PROTESTOS NA USP
Uma aula de crise
Por Luciano Martins Costa em 09/11/2011 na edição 667
Comentário para o programa radiofônico do OI, 9/11/2011
A crise na Universidade de São Paulo acaba de ganhar certos ingredientes que podem transformá-la em uma grande dor de cabeça para o governador Geraldo Alckmin. A releitura dos fatos, conforme foram publicados pela imprensa paulista na última semana, dá uma idéia bem mais clara do problema do que o primeiro olhar sobre as reportagens, feito no calor do dia.
Aparentemente, o atual entrevero tem origem nos protestos contra a detenção de três alunos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, que degeneraram em um confronto aberto entre policiais e estudantes.
Essa a versão que oferece a imprensa. Mas há outros aspectos a serem observados.
A presença da Polícia Militar no campus da USP foi definida após o assassinato do estudante de economia Felipe Ramos de Paiva, morto por um assaltante no dia 18 de maio.
Mas, aparentemente, não houve um treinamento específico da Polícia Militar para lidar com jovens universitários: há muitas semanas vinham circulando nas redes sociais queixas de estudantes sobre abordagens inapropriadas, tratamento desrespeitoso e até provocações por parte de policiais.
Na semana passada, três estudantes que esperavam condução foram cercados por policiais, submetidos a revista e tratados como suspeitos. Postaram no Facebook suas queixas contra a humilhação.
O relato da insegurança na região é longo, e no período anterior ao assassinato de Felipe Ramos de Paiva haviam sido denunciados alguns ataques a alunas, com o registro de estupros, e representantes das entidades de funcionários, alunos e professores pediam mais segurança.
Mas os problemas são ainda mais antigos. Algumas medidas administrativas restringindo o acesso ao campus nos finais de semana eram criticadas e em 2007 chegaram a ocorrer manifestações e uma longa ocupação da sede da reitoria, que resultou em mais liberdade de circulação e abertura das cantinas durante os fins de semana.
A presença da polícia sempre foi causadora de conflitos, com acusações de uso exagerado de violência contra piquetes, como aconteceu em 2009.
Por outro lado, o serviço terceirizado de segurança sempre foi considerado insuficiente e inadequado. Em dezembro do ano passado, por exemplo, o estudante Samuel de Souza passou mal e morreu na Praça do Relógio Solar, e os vigilantes foram acusados de omissão de socorro.
Fugindo do assunto
Os jornais não juntam esses fragmentos de fatos que revelam uma longa e persistente crise na maior universidade do país.
Como pano de fundo, a imprensa considera que algumas mobilizações têm caráter eleitoral, uma vez que se aproximam as eleições para o Diretório Central dos Estudantes, marcadas para os dias 22, 23 e 24 deste mês.
Evidentemente, grupos minoritários que protagonizaram os últimos acontecimentos ganham visibilidade na disputa, que também tem repercussão fora do campus, pela vinculação de algumas lideranças com partidos políticos.
Mas a insistência dos jornais em relacionar o descontentamento dos estudantes com a repressão ao uso de maconha esconde o mais importante: o regimento disciplinar da USP está defasado, o governo do Estado não sabe como lidar com a autonomia universitária e, definitivamente, a Polícia Militar não tem o preparo adequado para conviver com estudantes, com jovens em geral.
A operação de reintegração de posse da reitoria ocupada, feita pela tropa de choque da PM, foi relatada pela imprensa tradicional nesta quarta-feira, dia 9, como uma ação organizada, pacífica e cuidadosa.
Não foi nem poderia ter sido: a tropa de choque é treinada para intimidar, agredir e desagregar grupos.
A declaração do novo comandante, reproduzida pelo Estado de S. Paulo, revela o espírito da corporação: “A tropa foi vencedora”, disse o bravo militar.
Sobre a manifestação do secretário da Segurança de que não houve excessos, há controvérsia: a estudante Shayane Metri, do Jornal do Campus, testemunhou a operação de reintegração de posse na reitoria e faz um relato muito diferente daquele que é apresentado pela imprensa nesta quarta-feira.
Seu testemunho ajuda a entender como os preconceitos de lado a lado ajudam a construir e agravar uma crise.
Outra fonte alternativa é o blog de Leonardo Barone, mestrando na USP e professor numa universidade particular.
