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DOS TELESPECTADORES
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Mensagens enviadas ao programa sobre jornalismo econômico, no ar em 27/3/01


E. Ando

Acho que a imprensa é muito falha na "repercussão" de fatos econômicos, funcionando como se fosse uma caixa de ressonância mecânica, simplesmente repetindo frases prontas divulgadas pelos "formadores de opinião", sem entrar no mérito dos fatos, que acabam ficando sem esclarecimentos abalizados. Assim, as versões acabam se transformando em fatos, ainda que sejam as mais absurdas. Por isso, a imprensa contribui para exacerbar as tendências para o bem e para o mal. Amplifica as crises e intensifica o estado de euforia (exuberância irracional).

Assim, nesse jogo, alguns ganham e muitos perdem. Um dos exemplos recentes foi a "repercussão" da elevação da taxa de juros interna por parte do Bacen. A imprensa noticiou que o Bacen tinha errado na "medida" porque, apesar da elevação da taxa de juros, o dólar havia disparado no mercado cambial. Isso estava na imprensa online, por isso, os efeitos são ainda mais danosos, porque provocam reações em "tempo real".

Ora, essa interpretação não resiste a uma análise mais séria, já que a utilização da elevação da taxa de juros para conter a desvalorização da nossa moeda fazia parte do arcabouço instrumental do Bacen, na época em que a taxa cambial era "administrada" na gestão Gustavo Franco. Isso era feito para, na verdade, proteger as nossas reservas cambiais, que tinham que ser mantidas em patamares elevados, muito acima das necessidades normais para o funcionamento da economia. As reservas funcionavam como uma espécie de seguro contra a desvalorização, política essa que foi abandonada com a adoção do regime de câmbio flutuante.

Portanto, imaginar que o Bacen, sob o comando do Armínio Fraga, master em mercado financeiro e de capitais, pudesse cometer um erro desse calibre é de uma ingenuidade tamanha que nos faz desconfiar dos reais interesses envolvidos nessa postura assumida pelos jornalistas. No regime de taxa cambial flutuante, atualmente vigente, não faz nenhum sentido o Bacen intervir no mercado para conter a taxa cambial, ainda mais com uma mera elevação de 0,5% na taxa de juros, mesmo porque o Bacen não tem reservas cambiais suficientes para sustentar a moeda, exatamente porque esse objetivo não faz mais parte do escopo do Bacen.

Preço da moeda é problema de mercado. O Bacen pode "administrar" a liquidez e as expectativas de mercado, como fez, mediante a colocação de títulos atrelados à variação cambial. O resto é com o mercado. Os exemplos mostram que mesmo os bancos centrais mais poderosos do mundo não conseguem ir contra a lógica do mercado. Todos eles, em algum momento, já falharam em tentativas de "segurar" a taxa cambial em momentos de histeria generalizada. Portanto, atribuir à elevação da taxa de juros pelo Bacen o objetivo de conter a desvalorização de nossa moeda é uma interpretação pífia, um total non-sense, evidenciando falta de competência jornalística, que acaba fazendo o jogo dos interessados em obter vantagens nessa "guerra" de informação e contra-informação.

A "sinalização" estapafúrdia dada pela imprensa acabou contribuindo para aumentar o nervosismo do mercado, exacerbando ainda mais a desvalorização de nossa moeda. Muitos devem ter obtido vantagens com essa situação... Atualmente, a taxa de juros é utilizada pelo Bacen, basicamente, para monitorar a taxa de inflação, de acordo com a política de "target inflation". Além disso, a elevação da taxa de juros tem a ver com a contenção de demanda em setores muito aquecidos, como o de bens de consumo duráveis, altamente dependentes da taxa de juros para sustentar a demanda via crédito. Setor esse que, sabidamente, está contribuindo fortemente para o aumento do déficit na balança comercial do país, já que boa parte dos produtos e insumos desse setor é importada.

Agora, como a economia não é uma ciência exata (embora a maioria dos jornalistas pense que é), só a resposta do mercado vai dizer se a elevação de 0,5% na taxa de juros vai ser suficiente para alcançar o objetivo visado com a medida. Afinal, a competência do Armínio Fraga não inclui adivinhação... Ainda bem.



Olavo Luz

Parabéns ao Alberto Dines pelo excelente programa. Por que a imprensa anos atrás juntou-se aos políticos para endeusar Menem e o plano argentino e exemplificá-lo para o Brasil, e agora esquece todo aquele exibicionismo? Como o povo vai entender este palavreado e e esta mesmice econômica de governo, políticos e jornalistas, que justificam a nossa grande estratégia econômica e estabilidade, quando os leigos só vêem e sentem o declínio na indústria, na agricultura, no comércio, na balança comercial, em contraste com o aumento da violência, da corrupção, das dívidas interna e externa etc,?



