Indice A imprensa em questao O circo da noticia Caderno da cidadania Entre aspas Caderno do leitor

OFJOR CIÊNCIA

 

DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA
Desastre jornalístico

Roberto Belisário (*)

Nos últimos vinte dias registrou-se um interessante acúmulo de descobertas e observações importantes cientificamente em Astronomia e Astrofísica, para gáudio de aficcionados e simpatizantes. Vários foram cobertos pela imprensa, através de pequenas notas ou grandes reportagens. Diante dessa oportunidade única para avaliar o desempenho da mídia no tratamento desse tema, analisei um conjunto de reportagens sobre diversos tópicos envolvendo Astronomia e Astrofísica que apareceram nesse período. O resultado da avaliação foi desastroso.

Foram analisadas reportagens dos jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil. Uma certa matéria da revista Veja utilizou um artifício tão esquisito que também foi incluída neste artigo. Espero que, ao chegar ao fim deste texto, o leitor tenha aumentado a sua capacidade de colocar o senso crítico em guarda contra a espécie de jornalismo científico que parece estar representado nessa amostra.

Entre as várias referências a pesquisas em outros países, não houve, nos jornais pesquisados, nenhuma sobre eventos no Brasil. Uma pesquisa rápida no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE, endereço <www.inpe.br>) mostra alguns acontecimentos interessantes que poderiam ter sido noticiados. Por exemplo, a passagem de dois projetos de softwares brasileiros para finalistas na categoria Meio Ambiente para concorrer ao Prêmio Desafio Estocolmo 2000 (Stockholm Challenge Award 2000). Ou o início das inscrições para a II Escola do Espaço, que será realizada de 3 a 7 de julho pelo Centro Técnico Aeroespacial/Instituto de Aeronáutica e Espaço (CTA/IAE) e a Agência Espacial Brasileira (AEB). Ambos foram noticiados no site do INPE dia 4 de maio.

Buracos de verme

Num tema com tanto apelo popular, o pecado mais comum tende a ser o sensacionalismo e a reserva dos grandes espaços às reportagens que mais excitam a imaginação. No caderno Mais! da Folha de S.Paulo de 30/4/00 apareceu uma reportagem ("Atalhos entre as estrelas") sobre a possibilidade da existência de pontes de Einstein-Rosen ou "buracos de verme" (wormholes). Este curioso nome denota uma espécie de "túnel" através do espaço-tempo, que poderia (teoricamente) tornar realidade o sonho das viagens interestelares instantâneas – do tipo que aparece nos filmes Jornada nas Estrelas. A possibilidade desses "túneis" é prevista pela própria Teoria da Relatividade Geral, mas há limitações práticas que impossibilitam completamente o seu uso para tais viagens.

A reportagem da Folha comenta um artigo publicado na revista britânica New Scientist (15/04/00), que, por sua vez, fala sobre um trabalho recente do físico russo Serguei Krasnikov, do Observatório de Pulkovo, em São Petersburgo, Rússia. O texto da New Scientist tem forte conteúdo sensacionalista. Já na primeira frase se nota o teor apelativo: "Apertem os cintos e segurem firme – as viagens espaciais intergalácticas estão novamente na ordem do dia". Uma abordagem nada científica e muito exagerada. O artigo pode ser encontrado na Internet no endereço < www.newscientist.com/ns/20000415/news.html>.

A escolha do assunto também parece ter sido ditada pelo sensacionalismo, uma vez que uma leitura cuidadosa do artigo original de Krasnikov mostra que (contra a opinião do próprio autor) o uso de "buracos de verme" para viagens interestelares ainda não passa de uma quimera. Krasnikov encontrou um tipo de buraco de verme compatível com a Teoria da Relatividade e ao mesmo tempo possível de ser atravessado por um ser humano. Mas seu buraco é completamente estático, o que torna sua existência impossível na prática. Além disso, são objetos extremamente raros; quanto teríamos que viajar até encontrar a extremidade de um deles? O artigo original de Krasnikov encontra-se na internet no endereço: <http://xxx.lanl.gov/list/gr-qc/0003> (número 0003092).

O autor da reportagem da Folha acolheu a escolha da New Scientist e publicou um artigo de quase uma página sobre o assunto. E não só embarcou no apelo popular da revista britânica, como fê-lo "de cabeça": cerca de metade da matéria da Folha é praticamente a mera tradução do artigo da New Scientist !! E dois terços do artigo da New Scientist foi praticamente copiado pelo autor. As poucas diferenças têm caráter meramente "cosmético": alguns parágrafos divididos ou inserção de parênteses com explicações adicionais sobre algum conceito. Não há no texto nenhuma indicação explícita de que metade do artigo foi escrito por outra pessoa. Trata-se, portanto, de um caso de plágio.

