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OBSERVATÓRIO NA TV

 

OBSERVATÓRIO NA TV

TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30

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ELEIÇÕES 2002
Reedição da censura prévia
(*)

Alberto Dines

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa. Você sabe, este programa não trata de política e de políticos, nem se envolve com eleições ou candidatos. Tratamos da imprensa, seu desempenho e a sua defesa. Hoje somos levados a contornar nossas normas porque um pré-candidato à presidência da República transgrediu flagrantemente um de nossos postulados, a defesa da liberdade de informar. Não podemos contar a história sem mencionar o nome, não podemos dizer que "alguém" censurou a revista CartaCapital e que "alguém" se revela inteiramente despreparado para presidir uma nação democrática. É preciso dar o nome aos bois porque outros pré-candidatos denunciados pela imprensa jamais tentaram qualquer tipo de cerceamento.

Anthony Garotinho, em julho passado, impediu que O Globo prosseguisse com uma série de reportagens sobre seus negócios particulares e de sua mulher, Rosinha Mateus. Neste Observatório temos condenado o jornalismo-araponga, baseado na mera transcrição de fitas ou grampos feitas por terceiros. Aliás, fomos os únicos a denunciar esse jornalismo marrom. Mas aquela matéria, ao contrário, foi um legítimo trabalho investigativo que confirmou o teor de fitas. Tratamos aqui do assunto porque não poderíamos assistir em silêncio a esta violência.

Um ano depois, já não mais governador, mas candidato a ocupar a chefia de um Estado democrático, Anthony Garotinho ataca novamente a liberdade de informar, agora contra o semanário CartaCapital, dirigido pelo jornalista Mino Carta. Amparado por uma decisão judicial, relembrou a abominável censura prévia impedindo que a revista publicasse reportagem, efetivamente investigativa, confirmando o que já havia sido iniciado pelo Globo.

Aqui não podemos esquecer o outro compromisso deste Observatório: examinar o desempenho da mídia. Junto com o protesto contra a violência cometida contra Carta Capital é preciso registrar outra violência, esta passiva, mas não menos condenável cometida pela mídia brasileira que, com a única exceção de O Globo, tratou o episódio de maneira distante e burocrática, como se não fosse com ela. Esqueceram-se os omissos de hoje que amanhã eles poderão ser as vítimas do mesmo arbítrio.

Então poderá ser tarde.

(*) Editorial do programa Observatório da Imprensa na TV, nº 197, no ar em 21/5/02


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