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OFJOR CIÊNCIA 99
OfJor Ciência 99 – Oficina OnLine de Jornalismo Científico é uma iniciativa do Observatório da Imprensa, Labjor e Uniemp.
FAPESP
Bolsas para o Jornalismo Científico
Carlos Vogt
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) acaba de criar um importante programa de apoio às atividades de divulgação científica. Trata-se do "Programa José Reis de Incentivo ao Jornalismo Científico", aprovado pelo Conselho Superior em agosto deste ano, numa atitude inédita e inovadora nas políticas de fomento e de formação intelectual e acadêmica.
O programa é simples em sua arquitetura e em seus objetivos e, por ser simples, mostra-se eficiente e potencialmente eficaz em seus resultados: prevê a concessão de bolsas de Iniciação ao Jornalismo Científico a estudantes já aceitos em Curso de Aperfeiçoamento em Jornalismo Científico e atuando como estagiários de empresa de comunicação ou departamento de comunicação de uma instituição de pesquisa.
As bolsas têm duração de seis meses, renováveis, no máximo, por mais seis meses e, depois de processo de avaliação e seleção, poderão ser concedidas a alunos de graduação - bolsas de Iniciação ao Jornalismo Científico I - , a alunos com diploma de curso superior - nível II –, e a estudantes com título de mestre - nível III. A esses níveis correspondem, respectivamente, valores equivalentes às atuais bolsas de Iniciação Científica, de Mestrado I e de Doutorado I, dos programas tradicionais da Fundação.
O objetivo da bolsa é apoiar a realização de projetos de pesquisa jornalística que resultem em documentos de divulgação de projetos ou programas de pesquisa científica e tecnológica e, ao mesmo tempo, motivar o estudante e pesquisador de todas as áreas do conhecimento para um programa de cursos no campo do jornalismo científico e para o exercício profissional da atividade, em estágios em empresas de comunicação ou instituições de pesquisa.
O programa, numa justa homenagem ao professor José Reis, pioneiro da divulgação científica no Brasil, leva o seu nome e, sem dúvida alguma, terá um papel indutor fortíssimo na consolidação institucional dessa atividade indispensável nas relações entre o universo de produção do conhecimento científico e tecnológico e a sociedade como um todo.
PONTO DE VISTA
A Ciência pelo pitoresco
Roberto Takata (*)
Desculpem-me pela obviedade, mas preciso começar por um ponto esta questão, e o que me vem à mente é esta constatação evidente por si mesma: os extremos são mais fáceis de identificar do que as sutilezas que se encontram entre as pontas. Digo isso para atacar um tema bastante antigo e que imagino ser um dilema real da profissão jornalística: toda informação deve ser divulgada? Tendo a achar que sim, que é papel, dever, da imprensa (e os meios de comunicação em geral). Talvez ainda se discuta nos meios jornalísticos a diferença entre informação e notícia (vindo à cabeça a anedota do cão, do homem e de quem mordeu quem).
Transpondo essa questão para o terreno do jornalismo científico: sabe-se que o tempo da Ciência é diferente do tempo da notícia. Uma nova descoberta, uma nova teoria demora até que se torne amplamente aceita pela comunidade científica – é preciso passar pelo escrutínio dos pares, revisões, contestações –, especialmente se difere muito do que se conhecia anteriormente. Este processo pode demorar anos ou décadas sem que se resolva para um lado ou para outro; no fim pode ser que a nova teoria venha a ser descartada. Mas vejo também as dificuldades da imprensa em cobrir isso por todo esse prazo: o destaque inicial se dilui no decorrer das edições, e não sei se isso tem uma solução factível. Alguém arrisca um palpite?
Se um grupo anuncia a cura do câncer – pela enésima vez – o que fazer? Finge-se que não houve o anúncio e espera-se até os comentários de outros cientistas para ver que posição tomar? Anuncia-se bombasticamente, correndo o risco quase certo de que a história não será bem assim? Este é um exemplo do extremo, e podemos pensar numa solução fácil: noticia-se com ressalvas ("apesar de trazer uma nova esperança, é um tratamento novo e está ainda em fases de testes", "vale lembrar que muitos outros tratamentos posteriormente revelaram-se ineficazes", "é preciso tomar precauções ao extrapolar resultados obtidos com ratos para seres humanos" etc.) e coligem-se opiniões de especialistas.
Notas, dropes, anedotas
Mas isso para notícias que podem receber um bom destaque, ocupar meia ou até mais páginas. Porém, como divulgar em três linhas avanços da neurofisiologia – "O professor X desenvolveu um novo tratamento para Alzheimer"? Como retratar o contexto em que se deu o desenvolvimento do trabalho? Como cotejar com o parecer de outros neurologistas?
