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IN VITRO

Ulisses Capozoli

Amazônia destruída

Se nada for feito, em 15 anos a floresta amazônica terá sofrido danos irreparáveis e poderá desaparecer em 50 anos, segundo texto publicado pela Folha de S.Paulo (28/6/01, pág. A16). A previsão é de um trabalho de um pesquisador norte-americano que, segundo o texto, nunca esteve na Amazônia.

Ninguém ainda visitou os interiores estelares, mas os modelos respondem satisfatoriamente às observações de fenômenos registrados na superfície. O mesmo se pode dizer do interior da Terra, onde ninguém ainda pisou, mas sobre o qual se fazem deduções consistentes com registros de fenômenos como campo magnético, sismos e vulcanismo.

Em janeiro, um trabalho produzido no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), conduzido pelo pesquisador norte-americano William Laurance, previu que 42% da floresta podem estar destruídos em 2020 em conseqüência do programa Avança Brasil, especialmente a pavimentação de estradas que aceleraria o desmatamento. O texto da Folha diz que o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), ao qual o Inpa está submetido, condenou os dados. Não esclareceu, porém, que os dados do MCT é que estão desatualizados.

A Amazônia desde sempre foi motivo de contradições. Uma delas, ainda na Colônia (1799-1803), envolveu a proibição da entrada do naturalista alemão Alexander Humboldt, acusado de "subverter o ânimo do povo brasileiro". Mas, em 1855, após ter ajudado o Brasil num litígio de fronteiras com a antiga Guiana Inglesa, Humboldt recebeu a condecoração máxima, a Grã-Cruz da Imperial Ordem da Rosa.

Em termos práticos vale dizer que as bolsas para formação de pesquisadores na Amazônia não passam de 6% do total, em contradição com sua extensão territorial e valor estratégico. Um único agente do Ibama, sem infra-estrutura adequada, deve cuidar de 7 milhões de hectares de floresta. O roubo de seringueiras, no começo do século passado, certamente é só mais uma evidência de que a melhor maneira de cuidar da Amazônia é investindo nela, especialmente através da investigação científica e formação de pesquisadores.



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