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OBSERVATÓRIO NA TV

 

OBSERVATÓRIO NA TV

TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30

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PARA COMEÇO DE CONVERSA
Editoriais de A.D. na TV

Programa 52 – 27/04/99

Até as cinco horas de ontem, segunda-feira, podia-se advinhar quais seriam as manchetes de hoje: "Chico Lopes confessa na CPI" ou "Chico Lopes alega inocência na CPI". Ninguém contava com a tática adotada pelo ex-presidente do Banco Central e seus advogados de driblar o julgamento político da CPI. A manobra reverteu completamente as expectativas e as manchetes. Hoje nos jornais os juristas estavam discutindo se a prisão de Chico Lopes foi acertada e se o clima inicial da CPI não indicava a montagem de um grande circo. O desfecho inesperado da sessão da CPI levantou novamente a questão: O vazamento de informações sigilosas para uma mídia ávida por fatos bombásticos, além de irregular, não facilita os pré-julgamentos? Como sempre, não nos cabe entrar no mérito da questão, este programa não é tribunal para condenar ou inocentar acusados. Mas este programa é uma janela para reflexões sobre o papel da mídia na sociedade moderna. A surpreendente virada do caso de Chico Lopes nos obriga a retomar este debate essencial: a sociedade está sendo informada com isenção? Jornais e jornalistas estão atentos às suas responsabilidades na criação de um clima de exaltação? Quanto mais vezes levantarmos essa questão, melhor para a imprensa, melhor para a sociedade.

 

Programa 51 – 20/04/99

Virou rotina, faz parte da realidade da era da informação à qual não se pode fugir: a imprensa transformou-se em notícia da própria imprensa. a imprensa conseguiu ser mensageira e protagonista. Essa constatação não apenas justifica a existência deste programa mas oferece um paradigma, quase uma obrigação: os veículos jornalísticos que não se abrirem para o debate sobre o jornalismo estão deixando de cumprir com a obrigação de esclarecer o seu público. O caso do Banco Marka não foge à regra. Ao lado do noticiário sobre as irregularidades na ajuda a uma instituição quebrada e a suspeita de vazamento de informações privilegiadas envolvendo a pessoa de um ex-presidente do Banco Central, surgiu a questão inevitável: se as bombásticas denúncias da mídia, sobretudo das revistas semanais, não configuram um pré-julgamento. O desempenho da mídia chegou a ser comentado pelo Presidente da República na semana passada que, da Alemanha, pronunciou-se sobre o que ele chamou de "impunidade do rumor". hoje, terça-feira, o assunto foi para a primeira página do Jornal do Brasil provocado por um texto extremamente contundente da repórter política, Dora Kramer, sobre as mazelas da nossa mídia quando cobre denúncias de escândalos. Dora Kramer tem colaborado habitualmente com este programa e hoje está aqui na dupla condição de observadora e observada. porque Dora Kramer teve a coragem de introduzir no debate político um ingrediente explosivo que os políticos procuram evitar: o papel da mídia nos acontecimentos que acompanha. Vamos tentar manter nosso compromisso de não entrar no mérito da questão. Justamente para não pré-julgar e condenar.

 

EMAILS:

Mensagens recebidas entre 20/04 e 27/04

E. Ando
Acho que o caso do famoso correspondente de guerra da CNN, Peter Arnet, recentemente demitido, se encaixa bem no tema em discussão, como um "case study". Em busca de mais holofote acabou se dando mal. Ainda com relação aos holofotes, no caso Collor, o Procurador Geral da República ficou em evidência na imprensa durante um longo tempo, mas, na hora H, o STF acabou inocentando Collor por falta de provas para condená-lo. Mas, a imprensa não cobrou isso do Procurado Geral da República que comandou o processo e deveria ter sido responsabilidade por sua incompetência !!?? Os procuradores em SP no caso das máfias das propinas também estão em evidência, mas similarmente ao caso Collor, sequer conseguiram o indiciamento do ex-chefe dos fiscais na Regional de Pinheiros, também, por falta de provas. Os juízes tem sistematicamente negado a aceitação de denúncias. Ora, isso é morrer na praia. Para que todo o holofote, então? Em outros casos, os promotores e delegados, simplesmente prejulgam os suspeitos ou facilitam a defesa dos suspeitos por divulgar pela imprensa toda a estratégia das investigações, como tem acontecido no caso da máfia das propinas em SP. Um absurdo !! Com a colaboração da imprensa.