Abordagens sensacionalistas não são privilégio da imprensa. O próprio Krasnikov rende-se a ela em vários momentos no seu artigo científico original, às vezes de uma forma um tanto visionária. Ele deixa claro no seu texto que uma das motivações do trabalho foi a possibilidade de viagens espaciais. Durante a argumentação, chega a invocar Ellie, a personagem principal do romance Contato, de Carl Sagan. Na história de Sagan, Ellie realiza uma viagem através de um buraco de verme. E tudo isso dentro de um artigo científico técnico.

Explicações forçadas

Na revista Veja de 10/5/00, pág. 141, vemos outra atitude de caráter sensacionalista, mas de natureza diferente. A matéria trata sobre a descoberta de um asteróide com um formato incrivelmente semelhante a um osso, feita pelo Observatório de Arecibo, em Porto Rico. O asteróide foi chamado de Kleópatra 216.

No meio da reportagem, os autores perguntam-se por que a Natureza teria produzido um objeto com forma tão peculiar. Procuram então uma explicação com base na teoria dos fractais. Esta teoria é, de fato, capaz de explicar por que a Natureza repete certos padrões de formas em situações aparentemente díspares (como semelhanças entre as formas dos raios, dos rios de uma bacia e das artérias do coração). Mas muito dificilmente teria a ver com semelhanças entre asteróides e ossos. A explicação nesse caso é muito mais prosaica: existem tantos asteróides no Sistema Solar que, mais cedo ou mais tarde, alguém teria que encontrar algum com formato bizarro.

Com essa abordagem, a reportagem da Veja ficou dividida em duas partes sem nenhuma relação entre si: na primeira fala-se apenas sobre o "asteróide-osso"; na segunda, tem-se uma breve exposição da teoria dos fractais. Justifica-se a inclusão dos dois assuntos sob o mesmo título forjando-se uma ligação com pouco sentido.

Se a revista usou esse artifício simplesmente porque quis preencher o espaço da reportagem, teria se saído muito melhor se tivesse escolhido, por exemplo, as observações da sonda "Near", que está orbitando ao redor do asteróide Eros, entre as órbitas de Marte e Júpiter. Nunca nenhuma sonda fotografou um asteróide tão de perto, e muito menos orbitou ao seu redor.

Uma foto desse asteróide visto a parcos 84 km de distância, tirada em 29 de abril, saiu na Folha de S.Paulo de 3/5/00. A Veja poderia ter publicado até fotos melhores, pois nos primeiros dias de maio a sonda chegou a 50 km de Eros e as fotos foram exibidas no website <http://nssdc.gsfc.nasa.gov/planetary/near.html>. Tanto a inclusão desse assunto como a sua associação com o asteróide Kleópatra seriam perfeitamente legítimas.

Este subterfúgio tem a sórdida característica de ser quase imperceptível para o leitor leigo, pois em geral ele não tem conhecimento suficiente para contestar a ligação entre a teoria dos fractais e o "asteróide-osso". O mesmo pode ser dito das reportagens da New Scientist e da Folha.

Fim do mundo: erros e acertos

Nos dias 1 e 2 de maio foi divulgada na imprensa um cálculo mais preciso da massa da Terra, baseado na medição mais acurada da chamada "constante gravitacional", um parâmetro universal simbolizado por G e usado em cálculos relativos à gravitação. O fato teve uma certa repercussão na época, mas as reportagens continham erros crassos. O Estado de S.Paulo (2/5/00) reproduziu uma matéria da agência Associated Press, onde se diz que "se o novo valor for aceito, poderia reduzir o novo valor de G por um fator de 100". Na verdade, o novo cálculo reduz a imprecisão por um valor de 100, não o próprio valor de G! Tinha-se uma imprecisão de 0,15%; as novas medidas têm um erro de apenas 0,0015%.

Já a Folha (1/5/00) afirmou que "essas medições podem ajudar a estabelecer de forma mais precisa a constante gravitacional". O contexto leva a entender-se, por "essas medições", as medições da massa da Terra. Mas o que aconteceu foi justo o contrário: com as novas medidas da constante gravitacional é que se recalculou a massa do nosso planeta.

Os resultados da nova medida de G foram apresentados num encontro da American Physical Society no dia 1º de maio em Long Beach, Califórnia, EUA. O leitor pode consultar diretamente o press release do trabalho em <http://www.aps.org/meet/APR00/baps/vpr/layp11-03.html>.

Em 9 de maio foi noticiada a descoberta de oito novos planetas fora do Sistema Solar. A cobertura jornalística neste caso foi muito mais bem-sucedida. Trata-se da continuação de uma série de descobertas de planetas fora do nosso sistema que vêm sendo feitas nos últimos anos, e portanto essa nova observação não tem tanta importância. O interessante é que foram oito de uma só vez, cada um ao redor de uma estrela. A conclusão um pouco afoita da Folha, de que a descoberta "mostra que eles [os planetas] são mais comuns no Universo do que se pensava" deve ser relativizada, pois já havia então mais de trinta planetas descobertos fora do Sistema Solar.

