, na Pastoral da Criança. Foi um trabalho árduo que Zilda iniciou em casa, numa noite de vigília e oração.

Começou conversando com os filhos na cozinha, onde se reunia com eles antes de irem dormir, para tomar uma vitamina e contar as coisas do dia. "D. Paulo me telefonou e a mãe vai preparar hoje à noite um projeto que vai salvar milhões de crianças no Brasil e no mundo", disse Zilda, explicando o que pretendia fazer. Tomou um café preto para espantar o sono, pediu que Deus a ajudasse – "Vinde, Espírito Santo, enchei os corações de vossos fiéis" – e se pôs a meditar sobre aquele trecho do Evangelho que narra o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes. "Se Jesus mandou que seus discípulos dessem de comer, eles mesmos, ao povo que estava com fome, achei que, em vez de ficar dependendo do governo, nossas famílias deviam se organizar para cuidar de seus filhos."

Escolheu-se então o município de Florestópolis – 14.700 habitantes, 73% deles trabalhadores boias-frias – para a implantação do projeto. Situado a 80 quilômetros de Londrina, arquidiocese de d. Geraldo Agnelo, que poderia acompanhar tudo de perto, era o campo ideal. "Florestópolis era o fim do mundo, tinha o maior índice de mortalidade infantil do Estado e vivia sob a influência de uma usina de açúcar de Porecatu que pagava os boias-frias com vales que eles tinham de gastar no mercado da fazenda, comprando coisas de que não precisavam", lembra d. Geraldo Agnelo, atualmente cardeal primaz de Salvador e ex-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Três freiras

Quando Zilda voltou a Florestópolis, um mês após o lançamento do projeto, os líderes envolvidos, todos voluntários, já eram 76, quase todos funcionários públicos, principalmente professoras. "Era muita gente, mas não dispensei ninguém, para não desanimar", disse a fundadora da Pastoral da Criança, que então dividiu os voluntários em cinco grupos, cada um encarregado de uma ação básica. Com a ajuda de técnicos da Secretaria da Saúde, a pediatra e sanitarista distribuiu apostilas para orientação dos primeiros coordenadores.

As coisas iam caminhando bem no segundo semestre de 1983, quando a Igreja decidiu transformar em Pastoral da Criança o projeto de redução da mortalidade infantil. O exemplo de Florestópolis suscitou iniciativas semelhantes em São Paulo – onde o então bispo auxiliar d. Luciano Mendes de Almeida repetiu a experiência na região episcopal do bairro do Belém – e, logo em seguida, no Rio Grande do Sul. A nomeação de d. Geraldo Majella Agnelo para a Comissão Episcopal de Pastoral (CEP) facilitou o processo, pois ele viajava com frequência para Brasília, onde tinha contato não só com outros bispos da CNBB, mas também com a direção do Unicef.

Antes de se mudar para a sede atual, a Pastoral da Criança funcionava na casa da dra. Zilda, que tinha ali também seu consultório particular de pediatria. Meio apertado, mas deu para conciliar enquanto os colaboradores não eram tantos e não havia tanto material como hoje. Como a médica trabalhava também no serviço público, as coisas foram ficando cada dia mais complicadas, pois não havia tempo nem espaço para tudo.

Os pobres, principalmente os pobres, recorriam sempre a ela – o que significava 18 consultas de graça em cada 20. A situação ficou ainda mais difícil quando a coordenadora da Pastoral da Criança passou a viajar com mais frequência, com ausências de semanas seguidas. "Fico pouco em Curitiba, apenas alguns dias por mês."

Nelson Arns Neumann, que também é médico pediatra e assumiu a função de coordenador nacional adjunto, substituía a mãe durante suas constantes viagens. Mergulhou de cabeça no programa, cujas atividades vem acompanhando desde a fundação – ele e os outros irmãos. Seguiram tudo de perto, apoiando e dando palpites - o voluntariado em família.

Eram adolescentes e crianças, em 1983, quando a dra. Zilda aproveitou a conversa, naquela noite em que fazia uma vitamina para eles na cozinha, para falar do telefonema de d. Paulo, o tio cardeal. Agora, Rubens é veterinário, Heloísa é psicóloga e Rogério é administrador de empresas. Sílvia, que também era administradora de empresas, morreu num acidente de carro em 2003 e deixou um filho, de 3 anos, que foi morar com a avó.

