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HOMEOPATIA NA MÍDIA
Uma visão cética

Roberto Nygaard (*)

Lendo a opinião da Sra. Graciela Pagliaro, homeopata assumida, envio em anexo texto traduzido por mim da (pouco conhecida) revista Skeptical Inquirer. Talvez o texto seja longo, mas é uma tentativa de mostrar uma opinião paralela.

A homeopatia é ali defendida contra o interesse econômico da indústria médica (dita) alopata. A homeopatia é mostrada como alternativa acessível à população, segura, eficiente e muito mais "humanizada". O texto abaixo mostra uma faceta não abordada.

"Conselho Nacional contra fraude na saúde – Homeopatia, uma declaração de posição", copyright Skeptic Magazine, vol. 3, n° 1, pág. 50/57

"Origem

A homeopatia (palavra originária do grego homoios, similar, e pathos, sofrimento) pode ser descrita como um sistema de cura sectário criado pelo médico alemão Samuel Hahnemann (1755-1843), que rejeitou as práticas tradicionais de cura de sua época, que incluíam sangramentos, provocação de vômitos, punções e a administração de drogas altamente tóxicas. As práticas tradicionais de então eram baseadas na antiga teoria grega conhecida por Teoria Humoral, que atribuía enfermidades ao desequilíbrio entre os quatro humores (sangue, plasma e bílis preta e amarela) e as quatro condições corpóreas (terra, ar, água e fogo). Os médicos buscavam restabelecer o equilíbrio tratando os sintomas pelos seus ‘opostos’. Por exemplo, a febre (calor) era creditada ao excesso de sangue, e o tratamento, portanto, consistia em provocar sangramento, na tentativa de ‘resfriar’ o paciente. Hahnemann cunhou o termo ‘alopatia’ a tais práticas (allos, oposto, e pathos, sofrimento), e buscou substituí-la por sua ‘Lei da Similia’, que trata iguais com iguais. Apesar de a medicina não aceitar o rótulo ‘alopatia’, os homeopatas continuam a utilizá-lo com o objetivo de atribuir às diferenças um caráter ideológico, e não devido a pragmatismo científico. Os autores da área médica freqüentemente utilizam o termo alopata para designar médicos, mas, nesse caso, o uso do termo baseia-se na definição contemporânea de ‘um sistema de práticas médicas baseadas na utilização de medidas de valor comprovado no tratamento de enfermidades’ (Webster's New Collegiate Dictionary). Essa definição é inconsistente com a raiz da palavra ‘alopatia’, o que auxilia àqueles que desejam classificar a medicina como ideologicamente alopata (i.e., supressão de sintomas).

Os princípios cardeais da homeopatia

Psora e Vitalismo

Hahnemann acreditava que 7/8 de todas as doenças e enfermidades eram causados por uma desordem infecciosa denominada Psora. Nas palavras do próprio Hahnemann, em seu Organon: ‘A Psora é a única e fundamental causa que produz as demais incontáveis formas de enfermidades que, sob os nomes debilidade nervosa, histeria, hipocondria, insanidade, epilepsia e espasmos de todo o tipo, asma, gota e outros aparecem como patologias peculiares, distintas e independentes.’ (Stalker, 1985).

Hahnemann acreditava que as enfermidades eram devidas a algum distúrbio na capacidade do organismo de curar a si próprio, e que apenas um pequeno estímulo seria necessário para reativar o processo de cura. Ele atribuía esse processo a sua crença no vitalismo, que prega que a vida é um processo espiritual, imaterial, e que o corpo contém uma sabedoria inata que é sua própria força de cura. Um homeopata britânico explicou o conceito de Hahnemann (Twentyman, 1982):

‘Hahnemann (...) é (...) o precursor da ciência natural da era moderna, um adepto da química de seus dias (...) Mas ele pôde manter a convicção de que uma entidade vital e imaterial anima nossos organismos até a morte, quando então forças químicas isoladas prevalecem e iniciam o processo de decomposição (...) Essa entidade vital, que se caracteriza por ser imaterial, espiritual e que mantém em estado saudável a harmonia do organismo, pode ser influenciada por causas dinâmicas. Como Hahnemann buscou esclarecer essa questão? Ele comparou o processo àquele gerado por influências de forças magnéticas, a Lua e as marés, doenças infecciosas e, talvez o mais importante, a influência das emoções e impulsos no organismo.’ (pp. 221-225).