As notícias viram notas soltas, dropes, anedotas: "Os cientistas não têm nada melhor a fazer do que implantar uma orelha humana artificial nas costas de um camundongo?"; "Que beleza, clonaram uma ovelha, criaram roedores fosforescentes... e daí?"; e "Uma nova galáxia nos confins do Universo com 20 bilhões de anos? e eu com isso?"
Abordar a Ciência pelo pitoresco é uma opção, mas será a melhor? Começamos a caminhar para a região central, mais nebulosa. Ciência vende jornal? Ou só quando fala em cura de doenças? Como converter toda uma terminologia às vezes complicada, às vezes enganosa quando fora de contexto (a palavra evolução tem significados bastante distintos dependendo da situação, e freqüentemente é a razão de muitos erros de interpretação quando se fala em Teoria da Evolução Biológica) de modo a tornar a informação mais acessível ao leitor leigo sem perder a precisão?
Jogo de empurra
Podemos cair num jogo perpétuo de empurra: "não damos destaque porque nossos leitores não se interessam", "não interessa aos leitores porque não existe uma cultura científica", "não se cria uma cultura científica por omissão do governo, da comunidade científica, dos meios de comunicação". O que fazer?
Bem, o que certamente não se deve fazer é o que a revista Galileu freqüentemente faz: misturar alhos com bugalhos. A pérola da última edição, setembro/1999, leva o título: "A mente oculta das plantas". Vê-se bem o que aguarda o leitor já a partir daí. A reportagem se baseia num livro do qual não obtive boa referência alguma, chamado A vida secreta das plantas (The secret life of plants, 1973, ed. Harper & Row), de Peter Tompkins e Christopher Bird. No artigo desfiam-se casos de estudos mal conduzidos (a fiar-me pelos trechos aos quais tive acesso, por depoimentos de leitores, pela descrição contida no próprio artigo e pelo que me lembro de um documentário há muito exibido na TV – claro que posso estar errando quanto a isso), com resultados enviesados e/ou mal-interpretados, no qual se considera que atividade elétrica em plantas seja sinal de consciência.
Nestes termos, uma pilha, dessas comuns, teria consciência – não ria, prezado leitor, porque o caso é grave. Se duvidar, é só ler a frase seguinte: "E Backster chegou a cogitar que ela [a consciência] não se limitaria aos organismos complexos, mas poderia descer aos níveis celular, molecular, atômico e até mesmo subatômico, perpassando toda a existência". Refere-se ainda a mistificações como a teoria dos campos mórficos, de Rupert Sheldrake, as fotografias Kirlian e a acupuntura em plantas.
A visão do jornalista
Uma outra passagem desastrada: "A ciência materialista, porém, preferiu descartar esse tema, que desafiava sua limitada descrição da realidade. Ele continuaria provavelmente ignorado se, em 1966, uma descoberta casual não tivesse rompido essa conspiração de silêncio". No texto original, sem aspas – sim, não foi uma citação, mas uma visão do próprio jornalista. "Preferiu descartar esse tema, que desafia sua limitada descrição da realidade"? "Conspiração de silêncio"? (Parece não ser à toa que a revista mantenha em seu site links para as páginas sobre teorias conspiratórias e sobre o seriado Arquivo X, da Fox.)
Além de tentar fazer crer que um pequeno aumento de temperatura detectada nas folhas de uma planta atacada por vírus tenha algo a ver com consciência vegetal.
Não se recrimina que as pessoas tenham suas próprias idéias, que mesmo divirjam em muito do conhecimento científico atual – pergunto-me se, pelo menos em algum grau, não mereceria mesmo um incentivo. O que é reprochável é essa atitude de distorcer informações e usar fontes sabidamente inadequadas (tudo obviamente sem o confronto com um pensamento cético) para se adequar a visões pessoais de mundo. De qualquer forma seria bem o caso de identificar apropriadamente o texto, está-se menos para um artigo ou reportagem (um relato supostamente neutro, maximamente objetivo) do que para uma coluna (uma análise opinativa, em grande parte subjetiva). Restaria saber qual o crédito que poderíamos dar ao jornalista.