A família tem uma chácara, a 20 minutos do centro de Curitiba, que mãe e filhos compartilhavam, cada um em sua casa, como faziam os Arns em Forquilhinha, na colônia de imigrantes alemães de Santa Catarina, onde Zilda e seus irmãos – eram sete mulheres e seis homens – nasceram. Além de d. Paulo, havia mais um frade na família, frei Crisóstomo, franciscano como o cardeal. Três das mulheres se tornaram freiras.

Clima de guerra

Zilda queria ser médica e missionária, mas acabou se casando. Perdeu o marido, Aloysio, que morreu afogado, aos 46 anos, quando tentava salvar das ondas uma adolescente que o casal tinha sob sua tutela. A moça se salvou. Os Arns moravam num colônia alemã de Forquilhinha, em Santa Catarina, mas costumavam passar férias no litoral do Paraná, onde ocorreu o acidente.

Durante a Segunda Guerra, Zilda e seus irmãos acordavam de madrugada para ajudar a mãe a queimar livros e revistas escritos em alemão, porque tinham medo de seu pai ser preso. Uma noite, enterraram um gramofone e uma coleção de cem discos no meio do mato.

***

O Nobel da Paz brasileiro

Eliane Cantanhêde

Reproduzido da Folha de S.Paulo, 14/1/2010; intertítulo do OI

Zilda Arns foi o que todas nós, ou muitas de nós, gostaríamos de ser ou de ter sido: uma mulher de infinita dedicação às suas crianças, à sua gente, ao seu país e ao seu mundo.

Ela morreu como viveu: chacoalhando em desconfortáveis jipes militares, aos 75 anos, numa guerra contra a pobreza, a sujeira, a ignorância. A favor da vida. Morreu para que tantos outros vivessem no pequeno Haiti, o mais miserável país da América Latina, quase um encrave da África pobre na região.

Médica, especializada em educação física e pediatria, coordenadora da Pastoral da Criança da CNBB, Zilda foi indicada três vezes pelo Brasil para o Prêmio Nobel da Paz.

Merecia, e seria uma honra para cada um de nós. Mas ela não era só brasileira, era do mundo.

Personagem única

Suas soluções simples, baratas e enormemente eficazes cruzaram fronteiras e foram salvar vidas em 15, 20 países pobres da América Latina e da África. Coisas assim como lavar as mãos, tomar banho, aproveitar os alimentos até o último detalhe. Quem não leu sobre macerar cascas de ovos para adicionar cálcio à alimentação de pobres? Quem não sabe da mistura caseira para salvar crianças de desnutrição e desidratação?

Sua história e seus ideais se confundem com os de um ícone mundial, que foi Madre Tereza de Calcutá. Mas Zilda não era freira, não usava hábito e dedicou sua vida à vida alheia, mantendo-se bonita, vaidosa, imensamente feminina. Não interpretou um papel. Era apenas ela mesma em ação.

Se Zilda Arns tivesse morrido de uma doença qualquer, de um acidente qualquer, mesmo assim sua morte teria imensa repercussão e geraria uma tristeza nacional. Quis o destino, ou a sua saga, que ela morresse no Haiti, num terremoto.

Torna-se, portanto, uma personagem única, cercado por símbolos e exemplos que deixam marcas, rastros. Zilda, definitivamente, não passou pela vida em vão.

***

Zilda Arns, a mãe do Brasil

Frei Betto

Reproduzido da seção "Tendências/Debates" da Folha de S.Paulo, 14/1/2010; intertítulos do OI

Pode-se repetir que ninguém é insubstituível, mas a dra. Zilda Arns, vítima do terremoto que arruinou o Haiti, era, sim, uma pessoa imprescindível. Nela mostrava-se imperceptível a distância entre intenções e ações. Formada em medicina e movida por profundo espírito evangélico -era irmã do cardeal dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo-, fundou a Pastoral da Criança, alarmada com o alto índice de mortalidade infantil no Brasil.

Em iniciativas de voluntariado podem-se mapear dois tipos de pessoas: as que, primeiro, agem, põem o bloco na rua e depois buscam os recursos, e as que se enredam no cipoal das fontes financiadoras e jamais passam da utopia à topia.