Paulo Eneas

São Paulo

Antes, gostaria de parabenizar a equipe do Observatório da Imprensa pelo excelente programa. Gostaria de que o professor Dionísio comentasse um pouco mais a fala do professor Martoni: a imprensa dá um peso excessivo ao noticiário financeiro, em detrimento da economia real, principalmente levando em conta que a maioria dos cidadãos comuns no Brasil, leitores de jornais, não tem interesse imediato no mercado financeiro, e sim na economia real (emprego, investimentos diretos etc.).



José Maria Tomazela

O jornal Taperá, de Salto, a 102 quilômetros de São Paulo, foi condenado a pagar indenização de R$ 100 mil ao ex-presidiário Valério Francisco de Moraes, de 45 anos, por ter publicado notícia baseada em um boletim de ocorrência colocado à disposição da imprensa pela Polícia Civil. A nota informava que, no dia 22 de janeiro do ano passado, quando cumpria prisão em regime semi-aberto, Moraes fora indiciado em inquérito porque teria tentado entrar na cadeia com uma porção de maconha. Caso a condenação seja mantida, o jornal pode fechar.

O carcereiro de plantão, Ednilson Padilha do Amaral, acusou o preso de tê-lo tentado subornar com uma nota de R$ 10. O caso gerou um processo, no qual Moraes foi absolvido. Isso levou o preso a ingressar na Justiça, por intermédio do advogado Alaciel Gonçalves, com ação de indenização por dano moral, alegando que a reportagem teve cunho "absolutamente sensacionalista e irresponsável, com o evidente intuito de alavancar vendas do Taperá". Alegava ainda que se tratava de investigação de crime hediondo, feita em segredo de Justiça.

Considerando que, com a divulgação do fato, o preso sofrera "dano moral em grau elevadíssimo", o advogado pediu indenização de R$ 800 mil. O jornal defendeu-se alegando que a notícia sequer foi a manchete principal da página policial daquele dia, não teve chamada de primeira página e não apresentou foto.

A ação foi julgada pelo juiz da 3ª Vara de Salto, Caramuru Afonso Francisco, o mesmo que absolveu Valério da acusação de pretender entrar com maconha na cadeia. O valor foi fixado em R$ 100 mil. Os advogados Mário Dotta e Mário Dotta Júnior recorreram da sentença, alegando que a obrigação do sigilo nos casos em segredo de Justiça é dos funcionários do Estado, e não do jornal. Eles acrescentaram que a notícia é uma cópia fiel do boletim de ocorrência, e que o jornal não apresentou nenhum comentário adicional ou conclusão pessoal do autor da matéria. Os advogados alegaram ainda que o preso nunca demonstrou apreço pela própria honra, "já que foi condenado em vários processos criminais, além daquele objeto da matéria jornalística".

Em certidão juntada ao processo consta que ele, depois de ser absolvido no processo criminal pelo juiz da 3ª Vara, teve expedido alvará de soltura, mas não foi colocado em liberdade por ter outras condenações.

O diretor do jornal, Walter Lenzi, disse que se a condenação for mantida terá que fechar o jornal, que funciona há 37 anos. A empresa jornalística luta com dificuldades para tirar duas edições por semana, pois não possui gráfica. Para dar idéia do que considera "um exagero" no valor da indenização, lembra que a empresa Souza Cruz, a maior fabricante de cigarros do país e uma das maiores do mundo, foi condenada a pagar a mesma importância, de R$ 100 mil, ao ex-fumante Eduardo Ventura, que desenvolveu grave doença vascular, depois de fumar por três décadas, tendo a moléstia lhe causado a amputação das duas pernas.

Lenzi distribuiu comunicado pela internet aos veículos de comunicação da região alertando para o risco da divulgação de notícias baseadas em boletins de ocorrência. "Se todos os juízes adotarem o mesmo entendimento, a sobrevivência dos veículos de comunicação será colocada em risco", disse.



FAXES
Monica Soares

São Paulo

Nesta cobertura da imprensa sobre a questão econômica da Argentina, não vi reportagem nenhuma fazendo referência se na Argentina está havendo uma onda de criminalidade e violência como aqui no Brasil. Há anos a Argentina vem enfrentando desemprego. Por que no Brasil a violência está mais forte? Será que no Brasil é só a questão econômica? Ou temos problemas culturais, sociais e morais em grau mais acentuado que a Argentina?

Isso se deve porque a população na sua maioria é alfabetizada, tem instrução e outro nível de mentalidade, o que não ocorre com classes menos favorecidas de São Paulo? Acho que deveria haver uma reflexão sobre isso para analisarmos melhor a onda de violência e de criminalidade em São Paulo.



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