PORTAIS NA INTERNET
Predomina a inépcia jornalística
Por Mauro Malin em 23/02/2012 na edição 682
Jornais brasileiros, deixai por algum tempo de tremer: os portais ainda são uma ameaça frágil de concorrência no terreno da informação, da notícia – do jornalismo, então, nem se fala.
As seis imagens abaixo dizem tudo.
Só o G1 teve a competência de manter em manchete, por volta das 19 horas de quarta-feira (22/3), o grave acidente ferroviário em Buenos Aires, embora a notícia divida o espaço horizontal com o Carnaval.
Na mesma tela de computador, não é visível sem rolagem vertical a notícia argentina nos portais do Estadão (!!), do IG e do Terra (completamente perdido nas três primeiras telas da rolagem). Aparece em posição secundária no UOL (force a vista, leitor) e no Google Notícias.
Caminhada sem rumo certo
Conjugam-se, para esse resultado pífio, dois fenômenos. Primeiro, a concepção dos principais portais, que na maioria dos casos abandonaram, se é que tiveram, pretensões jornalísticas. Não sendo, não querendo ser, não devendo ser uma adaptação dos jornais à internet (para isso existem as edições digitais – entretanto pagas, ou de difícil acesso), ainda não conseguiram tornar-se alguma coisa convincente.
Talvez por isso, nos Estados Unidos, pesquisas indicam que um número crescente de indivíduos vão chegando à casa dos 30 anos e passando a assinar jornais, a “velha mídia”. Para adolescentes e jovens ainda não obrigados a “pensar na vida”, a mixórdia oferecida funciona.
O segundo fator é que os Web designers estão, na média, literalmente a séculos de distância dos diagramadores de jornais e revistas, que refinaram sua arte a cada inovação adquirida: fotografia, cor, eliminação de fios (reforma do Jornal do Brasil, década de 1950).
Em outras palavras: não conseguiram criar, ainda, algo que tenha qualidade visual equivalente à da mídia moribunda. Sua concepção é frágil e sujeita a espasmos: abre foto de carnaval, publica slideshow, tem que ter vídeo, e por aí afora.
Um enredo de promessas maravilhosas
Dentro desse sistema, os editores também ficam perdidos ao sabor das pesquisas, por refinadas que sejam. O número de cliques sempre terá vieses ditados por faixa etária, local de moradia, escolaridade, gênero, etc. Serve para fotografar um lapso de tempo, talvez não sirva para um entendimento menos fugaz.
Os responsáveis pelos portais não querem compromisso com o jornalismo convencional, mas não conseguem suprimi-lo. O mundo dos seus sonhos se reduz, diariamente, ou no fluxo contínuo do tempo, a uma realidade bem menos brilhante.
Sim, há maravilhas. A telemática é uma maravilha. Mas, uma vez transposta a fronteira do incogitado, a mente humana começa a perceber as deficiências da novidade.
A quantidade de promessas não cumpridas que este Observatório da Imprensa já viu desfilar na avenida das maravilhas tecnológicas, desde a chegada da internet ao Brasil, daria para encher um enredo inteiro.
Jornalistas, nada de sofrer por antecipação. O que desafia as redações – de jornais impressos ou distribuídos em plataformas digitais, tanto faz – não é exatamente uma novidade. Que seu produto tenha mais relevância, maior clareza, maior abrangência (pela generalização com método, não pela tentativa inútil de abraçar o mundo), mais respeito à inteligência dos leitores, mais serenidade para reconhecer erros (e aprender com eles), mais independência, menos entusiasmo diante de modismos.
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| Fabio Galvao |
| Enviado em: 24/02/2012 10:29:42 |
| Caro Mauro Malin Por experiência próporia - fui um dos primeiros jornalistas do Brasil a migrar para a internet com a Agência Estado, do Grupo Estado, lá em 1995 - a questão não é a plataforma. O problema é jornalístico. Também integrei a primeira equipe que uniu as redações da internet e do impresso do Estadão. Na minha modesta opinião, falta investimento em formação profissional. Nosso jornalismo on line ficou muito raso. Quase todos portais tem canais de celebridades e "notícias" do BBB. É muito triste. Mas sou otimista e acredito na força do jornalismo de qualidade. Os grandes grupos de comunicação sabem que a informação relevante e bem apurada é o futuro do seu negócio. Eles só precisam ter mais vontade e coragem para investir. Um abraço Fábio Galvão |
| Ricardo Oliveira |
| Enviado em: 24/02/2012 13:09:00 |
| O jornalista Carlos Sardenberg, ontem no jornal o globo, escreveu um artigo onde afirma que a culpa pela crise na Grécia é do povo grego e não do mercado. Que clareza ! Que precisão notável ! Que independência ! Que falta de entusiasmo diante de um novo que atropelou o jornalismo, e que muitos jornalistas insistem em não enxergar. Medo de mudanças, inseguranças, conservadorismo retrógrado talvez ajude a explicar a decadência da grande imprensa. Na cadência das mídias digitais, a velha mídia , em decadência, atravessa a informação. Apesar da imprensa , bons jornalistas existem e continuam seu trabalho de informar. O livro Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr,é um bom exemplo de independência, jornalismo investigativo de qualidade, clareza, inteligência ao leitor, serenidade e independência. Curiosamente, o trabalho jornalístico de Amaury foi ocultado pelos grandes meios de comunicação, incluindo aí a velha , alegre e decadente imprensa. Nas novas mídias, o livro é um sucesso. O observador, atento as mudanças, não viu nada e, assim como a velha mídia, é um legítimo representante da vanguarda do atraso, um passageiro, na segunda classe, do Titanic. |
| Ibsen Marques |
| Enviado em: 24/02/2012 15:46:29 |
| Mauro, o jornalismo impresso deixou de ser informativo há muito tempo (para dizer o mínimo). No mesmo caminho seguem seus portais. Felizmente para nós internautas, a busca por informação de qualidade não é tão penosa e para os que já se acostumaram à nova mídia verificar a correção da informação que se encontra não é tão difícil. |
| Bruno Gaspar |
| Enviado em: 27/02/2012 11:50:23 |
| Realmente faz muita falta um portal de notícias de qualidade, sem erros básicos de ortografia, sem abobrinhas nem sensacionalismo. É cansativo procurar por notícias e ter que driblar propagandas, inutilidades e bobagens do tipo "ônibus atropela 5 pessoas, assista!", dentre outras tantas. |
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