Zilda Arns arregaçou as mangas e, inspirada na pedagogia de Paulo Freire, encontrou, primeiro, recursos humanos capazes de mobilizar milhares de pessoas em prol da drástica redução da mortalidade infantil: mães e pais das crianças de 0 a seis anos atendidas pela pastoral transformados em agentes multiplicadores.

Ela, sim, fez o milagre da multiplicação dos pães, ou seja, da vida. Aonde chega a Pastoral da Criança, o índice de mortalidade infantil cai, no primeiro ano, no mínimo 20%. Seu método de atenção às gestantes pobres e às crianças desnutridas tornou-se paradigma mundial, adotado hoje em vários países da América Latina e da África. Por essa razão, ela estava no Haiti, onde pagou com a morte sua dedicação em salvar vidas.

Sem temor

Trabalhamos juntos no Fome Zero.

No lançamento do programa, em 2003, ela discordou de exigir dos beneficiários comprovantes de gastos em alimentos, de modo a garantir que o dinheiro não se destinasse a outras compras. Oded Grajew e eu a apoiamos: ressaltamos que apresentar comprovantes não era relevante, valia como forma de verificar resultados. Haveria que confiar na palavra dos beneficiários.

Em março de 2004, no momento em que o governo trocava o Fome Zero pelo Bolsa Família, ela me convocou a Curitiba, sede da Pastoral da Criança. Em reunião com José Tubino, da FAO, e dom Aloysio Penna, arcebispo de Botucatu (SP), que representava a CNBB, debatemos as mudanças na área social do governo. Expus as tensões internas na área social, sobretudo a decisão de acabar com os comitês gestores, pelos quais a sociedade civil atuava na gestão pública.

Zilda Arns temia que o Bolsa Família priorizasse a mera transferência de renda, submetendo-se à orientação que propõe tratar a pobreza com políticas compensatórias, sem tocar nas estruturas que promovem e asseguram a desigualdade social.

Acreditava que as políticas sociais do governo só teriam êxito consolidado se combinassem políticas de transferência de renda e mudanças estruturantes, ações emergenciais e educativas, como qualificação profissional.

Dias após a reunião, ela publicou, neste espaço da Folha, o artigo "Fôlego para o Fome Zero", no qual frisava que a política social "não deve estar sujeita à política econômica. É hora de mudar esse paradigma. É a política econômica que deve estar sujeita ao combate à fome e à miséria".

E alertava: "Erradicar os comitês gestores seria um grave erro, por destruir uma capilaridade popular que fortalece o empoderamento da sociedade civil; (...) por reforçar o poder de prefeitos e vereadores que nem sempre primam pela ética e pela lisura no trato com os recursos públicos. O governo não deve temer a parceria da sociedade civil, representada pelos comitês gestores".

Título eterno

O apelo da mãe da Pastoral da Criança não foi ouvido. Os comitês gestores foram erradicados e, assim, a participação da sociedade civil nas políticas sociais do governo. Apesar de tudo, o ministro Patrus Ananias logrou aprimorar o Bolsa Família e o índice de redução da miséria absoluta no país, conforme dados recentes do Ipea. Falta encontrar a porta de saída aos beneficiários, de modo a produzirem a própria renda.

Zilda Arns nos deixa, de herança, o exemplo de que é possível mudar o perfil de uma sociedade com ações comunitárias, voluntárias, da sociedade civil, ainda que o poder público e a iniciativa privada permaneçam indiferentes ou adotem simulacros de responsabilidade social.

Se milhares de jovens e adultos brasileiros sobreviveram às condições de pobreza em que nasceram, devem isso em especial à dra. Zilda Arns, que merece, sem exagero, o título perene de mãe da pátria.

[Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, 65, frade dominicano, é assessor de movimentos sociais e escritor, autor de A Mosca Azul - Reflexão sobre o Poder (Rocco), entre outros livros. Foi assessor especial da Presidência da República (2003-2004)]

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 Miro Junior
 Enviado em: 13/01/2010 17:36:13
Zilda Arns = Uma perda enorme para o país. Agora o que tem a Mirian Leitão a ver com a Zilda? Qual o motivo para abrir a nota dando mais relevância a Mirian do que a própria Zilda. Não seria o caso de lembrar de seu irmão o Cardeal, ou de sei lá quem?
 Herman Fulfaro
 Enviado em: 13/01/2010 17:38:53
Dra. Zilda merece todas as lágrimas e mais algumas. Tudo o que os brasileiros sinceros, que se comovem e lutam contra a pobreza, desnutrição e desigualdade social choram a décadas e vierem a chorar pela morte dela daqui em diante é pouco. Mas, definitivamente, o que ela não precisava é de lágrimas de crocodilo...das lágrimas de quem nunca soube entender ou dirigir um só palavra de elogio ou compreensão em relação a algo tão simples como o Bolsa Família. Como entender comoções ou sentimentos de última hora??? Como chorar o santo, mas fazer tabula rasa de obras cujos efeitos são quase iguais ou comparáveis aos que ela fazia, também não consigo entender. Com a palavra os crocodilos...
 Ney José Pereira
 Enviado em: 13/01/2010 17:43:39
Enquanto os tais políticos (e as tais políticas) e as tais autoridades gerais das nações (homens e mulheres) não dão conta nem sequer de seus próprios interesses (inclusive os ideológicos e os eleitorais e os pessoais) morrem na fronteira da assistência ao povo Zilda Arns!. Assim como morreu (assassinada) Dorothy Stang!. Observação: A doutora Zilda Arns não quererá "homenagens" (principalmente as homenagens "públicas"). Aliás, a doutora Zilda Arns não quererá nem mesmo ... lágrimas!. Ela queria outra coisa. Mas, não conseguiu!.
 Marilia Balbi
 Enviado em: 13/01/2010 18:08:21
Concordo com vc Alberto Dines, também me emocionei quando escutei a notícia da morte desta digna senhora. Zilda Arns é mesmo o maior exemplo de solidariedade, sua vida prova que uma única pessoa, com coragem, determinação e discernimento pode transforma o mundo. Morrer num lugar, a serviço de seu trabalho social, serve de exemplo para reflexão para muitos de nós, principalmente políticos brasileiros, aqueles que estão mais interessados em tráfico de influência, nepotismo e corrupção. Se tivessemos mais Zilda Arns tenho certeza que este país seria mais limpe e digno de ser viver! Ela vai descansar em Paz!Om, paz, amém
 Wendel Anastacio
 Enviado em: 13/01/2010 22:57:14
A Senhora Zilda Arns, que descanse em PAZ. SHALOM!
 sergio ribeiro
 Enviado em: 14/01/2010 09:40:07
Dona Zilda era uma daquelas raras pessoas que agradavam gregos e troianos. Perda sentida para o Brasil e para o mundo. "Se todos fossem iguais a você, que maravilha seria viver".
 Álvaro Landgraf
 Enviado em: 14/01/2010 10:15:06
Feliz o ser humano que em vida não precisa de discursos para mostrar trabalho e morrendo deixa saudades pelas suas boas obras. Enquanto alguns políticos estão nos gabinetes vomitando sua tara pela morte no lamentável decreto, Zilda celebrava a vida no Haiti. Os contrastes são ainda mais evidentes: enquanto ela morreu para dar a vida — e se opunha ao aborto —, outros viveram para matar. O que é direito humano de verdade? Zilda torna-se uma spécie de mártir da causa da vida.
 Dante Caleffi
 Enviado em: 14/01/2010 11:47:36
Miriam leitão verteu lágrimas,talvez, por que, num ato de contrição,avaliou a injustiça de pessoas dispensáveis continuarem respirando em detrimento daquelas insubstituíveis.
 Lauro Rocha
 Enviado em: 14/01/2010 12:50:36
Até os crocodilos choram. Não me surpreendi com a Leitão.
 Marcioi B. Martins
 Enviado em: 14/01/2010 13:29:12
Miriam Leitão é o exato oposto de Zilda Arns.
 William Faria
