CREATIVE COMMONS
Para entender a polêmica do MinC
Por Luís Nassif em 27/01/2011 na edição 626
Na última semana estourou uma ampla polêmica na Internet envolvendo a retirada do logotipo do Creative Commons do site do Ministério da Cultura.
O CC é uma fundação norte-americana que advoga a liberação do copyright (o direito de reprodução da criação artística).
A disputa que explodiu envolveu, de um lado, as tribos da internet, desenvolvedores, blogueiros, defensores do chamado trabalho em rede e dos softwares livres. De outro, os artistas, criadores, defendendo o direito de serem remunerados por suas criações, através do direito autoral.
É uma disputa complexa porque envolve a própria indústria cultural (grandes estúdios, gravadoras), acervos de artistas já falecidos. E também transcende a mera discussão conceitual, já que a expansão da internet, na prática, derrubou muitas barreiras à difusão de produtos culturais.
Cessão de direitos
Houve uma ampla discussão no meu blog (http://bit.ly/hUNIjY).
De fato, há uma grande diferença conceitual entre os militantes das redes de internet, adeptos incondicionais do trabalho colaborativo, e o artista, com sua individualidade criadora. Há também a crise da indústria fonográfica com o advento de novas mídias, aguçando ainda mais o problema. Em suma, há a necessidade de se encontrar alternativas que permitam ao autor sobreviver da sua obra.
Mesmo assim, a discussão acabou bastante enviesada.
O Creative Commons desenvolveu novas modalidades de licenciamento da obra, a critério do autor. No fundo, visa conferir ao autor instrumentos para se opor ao sistema tradicional de licenciamento, que acaba privilegiando muito mais a editora ou gravadora.
Hoje em dia, pouquíssimos autores conseguem algum recurso proveniente de direitos autorais, seja de livros ou gravações. Os direitos acabam sendo açambarcados pelas editoras e, com o tempo, após a morte dos artistas submetidos a verdadeiros leilões.
O grande embate sobre o tema se deu nos Estados Unidos, quando estava para cair o copyright de obras de Walt Disney. No século 19, o copyright durava 15 anos após a morte do autor. No século 20, houve alterações rápidas na legislação estendendo o prazo de validade para até 70 anos após a morte do autor.
Como lembrou um dos debatedores, "escritores do século 20, como por exemplo, Monteiro Lobato, só entrarão em domínio público em 2018; a obra de Carlos Drummond de Andrade só entrará para o domínio público em 2057; e a obra de José Saramago, apenas em 2080".
O Creative Commons faculta ao autor definir, em vida, como será o copyright das suas obras. Nesse sentido, não é impositivo.
Como explicou o comentarista Jaime Balbino, "o Creative Commons facilita de maneira legal, de acordo com a legislação brasileira, a cessão de direitos para determinados usos de uma obra intelectual. Isso significa que ao invés de você, a título de divulgação, deixar que alguns copiem e divulguem produções culturais sem autorização prévia do autor ou do detentor do direito (quase nunca é a mesma coisa no mercado cultural), você explicite legalmente o que pode e o que não pode ser feito com a obra".
Os herdeiros
Herdeiros de grandes obras, como a neta de Lygia Clark, mostraram o custo de manutenção do acervo e diversos projetos, aprovados pela Lei Rouanet, que ganham em cima do material, sem incluírem o pagamento de direitos autorais sobre as imagens utilizadas. Projetos da Rouanet preveem uma infinidade de gastos, menos com direitos autorais. Por trás da queixa, a dificuldade das famílias de manterem os acervos familiares.
Flexibilização da lei
Hoje em dia, a Lei dos Direitos Autorais veta até audição de obras para mais de cinco pessoas, lembrou Balbino, e torna-se difícil liberar o pagamento, mesmo com a anuência do autor. Com o Creative Commons, há a possibilidade de uma licença mais permissiva para utilizações mais fechadas para uso comercial e não comercial; para produção, alteração e produção de obras derivadas. E até para a preservação explícita do conteúdo.
As críticas ao MinC
Ao manter o logotipo do Creative Commons no site do ministério, o MinC automaticamente liberava todo conteúdo para outras utilizações. O temor é que, sem ele, o uso das informações possa ser objeto de futuras ações de direito autoral. Teme-se que o MinC necessite criar um departamento jurídico específico para elaborar contratos individuais de cessão de direitos, com um licenciamento específico para cada tipo de material .
Desencontros
No fundo, a discussão revelou um enorme desencontro de informações. Tanto no MinC quanto nos defensores do Creative Commons há a preocupação de preservar o direito do autor, seja escritor, compositor, instrumentista, cantor. Mas há uma realidade mais forte que se impõe, que é a maneira como a indústria cultural irá se desenvolver no novo ambiente virtual. Esse é o grande desafio deste e dos próximos governos.
Vantagens do Brasil – 1
O Brasil tem inúmeras vantagens para aproveitar nessa fase de consolidação da internet. É um país essencialmente musical, colorido, com boa indústria de audiovisual e dono de uma imagem exuberante. Hoje, no mundo, Brasil é sinônimo de amizade, de simpatia, sensualidade, festejos, natureza – valores hegemônicos nas redes sociais, especialmente de jovens. E esses valores se transmitem por sons e imagens.
Vantagens do Brasil – 2
A internet já permitiu a troca de informações entre grupos de todo o país, cada qual contando suas experiências para se lançar no exterior, as formas (ainda embrionárias) de conseguir receitas. Em pelo menos um caso, o Teatro Mágico, a internet foi o grande fator de difusão. A receita advém de shows por todo o país. É essa luta que juntará no mesmo campo os interneteiros e os criadores.
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| Teócrito Abritta |
| Enviado em: 27/01/2011 22:25:17 |
| Aproveito para lembrar ao articulista que ele mantém em seu portal uma página não autorizada em meu nome, fazendo portanto o uso indevido de meu nome e imagem. Que tal retirar este material ilegal, já que não tenho acesso a esta página e nem teria interesse como já me manifestei anteriormente? |
| rogerio cardozo |
| Enviado em: 28/01/2011 07:27:55 |
| Eu acho que pode fazer um jeans,um tenis,uma camiseta,etc..,parecida com uma de marca famosa está perdendo tempo e arriscando perder dinheiro com multas e aprensões.Acho que o ministerio da cultura e desenvolvimento economico devem fazer campanhas para que empresas e individuos nessa situação legalezem seus negocios.Eu poderia ter dinheiro mas acho pagar um preço autissimo porque o produto é de marca famosa é coisa prá gente que não sabe como é dificil ganhar dinheiro.Quanto aos bens culturais tem artista que libera para a internet seus trabalhos,mas acho que pagar 50 ou 80 reais por um cd é prá quem não da valor ao seu dinheiro e cá prá no Brasil hoje se vê principalmente na musica uma copia da outra.Pega um samba e voce que basicamente o que muda é a letra o batuque é o mesmo e ,musicas de uma falta de criatividade que Chico Buarque e outros podem relançar suas obras muitas vezes que tem mercado,no sertenejo pegue 10 musicas que voce vai ver que são musicas parecidas.Nas novelas tenho certeza que vão matar alguem na nova novela e perguntar quem matou fulano.Se o ministerio da cultura quizer fazer algo de bom compre bons livros e distribua para as crianças nas escolas,faça cinemas nas praças das cidades e só botar uma tela e apagar a luz outra coisa que pode fazer para a cultura do pais é apoiar gente que tenha projetos cientificos porque na parabolica só tem picareta e trouxa |
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