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OBSERVATÓRIO NA TV
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TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30
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JORNAL DO BRASIL, 110 ANOS
Nova mudança de rumo
Alberto Dines
Bem-vindos ao Observatório da Imprensa. Você conhece a sigla. Seus pais conheciam a sigla. Seus avós em outros tempos preferiam usar o nome inteiro. Dependendo da sua idade poderíamos dizer que também os seus bisavós. De todos os jornais brasileiros, o único que você pode pedir em qualquer banca de Norte a Sul do país enunciando apenas duas letrinhas é o JB. Jornal do Brasil. Esse nome vale ouro. E não apenas pelo nome que o vincula de forma tão clara ao nome do país, mas pela sua história, que na realidade se confunde com a própria história do moderno jornalismo brasileiro.
O JB completa 110 anos na próxima segunda-feira. O seleto clube de jornais centenários tem no Brasil apenas 11 sócios. O mais antigo é o Diário de Pernambuco, com 175 anos, quase bicentenário, seguido pelo Jornal do Commercio do Rio, também dos Diários Associados, com 173 anos. O Estado de S. Paulo, carinhosamente conhecido como Estadão, tem 126 anos, O Fluminense tem 123 e o Diário Popular de São Paulo tem 117. A Tribuna de Santos é mais novinha, tem 107.
Idade e tradição têm muita importância, porque um veículo jornalístico, além de empresa, é também instituição. E quando esquece que é instituição acaba a empresa. O JB ainda é uma instituição, e na sua história embute-se a história da República. E não só isso: o JB é o símbolo de uma das mais espetaculares transformações que ocorreram na imprensa brasileira nos anos 50, a idade de ouro do nosso jornalismo. A revolução visual e editorial que o JB produziu a partir de 1956 foi a mais duradoura e marcante na história do nosso jornalismo. Deixou frutos visíveis até hoje.
No entanto, nas duas últimas décadas o brilho se empanou. O pesado endividamento, com a conseqüente falta de investimentos em qualidade e as sucessivas mudanças de rumo colocaram o JB em desvantagem diante dos concorrentes do Rio e São Paulo. Mas, a partir da segunda-feira, o JB terá um novo nome no expediente: o do jornalista Mario Sergio Conti, autor do best-seller Notícias do Planalto, que assumirá como diretor de Redação.
Os 110 anos e a nova direção serão os motes desta edição do Observatório da Imprensa. Como em ocasiões anteriores, não temos a pretensão de apresentar a história completa do jornal. Em televisão, ao longo de uma hora, é impossível. Além disso, alguns depoentes não puderam ou não quiseram dar seu testemunho. O fato de ter trabalhado 12 anos no JB foi contornado com a decisão de transferir à equipe do programa a responsabilidade de conduzir livremente este documentário segundo as fontes historiográficas dignas de crédito. É a nossa contribuição para relembrar uma belíssima saga onde não há protagonistas, todos são peças fundamentais.
Na história do JB, como de qualquer jornal ou revista, o personagem mais importante é o cidadão-leitor. Não aparece no expediente, mas ele é que conta.
(*) Editorial do programa Observatório da Imprensa na TV, nº 145, no ar em 3/4/01
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