Endeusando o científico
Esses episódios mostram a relação confusa dos meios de comunicação com o conhecimento científico e o ceticismo. Por um lado, tudo o que leva rótulo de científico parece ser (erradamente) endeusado como verdadeiro e sólido – razão pela qual muitas doutrinas místicas tentam amealhar via caminho da pseudociência o reconhecimento de um status científico: muitas correntes astrológicas, a parapsicologia e as medicinas alternativas, por exemplo. Por outro, bem, por outro lado a Ciência muitas vezes bate de frente com as expectativas espirituais das pessoas (um mundo mágico parece ser bem mais alentador do ponto de vista psicológico).
Não por acaso o mesmo canal Discovery que exibiu, em 3 de setembro, no programa Mistérios da Ciência (com direito a reprise no dia 7) uma boa surpresa – uma visão cética sobre as alegações dos fenômenos paranormais –, levou ao ar, neste mesmo ano, a Semana da invasão extraterrestre, uma visão nada crítica sobre as alegações de avistamento de naves extraterrestres e contatos com seres alienígenas. Não por acaso a mesma Rede Globo, que anualmente exibe durante a revista dominical Fantástico as previsões de Ano Novo de astrológos, tarólogos e cia., eventualmente realiza reportagens em tom de denúncia sobre os logros cometidos por profissionais do ramo.
Que bom seria se Ciência e Jornalismo se entendessem melhor na arena do jornalismo científico, em prol da fonte, do veículo e sobremaneira dos leitores, espectadores e ouvintes – divulgando, sim, toda informação e notícia, incluindo horoscópio, walteres mercados, mães dinás e psicologia das plantas, que afinal são informações e notícias, mas com tratamento adequado, sem mistura de estações. E abordando 0com especial cuidado os temas menos claramente identificáveis como científico ou não.
(*) Mestrando em Biologia no Instituto de Biociências da USP
ÉPOCA
Viagra revisitado
Comissão de Cidadania e Reprodução (*)
Uma crítica muito comum que se faz em relação à pauta da imprensa é sobre a dificuldade que a mídia tem de acompanhar os temas que levanta. O comportamento típico – e facilmente justificável pela necessidade de estar sempre em busca de novidade – é dar muito destaque a um determinado assunto quando ele surge, acompanhá-lo enquanto rende índices de leitura ou audiência e abandoná-lo rapidamente em troca de outro novo assunto. O que não significa, necessariamente, que de fato o primeiro tema já esteja esgotado.
A demanda por este acompanhamento é freqüente nas edições do boletim Olhar sobre a Mídia, da Comissão de Cidadania e Reprodução, mas não apenas. Grupos de leitores ouvidos em reuniões promovidas pelo jornal O Dia (Rio de Janeiro) no ano passado evidenciavam esta unanimidade em todas as faixas etárias, de renda, de escolaridade ou gênero: "Não abandonem os assuntos", clamavam os leitores.
É óbvia, embora não necessariamente justificada, a lógica que faz com que a imprensa deixe os temas de lado – a obsessão pelo novo a cada dia pauta os jornais e os empurra em busca de novidades. Por tudo isso, quando uma revista semanal estampa na capa o título "O efeito Viagra" (Época, número 68, edição de 6 de setembro), a sensação imediata é de alívio. Enfim, depois de ter ocupado 10% do espaço dedicado pelos jornais diários ao tema Cultura Sexual quando foi lançado, ano passado, o Viagra foi revisitado. Ponto para a Época, que demonstrou como é possível fazer jornalismo sem perder a memória.
A leitura da matéria, no entanto, não causa o mesmo alívio. Nas sete páginas dedicadas ao impacto do Viagra no comportamento dos casais permanecem problemas que a cobertura do lançamento da "pílula da impotência" já havia demonstrado, um ano atrás: o fenômeno da venda ilegal e do uso do remédio sem prescrição médica é sempre deixado de lado como parte menos importante do fenômeno. Mas nunca faltam histórias prosaicas, como a da confeitaria que chegou a vender tortas de Viagra ou a de um sorvete azul italiano que contém o remédio na receita.
As conseqüências do Viagra na vida das mulheres teimam em aparecer em tom de piada (um homem tomou 12 pílulas de Viagra e a mulher morreu de overdose, como se a munição dos jornalistas que traduzem a visão preconceituosa da sociedade sobre o assunto fosse inesgotável). É claro que quando histórias como estas se reproduzem, mesmo que em tom de piada, só servem para reforçar o preconceito que cerca o tema da disfunção erétil. Preconceito que, felizmente, a revista se apressa em reconhecer. Cabe à mídia aprender a não repeti-los e assim contribuir para não mais perpetuá-los.