Antonio Carlos Ribeiro, Serra / ES
O artigo de Dora Kramer simula a defesa da imprensa ao defender o governo. As acusações que faz trazem verdades e podem ser bem demonstradas na cortina de fumaça que jornalistas, que angariaram fama e credibilidade, produzem para defender o pouco de legítimo que ainda resta à prática política desse governo. A meu ver o Ministério Público cumpriu sua função. Num país como esse, em que os males da vida pública passaram a ser vergonhosos para quem os publica, a única solução parece ser efetivamente divulgar o que foi apurado. A tarefa do Ministério Público é escarafunchar sim, desde que existam denúncias, e como o resultado já demonstrou, evidências. Se o presidente está na Europa, de onde, também sem nenhuma evidência, defendeu o ex-presidente do BC, paciência!

Marta Grael, Dois Córregos / SP
Longe de mim colocar a ética ou a responsabilidade profissional de um jornalista como fatores flexíveis ao contexto, pelo contrário, mas diante do momento atual do meu país, temo que a pressa, a exposição (estrelismo) dos investigadores, até a aparente irresponsabilidade de alguns se justifiquem na tentativa de coibir a impunidade, o acobertamento de fatos por interesses que distanciam-se completamente da verdade, da lisura, do interesse NACIONAL, enfim, do povo.

Frederico Trindade Garcia da Silva - Advogado
Gostaria de parabenizar a jornalista Dora Kramer pela inserção do tema nas discussões atuais e de comprometê-lo com o tempo. Entretanto, cabe salientar o ponto que tratou do compromisso da imprensa, não só com momento da primeira manchete, mas principalmente com o desfecho da notícia. Parece-me que temos nossa imprensa, ao menos parte dela, que não tem interesse em alcançar o deslinde dos escândalos por motivos "ocultos" e, infelizmente, o que atualmente nos é apresentado é a importância do "evento espetáculo". Era apenas o ponto que gostaria de salientar para que, tão somente e costumeiramente como ocorre, não caia no "esquecimento" oculto.

Laura Gomes
Gostaria de saber por que os jornalistas ficam tão cheio de dedos no trato de algumas autoridades públicas. Se estas autoridades lidam com dinheiro público ou são pagos pela população não seria o caso de submete-las a uma rigorosa sabatina. O que observo em alguns jornais é que somente as autoridades "mais fracas" (um deputado desconhecido, por exemplo) politicamente são devidamente inquiridas.

Jaime, São Paulo
Não entendo nada da atividade jornalística, mas me parece natural que o jornalista que trabalha numa revista semanal tenha mais tempo para fazer um jornalismo mais investigativo e reflexivo que o seu colega do jornal. É um paradoxo o jornalista do jornal não ter tempo de fazer jornalismo. Será que a inserção do profissional num processo produtivo não transforma o jornalista numa máquina de redigir?

Lourival Amorim, Florianópolis / SC
Com relação ao sigilo de fonte chamo a atenção dos principais Códigos de Jornalismo:

Associated Managing Editors dos Estados Unidos:

"As fontes noticiosas devem ser reveladas a não ser que haja razão clara para não fazê-lo. Quando é necessário proteger a confidencialidade de uma fonte, a razão deve ser explicada. "

American Society of Newspapers Editors

Os compromissos de confidencialidade a fontes noticiosas devem ser honrados a todo custo, e portanto não devem ser assumidos impensadamente. A não ser que haja necessidade clara e premente de manter confidência, as fontes de informação devem ser identificadas.

Cláudio R. Janowitzer, Rio de Janeiro
Vi o programa hoje pela segunda vez e gostei muito. Acho que o artigo de hoje da Dora Kramer no Jornal do Brasil foi o gancho perfeito para o exame da questão da precipitação (e muito frequentemente: superficialidade) da imprensa na obsessão pelo furo. Excelente o painel de debatedores, especialmente a própria Dora Kramer e o Alberto Dines. Passarei a ser telespectador regular do programa. Parabéns.