O comportamento da mídia frente ao alinhamento dos planetas ("aglomerado" seria um termo mais preciso), cujo auge foi no dia 5 de maio, foi um tanto imprudente. Muito pouca discussão foi feita nas vésperas do acontecimento. No dia 4 surgiram algumas reportagens, ressaltando que o alinhamento não afetaria a Terra. Uma cobertura maior teria sido uma atitude muito mais razoável, face ao tumulto que aconteceu durante um alinhamento semelhante em 1962, e face à excitação de certas seitas milenaristas, como a que assassinou centenas de pessoas em Uganda neste ano. Além disso, fazia certo sucesso nos Estados Unidos o livro 5/5/2000 – Ice: the ultimate disaster (5/5/2000 – Gelo: o último desastre), de Richard W. Noone e Richard Kieninger, de teor apocalíptico. O título torna desnecessário detalhar seu irresponsável conteúdo.

A comunidade científica foi mais precavida: a Nasa (www.nasa.gov) publicou uma nota bem na primeira página de seu website, com o título: "Você terá que ir trabalhar na semana que vem". Mas as coisas acabaram se passando de forma muito mais tranqüila do que em 1962. Procurei até mesmo em salas de chats sobre Esoterismo, mas não encontrei nenhuma ressonância a uma previsão apocalíptica (apesar de ter constatado a suspeita de que o alinhamento deslocaria de alguma forma a posição do "eixo" da Terra).

O Jornal do Brasil foi um dos que melhor cobriu o evento: além de desmentir eventuais previsões catastróficas, foi um dos poucos que noticiaram um fato talvez mais interessante, a chuva de meteoros eta-aquarídeos, que ocorreria no mesmo dia e prometia belos espetáculos. Esoteristas e astrônomos preferiram o lúdico à tragédia.

Cosmologia e lixo espacial

O tema da matéria escura recebeu um tratamento raramente dedicado a um assunto científico: a continuidade da cobertura. Matéria escura é a parte da matéria presente no Cosmos que não emite qualquer tipo de radiação e, conseqüentemente, não pode ser detectada pelos aparelhos astronômicos. Sua presença é identificada indiretamente através do efeito gravitacional que ela exerce nos corpos nas suas proximidades. A natureza da matéria escura e a sua quantidade são temas extremamente controversos. Porém, são informações fundamentais para a escolha entre as várias teorias sobre a origem e o destino do Universo que hoje concorrem dentro na Cosmologia.

Nos últimos vinte dias houve uma seqüência de observações indiretas da matéria escura feitas por vários grupos, como os do Experimento Boomerang, do telescópio Hubble, da Universidade de Berkeley na Califórnia e dos Laboratórios Bell. A Folha de S.Paulo noticiou-os, estabelecendo uma continuidade com a notícia veiculada por toda a mídia no fim de abril, que havia relatado as observações astronômicas que implicam que o universo vai se expandir para sempre (ver OfJor Ciência de 5/5/00). Mesmo noticiando em pequenas notas, o leitor pôde ter uma noção do desenvolvimento do tema. A falha foi que essa continuidade não foi explicitada nos textos, através de reminiscências às reportagens anteriores.

As reportagens bem-sucedidas citadas acima são pequenos textos ou notas, enquanto os piores defeitos concentraram-se nas grandes matérias. Em meio a tanto descalabro, a reportagem publicada no caderno Mais! da Folha de S.Paulo de 14/5/00 ("Terra isolada") pode ser tomada como um exemplo a ser seguido. A matéria comenta um artigo da revista Science (Science, 21/4/00: 443-445) que alerta para o excesso de iluminação e de ondas de rádio na Terra e o grande número de objetos artificiais em órbita, acumulados ao longo de décadas de Astronáutica. Esses fatores já estão prejudicando as observações astronômicas e podem ameaçar artefatos como a Estação Espacial Internacional, em órbita da Terra.

O leitor pode encontrar nessa matéria vários elementos da boa divulgação científica: a boa escolha do tema, sem se render a tendências sensacionalistas; a precisão nos conceitos; a citação de referências, para que o leitor tenha condições de exercer seu poder crítico e satisfazer sua curiosidade; a citação de números e outros dados que permitam ao leitor ter uma noção da dimensão verdadeira do fenômeno; o apelo à fonte original das informações (entrevista por e-mail com os autores do artigo); e a precisão dos dados e dos conceitos.