(*) Site da CCR: <www.ccr.org.br>
AURÉLIO
Um dicionário em xeque
Édison Pecoraro (*)
No artigo "Mídia desperdiçou a chance do debate", disponível no site do Observatório da Imprensa, Roberto Takata fala da falta de divulgação da ciência na imprensa brasileira. Compartilho de suas idéias, mas não acredito que os editores dos jornais impressos dêem importância a esse tipo de assunto. A seguir, cópia de um e-mail que enviei na data de 15/6/99 à ombudsman do jornal Folha de S.Paulo:
"Araraquara, 15/6/99
Crítica ao artigo sobre a Tabela Periódica do Sr. Oliver Sacks, publicada no caderno Mais! do dia 13/6.
Caros senhores responsáveis pela escolha das matérias/autores do Mais!:
Todo domingo abro aquele caderno e sempre me deparo com textos imensos, que tratam de assuntos obscuros aos leitores que não sejam das áreas de Letras, Antropologia, Ciências Sociais e outras das Ciências Humanas! Já me conformei em esperar por semestres inteiros para encontrar outros assuntos que não sejam ligados às áreas citadas acima. Isso é compreensível (mas não aceitável), pois acredito que na equipe que escolhe matérias/autores dificilmente será encontrado alguém que entenda(?) de outra coisa a não ser jornalismo e/ou literatura! Talvez vocês tenham feito alguma pesquisa (que não foi publicada), na qual ficou constatado que nenhum matemático, engenheiro, médico, enfermeiro, biólogo ou qualquer outro profissional das áreas biológicas ou exatas lêem o caderno Mais!.
Minha formação não é na área de humanas, mas tenho amigos que lecionam literatura inglesa na Unesp de Araraquara, que me iniciaram na literatura nacional e internacional. Inclusive temos um grupo de leitura para discutirmos obras desde Machado de Assis, Nelson Rodrigues, até Luciano. Não participo só por lazer pois descobri que a leitura não-técnica é tão importante quanto a técnica.
Apesar disso, sinto certa discriminação e desprezo da parte desse jornal por áreas distantes da formação de seus profissionais. A discriminação vem do tempo que decorre para ser selecionado um artigo de exatas ou biológicas. Quando um destes é publicado, inserem uma propaganda imensa, que ocupa mais da metade da página, como aquele da Forum na página 5-7 do dia 13! Não vejo isso acontecer quando o assunto é literatura ou afins. O desprezo vem da PÉSSIMA tradução feita pela Sra. Clara Allain dos artigos que não pertencem à sua área de formação.
Para a tradução do artigo do Sr. Sacks de 13/6 deveriam ter comprado um dicionário técnico para ela ou, no mínimo, pedido que ela tirasse dúvidas com algum estudante de cursinho ou até mesmo do ensino médio de uma escola estadual! A tradução para ‘rare earth elements’ é elementos terras raras, e não terrosos raros. O termo usado até mesmo nos livros do ensino médio para a palavra inglesa ‘shell’ é camada, e não casca. Os nomes dos elementos químicos ou dos grupos/períodos que derivam de nomes latinos terminados em ‘ium’ apresentam terminações em português ‘io’ (e.g. cromium = crômio, e não cromo). Sendo assim, o certo é actinídios, e não actinídeos (pág. 5-7).
Na mesma página ainda se encontra a expressão ‘átomo químico’. Átomo é átomo! Não existe átomo químico, físico, médico ou qualquer outro tipo! Pode ser que para vocês não exista nenhuma diferença em utilizar uma ou outra palavra na tradução, mas na comunidade científica ninguém sai chamando poeta de romancista ou vice-versa! O pior de todos é o trecho do primeiro parágrafo da página 5-7: ‘...Ao fornecer assinaturas espectrais únicas para cada elemento, o método de Moseley permitia que qualquer brecha (??) fosse vista de imediato...’ Gostaria, se possível, que o Elio Gaspari enviasse esse trecho a Madame Natasha, para que ela pudesse dizer o que o Sr. Sacks e a Sra. Allain quiseram dizer.
Além dessas colocações, duas mais são importantes: 1) A química e a física são disciplinas que encontram dificuldades de serem transmitidas aos alunos de ensino médio ou até mesmo universitário. Isso se dá por vários motivos, desde a má qualidade dos professores até a péssima qualidade dos textos dos livros. O artigo do Sr. Sacks, juntamente com a sua tradução, poderia se juntar aos livros-textos usados no ensino médio para provocar o desinteresse dos alunos por aquelas disciplinas.