O Vitalismo volta-se para os assim chamados simpatizantes de medicina ‘holística’ ou ‘New Age’, que preferem a visão metafísica do processo de vida e prontamente aceitam a homeopatia, apesar de suas deficiências científicas.

As provas e a Lei da Similia

A invenção da homeopatia por Hahnemann é creditada a uma experiência em que ele ingeriu uma dose substancial de cinchona bark (a fonte do quinino), usado no tratamento da malária. Ele observou que os sintomas eram semelhantes aos da malária. Concluiu que, uma vez que o remédio produzia tais sintomas quando administrado em overdose, e que eram semelhantes aos da doença que pretendia curar, então o princípio (a Lei da Similia) poderia ser utilizado para indicar o valor dos vários remédios disponíveis. Hahnemann chamou esse processo de ‘prova’ de um remédio. Adeptos freqüentemente apresentam, com entendimento errado, que a homeopatia trata das ‘causas’ das enfermidades, e não seus sintomas. Todavia, com base na Lei da Similia e no processo de ‘prova’ de medicações, pode-se concluir que a homeopatia tem como fundamento e origem o próprio tratamento sintomático.

A Lei da Similia de Hahnemann tem origem na primitiva visão monística, que afirma ser ‘a natureza um todo unitário, orgânico e sem partes independentes’ (Webster’s) com os princípios inerentes de que ‘igual é igual’, ‘igual origina igual’, e ‘igual cura igual’. O Monismo está na base de muitas práticas antigas (como comer o coração de um leão para obter coragem) e afirma que, se algum objeto guarda alguma semelhança como outro, sua essência é a mesma (‘igual é igual’); práticas de adoração que buscavam imitar alguma natureza divina de fato gerariam a divindade imitada (‘igual origina igual’). Hahnemann fez reviver a Declaração de Paracelsus, que afirmava que ervas e plantas curariam os sintomas ou partes anatômicas que a elas se assemelhassem (Garrison, 1929, p. 206). A Lei da Similia, no entanto, não tem respaldo nos fundamentos das modernas fisiologia, farmacologia e patologia.

Lei da Potencialização Infinitesimal

A Lei da Potencialização Infinitesimal de Hahnemann afirma que, quanto menor a dose de algum medicamento, tanto mais poderosa será sua capacidade de cura. Ele imaginou que as substâncias poderiam ser potencializadas (i.e., seus poderes imateriais e espirituais seriam liberados para tornar substâncias ativas mais ativas ou para ativar substâncias inativas). O processo de potencialização envolve a diluição seqüencial de agentes medicamentosos por sucção, em que misturas iniciais seriam agitadas pelo menos 40 vezes. São adicionadas nove partes da mistura e nove partes de solvente puro (água, por exemplo), e novamente agitados. O processo era repetido quantas vezes desejava-se. Cobrir o recipiente com um pedaço de couro ou com a palma da mão faria dobrar a diluição. Os remédios são diluídos em potências de 10 e rotulados com combinações de algarismos arábicos e romanos (como em 3X = 1/1000, 5X = 1/100000 etc). O fato de que os remédios homeopáticos do século 19 tenham sido placebos diluídos torna-os preferíveis às práticas médicas de então, descritas anteriormente.

Segundo princípios básicos de química, há um limite de diluição que pode ser obtido sem que a substância diluída seja perdida. Esse limite é dado pelo número de Avogadro (6,02 x 1023), que corresponde a 24X (1/1024). Nesse nível de diluição, há menos do que 50% de chance de haver uma única molécula da substância diluída na mistura. O próprio Hahnemann conhecia esse limite, mas buscou explicar essa incoerência em termos metafísicos. Dessa forma, além de contrariar o bom senso, a Lei da Potencialização é descartada por estudos farmacêuticos sobre relações entre dosagem e resposta de drogas medicinais.