Conclusão de tudo isso: a divulgação da Astronomia na mídia está um desastre. O assunto é noticiado por ter forte apelo popular, mas é negligenciado a ponto de ocorrer barbaridades como as observadas nas reportagens da Veja e da Folha de S. Paulo (30/4/00). Com exceção da reportagem da Folha de 14/5/00, as maiores matérias foram as que cometeram os maiores pecados (e que pecados!). A situação se estende às publicações internacionais, como a New Scientist e a Associated Press, o que indica que o problema provavelmente transcende a mídia brasileira. Às vezes chega a atingir os próprios cientistas – o que é absolutamente imperdoável. Que o leitor use esses exemplos para despertar e orientar seu senso crítico na leitura das reportagens.

(*) Físico

 

Mídia só tem olhos para o exterior

Anna Paula Sotero
(*)

"Falta nacionalismo ao jornalista científico brasileiro." Esta é a opinião do professor-doutor Marco Aurélio de Paoli, pesquisador do Instituto de Química e pioneiro na área dos plásticos inteligentes. Apesar das inúmeras publicações em revistas científicas brasileiras, a pesquisa com esses plásticos e seu impacto tecnológico só foram inseridos na mídia após terem sido notícia em revistas e jornais estrangeiros. Isso vale como um grande alerta, no sentido de nossos jornalistas científicos estarem mais atentos à produção científica brasileira, buscando e ampliando sua divulgação.

Com a intenção de integrar o público leigo a seu trabalho, De Paoli realizou no dia 4 de maio, no auditório da Biblioteca Central da Unicamp, um seminário sobre os plásticos inteligentes e suas aplicações.

Depois do pós-doutoramento, de 1975 a 1977, no Instituto Max Planck de Química da Radiação, na Alemanha, De Paoli ingressou como pesquisador na Universidade Estadual de Campinas, obtendo livre-docência em 1982. Tornou-se professor-titular do Instituto de Química em 1990. Sua pesquisa em plásticos inteligentes começou quando, no final de 1983, foi para o Centro de Pesquisas da IBM, na Califórnia, como pesquisador-visitante. Não existiam, ainda, os chamados "plásticos inteligentes", e sim um certo tipo de "material inteligente" em pesquisa, na época, pela IBM. Esses materiais não eram manuseáveis; era possível apenas estudá-los em laboratório. A fundamental contribuição do professor De Paoli foi tornar esses "materiais inteligentes" algo manuseável e flexível, como os plásticos. Sua pesquisa nessa área segue, hoje, no Laboratório de Polímeros Condutores e Reciclagem (LPCR) do Instituto de Química da Unicamp.

Há tempos que se trabalha com materiais alternativos. No início da década de 50, o plástico começou a substituir o metal em muitas aplicações. Graças à tendência em se utilizar materiais mais leves, mais fáceis de serem processados, mais baratos e que causem menor impacto ambiental, a utilização de materiais alternativos tem tido aumento exponencial. Hoje, a indústria automobilística conta com um número elevado de componentes plásticos, inclusive reciclados. Mas é o meio ambiente o maior beneficiário da ampliação do uso desses materiais. Por exemplo, com a descoberta da baquelita, composto orgânico sintético que substitui o chifre de elefante em suas aplicações, houve uma sensível diminuição da matança desses animais.

O papel da imprensa

Mas o que são os "plásticos inteligentes"? São materiais que respondem de uma maneira reprodutível a determinados estímulos. O material mais antigo que se comporta dessa maneira é a borracha que, quando esticada, volta à forma original. A pesquisa atual sobre "plásticos inteligentes" se concentra nos materiais que respondem, principalmente, a estímulos elétricos e luminosos. O material recebe uma corrente elétrica e muda de cor ou recebe luz e produz uma corrente elétrica. Em função dessas respostas, podem-se construir os chamados dispositivos, ou seja, sistemas completos que vão desde baterias, fotocélulas, sensores mecânicos até músculos artificiais. De um modo geral, esses dispositivos são mais compactados, mais fáceis de serem construídos, menos susceptíveis à defeitos e mais resistentes do que os convencionais. Há interesse em reciclar os plásticos existentes transformando-os nos inteligentes. Mas, segundo De Paoli, essa reciclagem precisaria ser justificada por uma produção industrial: "Trabalhamos com protótipos, não temos, ainda, uma grande demanda que justifique a reciclagem".

A tendência é que, com o auxílio dos meios de divulgação, cresça o interesse e o investimento das empresas nesses materiais.

Na opinião do professor De Paoli, cabe ao pesquisador desenvolver sua pesquisa e torná-la pública no meio científico, e cabe ao jornalista divulgá-la para toda a comunidade: "A sociedade tem o direito de saber onde empregamos seu dinheiro e como ela pode ser beneficiada com nossas pesquisas", diz. Segundo ele, os jornais brasileiros fazem, com relação às pesquisas científicas, matérias precisas e de excelente assessoria, deixando a desejar com relação ao tempo que levam para publicá-las, pois vão muito longe buscar tais informações: "Hoje, a quantidade de artigos publicados por cientistas brasileiros é um percentual considerável do que é produzido no mundo, e a nossa sociedade é sempre a última a saber sobre o que acontece aqui."

