A indústria dos jornais e o cipó do Tarzan
Por Carlos Castilho em 04/02/2012
Tarzan pula de um cipó para outro ao se deslocar pela floresta. É um clichê para lá de conhecido, que inclui um movimento que passa despercebido pela maioria dos admiradores do personagem criado em 1912 por Edgar Rice Burroughs. É quando o herói das selvas africanas solta o cipó onde estava agarrado com segurança e pega o outro, na expectativa de que seja igualmente seguro. Na ficção, Tarzan nunca pega um cipó inseguro, o que o livra de tombos constrangedores, mas todo mundo sabe que é impossível saber de antemão qual é o bom e qual é o podre.
A indústria dos jornais enfrenta hoje a mesma situação. Precisa abandonar um cipó seguro, o modelo de negócios baseado na receita publicitária, por outro cipó, um sistema cuja segurança ainda é uma incógnita. Tarzan não pode pensar antes de pular de um cipó para outro porque, se o fizesse, não sairia do lugar. Mas os jornais só querem o que for seguro, porque temem perder privilégios e bens, o que os leva a meditar sobre cada passo e tender ao imobilismo.
Esta parábola serve para ilustrar o contexto da indústria da comunicação contemporânea, em especial a dos jornais. É impossível fazer uma escolha a prova de erros porque estamos em plena transição de um modelo de negócios jornalísticos para outro, que está sendo identificado na base da experimentação empírica, no erro e acerto. Portanto, não há como evitar o risco e muito menos a possibilidade de um fracasso.
Aqui está a grande diferença entre Tarzan a indústria dos jornais. O mítico personagem das historias em quadrinhos e do cinema arrisca a cada troca de cipó. Já nossos executivos temem o risco, porque acumularam demasiado prestigio e fortuna. Estão mais presos ao passado do que dispostos a apostar no futuro. Já se esqueceram que os fundadores dos grandes impérios jornalísticos atuais fizeram uma aposta arriscada há décadas, e em vários casos mais de um século atrás.
Não há como ignorar o risco e a incerteza na busca do novo modelo de sustentabilidade financeira na indústria da comunicação jornalística. A maneira de minimizar essa insegurança é o compartilhamento de experiências e de conhecimentos. Significa abandonar um comportamento baseado na competição e na exclusividade.
O discurso dos executivos da indústria da comunicação endeusa o risco, mas o rejeita na pratica diária; coloca-o como parte integrante da filosofia corporativa, mas o demoniza na rotina das redações. O resultado é uma cultura comportamental conservadora que dificulta enormemente a experimentação e a inovação.
Pela experiência e pelos conhecimentos acumulados ao longo dos anos, os donos e executivos de jornais deveriam saber disso mais do que qualquer outra pessoa nas redações. Mas a longa convivência com a busca do lucro seguro — e com os privilégios do acesso ao poder político — acabou por obstruir a sua percepção da realidade.
E o que temos hoje são jornalistas e leigos tentando despertar os proprietários e responsáveis por veículos de comunicação para a sua responsabilidade social. A digitalização da mídia não eliminará os jornais impressos, apesar de já estar claro que eles perderão muitas de suas características atuais. A leitura em papel permanecerá essencial, embora sem a hegemonia e a exclusividade dos dias de hoje. Se os atuais donos de jornais não se derem conta disso, e da necessidade de apostar em novos formatos, outros o farão.
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| Diva Pio |
| Enviado em: 05/02/2012 23:18:59 |
| Anestesiados, receberão o impulso da bota e da espora para que possam constatar que o mundo mudou e a nova ordem impõe a ética e a responsabilidade social para sustentar a soberania. Ou a morte. |
| Gilson Renato de Oliveira |
| Enviado em: 06/02/2012 14:31:53 |
| A Paraíba viu as portas de um Jornal tradicional, uma excelente marca, serem fechadas na semana passada. O Norte tinha mais de 80 anos e sucumbiu depois de uma sequência de administrações desastrosas. Para usar a analogia proposta, não tiveram a coragem de largar o velho e carcomido cipó de Chateaubriand e não entenderam o movimento dos ventos que sopram na floresta parahyba. Se o futuro dos negócios da informação sempre ofereceram suspresas, hoje, incógnita absoluta, carecem da magia da criatividade e do peremptório vetor da racionalidade |
| Plínio Bortolotti |
| Enviado em: 06/02/2012 17:59:35 |
| Caro Castilho, V. se esqueceu que o Tarzan não pegava cipós aleatoriamente. Ele seguia o conhecido "caminho das árvores". :) |
| Jotta Neves |
| Enviado em: 08/02/2012 07:16:40 |
| A sociedade está sendo acolhida pela tecnologia, sendo assim, a mesma espera que tudo e toda, que a comunicação seja rápida e precisa. Toda essa inovação que deparamos constantemente, já nos foi apresentada no desenho animado “The Jacksons Family” de Hanna Barbera. Será que alguns de vocês se recordam?!... Então Empresários da comunicação deixem-se atualizar. |
| Felipe Izar |
| Enviado em: 09/02/2012 13:09:22 |
| Tudo bem, os jornais não querem arriscar e se prendem a um modelo decadente. Mas o fato é que ninguém arrisca, tampouco os críticos especializados que discutem sobre o assunto. Ora, como ter certeza disto? - "A digitalização da mídia não eliminará os jornais impressos". Ninguém tem coragem de dizer o contrário. Ou, pelo menos, levar tal fato em consideração. Pode parecer inimaginável agora, mas isso pode mudar, sim. Muitos jovens já preferem e têm mais facilidade para ler na internet. Além disso, o papel não é mais tão bem vindo numa sociedade que deseja salvar o meio ambiente. Então, o medo não é só das empresas jornalísticas, mas de todo mundo. Confesso, apesar de não ter ideia do que vai acotecer, que a eliminação do impresso não me assuta. O que me assusta é um jornalismo preso à cadeira; que não apura e checa informações; que prefere fofoca a assuntos mais relevantes;que prefere utilizar frases do twitter em vez de entrevistar personagens. |