Nildson de Ávila
Quero parabenizar a produção do programa pelo debate de terça-feira (20/04), principalmente à respeito da falta de investigação da imprensa sobre informações passadas ao público. Creio, também que a imprensa presta mais serviços do que des-serviços. Porém, tem um ponto que não foi levantado no debate. Quando se compra um rádio, está implícito que foram tomadas medidas técnicas para que este funcione, neste "produto" está embutido diversos serviços, mesmo não contidos no contrato de compra. Se ele não funciona pode ter havido erro na produção, apesar das medidas preventivas, ou negligência do vendedor. Neste caso o Código de Defesa do Consumidor prevê o ressarcimento ou a substituição do produto. No caso, da relação imprensa-público, está caracterizado o "consumo": o consumidor compra a divulgação da informação, e está implícito que foram tomadas as medidas técnicas pra que esta seja verídica. No caso de denúncias sem fundamento, além da lesão dos envolvidos, ocorreu a "venda" de informação inverídica sem a devida investigação, o que caracteriza fraude contra o consumidor. Seria o caso de ressarcimento, por parte da editora, aos seus leitores, ou de substituição, através da distribuição para estes, de exemplares gratuitos. Grande parte dos leitores não tem consciência de que houve esta quebra dos seus direitos de consumidor, e aqueles que tem, não enxergam vantagem significativas pra valer seus direitos frente à dificuldade de que envolve tal processo. Enquanto a lei de imprensa não for regulamentada não seria o caso de fortalecer o Código de Defesa do Consumidor ? Tanto na divulgação dos direitos, quanto no acréscimo de leis que facilitem o exercício destes ? Por exemplo: uma vez comprovada a falsidade das denúncias e a falta de investigação por parte da imprensa, o Ministério Público decretaria que os lesados devem ser ressarcidos, incluindo aqueles que compraram a informação pela imprensa... Assim estaria garantido a cidadania: o consumidor de notícias não deve encarado como um simples "pagante", mas sim um cidadão.

Alexandre Gonçalves de Souza, Rio de Janeiro
Caro Dines,

Há momentos em que, embora saibamos difícil, divergir é sinônimo de evolução. Que bom que vocês divergem do estabelecido, para nós, pobres almas brasileiras, que estudam, se formam, trabalham, pagam impostos e são honestas, este programa assim como outros da emissora nos reconfortam, mostram caminhos para a evolução. Mas sabendo da escassez de seu tempo, sendo mais direto, gostaria que informassem no programa que a TV tem a obrigação de educar. Analisando o seguinte comentário da Marta Suplicy, que achei muito interessante, direi o que penso e se possível, espero que sirva de base para uma pesquisa e que vocês informem no programa um dos porquês da TV ter a obrigação de educar:

" (...) A Televisão não tem a obrigação de educar, mas também não tem o direito de deseducar (...)", Marta Suplicy, 1998 - (Jô Soares Onze e Meia)

Comento:

O serviço de Televisão é, ou era, não sei ao certo, considerado de utilidade pública, toda a difusão sempre foi subsidiada pelo governo via Embratel, mantendo satélites, redes de microondas, centros de TV, técnicos e engenheiros, tudo por um preço simbólico (sei disso porque trabalho na área. Agora que é privada, não sei como está este subsídio, deve-se analisar o contrato de concessão da Embratel). Pois bem, não consigo conceber a idéia que em apenas alguns minutos de comercial, uma empresa de televisão pague pouco pelo serviço subsidiado de difusão, prestado até o ano passado pelo governo, e lucre com isso. Se o serviço foi ou é de "utilidade pública", foi em grande parte subsidiado pelo governo (nossos impostos), as redes de televisão, mesmo as privadas, têm sim a obrigação de educar o povo, pois o povo pagou por isso. Se é necessário subsídio, como os Marinhos e os Sílvios se enriqueceram?! Lucraram com o dinheiro da população. Uma semana de trabalho por mês em impostos descontados em folha para que criaturas como os Marinhos, os Sílvios, os Macedos, as Xuxas e outros seres do gênero possam se tornar os filósofos do país, ditando disfarçadamente e até abertamente as regras na vida de uma população trabalhadora, mas sem cultura, dói. Tenho 29 anos, ainda não tenho filhos, mas não quero para eles uma sociedade com valores invertidos. Também não quero subsidiar com meus esforços e sacrifícios o lucro dos reais marginais da mídia, que tanto fazem sofrer os poucos escrupulosos como nós e postergam a evolução de um povo tão bom, mas sem cultura. Agradeço a atenção.

José Paulo Dertoni, Tijuca / RJ
Pergunto ao Dines:

Porque a Imprensa denomina de limpeza étnica o que na verdade é genocídio que acontece na Albânia. Na minha visão a Imprensa deve escolher com mais critério os termos a divulgar, para evitar que falsas idéias como esta, venham mascarar um crime contra a humanidade. Não existe e nunca existiu limpeza étnica e sim crime hediondo.