(*) Física, com doutorado em Engenharia Elétrica na área de Microeletrônica e pesquisadora do Labjor/Unicamp

 

VEJA E O VÍRUS
Longe do centro da questão

Pedro Antonio Dourado de Rezende
(*)

A revista Veja publicou na sua edição de 8 de maio reportagem sobre o vírus do amor. A reportagem apresentava sérias deficiências jornalísticas para um assunto tão sério, o que me motivou a enviar um e-mail à redação a respeito. Não só minha carta, mas também qualquer outra carta de leitor sobre o assunto, desmereceu atenção para publicação na edição seguinte da revista.

Gostaria que o Observatório abrisse espaço para minha tentativa de reparar tais deficiências naquela reportagem, divulgando a carta que enviei à Veja, transcrita abaixo, como também algumas justificativas e explicações adicionais.

"Caro Sr. redator da revista Veja

Na matéria da última edição de Veja, de 8 de maio, assinada por Roberta Paduan e intitulada O vírus do amor, o emailer Outlook Express é apontado como "uma segunda linha de fogo" do vírus, quando na verdade é simplesmente o seu mecanismo de propagação. Seria mais informativo, mais exato e menos alarmista dizer que o vírus baseou-se na boa fé dos usuários do Outlook Express, do que na boa fé dos usuários da internet.

Um usuário pode ser levado a acreditar, baseado em ingênuos helps, menus, propaganda, e matérias jornalísticas, que quando abrir uma mensagem no Outlook Express este irá apenas lhe mostrar o conteúdo de texto da mensagem, quando na verdade estará também executando código HTML anexado a esta, que poderá então fazer uso de poderosos "recursos de integração" do Internet Explorer da Microsoft para controlar sua máquina.

Um emailer pode, em princípio, dar ao usuário o direito de separar qualquer conteúdo atachado do puro texto quando abre mensagens, pois para isto foi concebido o formato MIME, que permite attachments, tornando qualquer leitura de mensagem inofensiva. Mas o Outlook não dá ao usuário este direito, interpretando automaticamente qualquer conteúdo em formato HTML atachado a mensagens, quando estas são nele abertas.

A repórter passa a falsa e alarmista impressão de que o internauta não tem alternativa, ou que emailers são iguais neste aspecto, o que não é verdade. No Netscape Messenger, basta desabilitar a opção "View Attachments Inline" no menu "View" para que o emailer apresente o conteúdo ativo em formato HTML de qualquer mensagem como arquivo atachado, assim como faz qualquer emailer com outros tipos de attachments, que poderão então ser manipulados pelo usuário segundo seu próprio bom senso, antes de terem a chance de se tornar ativos em sua máquina.

Não há razão para se crer que o emailer que "já vem embutido" no Windows seja a melhor escolha, ou que seja igual aos outros, ou que sua popularidade tenha algo a ver com sua qualidade. A popularidade reflete a qualidade apenas em mercados perfeitos, segundo as teorias econômicas. O que não parece ser o caso do mercado de browsers (que inclui emailers), haja vista a recente condenação da Microsoft neste sentido. Aqui, a preguiça tem seu preço, que é a delegação de decisões importantes à inteligência alheia.

A matéria foi incompleta, imprecisa e distorsiva no que tange ao essencial, o que a fez perder seu correto foco alarmista. O que é verdadeiramente alarmante e perigoso na internet é a atitude de empresas de software que buscam dominar o mercado forçando padrões de fato com seus produtos, em que a incompetência (ou burrice) do usuário para decidir o que deve ou não executar em sua própria máquina já foi previamente decretada na arquitetura desses produtos."

Ao leitor do Observatório, acrescento algumas informações e comentários.

Mesmo nos EUA, a grande imprensa está evitando apontar para o centro da questão. A reportagem de capa da revista Time desta semana chega perto de matar a charada sobre a principal razão de nossa vulnerabilidade virtual, mas no lugar onde se encaixaria a última peça do quebra-cabeças – a automação da interpretação de conteúdo HTML pelo Outlook – a palavra é cedida ao chefe de segurança da Microsoft, que negaceia.

Foi aberta uma comissão de investigação no subcomitê de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados dos EUA, para investigar o episódio do vírus do amor. Descobriu-se que o FBI só reagiu 5 horas depois da NANOG (North American Network Organization <www.nanog.org>, uma espécie de associação de administradores de rede nos EUA), quem primeiro reagiu ao vírus, passando a filtrá-lo em firewalls.

Finalmente, numa sessão do dia 10/5, alguém chegou ao ponto central: o deputado Rivers (Democrata de Michigan) questionou por que a Microsoft infringe, desde 1991, as recomendações de segurança das especificações do protocolo SMTP e do formato MIME, contidas nos documentos RFC 0876 (de 1982) e RFC 1869 (de 1995) do Internet Engineering Task Force <www.ietf.org>, automatizando a interpretação de conteúdo HTML em seu emailer. A referência é uma mensagem da lista Politech, de 10 de maio, com o titulo Report from House subcommittee hearing on LOVE BUG today (armazenada em <www.politechbot.com>.