Defensores da homeopatia alegam que a imunização e a dessensibilização alérgica comprovam a eficácia da homeopatia, pois a cura é obtida de acordo com o princípio de que igual cura igual. Todavia, os demais princípios da homeopatia não são atendidos: a imunização não alivia sintomas nem cura; nem a imunização nem a dessensibilização alérgica tornam-se mais eficazes, ou são potencializadas, com o aumento da diluição. Homeopatas clássicos proclamam que comer como forma de aliviar indigestões prova a Lei da Similia. No entanto, o alívio não é obtido pela ingestão de doses microscópicas do mesmo alimento que provocou o mal.

A medicina científica engloba ampla variedade de procedimentos, mas cada qual deve ser testado e comprovado em relação ao problema que pretende atacar. A história é repleta de exemplos de antigos curandeiros que faziam a coisa certa por razões erradas. Alguns faziam perfurações no crânio com o objetivo de liberar demônios e espíritos malignos aos quais eram atribuídas as dores. No processo, acabavam por aliviar a pressão intracranial e atenuar o problema. Mas isso não valida a teoria dos demônios e maus espíritos. Curandeiros astecas raspavam as partes pontiagudas ou cortantes de lanças e outras armas e punham as raspas sobre o ferimento acreditando que a arma que causou a ferida também a curaria. Possivelmente, o sulfato de cobre do bronze de que eram feitas tais armas inibia infecções. Com isso, assim como o resultado satisfatório não valida a escolha do processo utilizado, também o simples sucesso decorrente do uso de algum remédio homeopático não valida a teoria e os princípios da homeopatia, da farmacologia ou da metafísica.

A homeopatia claramente enquadra-se na definição de ‘culto’ encontrada no Webster's Dictionary: ‘Um sistema de cura de enfermidades baseado em dogmas ditados por seu criador ou defensor’, e de ‘sectário’: ‘Um grupo que adere a alguma doutrina específica ou a algum líder.’ Não é possível que cultos de cura sectários evoluam e, ao mesmo tempo, mantenham sua identidade. Assim, homeopatia é o que Hahnemann definiu. A fim de progredir cientificamente, a homeopatia deveria aceitar princípios de farmacologia e de patologia, que se chocam com as suas Lei da Similia e da Potencialização, e com as noções de Psora e Vitalismo. Entretanto, se aceitasse esses princípios, a homeopatia perderia sua identidade e acabaria sendo classificada como biomedicina.

Estudos sobre homeopatia

Estudos envolvendo remédios homeopáticos aparentemente acabam divididos por razões políticas. Se, por um lado, a maioria dos resultados não dá suporte ao uso da homeopatia, outras tentativas bem-estruturadas têm obtido resultados positivos. Alguns desses, no entanto, foram conduzidos por homeopatas, e seus relatórios contêm uma retórica que reflete viés suficientemente forte para minar a credibilidade dos pesquisadores. Os melhores entre esses estudos deveriam ser replicados objetivamente por investigadores, com análises independentes dos medicamentos homeopáticos utilizados a fim de assegurar que não houve qualquer fraude.

Revisão ostensiva sobre a pesquisa experimental realizada sobre homeopatia foi feita por Scofield (1984). Concluiu ele: ‘É óbvio nessa revisão que, apesar da quantidade de trabalhos clínicos e experimentais, há apenas uma pequena evidência que sugere ser a homeopatia eficaz. As causas disso estão em problemas de estruturação de experimentos, execução, análise e, particularmente, na não-replicação ou na não-obtenção de resultados semelhantes em experimentos replicados. E não necessariamente na ineficácia do processo (homeopático). Assim, deve a homeopatia ser testada em escala satisfatória. Há evidências suficientes para garantir a necessidade de estudos mais rigorosos.’ A conclusão mais encorajadora em favor da homeopatia está em que ‘certamente, a homeopatia não foi descartada.’ Scofield, no entanto, não foi muito rigoroso em relação à metodologia científica: é a ausência de provas, e não a ausência de negação, que é relevante. Essa afirmação é consistente com o princípio científico (baseado na hipótese nula da estatística) que 1) nenhuma prática pode ser considerada eficaz até que assim seja comprovado; e 2) o ônus da prova está com o proponente.