João Cláudio Pompeu
Ao Sr. Alberto Dines:

Sou um dos (raros) telespectadores do programa Observatório de Imprensa, que, segundo a Revista Veja é o programa menos assistido da televisão brasileira. Deu para perceber que a antipatia que o senhor nutre por esta revista é recíproca. Estou escrevendo para sugerir que a próxima vez que o sr fizer uma discussão sobre jornalismo investigativo, como é o caso da cobertura da CPI dos bancos, sejam convidados também os jornalistas que trabalham diretamente na apuração dos fatos. No último Observatório, havia opiniões de editores, articulistas e estudantes, mas não houve a opinião do outro lado, daqueles que fazem o trabalho "sujo". Seria interessante confrontar os pontos de vista de Dora Kramer, com os jornalistas da revista Veja, Época e Isto É. Parabéns pelo excelente programa. Do seu único espectador, segundo o Ibope e a Veja.

Vital, Terezinha Mesquita e Afonso Mesquita
Dines,

Primeiramente, parabéns pelo seu excelente trabalho frente a imprensa. Segundo, você poderia comentar o assunto na nota abaixo e tornar público se possível. Desde já agradeço, apenas por saber que você está formando seguidores.

Um abraço.

"Se fazer fosse tão fácil

Como saber o que é conveniente fazer

As capelas dos pobres seriam igrejas

E as cabanas palácios."

Shakespeare

 

Atenção

Um flagrante desrespeito ao cidadão consumidor e pagador de impostos proprietário de veículo automotivo, moradores, comerciantes, etc. Aos cearenses, visitantes e principalmente aos moradores das localidades Parque Leblon e Ipanema, Dois Coqueiros, Boi Choco, Imbuaca, Iparana, Guaié, Pacheco, Icaraí, Cumbuco, adjacências e outros; prejudicados com a imposição de um pedágio exorbitante, vem perante toda sociedade civil e autoridades competentes denunciar o abuso cometido pelas prefeituras de Fortaleza e Caucaia, privando-nos de usufruir desse empreendimento construído com dinheiro público, é como se você comprasse uma casa e depois ficasse pagando aluguel ao ex-proprietário. Fazendo um comparativo com a ponte Rio-Niterói: na ponte Rio Ceará um automóvel paga R$ 1,50 por uma travessia de menos de 500m de obra construída com dinheiro público, sem nenhuma infra-estrutura de apoio ao usuário como iluminação, urbanização, telefone público, sinalização ou advertência de ponte com pedágio. Já a ponte Rio-Niterói construída por um consórcio de construtoras, tem toda infra-estrutura de apoio (socorro médico e mecânico, telefone público em todo o percurso); paga-se por um trajeto de ida e volta quase 28km apenas R$ 0,76. Diante desse comparativo, conclui-se que o pedágio da ponte sobre o Rio Ceará é 110,70 vezes mais caro do que a Rio-Niterói, o valor da travessia em questão deveria ser pago, e assim mesmo indevidamente, R$ 0,0135 (um centavo e um terço) . Um morador do município de Caucaia nas imediações da referida ponte, que se desloca até Fortaleza diariamente para trabalhar, resolver problemas e conduzir os filhos à escola, utiliza no mínimo seis vezes por dia este trajeto e terá confiscado de sua renda familiar R$ 9,00, isto é, por mês correspondente a R$ 270,00. Tomando por base a renda da classe média hoje em torno de R$ 600,00 por mês, terá comprometido 45% de sua renda. Já está em andamento um pedido de aumento para as passagens pela empresa de transportes coletivos que não deve ser baixo, pois, o ônibus paga R$ 6,00 a cada viagem a Fortaleza, pelo visto teremos a passagem mais cara de toda a região Metropolitana de Fortaleza. Conclusão, estamos proibidos por uma lei do município de Fortaleza a residir nessa área de Caucaia, cerceando o direito de ir e vir, e assim causando um prejuízo doloso às comunidades. Alguém paga pedágio para trafegar na Rui Barbosa, com viaduto? Na Osório de Paiva, com destino a Maranguape? Na Zezé Diogo? Na Washington Soares? Nos viadutos da 13 de Maio, Antônio Bezerra, Paulino Rocha, Visconde do Rio Branco? Da Leste Oeste? Então porque nós estamos sendo discriminados? Tem alguém interessado no esvaziamento dessas terras?