A Microsoft começa a reagir apelando para a censura e a intimidação de seus advogados. Baseada no DMCA (nova lei de direito autoral, que comentei en passant em materia sobre OpenDVD neste Observatório), enviou e-mail ameaçador à revista eletrônica slashdot.org pela matéria <http://slashdot.org/article.pl?sid=00/05/11/0153247&mode=thread>, por incluir links para conteúdo em servidores web da Microsoft. A referência é uma mensagem da lista Politech de 13/5 intitulada Microsoft and other linking bans put journalists at risk.

Com seu julgamento de mérito jornalístico, a revista Veja nos deixa em dúvida sobre suas prioridades entre bem informar o leitor ou proteger o interesse de seus anunciantes. Meu interesse no assunto decorre do meu dever profissional, como educador e pesquisador em segurança computacional, que inclui a conscientização pública sobre a natureza dos riscos do ciberespaço.

(*) Professor de Ciência da Computação da Universidade de Brasilia <www.cic.unb.br/docentes/pedro/pedro.html>

 

JORNALISMO CIENTÍFICO
Congresso apontou desafios

Vânia Mattozo
(*)

Depois de quatro anos, a Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC) voltou a promover seu congresso. A sexta edição do evento, realizado em Florianópolis de 2 a 5 de maio, reuniu 250 pessoas, entre jornalistas, pesquisadores e estudantes, para debater a ética na mídia e na ciência. Além das diversas abordagens sobre o tema central, especialistas falaram sobre biodiversidade, transgênicos e direito ambiental, pautas freqüentes no noticiário atual.

Para os pesquisadores e jornalistas convidados, a ciência e o noticiário científico brasileiros ainda enfrentam problemas sérios. O Brasil é a oitava economia do mundo e tem parque tecnológico razoável, mas a pesquisa brasileira é incipiente: representa apenas 1% da produção científica mundial. A cobertura jornalística continua deficiente e os jornalistas têm dificuldade para entender e traduzir ciência e tecnologia.

Ciência para o desenvolvimento

Durante a conferência de abertura, João Steiner, representante do Ministério da Ciência & Tecnologia (MCT), mostrou dados gerais sobre os investimentos públicos no setor e apresentou o projeto dos Fundos Setoriais, que será implementado, a partir do próximo ano, com recursos das tarifas sobre serviços públicos.

Com os recursos desses fundos, que serão destinados prioritariamente a pesquisas que contemplem as áreas de atuação das empresas brasileiras, as verbas para ciência e tecnologia terão aumento de 100%, segundo Steiner, para quem a adesão de empresas privadas à produção científica e tecnológica é uma das soluções para incrementar a pesquisa no país.

Embora reconheça a grande concentração de recursos humanos e financeiros na Região Sudeste, onde se desenvolvem aproximadamente 85% das teses de doutorado e há 19 institutos mantidos pelo MCT, Steiner disse que não há política de governo para mudar a situação.

Para Glaci Zancan, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), os novos recursos são muito bem-vindos, mas o Brasil precisa de educação científica em todos os níveis, e a concentração das pesquisas no Sudeste, principalmente em São Paulo, é um obstáculo para o desenvolvimento.

A ciência como hobby

Segundo Glaci, as crescentes taxas de retorno do investimento – 50% das pesquisas estão no setor público e 20% no setor privado – são um claro alerta de que o futuro é cada vez mais definido pela ciência e a tecnologia. Os dados oficiais mostram que os valores investidos pelo governo brasileiro no último ano, aproximadamente US$ 60 mil por pesquisador, equivalem ao investimento da China em 1985.

Além da falta de uma política oficial consistente, a busca de modelos externos para a ciência é outro problema. "Somos capazes de fazer um saber próprio e definir nosso futuro", disse a pesquisadora. "Para isso, precisamos de investimento contínuo ou crescente." Segundo Glaci, é papel do jornalismo convencer o público de que "somos um povo capaz e podemos crescer, em qualquer circunstância".

A má formação de professores e o problema, sempre recorrente, da falta de dinheiro têm transformado a pesquisa brasileira em hobby, declarou Roberto Leal Lobo Filho, ex-reitor da USP. Para ele, pensar em resultados científicos relevantes sem considerar educação básica e ensino superior é impossível: "Não dá para ter força na área de ciência sem um ensino básico de qualidade." O resultado desse hobby é uma produção científica que não cresce, não estimula o ensino de ciências e não traz resultados sociais relevantes. Lobo Filho diz que um dos caminhos para resolver essa situação é a atuação do jornalismo, participando no debate sobre o desenvolvimento científico e auxiliando a resgatar a pesquisa como fonte produtora de desenvolvimento.

