LONDRES
Prefeito suspenso por ofensa a repórter
24/02/2006 na edição 369
O prefeito de Londres, Ken Livingstone, foi suspenso do cargo por quatro semanas em decisão tomada por um tribunal disciplinar nesta quinta-feira (23/2). Livingstone teve sua conduta questionada por comparar, há um ano, um jornalista judeu a um guarda de campo de concentração nazista.
O incidente ocorreu na saída de uma festa, em fevereiro de 2005. Irritado com o repórter Oliver Finegold, do Evening Standard, que tentava entrevistá-lo, o prefeito perguntou se ele era um criminoso de guerra alemão. Quando Finegold afirmou que era judeu e se disse ofendido pelo comentário, Livingstone o comparou a um guarda de campo de concentração. O diálogo foi gravado. O prefeito afirmou posteriormente que o jornalista foi grosseiro e ficou empurrando o gravador em seu rosto.
Cargo público
A decisão foi tomada após audiências onde foi analisado se o prefeito havia violado regras de conduta que devem ser respeitadas por funcionários que ocupam cargos públicos. Os membros do painel disciplinar classificaram o tratamento concedido por Livingstone ao repórter de "insensível, ofensivo e desnecessário".
O processo foi aberto após reclamação feita pelo Centro Judaico Britânico. Livingstone poderia enfrentar penas que iam de uma simples advertência a suspensão do cargo por até cinco anos. A punição começa a vigorar em 1º de março. O prefeito pode apelar da decisão.
Livingstone – que antes de ser prefeito foi crítico de restaurantes do Evening Standard – implica com a companhia Daily Mail and General Trust, que controla o jornal e também o Daily Mail. Segundo ele, o Mail é um jornal racista. "Intolerância, ódio e medo fazem parte de todas as edições", teria afirmado no ano passado. Ele também já chegou a dizer que o Evening Standard é uma publicação "anti-Londres".
Comentando a sentença, a editora do Evening Standard, Veronica Wadley, afirmou que "não há dúvidas que [Livingstone] ofendeu muitos londrinos com seus comentários, e sua recusa teimosa em pedir desculpas agravou a situação". Segundo ela, o comitê disciplinar considerou que Finegold não foi, em nenhum momento, hostil com o prefeito. "Oliver Finegold se comportou impecavelmente e foi educado o tempo inteiro em que questionava o senhor Livingstone", completou. Com informações de Chris Tryhorn [The Guardian, 24/2/06] e Brian Lysaght [Bloomberg, 24/2/06].
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