 

Mensagens recebidas entre 13/04 e 20/04

Frederico de Castro Perillo, Lagoa da Prata / MG - Jornalista

Observação para o jornalista Alberto Dines:
A abordagem que a Mídia faz das drogas, em alguns casos associando-a com figuras colunáveis ou com artistas, e, de alguma forma, mitificando-a, é sintomática de outro aspecto da abordagem da imprensa: a espetacularização da notícia e de seus personagens, transformando marginais em verdadeiros ícones modernos, vide o caso Leonardo Pareja, um bandido que virou, às custas da mídia, um 'quase' herói nacional. A mídia prefere um personagem que renda matéria, mesmo que seja nocivo à sociedade, a esclarecer e prestar serviço à sociedade. A Mídia vive uma relação ambivalente, dúbia, com relação ao assunto drogas. Ao mesmo tempo que busca esclarecer a sociedade sob os perigos do narcotráfico e do consumo de tóxicos, divulga as drogas como parte do modo de vida e do cotidiano de muitos personagens cativos na Imprensa brasileira. Assim, o esforço das campanhas de combate às drogas esbarram ou são anuladas pelo endeusamento e na mitificação de certas figuras que fazem das drogas quase que um estilo de vida, como por exemplo alguns artistas e músicos frequentes em nossos noticiários. Vários artistas e músicos brasileiros, cuja vida e obra são insistentemente noticiadas pela imprensa, morrem ou tem problemas decorrentes do uso de drogas. No entanto, a mesma imprensa que escancara o estilo de vida 'marginal-chic' destes personagens em seus ditos cadernos culturais, em alguns casos praticamente omite as ocorrências em que a droga provoca algum tipo de problema. Será que para a imprensa a droga, quando se trata de um estilo de vida dos colunáveis, é notícia, e a droga que mata nem tanto assim?

 

Vitor Menezes, Campos / RJ - Jornalista

Caro Dines,
Com a corajosa capa "Drogas nas redações", a Revista Imprensa já abordou um outro lado nesta discussão: a do alto número de usuários entre jornalistas. Será que há isenção para abordar o tema?

Rogério Cavalcante, SP – Advogado

Será que a guerra entre a OTAN e a Iugoslávia não é valorizada por ser uma guerra de brancos contra brancos? Lembro isso porque as guerras na África não têm a mesma cobertura, não tendo por consequência a mesma valorização. Não seria porque é uma guerra de negros contra negros?

 

Adriana Brancatti

Estou preparando um projeto sobre este assunto, a fim de ingressar no Mestrado, para tanto tenho consultado vários jornais e assistido a inúmeros programas de TV que tratam sobre este conflito. Porém tenho sentido muitas dificuldades em encontrar imparcialidade, ao que me parece está havendo um receio da imprensa em mostrar um dos lados do conflito, ela tem apresentado com certa contundência demasiadas justificativas para o bombardeio da OTAN, alguém poderia me ajudar a entender por que isto ocorre?

 

Halisson Paes

Um aspecto que parece ser constantemente negligenciado nesse programa é o aspecto ideológico da imprensa, que, por sofrer influência dos mais diversos campos da sociedade, comumente atua de forma parcial. No caso das guerras promove-se constantemente a satanização de uns e elege seus pseudo-heróis e no caso das drogas associa-se comumente a imagem da população que mora nas periferias, especialmente nas favelas, com as drogas, ignorando-se que não se pode produzir drogas, armas, ou até mesmo consumir essas drogas nessas localidades. Há interesses geopolíticos na repressão das drogas que ignoram qualquer especificidade cultural dos povos. O discurso oficioso impera infelizmente.... "neutro é aquele que já optou pelo mais forte" Emile Durkeim. (gostaria de parabenizar o psicólogo presente no programa por suas colocações coerentes e corajosas).

 

Alexandre Costa Reis, Salvador / BA - Estudante de jornalismo

Gostaria de saber dos jornalistas presentes no programa como a imprensa iugoslava está sendo manipulada ou usada em prol dos interesses políticos e estratégicos de Milosevic e de seu governo? Pergunto porque vemos sempre imagens enviadas pela televisão deste país (visto que não é permitida a entrada da imprensa internacional, de modo que não há uma constatação confiável ou mais isenta), que contam possíveis mortos resultantes dos bombardeios da Otan e coisas do tipo. Curto e grosso: a imprensa é uma arma de guerra do governo iugoslavo?