2) O Sr. Sacks é neurologista, e deveria escrever sobre sua área, e não enveredar por assuntos que não domina e não sabe transmitir. Existem no Brasil pessoas competentíssimas para escrever sobre a Tabela Periódica dos Elementos (como o professor doutor Atílio Vanin, aí perto de vocês, na USP), sem que se prejudique ainda mais o interesse das pessoas por matérias que não sejam da área de literatura!
Espero que vocês reservem mais espaço e qualidade aos textos não-literários no caderno Mais!, pois os leitores também precisam saber como o mundo funciona, e não somente como o mundo pensa!"
A resposta só chegou no dia 4/8:
"Em atenção à sua correspondência de 15/6, somente agora obtenho resposta da Redação, conforme segue:
‘1) O Mais! é um caderno multidisciplinar, com ênfase em Ciências Humanas e Literatura. Dedica duas páginas semanais à Ciência, e capas com temas científicos dependem de sua relevância. Fora isso, a Folha cobre ciência diariamente. Consideramos Ciência primordial.
2) O Mais! é o caderno da Folha onde se publicam artigos longos, mas também está sujeito a anúncios, cuja disposição não é determinada por nós, mas pela publicidade, como foi o caso citado pelo leitor.
3) O leitor se engana ao afirmar que houve erro de tradução ao publicarmos os seguintes termos:
a) actinídeos – o leitor afirma que deveria ser actinídios. Estamos certos, de acordo com o Aurélio:
‘Verbete: actinídeos
S. m. pl. Quím.
1. Os elementos que constituem um grupo com propriedades semelhantes, que inclui o actínio, o tório, o protactínio, o urânio, o netúnio, o plutônio, o amerício, o cúrio, o berquélio, o califórnio, o einstéinio, o férmio e o mendelévio.
b) cromo – o leitor afirma que o correto é crômio. O Aurélio reconhece as duas formas.
‘Verbete: cromo
[Do gr. chrôma, 'cor'.]
S. m. Quím.
1. Elemento de número atômico 24, metálico, duro, maleável, prateado, com um leve tom azulado, que forma inúmeras ligas e tem diversos usos importantes. [F. paral.: crômio. Símb.: Cr.].’
Espero que tenha visto a correção dos outros termos, publicada na seção ‘Erramos’.
Sendo o que tinha para o momento, despeço-me.
Atenciosamente,
Renata Lo Prete – Ombudsman"
Consultando professores da área de linguística da Unesp de Araraquara, recebi a informação de que apesar de ser o mais famoso o dicionário Aurélio não é considerado o melhor. As justificativas da redação usando o Aurélio como base não são válidas, pois a nomenclatura oficial dos elementos e compostos químicos é dada pela IUPAC. Poderia ter sido consultada a SBQ (Sociedade Brasileira de Química), mas para os editores é mais fácil utilizar aquele dicionário, e teimar em publicar informações erradas.
Como visto, fazemos parte de um grupo que ainda vai esperar muito por uma oportunidade na mídia para banir charlatões e crendices. Isso só é possível através da informação das pessoas, o que traria como conseqüência algo terrível para a mídia, ou seja, as pessoas começariam a pensar! Com isso a audiência desses pseudoveículos iria acabar.
(*) Professor, doutor, Araraquara, SP
Roberto Takata comenta:
Concordo em boa parte com as suas opiniões. Discordo um pouco de um ou outro ponto: sobre cromio x cromo e lantanídios x lantanídeos – embora não seja da minha área –, e sobre pessoas escreverem sobre temas diversos de sua especialidade.
Sim, claro, não se defende que um biólogo emita parecer sobre a capacitação técnica dos engenheiros de Angra I e II, mas especificamente sobre o texto de Sacks, sem defender o jornal – até porque concordo com muitas criticas suas à Folha – e sem estar também defendendo o pesquisador: tanto quanto me lembro, não se falava exatamente sobre a tabela, mas sobre a experiência que teve o autor nos primeiros contatos com o conhecimento cientifico – ilustrado pela tabela (a meu ver, funcionando quase como metáfora). Posso estar obviamente enganado em minha leitura.
De qualquer forma, acredito que se possa sim permitir – dentro de alguns limites razoáveis – que as pessoas comentem temas diferentes dos de sua área de atuação. Uma das condições é certamente não tentar transferir a autoridade que elas têm numa certa área que domina para outra que apenas aprecia. Pessoalmente não creio que tenha havido tal abuso nesse episódio especifico.
Não se defende que licenças poéticas estejam acima da acurácia do texto – eventualmente houve escorregões –, e apesar de não ter citado em sua mensagem, creio que sua formação seja na área química, o que o capacita mais do que eu a comentar sobre isso. R. T.

Mídia desperdiça a chance do debate
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