Discussões éticas

Depois que a aplicação do conhecimento científico gerou tecnologias com propósitos tão opostos como a penicilina e a bomba atômica, mídia e ciência não puderam mais ignorar o interesse público. Desde o começo, várias dificuldades cercaram a relação entre pesquisadores e jornalistas. Linguagens e métodos de trabalho diferentes para buscar a comunicação com públicos distintos originaram conflitos e troca de queixas. Os jornalistas pecam no noticiário científico, diziam os pesquisadores, porque publicam informação incorreta e porque favorecem o sensacionalismo para aumentar o interesse público. Os cientistas não querem divulgar seus experimentos e dificultam o acesso às pesquisas, alegavam os jornalistas.

Na prática, a necessidade da divulgação para ambas as partes têm provocado algumas mudanças. "O pesquisador que não divulga suas pesquisas morre", disse Glaci Zancan. Para Lobo Filho, a divulgação também pode ser um meio para obter recursos futuros.

Os próprios jornalistas reconheceram problemas no noticiário científico. Mônica Teixeira, da TV Cultura, afirmou que o jornalismo sobre ciência e tecnologia ainda "é uma droga", porque os repórteres seguem a mesma estrutura de notícia e repetem informações. Como exemplo, Mônica citou o caso do Projeto Genoma, que tem implicações muito maiores do que somente a cura de doenças ou a pretensa busca da imortalidade, como têm sido publicado pela imprensa.

Medos e expectativas

Outro tema tratado inadequadamente na imprensa são os produtos transgênicos. Os professores Miguel Guerra e Rubens Nodari, da UFSC, alertaram para a superficialidade que tem envolvido o debate. "Limitar a questão em ser a favor ou contra é simplificar a situação", afirmou Guerra. O conhecimento científico atual ainda não permite tirar conclusões sobre riscos e benefícios, somente o desenvolvimento de pesquisas poderá garantir a isenção de danos ao ambiente ou à saúde. Nesse caso existem, particularmente, dois aspectos importantes. O interesse comercial das empresas que querem lucrar com produtos pouco conhecidos e o endosso de cientistas que, diante da falta de comprovação de danos, assumem que os riscos não existem.

Não há nenhuma pesquisa brasileira sobre o assunto, mas como o Brasil importa alimentos dos grandes produtores de transgênicos (Estados Unidos, Canadá e Argentina, cujas legislações não prevêem a obrigatoriedade do rótulo de informação) é possível que os brasileiros estejam consumindo esses produtos sem saber. "É obrigação do governo fiscalizar isso. Está no código de defesa do consumidor", lembrou Nodari.

O compromisso ético do cientista é tornar público o conhecimento científico e suas aplicações, afirmou Orlando Tambosi, professor de Jornalismo da UFSC. Desde os tempos modernos, quando já era possível conhecer cientificamente a natureza e, com esse conhecimento, interferir no mundo, cientistas vêm sendo acusados de interesses escusos e comportamentos antiéticos. O horror que convive com o fascínio no senso comum reflete, na opinião de Tambosi, um medo – o conhecimento é perigoso e pode ser uma ameaça à vida – e uma expectativa – a ciência pode operar milagres como a cura do câncer e da Aids. Uma confusão freqüente é tomar os conceitos ciência e tecnologia como sinônimos. A ciência trabalha para fundamentar teorias e produzir um bem em si mesmo: conhecimento. A tecnologia produzida com os fundamentos científicos é que pode ser uma dádiva ou uma maldição: "A aplicação do conhecimento científico para produzir bens e produtos é uma decisão política, não do cientista. Como a construção da bomba atômica", argumentou o professor.

Códigos ineficazes

Os equívocos produzidos pelo senso genérico têm transparecido na mídia, principalmente porque os jornalistas buscam poucas fontes e não têm acesso a informações que permitam conhecer a complexidade do fato científico. Nilson Lage, jornalista e professor da UFSC, diz que todo veículo de comunicação deveria organizar um banco de dados. Assim, o repórter pode pesquisar o que já existe e o que foi feito, e encontrar mais fontes especializadas para falar sobre o assunto.

A cláusula de consciência existente em muitos códigos de ética para jornalistas é absurda, declarou o professor Francisco Karam, da UFSC. De acordo com essa cláusula, o profissional pode ouvir somente as fontes com as quais concorda e produzir a matéria seguindo sua consciência pessoal. O professor também citou outro extremo, os casos em que o jornalista não têm nenhuma gerência sobre o próprio trabalho. Assim, o profissional que discorda de uma matéria proposta pela linha editorial só tem uma alternativa: pedir demissão.