 

June Ferraz Dias

Prezado Alberto Dines e senhores

Gostaria de ouvir seu comentário a respeito da existência de censura por parte da OTAN em relação ao que recebemos de informações sobre a guerra. Não quero acreditar nem justificar nenhum massacre, mas por que não nos chegam outras notícias? Obrigada

 

Paulo

A mídia poderia contribuir de maneira positiva quanto ao combate às drogas, dando menos importância à canabis, média importância à cocaína e muitíssima importância ao crack... Das 3 drogas relacionadas, o crack é a única que faz do indivíduo uma maquininha programada para matar! OBS* no Rio não há consumo de CRACK (provavelmente seus traficantes sejam menos medíocres, já que não oferecem a droga que mata).

 

Wilson de Carvalho Silva - Advogado

Desde os primórdios da escrita convencionou-se a informação como um produto de poder . Como pode os órgãos de informação ter a "liberdade" de informar se todos têm conta a pagar? O que é mais danoso socialmente a proibição do uso ou o próprio uso? Por quê não disciplinar, educar e informar para melhor armar o cidadão contra a cilada social que lhe empurram mesmo que social-inconscientemente?

 

Marcos, Recife / PE

Obviamente que o problema das drogas entre menores e pessoas da classe pobre é de grande importância, mas evidentemente o maior consumo e o maior lucro está presente nas classes mais ricas: empresários, artistas, intelectuais, etc. Este aspecto não é, ou é pouco explorado pela imprensa. O que acontece?

 

Christian Jung, Porto Alegre / RS

Acho que a imprensa tem mais colaborado do que atrapalhado. Sinal disto é que neste momento esse programa discute justamente o papel dela e o fato de discuti-lo é sinal que algo é feito mesmo que ainda não de uma forma correta, coisa que em outros tempos jamais se pensaria em discutir! Obs: Parabéns pela qualidade do programa!

 

Jaime, São Paulo

É curioso, a cada guerra, a imprensa entra no jogo dos "publicitários da guerra". Exemplo: fica-se a discutir se haverá ou não invasão terrestre, baseando-se nas informações divulgadas pela OTAN e pela imprensa norte-americana. Ora, a tática utilizada na Iugoslávia é a mesma que se está usando desde a 2a. Guerra. Segue a filosofia postulada por Sir Arthur Harris, ou como era conhecido na sua época "bombardeador Harris" pelos aliados e "açougueiro Harris" pelos inimigos. Consiste em minar paulatinamente a capacidade de um país (tanto militarmente quanto moralmente), destruindo sua infra-estrutura, matando e ferindo civis, desabrigando milhões de pessoas e causando a movimentação destas hordas. A invasão por terra é uma seqüência lógica. Os EUA não tem por hábito negociar rendições ou cessar-fogos, se seus termos não são integralmente aceitos, este país fará o que for preciso para conseguir seu intento. Portanto, se não houver uma mudança política importante (aí incluem-se uma radical mudança na política iugoslava com relação a Kossovo ou, muito menos provavelmente a entrada da Rússia no conflito), haverá invasão terrestre. Para mim está claro que está em curso uma campanha publicitária para convencer o público norte-americano da necessidade de uma ofensiva terrestre. Se analisarmos um mapa comum (destes de atlas escolar) veremos que o terreno do sul e sudeste da Iugoslávia não permite uma invasão terrestre desenvolta. Por outro lado o norte e noroeste são muito mais apropriados para uma operação deste tipo. Se analisarmos as campanhas alemãs e italianas nas Balcãs na 2a. Guerra, veremos que foram utilizadas largamente operações aero-transportadas nesta região. De posse destas poucas informações (que não tenho a pretensão de serem completas) os jornalistas poderia fazer perguntas e reflexões um pouco mais inteligentes sobre os desdobramentos desta guerra. No entanto, a maioria limita-se a reproduzir os boletins da OTAN e a traduzir relatos das agências internacionais. Francamente, um pouco de geografia e história não faz mal a ninguém. Eu voltaria minhas atenções para eventuais preparativos para operações aero-transportadas partindo da Itália ou concentrações de tropas na Croácia.

