HUMAN RIGHTS WATCH
Relatório denuncia "ameaças à liberdade de expressão" no Brasil
18/01/2005 na edição 312
Em seu relatório anual "World Report 2005", divulgado no dia 13/1, a organização de direitos humanos Human Rights Watch denunciou "novas ameaças à liberdade de expressão no Brasil". O documento trata também de violações dos direitos humanos por parte da polícia nas áreas urbana e rural, ^problema que considera crônico no país.
Liberdade de expressão
Segundo a organização, o Brasil "manchou seu histórico de respeito à liberdade de expressão" em maio de 2004, quando o governo adotou medidas para expulsar o correspondente do New York Times Larry Rohter "por escrever sobre o alegado hábito de bebida do presidente". "O governo cancelou o visto de Larry Rohter, declarando que era ‘inconveniente’ que ele permanecesse no país. Mais tarde, o governo mudou a decisão e permitiu que ele ficasse", diz o relatório.
Com a apresentação, apenas três meses depois, de legislação para criar um Conselho Federal de Jornalistas, "o governo lançou novas dúvidas sobre seu compromisso com a liberdade de imprensa". O projeto, ainda pendente quando o relatório foi escrito, diz a entidade, daria poderes ao Conselho para "orientar, disciplinar e monitorar" jornalistas e seu trabalho, e exigir que todos os jornalistas se registrem no órgão". A violação das regras do Conselho poderia resultar em multas ou mesmo na suspensão do registro profissional", diz o relatório.
Críticos das medidas propostas, entre os quais as principais associações de jornalismo, cinema e televisão, classificaram o projeto como "a pior ofensa à liberdade de imprensa desde a censura sob a ditadura militar".
Também foi amplamente criticada a proposta de criação de uma agência nacional de cinema e audiovisual, com poderes para analisar previamente uma programação e vetar certos programas, que, segundo seu julgamento, não atendessem aos padrões de responsabilidade editorial", diz o texto.
O relatório denuncia também medida do governo destinada a "registrar, regular e controlar" organizações não-governamentais (ONGs), "já aprovada pelo Senado, em 29 de junho de 2004". "O financiamento federal a essas organizações estaria condicionado a seu registro, e elas poderiam ter que fazer relatórios anuais sobre todo dinheiro público e privado que receberem, inclusive doações", observa o estudo.
Direitos humanos
Segundo a organização, porém, "os clamorosos abusos no sistema de Justiça, incluindo execuções e tortura por parte de agentes penitenciários e policiais, continuam sendo o problema mais urgente dos direitos humanos no Brasil".
Tanto a polícia civil quanto a militar são freqüentemente responsáveis por graves violações, incluindo tortura, execuções, "desaparecimentos" e atos de racismo, diz o texto. Nos primeiros seis meses do ano de 2004, o estado de São Paulo registrou 109 homicídios pela polícia. Embora alto, observa o relatório, o índice teve queda de 73% em relação ao ano anterior. No Rio de Janeiro, o único estado a divulgar tais dados mensalmente, a polícia matou 593 pessoas nos primeiros oito meses de 2004, um declínio de 25% em relação a 2003. Dados não-oficiais indicam que a polícia brasileira mata cerca de 3 mil pessoas anualmente – número de pode ser mais alto devido à subnotificação.
As queixas de abuso policial citam brutalidade, assassinato, corrupção e falta de interesse em manter a ordem em certas regiões. Em outubro de 2004, ativistas de direitos humanos denunciaram que a polícia manteve-se fora da favela carioca de Vigário Geral enquanto quadrilhas rivais de traficantes trocavam tiros, colocando em risco os moradores.
Segundo o Ministério da Justiça, prossegue o documento, o número de detentos nas prisões brasileiras aumentou de 114 mil em 1992 para 300 mil em 2004. Superpopulação e violência institucionalizada – como espancamento, tortura e execuções sumárias – são crônicas e estão em toda parte.
Para a HRW, as crianças são "vulneráveis aos abusos do sistema de Justiça juvenil" do Brasil. No início de 2004, o Ministério da Justiça informou que 13.489 jovens abaixo de 18 anos estavam nas prisões, metade deles no estado de São Paulo. As prisões para jovens têm capacidade para 11.199 internos. Segundo entidades de direitos humanos, houve 10 mortes de internos.
