Código Aberto

O desafio de ler 11 mil páginas por hora

Por Carlos Castilho em 31/01/2012

 

O conhecimento não está mais no cérebro das pessoas, mas na rede que interliga os individuo pensantes. Está é a polêmica tese defendida pelo norte-americano David Weinberger, da Universidade Harvard, no livro Too Big to Know (Grande Demais para ser Entendido), que acaba de ser lançado no mercado .

Noutras palavras, o que Weinberger sugere é que não é mais possível separar os indivíduos das estruturas de interatividade. A cultura tradicional baseia-se no fato de que o conhecimento, assim como a sabedoria, são atributos exclusivamente humanos, embora se expressem por meio de escritos, imagens ou sons.

Na era digital e da avalancha informativa, o volume de conhecimento ganhou proporções ciclópicas e já não pode mais ser administrado apenas por mentes privilegiadas. O binômio homem/rede seria a alternativa para processar os 1,27 zetabytes de informação que são atualmente publicados na Web a cada 12 meses [dados publicados no documento The Age of Exabytes]. É o equivalente a 600 quatrilhões de páginas datilografadas, ou uma quantidade de documentos 84 milhões de vezes maior do que todo o acervo da Biblioteca do Congresso dos EUA (a maior do mundo).

Cada ser humano teria que ler, por ano, 100 milhões de páginas datilografadas de 30 linhas para dar conta de tudo o que é produzido no planeta em matéria de informação. Uma tarefa impraticável porque significaria ler 11.415 páginas por hora, dia e noite sem parar, ou 190 por minuto.

Esses números indicam que a mente humana já não é mais materialmente capaz de dar conta da absorção de tal quantidade de dados usando apenas os cinco sentidos. Este conhecimento, por motivos óbvios, não está mais apenas no cérebro humano. Ele está também nas redes virtuais que interconectam os cérebros humanos e disponibilizam os dados, informações e conhecimentos procurados.

David Weinberger, um dos pioneiros na exploração das consequências sociais e econômicas da internet [foi co-autor do polêmico ClueTrain Manifest e dos livros Small Pieces Loosely Joined e Everything is Miscellaneous], afirma no seu livro mais recente que “na medida em que o conhecimento passa a se estruturar em redes, a pessoa mais inteligente num recinto não é a que está dando uma palestra ou aula e nem o grupo de ouvintes ou participantes. É a sala onde acontece a palestra ou aula. A pessoa mais inteligente é a sala”.

Weinberger esclarece que a metáfora não se refere a um supercérebro, ou supercomputador, mas sim ao conjunto de links que transformam a mente humana e as redes um sistema inseparável. Um sábio já não chega a esta condição apenas absorvendo informação, mas participando de redes. Sem elas, não passaria de um ser comum.

A tese do pesquisador norte-americano vai um pouco além das teorias sobre inteligência artificial que foram muito badaladas no final dos anos 1990 e início do século 21, mas depois perderam seu atrativo quando as redes começaram a ganhar espaço. E se Weinberger estiver certo, a tecnologia torna-se ainda mais relevante para o conhecimento humano, porque sem ela até as redes acabarão sendo soterradas pela avalancha informativa que não para de crescer [cf. documento Tackling Information Overload, produzido pela Xerox]. Só o material produzido por empresas, governos, escolas e universidades, tanto em papel como em formato digital, cresce ao vertiginoso ritmo de 65% ao ano. Usando o mesmo cálculo feito pelo estudo The Age of Exabytes, em 2013 teríamos que ler quase 19 mil paginas por hora, ou 316 por minuto.

Se formos pensar em termos de notícias, fica claro, sem precisar fazer exercícios matemáticos, que é impossível a um ser humano se dizer bem informado hoje em dia se não estiver conectado a uma ou mais redes. Não dá para ler quatro edições completas de um grande jornal em um minuto. 

Este é um espaço de diálogo e troca de conhecimentos que estimula a diversidade e a pluralidade de idéias e de pontos de vista. Não serão publicados comentários com xingamentos e ofensas ou que incitem a intolerância ou o crime. Os comentários devem ser pertinentes ao tema da matéria e aos debates que naturalmente surgirem. Mensagens que não atendam a essas normas serão deletadas - e os comentaristas que habitualmente as transgredirem poderão ter interrompido seu acesso a este fórum.

ATENÇÃO: Será necessário validar a publicação do seu comentário clicando no link enviado em seguida ao endereço de e-mail que você informou. Só as mensagens autorizadas serão publicadas. Este procedimento será feito apenas uma vez para cada endereço de e-mail utilizado.

Nome

  Sobrenome
 
     
E-mail   Profissão
 
     
Cidade   Estado
 
     
Comentário   Confirme o código da imagem

1400
 
Recarregar imagem
   
   
   

 

 Ricardo Oliveira
 Enviado em: 31/01/2012 12:48:10
A sala nada mais é do que o conjunto de cérebros que nela existem, as relações que ocorrem entre os cérebros ( conscientes ou não ) e os cérebros individualmente. Uma total relação de interdependência onde as partes e o todo se harmonizam, não para criar um supercérebro, mas algo ainda maior. A informação é absorvida pelos sentidos, o conhecimento pela reflexão e a sabedoria pela inserção consciente na rede, na teia, no todo. Estudar apenas o cérebro na tentativa de compreender o conhecimento e a sabedoria é o mesmo que olhar para o dedo de um homem que aponta para a lua achando ser o dedo a própria lua.
 carlito moura da silva
 Enviado em: 31/01/2012 13:21:58
O que sera necessário realmente para o futuro .e que as pessoas terão que optar por conhecimentos mais abrangentes e nao especificamente por esta area uo aquela.o que sera desastroso e se as pessoas se trasformarem em verdadeiros zumbis manipulados por maquinas. mas samos seres pensantes e nao chegaremos a tanto acredito....obrigado pela oportunidade.
 Eduardo Neves
 Enviado em: 31/01/2012 18:46:13
Sempre achei que há mais barulho do que fatos e ideias realmente decisivos para se compreender e usar as mídias digitais. Não li o livro do referido autor, mas não me convenceu de pronto. Primeiro porque o autor parece confundir conhecimento e informação; segundo porque esta "interligação" entre mente e conhecimento e informação já existe há muito tempo, não é criação da era digital. Por fim, dizer que a sala é mais inteligente que um professor ou aluno é forçar de mais a barra...
 joca oeiras
 Enviado em: 02/02/2012 13:39:02
O articulista, no afã de "epater le bourgeois" faz uma caricatura tando do leitor privilegiado quanto da rede, GARANTO que 99,999999% destas 600 quaquilhõs de páginas não passam daquel lixo que, como dizemos, o papel aceita. A partir disso pode-se inferir a seriedade desta argumentação. A rede é imporatamnte mas, como diz o ditado, tudo po que cai na rede é peixe, inclusive toroço, aquele peixe japones que vive no esgoto. O que tem o ser humano que o distingue da rede é a sua capoacidade de filtrar o que lhe interessa. Quem, a sério, pretendesse conhecer um milhonesimo dos livros arquivados na Biblioteca do Congresso Americano estaria, a meu ver, concorrento ao título de o maior imbecil letrado.

Carlos Castilho

cacastilho@brturbo.com.br

CASTILHO