 

Ismael

Amigos, como jornalista, estou assistindo, ou melhor estava, o programa. Afastei-me da TV para vir ao computador. A discussão sobre as drogas está, desculpando-me o trocadilho, semelhante às coberturas jornalísticas. A rigor, apenas o Gaiarsa mostrou-se, mais uma vez, coerente. Gostaria de acrescentar alguns pontos a essa discussão. Os amigos jornalistas enfatizam a 'recente preocupação do governo' em relação à questão das drogas. Isso é falso. O governo foi pressionado pelos Estados Unidos. E isso nada mais é do que mais uma tentativa do governo americano de arranjar desculpas para ‘suaves ocupações na Amazônia’. Além do que, os Estados Unidos montaram uma agência da CIA aqui no Brasil. Sintomático, não? E isso logo depois do FHC ter uma noite agradável junto a Clinton.

Coloca-se sempre a perspectiva de que a droga é algo ruim. Será? Praticamente todos os meus amigos consomem ou consumiram drogas em suas vidas. De todas essas pessoas, e olhe que são muitas, talvez apenas uma tenha tido um relativo problema com drogas. Mas o rebuliço que isso causa é muito maior que aquilo que não aparece nas estatísticas. A maioria das pessoas convive muito bem, durante anos e anos, com drogas como a maconha, a cocaína e as bebidas, principalmente a maconha. Morre-se muito mais de outros motivos, mas cada pessoa que morre por causa de uma droga tem uma atenção exagerada sobre isso. Testemunhos meus: em Marajó, os pescadores, antes de ir para o mar, fumam imensos cigarros de maconha. Não há problemas de overdoses, dependências, crimes, violência, nada disso. Em Pernambuco, no sertão, os caboclos vão defecar nas moitinhas e acendem seus cigarrinhos e ficam lá batendo papo enquanto fazem suas necessidades. Tb não são viciados. Em relação aos artistas, só para citar um exemplo: o disco que é considerado o mais importante do século, o Sgt Peppers, dos Beatles, foi todo concebido à base de lsd. Drogas como lsd, cocaína e maconha eram liberadas até o início do século. Foram banidas mais pelo puritanismo wasp americano que por outra coisa. Maconha era coisa de negro. Está na hora de acabar com esse tipo de discurso. Há um excelente livro a respeito chamado maconha em debate. Nele há uma frase que sintetiza o que é o ser humano. Se não existisse nenhum tipo de droga, o homem inventaria. Ela é o curador entre estados de percepção diferentes. O Gaiarsa talvez possa explicar isso. Há muito mais a dizer, mas o espaço é curto. Um abraço.

Ps. Leiam o artigo do José Arbex na caros amigos sobre o narcotráfico.

 

José Carlos Jordan, Bauru

Quero aqui discordar do jornalista Milton Jung, quando ele diz que não se convida para fumar cigarro, eu acho que sim, como por exemplo aquele comercial, que diz: "Venha para o mundo de Malboro", que, com as suas imagens e cenas ali apresentadas, se traduz sem dúvida nenhuma um convite para a prática do vício, e o tabagismo é um início de um vício para uma outra droga, assim como outros comerciais de cigarros e como de bebidas alcóolicas, sem contar também o "merchandising" que é veiculado em todas as novelas e alguns programas de televisão.

 

Vladimir, Belo Horizonte / MG

Boa noite!!!

Gostaria de saber como as drogas entram nas nossas fronteiras sem que ninguém perceba. Sabemos que os volumes são grandes, inclusive em valor. Não haveria pessoas muito influentes dando cobertura ao trânsito dessas drogas??? Porque nunca aparecem essas pessoas???

Um abraço a todos, especialmente ao Gaiarsa.

 

E. Ando

O Jornal Hoje, na edição de 13.04.99, a título de prestação de serviço público, "ensinou" como se faz uma extensão de fio para aparelhos eletrodomésticos, mostrando que basta se emendar fios e cobrir com fita isolante. Ora, isso é uma grande irresponsabilidade da emissora e um desserviço à população, porque pode colocar em risco os aparelhos eletrodomésticos e as donas de casas (público massivo do jornal), que, no geral, são "analfabetas" em termos de eletricidade e materiais elétricos. A matéria tratou as extensões de fios, como se fossem todos iguais, sem mencionar que existem diferentes tipos de fios, de acordo com as finalidades e as potências dos motores elétricos dos aparelhos eletrodomésticos, sem falar no comprimento da extensão que também afeta a bitola do fio a ser utilizado, sem falar que existe um limite técnico para o comprimento das extensões. A utilização de fios inadequados pode causar super-aquecimento dos fios e causar curtos-circuitos, que além de queimar os motores dos eletrodomésticos pode causar princípios de incêndios. No mínimo, o super-aquecimento dos fios acaba causando aumento do consumo de energia devido à maior resistência à passagem da corrente elétrica, daí o super-aquecimento. Por uma questão de física dos materiais, o super-aquecimento também acaba causando uma deterioração mais rápida dos fios. A emissora deveria, no mínimo, ter consultado um eletricista ou um manual básico de eletricidade. Será que a emissora desconhece que existem normas técnicas da ABNT para a produção de extensões de fios elétricos, normas estas que devem ser observadas pelos fabricantes? Essa seria uma informação fundamental que deveria ter sido passada para os telespectadores. Isso sim, seria um serviço de utilidade pública porque muita gente desconhece essas "chatices" técnicas, mas que são fundamentais para a segurança dos aparelhos eletrodomésticos, e das próprias donas de casa e outros curiosos. Mais uma falha técnica da Globo, que já não é mais a mesma. Um amadorismo inacreditável.