Para Karam, embora existam muitos códigos de ética, a maioria é ineficaz porque não há modo efetivo de garantir seu cumprimento. Ele e Beth Costa, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), concordaram que isso pode mudar se a Federação puder emitir os registros profissionais. Atualmente, a emissão de registro é feita pelo Ministério do Trabalho e, dessa forma, a Fenaj não tem poder de coibir abusos.

O veto presidencial à lei que passaria o registro para a FENAJ não tem data para ser discutido. O Presidente e o Ministro do Trabalho já insinuaram que o veto foi um erro e que os congressistas poderiam revogá-lo, mas isso não representa muita coisa, disse Beth. A discussão sobre o código de ética deverá continuar durante o congresso da FENAJ, em setembro próximo.

Mudança de estrutura

Tornar a ABJC mais funcional foi o que motivou as mudanças no estatuto, que entram em vigor a partir da próxima gestão. Embora exista há 23 anos, a Associação realizou apenas seis encontros nacionais e, até recentemente, esteve envolvida com trâmites burocráticos, como a regularização das anualidades, em atraso desde 1996.

Os cargos atuais serão extintos e, com a nova estrutura, a Associação passará a funcionar com 4 diretorias. A Diretoria Administrativa assumirá as funções dos atuais cargos de tesoureiro e secretário. O principal compromisso da Diretoria de Eventos será promover o congresso a cada dois anos e realizar a Assembléia Geral. A idéia é aproveitar as Reuniões Anuais da SBPC, que atraem grande parte dos jornalistas científicos, para reunir os associados em Assembléia. A qualificação profissional também foi contemplada na nova estrutura. Ficará a cargo da Diretoria Acadêmica montar cursos com especialistas em ciências, como Física e Biologia. Foi criada também a Diretoria de Publicações e Divulgação que deverá implementar o website da Associação e disponibilizar material pertinente à área. Para José Roberto Ferreira, tesoureiro da Associação, a nova estrutura possui um perfil de atribuições que garantirá funcionalidade às Diretorias porque cada cargo já terá previamente definidas as suas responsabilidades.

As outras novidades são a criação da categoria de sócio institucional, o que permitirá maior interação com os centros de pesquisa, e a possibilidade de recondução das Diretorias por mais um mandato. O estatuto anterior previa uma gestão única de 2 anos.

Enquanto dezembro não chega, quando será eleita a nova gestão, a atual diretoria quer voltar a contatar seus associados. Durante o tempo em que a Associação não promoveu eventos, muitos profissionais de redação se afastaram. "Nesse congresso, fora os profissionais convidados, o único grande veículo presente foi o Jornal do Commercio, de Recife, que enviou sua subeditora de Ciência & Meio Ambiente", registrou José Roberto Ferreira.

Muitos formulários de inscrição para sócio foram distribuídos no último dia do congresso. A iniciativa, batizada de "arrastão" por José Hamilton Ribeiro, presidente da ABJC, deu resultado: 89 novos associados se somaram aos 400 já formalmente registrados.

Programação

O programa do congresso foi dividido em sessões de minicursos e mesas-redondas, e contou com a participação de 40 convidados, entre eles, alguns nomes conhecidos da mídia e do jornalismo científico, como Sonia Bridi, da TV Globo; André Singer, da revista Superinteressante, e Wilson da Costa Bueno, da Universidade Metodista de Comunicação. Os convidados vindos do exterior foram Andrea Kauffman Zeh, da revista inglesa Nature, que falou dos critérios editoriais dessa publicação, e Pierre Fayard, pesquisador da Universidade de Poitiers, França, que proferiu minipalestra sobre a cobertura de ciência na mídia européia.

A programação também garantiu espaço para a apresentação de pesquisas acadêmicas e de experiências em divulgação científica. A diversidade de assuntos tratados nas pesquisas apresentadas (jornalismo de precisão, nomenclatura científica, tecnologia em agropecuária, conservação de energia, projetos de interação entre ciência e tecnologia na divulgação ambiental) reflete a crescente preocupação de discutir a divulgação sobre ciência e a busca pela qualificação profissional. Os relatos de experiências bem-sucedidas foram feitos por jornalistas da Câmara Municipal de Belo Horizonte e do Jornal do Commercio, que mantém há 11 anos uma página diária sobre Ciência & Tecnologia e recebeu, em 1997, o Prêmio José Reis.

Organizado pela Agência de Comunicação com o auxílio do Departamento de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o evento foi o primeiro realizado fora do eixo Rio-São Paulo, seguindo a própria disposição manifesta pela atual diretoria da ABJC de descentralizar a realização do encontro para promover maior interação entre o jornalismo e a ciência brasileiros.

Para José Hamilton, a árdua tarefa de buscar recursos e o trabalho para organizar um congresso desse porte foram recompensados pelo alto nível dos debates, o que resultou no auditório sempre lotado por uma assistência disposta a prolongar as discussões, apesar da restrição de horário prevista na programação.

(*) Jornalista da Agência de Comunicação



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