Sobre as origens da crise na universidade, ler também o blog da urbanista Raquel Rolnik, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e consultora da ONU.
A decretação da greve por parte dos estudantes deve ganhar a adesão de professores e funcionários, paralisando a universidade pelo resto do ano.
Enquanto isso, a insegurança continua, porque os policiais circulam apenas nas principais ruas da cidade universitária, ficam postados em frente à biblioteca e raramente são vistos nos lugares onde costumam ocorrer assaltos.
O noticiário dos jorrnais vai agora se concentrar na cobertura da greve, e mais uma vez os problemas crônicos da universidade vão ficar no escuro.
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| aloisio maciel |
| Enviado em: 09/11/2011 12:33:59 |
| Uau! Nem a Marilena Chauí chegaria a tanto! |
| Boris E. Dunas |
| Enviado em: 09/11/2011 13:11:51 |
| Pronto. Agora o PT já se sente mais à vontade para fazer o de sempre: distorcer a realidade, ainda que sua clareza não deixe dúvidas nas cabeças não-militantes, e fazer prosperar, pela insistência e pelo cansaço, alguma de suas versões vigaristas da história, na marra. E o fazem com a cara bisonha que tão bem os define, tentando passar o conceito de que haveria algum procedimento “especial” a ser empregado pela PM quando se trata de lidar com “delinqüentes do B” (aqueles que o PT decide adotar no momento). Não, meu caro jornalista: a tropa de choque existe para aplicar ou restabelecer a Ordem Democrática, que mais não fosse, nesse caso corresponde à vontade de 99% dos estudantes de verdade da USP . Treinada para “intimidar, agredir e desagregar grupos” é a esquerda entupida de marxismo vagabundo por revolucionários de almanaque. |
| Max Suel |
| Enviado em: 09/11/2011 13:52:44 |
| Ah, mas estava na cara que o jornalista ia abordar o caso da USP com as tintas de sempre: contra o governo de SP (e indiretamente a favor do seu preferido PT). A análise pífia do articulista conclui que a USP ficará em greve que a paralizará até o final do ano. Balela. As maiores faculdades do campus de Pinheiros não estão e não entrarão em greve: os muitos milhares de alunos da POLI e da FEA já se pronunciaram contra a greve, e estão tendo aula normalmente. Apenas na FFLCH, que é o foco onde se abrigam os bagunceiros, é que há princípios de greve. O maior absurdo é confundir Autonomia Universitária com mera libertinagem para fazer o que quiser, ao arrepio da Lei. No Brasil não há território onde a Lei não deva ser aplicada. Há muito mais a criticar no artigo, como a ojeriza do jornalista à PM Paulista, que agiu corretamente e fez cumprir a Lei. Lamentável mais uma vez este artigo. |
| EDSON VIEIRA DA SILVA |
| Enviado em: 09/11/2011 15:14:42 |
| A manipulação das informações pela mídia é mais perigosa,porque quando um governo as manipula em detrimento do público e a mídia é forte,essa manipulação não se segura por muito tempo.quando a própria mídia se afasta do papel crítico,não somente os governos deixam de prestar contas como os interesses ou afiliações perniciosas da mídia e de seus donos permitem abusos por parte de governantes.JULIAN ASSANGE |
| Ricardo Luiz Rocha Fortes Fortes |
| Enviado em: 09/11/2011 15:44:03 |
| O espaço universitário, no meu entender, não é lugar de polícia militar. Segurança Patrimonial tudo bem, pesquisas precisam de proteção etc. Deixem os meninos em paz. |
| EDSON VIERA DA SILVA |
| Enviado em: 09/11/2011 15:58:35 |
| A própria imprensa é conservadora, e atrasa, manipula informações a bel prazer-CARLOS LATUFF tem bons motivos fazer caricaturas sobre a cobertura da imprensa. |
| Tiago Souza |
| Enviado em: 09/11/2011 17:40:10 |