 

Carlos Henrique, Belo Horizonte / MG

Sr. Dines

No Brasil existe uma lei, que proíbe a veiculação de propaganda de cigarros no horário diurno. Podendo ser exibido após determinado horário noturno. Porém no domingo na transmissão do Granprix do Brasil de F1 as marcas estavam expostas por todos os lugares na pista, nos carros etc. Em países como Inglaterra há lei semelhante e lá a corrida transmitida pela TV, os letreiros, os carros e macacões dos pilotos com as marcas de cigarros são vedados. Não existe neste caso uma falta de fiscalização do Ministério Público? O que se passa a este caso.

 

Gustavo Almeida

Ao pessoal do "Observatório"

Parabéns pela entrevista do Dines com o Sílio Bocannera! Um assunto super importante, que está em alta e que foi, rapidamente, bem abordado pelos debatedores. Continuem assim! Um abraço

 

Marcelo Bolshaw Gomes, Natal / RN – Prof. Tecnologia da Comunicação

Tentei participar da lista de discussão do Observatório de Imprensa (Observatorio@news.com.br) para discutir questões relacionadas ao jornalismo e ao seu ensino. A lista está desativada? Recentemente escrevi um artigo dentro desta discussão sobre diretrizes curriculares que o próprio Observatório desencadeou. Está havendo um encontro em Campinas, em que a Intercom tentará sustentar as diretrizes curriculares aprovadas pelo MEC, demasiado teóricas para alguns, por demais técnicas para outros. Porém, pouco se fala sobre criatividade, arte e QE para aguentar o stress do deadline. O jornalismo se transformou em uma Arte, mas os professores continuam discutindo se a Comunicação é uma Técnica ou uma Ciência. Em Portugal, já existem licenciaturas de comunicação. Será que os cursos de comunicação social a nível superior estão destinados a se aproximar cada vez mais de uma licenciatura de educação artística? Gostaria de saber o que a Intercom e outros jornalistas pensam a respeito.

 

Douglas José Motta Camargo

Salve! Trata-se do seguinte: vi, na Revista "IMPRENSA", online, de 14/04/99, comentário da lavra do jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva, intitulado "Os jornalistas brasileiros são educados demais". Minha opinião é titubeante: teria ele razão? Ou devemos continuar sendo o que somos? Refiro-me à imprensa. No mais, um abraço a todos. Pena que a CPI do Judiciário não atinja o desiderato visado por nós, advogados militantes (minha turma, ali do Largo de São Francisco, da Velha e Sempre Nova Academia, já comemorou 20 anos de formatura). Tenho um processo, tramitando na Justiça Federal, que se arrasta há muito, mas muito, mas muito tempo mesmo! O meu cliente pleiteia promoção a que faz jus (direito líquido e certo). Já "ganhei" em todos os graus de jurisdição, mas, ainda tem agravo retido, apelação e, talvez, pasme, a União vá argüir (não me surpreenderia) a inconstitucionalidade da Lei que ampara a pretensão do meu cliente. Até lá, certamente, o meu cliente (com todas as medalhas de bravura ganhas no calor das batalhas na 2ª Guerra, na Itália, condecorado "Sir", pela Rainha da Inglaterra, médico, advogado, com 82 anos, que daria orgulho a todos os seus conterrâneos, tivesse vivido em outro País, cassado na primeira leva pela "Redentora") já terá morrido. Pena, não? Quanto ao resto, um abraço! Saiba que assisto a todos os seus programas, às terças-feiras, na nossa TV Cultura. Um abraço extensivo a todos.



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