 Enviado em: 14/01/2010 14:47:50
Os petistas querem patrulhar até os sentimentos das pessoas Santa Ignorância e prepotencia.
 Cláudia Stefani
 Enviado em: 14/01/2010 16:43:18
Determinados acontecimentos têm esse poder de furar a couraça e colocar a mão lá naquele lugar que escondemos de tudo e de todos. Por isso creio que o choro de Miriam Leitão tenha sido muito mais por ela mesma que por Zilda Arns.
 Herman Fulfaro
 Enviado em: 14/01/2010 17:14:24
Interessante como neste site, que se imagina plural e democrático, basta informar que é jornalista para ter o direito de agredir gratuitamente os que expressam opiniões que Narciso não costuma ver no espelho. Dá próxima vez que eu quiser taxar alguém aqui de ignorante, ou quiser explorar o hímem complacente da censura local, vou dizer que sou jornalista e desfrutar da impunidade. Por muito menos do que isso já tive comentários inteiros que não foram publicados... Em todo caso, e para não perder a viagem, além das lágrimas de duvidosa autenticidade de Dona Miriam Leitão - a menos que elas não tenham sido exatamente por causa da morte da Dra. Zilda, mas de arrependimento, pela Leitão falar tanta besteira durante esses anos todos contra o Fome Zero e o Bolsa Família – sou obrigado a concordar com o comentário do Sr. Miro Junior – Analista – SP, ao sacar o enfoque, ou melhor, desenfoque do prezado Dines, ao dar muito mais importância ao chororó da repórter do que a morte da insigne brasileira. Mas a vida é assim mesmo: enquanto uns preferem os olhos, outros preferem a ramela. Fazer o que?!
 Arnaldo Costa
 Enviado em: 14/01/2010 17:20:13
Zilda é um exemplo a ser seguido. Leitão é uma vergonha a ser esquecida. Papagaia-de-pirata.
 Ivete Depelegrim
 Enviado em: 14/01/2010 17:20:32
Pedrinho Guareschi, grande observador da mídia, Dr. em Comunicação Social, escritor, em sua obra Mídia e Democracia nos ensina: " é mais do que chegda a hora do joranalista, tornar-se jornalista humano, pois a cada dia que passa o jornalista toma como banal os acontecimentos do cotidiano e esquece-se de tornar-se humano ao passar a notícia." Se A Srª Míriam Leitão errou ou não ao chorar, não importa. O que importa é que demonstrou SER HUMANA, coisa que muito jornalista veterano ou não não é. A Srª Drª Zilda Arns foi E CONTINUA SENDO UM EXEMPLO DE HUMANIDADE, DIGNADADE, SOLIDARIEDADE QUE DEVE SER SEGUIDO, tanto que determinou o Divino que Ela partisse fazendo que mais amava na vida.
 William faria
 Enviado em: 14/01/2010 18:41:36
Parabéns ao comentário da senhora Ivete... Nada mais a dizer..
 Alexandra Garcia
 Enviado em: 14/01/2010 18:50:08
Segundo consta " O crocodilo chora enquanto devora suas presas. As glândulas lacrimais deste animal estão situadas a poucos centímetros das salivais e portanto estimulam-se constantemente quando este come. Os romanos tinham a crença de que o crocodilo emite um som parecido ao lamento de uma criança que atrai outros animais. Uma vez perto, são engulidos por ele. Ademais achavam que o crocodilo chorava de dó sobre o cadaver de sua presa enquanto comia."
 José Barbosa
 Enviado em: 14/01/2010 19:17:05
Perdão. Foi confusão de minha parte. Confesso que me equivoquei na interpretação do que li. A frase :" Zilda Arns trouxe a noção de solidariedade" explica. Mil perdões. É que num primeiro momento não compreendi a relação Mirian Leitão X Zilda Arns. Acontece.
 Herman Fulfaro
 Enviado em: 14/01/2010 21:20:16
Não duvido que a jornalista tivesse realmente se emocionado com a morte de Zilda Arns. Tanto quanto a médica ilustre e abençoada Mirian tem laços familiares muito próximos da Igreja, como bem denota a sua biografia na Wikipedia “Miriam Azevedo de Almeida Leitão (Caratinga, 7 de abril, 1953) é uma jornalista brasileira. Atua na área do jornalismo econômico e de negócios. Nascida em Caratinga, Minas Gerais, filha da Dona Mariana e do Reverendo Uriel de Almeida Leitão. Antes de iniciar a carreira no jornalismo, foi militante de esquerda, tendo sido presa e torturada.[1]” - http://pt.wikipedia.org/wiki/Miriam_Leitão