"Os problemas de trabalho escravo e tráfico de pessoas, assim como a violência rural e os conflitos de terra, têm como alvo os cidadãos mais pobres do país", diz o texto. A violência rural é extremamente grave, denuncia. A Pastoral da terra informou que 1.349 pessoas foram assassinadas no campo entre 1985 e 2003. Somente 75 casos chegaram aos tribunais, e 44 resultara em absolvição. "Como no passado, os autores de abusos de direitos humanos gozam de impunidade na vasta maioria dos casos."
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| Roberto Mitsuaki Kumagai |
| Enviado em: 19/01/2005 23:25:21 |
Não será um exagero ou a mania de "denuncismo" à moda da imprensa, dar ênfase a um assunto que na maior parte das vezes só é do interesse da própria imprensa? Quando se utiliza o termo "liberdade de expressão" ele se refere a quem? À população em geral ou às empresas de mídia e a seus profissionais? Meu questionamento se refere à possibilidade de alguém que não pertença a essas corporações ter condições de expressar algo que não seja do interesse da mídia e de seus profissionais. Há essa possibilidade? Uma vítima da violência, assassinada por um menor ou um bêbado ao volante, não recebe a mesma atenção. A notícia é tratada como um escândalo. As outras vítimas são tratadas com pena, não são notícia de valor. As notícias de maus tratos de prisioneiros iraquianos são exploradas com entusiasmo, como fatos que atentam contra os direitos humanos; porém, quando foram divulgados os assassinatos dos reféns dos rebeldes iraquianos as notícias tinham caráter de justiça, isto é, de que eles não foram assassinados, e de que a morte deles foi justa. Afinal, eles trabalham para os norte-americanos. Nunca li nada que condenasse os assassinatos na imprensa brasileira. Quando é que é justo matar? Os afro-descendentes têm o direito de matar porque foram massacrados no passado? Os índios deveriam ter o direito de matar todos is que invadam suas terras, já que no passado também foram vítimas dos portugueses e ainda continuam sendo vítimas? O MST garantiu o direito a seus membros de praticarem atos ilegais, como invadir qualquer propriedade, destruir bens, furtar os bens da propriedade, matar animais, destruir lavouras, porque foram considerados ininputáveis pela Justiça de São Paulo. Onde está o interesse da imprensa? Onde está a liberdade de expressão? Quem é que escolhe o que eu terei a "liberdade de expressar"? O que é "liberdade de expressão"? Quem não tem um veículo tem liberdade de expressão? Quem não trabalha na imprensa tem liberdade de expressão? Quem não é amigo do dono de uma empresa de comunicação tem liberdade de expressão? Quem é que decide o que é liberdade de expressão? Será que este assunto é ventilado na imprensa pela própria imprensa para dar importância a ela mesma? É uma campanha de marketing? Parem de chorar. Ninguém tem liberdade de expressão a nível social; por que a imprensa e seus jornalistas ficam reivindicando para si um direito que os outros não têm? Na maior parte das vezes, 99% das vezes, a imprensa está defendendo o interesse que não é da maioria da população. O festival de moda e as modelos, por exemplo. O que me interessa se a modelo mais famosa transa com um artista de Hollywood? Que verdadeiros interesses estão por trás da denùncia de falta de liberdade de expressão, eu gostaria de ter a liberdade de perguntar, pelo menos; e gostaria de, algum dia, antes de morrer, é claro, que vocês revelassem a quem vocês defendem. Quem vocês representam? O povo não é. Parem de brincar de donzelas ofendidas e de estrelas nesse nosso universo pervertido e miserável. Que organização é essa - Human Rights Watch - e que governo ela representa? O que eles pretendem com esta denùncia, quando se pensa que o mundo em que vivemos foi criado por eles? Se aqui não há liberdade de expressão, muito menos nos países do Primeiro Mundo capitalista, que ela representa. Deve ser a mesma história dos direitos humanos. Só interessa denunciar se for conveniente ou se for uma boa notícia e vender jornal. |
| DONATO CORNETTA FILHO |
| Enviado em: 14/04/2007 22:35:31 |
| EM UM DITADO QUE EXISTE HA MUITO TEMPO : AONDE DIZ QUE A jUSTIÇA É CEGA. E NOS COMO BRASILEROS VIVEMOS ENTRE DOIS POLOS NO NOSSO DIA A DIA. DONATO. |






