COMISSÃO DA VERDADE

Torturador responsabilizado

Por Mauro Malin em 15/08/2012 na edição 707

Comentário para o programa radiofônico do OI, 15/8/2012

 

A tortura contra presos praticada por Carlos Alberto Brilhante Ustra e sob seu comando, no DOI-Codi de São Paulo, foi reconhecida por uma Câmara do Tribunal de Justiça paulista. Cabe recurso da sentença, que cria novo caminho para que se considerem a tortura, outras violências e assassinatos inadmissíveis em quaisquer circunstâncias.

Na segunda-feira (13/8), a Comissão Nacional da Verdade assinou acordo de cooperação com a OAB do Rio de Janeiro para receber depoimentos de ex-presos vítimas da tortura. A OAB-RJ criou sua própria Comissão da Verdade e já colheu em vídeo dois depoimentos – de Cid Queiroz Benjamin e de César Queiroz Benjamin. Os vídeos estão no site da entidade. O jornalista Cid Benjamin, que dirige a área de Comunicação da OAB-RJ, falou na terça-feira (14/8) ao Observatório da Imprensa.

Cid Benjamin −Foi assinado um termo de cooperação entra a Comissão Nacional da Verdade, montada pelo governo federal e a OAB/RJ, que montou também sua própria comissão da verdade, com foco no papel da Justiça Militar na repressão política da ditadura e já fez a entrega solene à Comissão Nacional da Verdade dos dois primeiros depoimentos que colheu. A comissão da OAB vai continuar colhendo depoimentos com esse foco da Justiça Militar. A visita dessa Comissão Nacional da Verdade começou ontem [segunda, 13]; ela fez uma audiência pública na sede da OAB do Rio. Houve uma exposição, por parte de alguns dos seus membros, de como está sendo organizado o trabalho, a estrutura e comparação com outras comissões da verdade montadas em países latino-americanos. Houve uma audiência pública com a sociedade civil, em que familiares de mortos e desaparecidos puderam falar e, na da tarde ontem, houve uma mesa-redonda discutindo antecedentes, contexto e razões do golpe militar, e uma segunda mesa-redonda sobre estrutura da repressão, locais de tortura e mortes no Rio de Janeiro.

 

>> A guerra dos conteúdos

O jornalista Clovis Marques traduziu o livro de Frederic Martel Mainstream – A Guerra global das mídias e das culturas, agora lançado no Brasil. Clovis, veterano do jornalismo cultural e da tradução, falou ao Observatório sobre o livro:

Clóvis Marques – O livro do Martel é uma investigação muito séria. Foi um trabalho de muitos anos de viagens pelo mundo inteiro para fazer um levantamento da situação disso que ele chama de cultura mainstream. Cultura mainstream é o que todo mundo consome, são os meios de comunicação, a televisão, o cinema, a música industrializada e tudo isso. Ele tem uma curiosidade investigativa sensacional. Ele viu tudo, ele conhece tudo, e tende a considerar que o que está em vigor, o que é muito consumido, o que é preferido pelas massas, é interessante e vai avaliando e analisando o que é que está inserido nessa corrente do que ele chama de mainstream –que é o que prevalece na cultura de massas – e o que está ficando para trás ou por fora. E a busca dos diferentes países, das indústrias culturais do mundo inteiro, é que vai se inserir ou não nessa corrente central. Ele acha que a expressão indústria cultural não exatamente reflete a realidade; ele fala de indústrias de conteúdo e mostra também como essa indústrias estão atrás de público, públicos que são eminentemente jovens.

Segundo Clóvis Marques, o autor do livro não acredita que os Estados Unidos impõem padrões, mas oferecem um modelo bem sucedido que todos querem copiar.

C.M. – Uma das coisas que eu achei mais interessante é ele mostrar como a diversidade, a curiosidade, a pesquisa universitária associada à indústria cultural nos EUA, toda uma série de tendências, inclusive a variedade étnica, todas as tendências da diversificação nos EUA favorecem paradoxalmente a multiplicação do modelo norte-americano para o resto do mundo, ao passo que [dificulta] a Europa de acompanhar esse mundo da diversificação e da pluralização, que é o mundo das comunicações hoje em dia.

Do ponto de vista do jornalista dos assim chamados “cadernos de cultura”, que praticamente no jornal diário não o são mais...

C.M.– [Sobre] o jornalismo cultural, em relação a esse livro, tem ali muita informação. O que não pode faltar ao jornalismo cultural no Brasil hoje em dia é senso crítico e vontade de resistir aos pensamentos dominantes.

ATENÇÃO: Será necessário validar a publicação do seu comentário clicando no link enviado em seguida ao endereço de e-mail que você informou. Só as mensagens autorizadas serão publicadas. Este procedimento será feito apenas uma vez para cada endereço de e-mail utilizado.

Nome   Sobrenome
 
     
E-mail   Profissão
 
     
Cidade   Estado
 
     
Comentário    

1400
   
Preencha o campo abaixo com os caracteres da imagem para confirmar seu comentário, depois clique em enviar.
Recarregar imagem
   
   



Este é um espaço de diálogo e troca de conhecimentos que estimula a diversidade e a pluralidade de ideias e de pontos de vista. Não serão publicados comentários com xingamentos e ofensas ou que incitem a intolerância ou o crime. Os comentários devem ser pertinentes ao tema da matéria e aos debates que naturalmente surgirem. Mensagens que não atendam a essas normas serão deletadas - e os comentaristas que habitualmente as transgredirem poderão ter interrompido seu acesso a este fórum.

 

Nenhum comentário.

Mauro Malin

mmalin@amcham.com.br

MMALIN

ENTREVISTA / GRACIELA MOCHKOFSKY

Polarização mata jornalismo

Mauro Malin | Edição nº 813 | 26/08/2014 | 4 comentários

INTERNET, ESSA MARAVILHA

Desculpas tardias

Mauro Malin | Edição nº 812 | 19/08/2014 | 1 comentários

JORNALISMO & CAMPANHAS

Mentiras ajudaram a derrubar Jango

Mauro Malin | Edição nº 811 | 14/08/2014 | 4 comentários

LEITURAS DE ‘VEJA’

Sempre em campanha

Mauro Malin | Edição nº 810 | 05/08/2014 | 8 comentários

(IN)SEGURANÇA PÚBLICA

Mortandade em Imbariê, Caxias

Mauro Malin | Edição nº 809 | 01/08/2014 | 0 comentários

Ver todos os textos desse autor