| Nada explica a degradação do patrimônio público,fazer os protestos da forma que fizeram é um absurdo. Por que não aproveitamram a oportunidade da imprenssa - que como foi visto eles não queriam falar com a imprenssa - para falar o real motivo do protesto? sobre a "violência"eles receberam uma ordem para sair, e não saíram. Criticaram tanto os policiais que estavam de máscara para não ser identificados, mas ninguem falou dos estudantes que estavam de máscara para não perder suas vagas. Eles deviam expor as claras o que querem, e pelo o que realmente parece é que querem usar drogas dentro do campusa vontade, como foi vistos nass fotos que circulam na internet, onde um rapaz enrolou uma cartulina enorme escrito maconha como forma de protesto. Essa minoria nem era para ter invadido o diretório, sendo que, foram vencidos na reunião que decidiria se averia a invasão ou não da reitória. Do jeito que fizaram foi vergonhoso. |
| Celio Franco |
| Enviado em: 09/11/2011 17:55:37 |
| Assunto: Meu pensamento sobre o artigo "Um Testículo para Reflexão"... e Graves Reflexões sobre o problema na Cidade Universitária da USP/SP ! Sei que alguns aqui já se manifestaram a favor desse manifesto e defendo esse direito... até mesmo o direito desse 'estudante de jornalismo' de tentar DEMONIZAR a POLÍCIA MILITAR.... afinal, cada um pensa como quiser.... mas queria ver ele continuar com essa postura utópica e irrealista quando ele próprio ou alguém querido precisassem realmente da MÃO FORTE e AMIGA da PM.... num acidente, num incêncio, num assalto.... como muitas vezes já presenciei em minha vida.... Como defensor do direito da livre expressão do pensamento, vou também aqui informar o meu... plagiando o glorioso Capitão Nascimento: Esse senhor é um FANFARRÃO !!! Sou TOTALMENTE CONTRA esse tipo de 'arroubo acadêmico'.... - que pode até estar orquestrado e patrocinado -... visto que na minha leitura vai colocar ainda mais a sociedade contra a USP e seus estudantes... talvez como mais um capítulo do grande plano de dinamitar mais e mais o conceito de nossa gloriosa USP junto da comunidade que tem servido brilhantemente durante tantos anos... e nada melhor que torpedear o conceito da melhor universidade... |
| izabel xavier |
| Enviado em: 09/11/2011 18:00:12 |
| Finalmente uma reportagem que faz jus ao que verdadeiramente está acontecendo na USP. Aos descrentes ao menos consultem as fontes indicadas pelo autor... Estamos na Bahia, mas nem por isso menos atentos ao que acontece em SP e sabe por quê? O que acontece lá reverbera em todos os estudantes do país. Quando vão parar para perceber isso? |
| Joabe Prado |
| Enviado em: 09/11/2011 20:09:57 |
| Vivi minha infância e adolescência próximo a um dos bairros mais nobres da Capital Federal. A presença de colegas com pais endinheirados e ocupantes de altos cargos na administração federal me fez perceber, muito cedo, que a sociedade exige duas polícias. A dos ricos e a dos pobres. A polícia dos ricos deve ser diferenciada, "melhor", afinal, não estão lidando "com qualquer um". Contudo, no caso da USP, isso ganhou um contorno psicótico. A repressão policial ao consumo de entorpecentes ou abordagem e revista, legitimas para a segurança pública, ganharam ares de violência e agressão deliberada. Com isso esta se institucionalizando a violência seletiva por classe social e, o pior, com o amparo de uma parte significativa da impressa que enxerga em toda a imposição de limites uma retomada a ditadura. Nossos estudantes abastados sabem disso e lançam palavras de ordem e frases feitas buscando vincular, pateticamente, a ação policial aos excessos da ditadura. Todo este teatro ao custo da depredação do patrimônio público, mobilização inútil de tropas e, o pior, infantilização de toda uma geração que aprende que, com as palavras certas e devida influência, podem ter o que querem. É, os ricos são mesmo iguais, seja em Brasília, na USP ou na redação de um jornal! |
| michael cruz |
| Enviado em: 09/11/2011 21:17:27 |
| Senhores Aloisio, Boris e Max. Sabem o que é uma universidade numa democracia? Basicamente um espaço experimental de manifestações livres de idéias. Assim, sejam de esquerda , direito ou centro, todas as idéias podem e devem ser manifestadas. Daí chamar alunos de uma minoria delinquente feita de maconheiros (de onde saiu a pesquisa que 99% querem a PM ,do jeito que é, dentro da USP? E o que é “aluno de verdade”?), sem antes ler, ouvir os que estão lá dentro é fazer o mesmo do que acusam estar fazendo o autor do artigo: estão SÓ PARTIDARIZANDO. Já se perguntaram se não estão questionando o modelo de universidades? Não há grandes conflitos internos a se resolver? E a vontade de expressar publicamente que querem democracia e uma verdadeira autonomia universitária? Se as manifestações vem justamente de alunos e professores das áreas humanas (que muitos querem abolir), é porque são elas que “pensam” a sociedade. É válido se ancorar na defesa da lei quando interesses são contrariados? Se fosse assim, resguardadas as devidas proporções, as manifestações no oriente médio ou contra quaisquer ditaduras não poderiam ser feitas, já que estão fora da lei. |