Outra avaliação mais recente, envolvendo 107 experimentos controlados sobre homeopatia, foi realizada em 1996, concluindo também que ‘a evidência de tentativas clínicas é positiva, mas não suficiente para fundamentar conclusões definitivas, porque a maioria dos estudos não é conduzida com o rigor adequado, além de não ser possível comprovar se tais estudos são de fato idôneos.’ Também é obtida a conclusão de que a causa da homeopatia é legítima para novas investigações, ‘mas somente se conduzidas com rigor e cuidados metodológicos necessários satisfatórios.’ (Kleijnen, 1991).

Em 1988, um cientista francês trabalhando no prestigiado instituto francês Inserm afirmou que substâncias altamente diluídas em água deixavam uma espécie de ‘memória’, criando, dessa forma, uma fundamentação para os princípios da homeopatia. Seus achados foram publicados em revista de elevado conceito no meio acadêmico-científico, mas com o viés de ter sido financiado por uma grande indústria farmacêutica homeopática. Investigações subseqüentes, conduzidas por James Randi, mostraram que o experimento havia sido mal conduzido. O escândalo resultou na suspensão do citado cientista. Avaliação cuidadosa do experimento revelou que, se os resultados fossem autênticos, a probabilidade de a homeopatia piorar as condições do paciente era mais elevada do que a de obter cura. Além disso, verificou-se que era impossível prever o efeito de uma mesma dose em situações distintas. (Sampson, 1989).

A natureza sectária da homeopatia levanta sérias dúvidas sobre a confiabilidade de pesquisadores homeopatas. Sofield afirmou, com propriedade: ‘É de surpreender, com base nos excelentes resultados mostrados pelos estudos homeopáticos, que essa prática e sua fundamentação teórica não sejam aceitas no meio médico científico e acadêmico.’ Duas regras de conduta, usualmente aplicáveis a estudos que envolvam pseudociências, são aqui também apropriadas: (1) afirmações extraordinárias requerem provas também extraordinárias; e (2) não é necessário provar a existência de fraude, ao contrário, o experimento deve ser conduzido de tal forma que a fraude seja impossível ou pelo menos altamente improvável.

Rotulação dúbia

Nos últimos anos houve uma explosão de produtos rotulados como ‘homeopáticos’. Entre eles, glândulas de animais, ervas diversas e alguns remédios de origem mineral. Apesar de alguns serem apenas ‘relançamentos’ de produtos já utilizados no passado, outros, todavia, parecem ser apenas pretendentes a receber o rótulo de homeopáticos, em suas altas diluições. Por exemplo, testículos crus de gado bovino podem ser altamente diluídos. No entanto, para que seja de fato comprovadamente homeopático, tal remédio deveria ser ‘provado’ e potencializado, conforme reza a teoria homeopática. Para que seja ‘provado’, seria necessário que pessoas saudáveis recebessem doses moderadas desses produtos, e os efeitos resultantes analisados em profundidade. Glândulas não fazem parte do rol de produtos tradicionalmente ‘provados’ por homeopatas, além de ser altamente improvável que a ingestão de tais glândulas pudesse produzir algum efeito colateral. Quer parecer que tais produtos apenas buscam escapar à legislação simplesmente por receberem o rótulo de homeopáticos, já que esses produtos não preenchem requisitos mínimos da proteção ao consumidor e da legislação específica sobre remédios. Rótulos de drogas medicinais devem informar ao consumidor a quantidade de medicação ingerida por dose, enquanto remédios homeopáticos apenas informam sobre a diluição.

Segurança questionável

Apesar de serem considerados usualmente inofensivos em razão de suas elevadas diluições, alguns preparados homeopáticos mostraram-se danosos. A crença incondicional na ‘crise de cura’ pode levar pseudomédicos a julgar sintomas graves como benéficos. A ‘crise de cura’ sustenta que o corpo seleciona, naturalmente, o que é melhor para a saúde do organismo. Há um corolário dessa crença que afirma serem as reações adversas aos ‘remédios naturais’ apenas a expulsão de toxinas pelo organismo. E, quanto mais fortes os sintomas, piores seriam as conseqüências da doença caso as toxinas não fossem expulsas. Com isso, os seguidores da homeopatia podem não ficar alarmados com as reações e sintomas e, simplesmente, continuar o tratamento. Ao mesmo tempo, a medicina ‘alopática’ é de certa forma difamada, justamente por buscar suprimir os sintomas que representam a tentativa natural do corpo de buscar sua cura.

