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OFJOR CIÊNCIA

OfJor Ciência 2001 – Oficina OnLine de Jornalismo Científico é uma iniciativa do Observatório da Imprensa, Labjor e Uniemp.


IN VITRO

Ulisses Capozoli


Aids na África

O recuo da indústria farmacêutica internacional na ofensiva contra a compra de genéricos destinados ao combate da Aids, na África do Sul, é um exemplo significativo de que a pressão da opinião pública é capaz de produzir bons resultados. A África tem metade (25 milhões) da população de soropositivos em todo o mundo. Uma negligência maior que a que já existe naquele continente, por parte dos países ricos, pode levar a um desastre sem precedentes, em termos de mortes, na história da civilização.

O Brasil, ao lado da Índia, é um dos países que podem fornecer genéricos para a África e, pela massa crítica de seus pesquisadores, tem uma importância que não deve ser desconsiderada no cenário científico internacional. Mas essa situação certamente não deve ser confundida com bravatas políticas, como as relacionadas a pressões através do Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR).

A administração Bush, ao expressar sua posição de desrespeito ao Protocolo de Kyoto, para controle de emissões de gases do efeito-estufa, demonstra uma arrogância criticada mesmo nos Estados Unidos. Em relação às patentes, não é nem será diferente. Mas não se deve confundir posições legítimas com discursos de camuflagem de problemas internos, que não podem ser desconsiderados, como o Estado de S.Paulo faz em sua edição de 4 de maio (página A 13): "Não cederemos, diz FHC, sobre as patentes".



Código Florestal

Ruralistas retomam a pressões para impedir que 80% de áreas de propriedades na Amazônia tenham preservação ambiental. O deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR) expressa os interesses dos ruralistas em desmatar pelo menos 50% das suas propriedades (O Estado de S.Paulo, 6/5/01, pág. A14).

Esta é uma proposta absurda em termos de impacto ambiental – considera, por exemplo, o professor e geomorfólogo Aziz Ab’Saber, da Universidade de São Paulo, um dos maiores especialistas brasileiros na região. A proposta de Micheletto é uma das conseqüências do desconhecimento dos problemas amazônicos no Sul do País, por falta de uma melhor cobertura pela imprensa.

Tratar com maior profundidade a Amazônia envolve, entre outros problemas, rever a estratégia de ocupação organizada pelo governo militar com impacto em recursos naturais e populações indígenas. É preciso consolidar equipes de reportagens como bom conhecimento da região. Mas, ao contrário disso, freqüentemente os jornais brasileiros publicam matérias sobre a Amazônia traduzidas de jornais estrangeiros, com os quais mantém acordos. Como esperar que estratégias como essa possam contribuir para um melhor conhecimento da região a partir de valores culturais nacionais? E qual o significado dessa alienação no contexto de uma possível perda de soberania?



Ozônio e doenças respiratórias

O aumento de doenças respiratórias na Grande São Paulo (Folha de S.Paulo, 27/4/01, págs. C1 e C3), provocado especialmente por intoxicação por ozônio, aumenta os atendimentos em hospitais. No final dos anos 70, quando os jornais – especialmente o Jornal da Tarde –, dispunham de bons repórteres de urbanismo, assuntos como esse rendiam reportagens de primeira qualidade. Os bons jornalistas de urbanismo desapareceram à medida que as cidades passaram a ser cada vez mais inóspitas.

É estupidez esperar que os governos, em qualquer instância, possam dar conta de todas as soluções necessárias. A mídia deve, por isso mesmo, contribuir para a educação do cidadão. Mas ela própria deve-se preparar para esse trabalho – o que, neste momento, parece bem longe de estar acorrendo.



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