 Eduardo Barreto
 Enviado em: 15/01/2010 09:25:06
Infelizmente, pessoas exemplares só mostram o tamanho de suas obras para um grupo maior da sociedade quando se vão. Conhecia o trabalho de Zilda Arns muito superficialmente e fiquei surpreso e feliz com o tamanho de suas obras junto aos pobres do Brasil e de outros países. Sei que seu trabalho continuará, pois sementes plantadas por pessoas como ela não se perdem pelo caminho. Que ela fique em paz e que nós possamos dar continuidade à paz que ela buscava com seu belo trabalho.
 Wanderley Lemes
 Enviado em: 15/01/2010 10:32:39
Eu acredito tanto nas lágrimas da ML, quanto acredito na Anamaria Braga.
 José Paulo Badaró
 Enviado em: 15/01/2010 15:44:17
No exato momento em que a repórter falou com o estúdio da CBN-Rio, mais exatamente com a âncora Carolina Moran, eu estava na página da CBN, com vídeo direto do estúdio ligado. Percebi que a Mirian Leitão, que se comunicava POR TELEFONE, realmente ficou com a voz embargada. Se chorou ou não, só quem estava ao lado dela poderia dizer. Mas uma coisa posso testemunhar, não notei qualquer comoção generalizada, qualquer reação de choro em cadeia, pelo menos através dos sons e imagens que chegavam no meu computador. Se houve isso tudo, das duas uma: ou ficou atrás das câmeras ou ficou na fértil imaginação do velho jornalista. Seja como for, se o site se propõe a ser um observatório da imprensa, antes do choro da jornalista que então procurasse analisar o porquê dos jornais, rádios e televisão terem dado enorme destaque para a morte da Da. Zilda Arns, ignorando, pelo menos nos primeiros momentos, a morte de outros 10 valorosos militares que lá estavam a serviço do Brasil, isso para não falar na perda irreparável de milhares de homens, mulheres e crianças sem nome, sem fama, sem distinção, sem títulos, cujos corpos já naquele momento começavam a ser enfileirados nas calçadas de Porto Príncipe. Por esses eu realmente chorei e talvez ainda venha a chorar mais ainda. Por Da. Zilda, que merece todo o meu respeito, eu apenas lamento.
 Silvio Zaleski
 Enviado em: 16/01/2010 03:48:25
Zilda Arns morreu. Quem era essa senhora que antes era desconhecida da população em geral ? Essa mulher de espírito humanista e uma gigante na luta pela vida. Porque só depois de morrer recebe a atenção pela grande mídia? Essa era uma grande mulher merecedora de nossa atenção. Enquanto a TV brasileira dava espaço a figuras femininas que além de pobres de conteúdo expõe vergonhasamente a mulher em seus pobres programas de auditório, nas suas novelas sensacionalistas ou nos Big Brothers da vida , Zilda Arns comandava uma rede de voluntariados que faziam uma revolução na vida de milhões de mulheres e seus filhos. Uma lástima perder tão grande figura, uma lástima o Brasil não reconhecer as pessoas realmente valorosas.
 Sidnei Brito
 Enviado em: 16/01/2010 11:47:53
É um contrassenso chorar pela morte de Zilda Arns pelas ondas de um órgão de comunicação que abertamente combate o Programa Nacional de Direitos Humanos e as políticas de transferência de renda. Será que tal sutileza não chama a atenção de jornalistas experimentados como Alberto Dines?
 Gerson Chagas
 Enviado em: 16/01/2010 12:46:48
Os comentários aqui postados já deram conta da triste constatação : os cidadãos de real valor passam quase que incólumes pela mídia, enquanto os arrivistas de todo tipo dão seu ar da graça, seja expropriando, espoliando - ou mesmo sendo simplesmente humilhados, no caso dos débeis personagens de reality show & afins, para consumo das massas. Zilda Arns , com seu trágico desfecho em sua estada terrena, ocupou o previsível - e tardio - espaço na mídia. Esperamos que, ainda assim, a memória de sua nobre empreitada suplante a mera morbidez.

A.D., J.M.M, E.C., F.B.