Kerr e Yarborough (1986) reportam um caso de pancreatite desenvolvida por um paciente que tomava remédios homeopáticos receitados por um homeopata não-médico. De acordo com os autores, os produtores do remédio afirmavam que, num percentual de aproximadamente 45% dos casos, surgiam ‘crises de cura’ que incluíam dores abdominais. Embora os homeopatas clássicos utilizassem numerosas substâncias tóxicas em dosagens mínimas, Kerr encontrou em dois, entre seis remédios comprados pelo correio, quantidades substanciais de arsênico. O NCAHF lança dúvidas se os seguidores da homeopatia relatariam efeitos adversos.

Eficácia suspeita

Muito tem sido feito em relação ao fato de que diluições da ordem de 24X não conteriam uma única molécula da substância original, e eventuais resultados positivos têm sido atribuídos ao efeito placebo. Entretanto, muitas dosagens homeopáticas, apesar de diluídas, podem conter suficientes quantidades de alguma substância para serem eficazes. Produtos homeopáticos também podem produzir resultados devido à adulteração. Morice (1986, pp. 862-863) relata que um remédio homeopático de nome Dumcap mostrava-se eficaz no tratamento da asma. No rótulo estava escrito que o remédio era composto por nux vomica (estricnina), albumina arsênica (trióxido de arsênio) e estramônio fólico (estramônio). Análises posteriores mostraram que o produto estava adulterado, contendo doses terapêuticas de esteróides antiasma: prednisolona e betametasona.

Estudos homeopáticos serão considerados inaceitáveis a menos que sejam monitorados para assegurar que os remédios tenham sido preparados de acordo com os princípios homeopáticos, que seus conteúdos sejam verificados e as dosagens quantificadas. Como afirmado anteriormente, simplesmente rotular determinado remédio de homeopático não assegura que ele não contenha alguma dosagem farmacológica e terapêutica de alguma substância ativa (nem todas as diluições excedem o número de Avogrado). Além disso, os experimentos devem ser replicados por terceiros que não tenham interesse específico algum nos resultados.

Thomas Paine, um dos signatários da Declaração de Independência dos EUA, produziu afirmação que constitui um princípio para julgar pseudociências: ‘É mais fácil acreditar que a natureza tenha alterado seu curso ou que algum homem esteja mentindo ou iludido?’

Paraíso para praticantes mal-intencionados

Parte do apelo da homeopatia está no fato de os homeopatas prestarem atenção especial a seus pacientes (Avina e Schneiderman, 1978). De fato, os homeopatas enfatizam que despendem de 30 a 45 minutos com cada paciente, prestando atenção especial ao estado emocional e administrando apenas um remédio por vez. A clássica atenção dedicada aos pacientes pela homeopatia, remédios benignos e uma clientela seleta faz como que sua prática se torne inofensiva, caso seus praticantes tenho o senso de reconhecer desordens mais graves e prontamente encaminhar seus pacientes a especialistas. No entanto, esse não é sempre o caso.

Pseudocientistas, como os homeopatas, mesmo que relativamente benignos, são um potencial atrativo para charlatões e enganadores. Isso representa um sério risco, pois pessoas despreparadas não devem ter o privilégio de lidar com a saúde pública. Seguidores incondicionais podem representar problema ainda maior devido a sua devoção aos princípios da homeopatia, ocasionando uma negação a procedimentos médicos de eficácia reconhecida. Mesmo não representando risco maior, em algum momento futuro determinado paciente pode se encontrar diante de situação em que a vida dependerá da escolha correta, como nos casos de câncer em estado inicial. Muitos praticantes não são homeopatas ortodoxos, e a utilizam como complemento a tratamentos tradicionais. No entanto, é estranho que um médico possa simultaneamente confiar na homeopatia e na ciência médica regular."

(*) Engenheiro civil e mestre em finanças pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul

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