| Boris E. Dunas |
| Enviado em: 10/11/2011 10:49:25 |
| Michael: vá patrulhar sua turma. |
| EDSON VIERA DA SILVA |
| Enviado em: 10/11/2011 12:52:06 |
| SHEYENE METRI:"PALHAÇADA organizada por policiais e alimentada pelos repórteres" Desabafo de quem estava lá[Reintegração de posse--------------Postado no FACEBOOK,sugestão de Cronópio |
| Edno Lima |
| Enviado em: 10/11/2011 13:39:18 |
| Não houve um treinamento específico da Polícia Militar para lidar com jovens universitários? Acho que o jornalista gostaria que babás fizessem o policiamento no campus da USP. |
| Edno Lima |
| Enviado em: 10/11/2011 17:22:23 |
| aparentemente, não houve um treinamento específico da Polícia Militar para lidar com jovens universitário???? Em que jovens universitários são diferentes do restantte da sociedade? O jornalista gostaria de ver babás fazendo o patrulhamento do campus da USP??? |
| aida schwab |
| Enviado em: 11/11/2011 15:25:34 |
| Minhas condolências aos trabalhadores das mídias! A sociedade perde mais uma vida estupidamente. Logica perversa perpassa esse esquecimento, ela fratura o espaço da convergência : bens convergentes como Saude e Educação pública precisam nos unir! A sociedade relativiza o violar e sofre (paga duas vezes para ter saude,impostos e convenios, a troco de que?) mas insiste e credita força aos meios de "a-cova-dar", silenciar discordantes e se enrosca na metodologia que exalta a violencia. A sociedade carcomida nas indiferenças paranoicas, revestida de "auto suficiencia" e nada une.”Ninguem pode me ajudar...eu me basto” Falta energia psiquica para trabalhar, criar e viver em colmeia.Vem a apatia! (a tal depressão ou mal do seculo). "Con-fiar" -fiar junto- é impossivel, a satisfação, reduzida ao indice individual, nada partilha, renega a tarefa de confirmar a condição humana e instala o terror! Autoriza-se a educar com fuzil no peito dos alunos! na assistencia à saude - fecham-se hospitais (creivel?!) paciente e médico dialogam na delegacia ou processo juridico! trocam-se vidas por punhado de dolares (ex:expor jornalista,sob o argumento de ganho financeiro)Vivemos funesto roteiro de filme -nada de laços, o mal está no opositor, um tiro e ele some!Na vida real,laços sociais precarios são doenças sociais.Armas,denunciam o medo psiquico do homem desconhecer o viver |
| Ricardo Pereira |
| Enviado em: 13/11/2011 10:06:00 |
| No texto chamou atençao uma pequena parte "... os policiais circulam apenas nas principais ruas da cidade universitária, ficam postados em frente à biblioteca e raramente são vistos nos lugares onde costumam ocorrer assaltos". O local de concentraçao é emblematico pra mim: ao lado da biblioteca central, um lugar frequentado por contrabandistas de xerox e ratos de biblioteca, notorios ladrões do conhecimento que passam seu tempo a se apropriar de algo que nenhum pagou pra ter. Isto revolta muitas pessoas. E ainda por cima tem um comportamento altamente prejudicial para o ordenamento hierarquico desta nossa universidade, que foi construida pra defender os valores da tradicional familia latifundiaria e quatrocentona.Será que eles pensam que nos enganam? Pois o reitor e o governador juntos tem conduzido o processo com o fervor religioso e a convicçao de um verdadeiro defensor da liberdade de submeter as massas ao bom senso que eles sempre ensinaram e que só mesmo ignorantes que ficam nas bibliotecas perdendo tempo nao sao capazes de entender. Ainda bem que temos a midia para colaborar com nosso projeto... |
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