Programa nº 1891

>>A estratégia do confronto
>>Estado de guerra

Por Luciano Martins Costa em 12/09/2012 no programa nº 1891 | 0 comentários

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A estratégia do confronto

A crônica policial anda movimentada nos últimos dias.

Após a notícia do massacre de oito pessoas, entre as quais seis adolescentes, ocorrida durante o final de semana na Baixada Fluminense, a polícia do Rio decide ocupar a região por tempo indeterminado.

Tudo indica que, com a implantação do projeto das Unidades de Polícia Pacificadora nas favelas mais centrais, os bandos de criminosos se mudam para as zonas periféricas da capital carioca, impondo suas leis de terror a populações que antes viviam em pacatas comunidades entre a cidade e a zona rural.

O evento mostra que a estratégia pode melhorar a situação na zona Sul e em outras regiões da cidade, mas está longe de resolver o problema da criminalidade organizada.

Em São Paulo, os jornais relatam o confronto entre policiais militares e supostos integrantes do grupo criminoso conhecido como Primeiro Comando da Capital, que se reuniam em uma chácara para julgar um cidadão acusado de estupro.

O saldo do encontro é de 9 mortos, incluído o réu do “tribunal” particular.

Nenhum policial ficou ferido e outros oito suspeitos foram presos.

Os protagonistas da ação são soldados e oficiais da Rota – sigla das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar – símbolo da política de endurecimento nas ações contra o crime.

Da mesma forma que no caso do Rio de Janeiro, o relato da imprensa parece se referir a um mundo distante daquele frequentado pelo típico leitor de jornais: comunidades na periferia das cidades onde o crime anda tão à vontade que se permite instalar suas cortes de “justiçamento” em locais sem qualquer discrição, levando vida folgada com direito a churrasco e música em alto volume.

Segundo as reportagens do Estado de S. Paulo e da Folha, a chácara na cidade de Várzea Paulista, a 50 quilômetros da capital, foi alugada por um candidato a vereador, mas a polícia não sabe se ele estaria envolvido com o grupo criminoso.

Os policiais chegaram ao local após uma denúncia anônima, possivelmente feita por alguém ligado ao homem que seria “julgado” pelo tribunal do crime.

Não deveriam estar especialmente interessados em evitar a morte do suspeito, porque esperaram terminar o “julgamento” para fazer a abordagem.

De qualquer maneira, o episódio revela a inadmissível desenvoltura do crime organizado sob os narizes das autoridades, fato que deveria instigar ainda mais a imprensa.

Estado de guerra

O noticiário sobre atividades do chamado Primeiro Comando da Capital induz a acreditar que houve alguma acomodação entre parte da força policial paulista e o crime organizado durante algum tempo.

Esse pacto informal – se de fato existiu – parece não ter incluído a Polícia Militar, que eventualmente entra em confronto com integrantes do bando.

Numa dessas ações, ocorrida em maio, três policiais foram detidos sob acusação de haver executado suspeitos.

Logo depois, o serviço de inteligência da polícia detectou conversações entre líderes do PCC nas quais eram organizados assassinatos de policiais.

Esses fatos são lembrados pelo Estadão para questionar a estratégia das autoridades paulistas. Segundo o jornal, as mortes provocadas pela Polícia Militar contribuíram para a espiral da violência.

A Folha de S. Paulo observa que o número de mortos na operação policial da terça-feira, dia 11, é o maior desde junho de 2006, quando 13 suspeitos, também acusados de pertencer ao PCC, foram mortos pela Polícia Civil em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista.

Esse episódio ocorreu no auge dos atentados promovidos pelo grupo criminoso e que paralisaram a cidade de São Paulo com uma onda de terror.

A Folha reproduz declaração do comandante-geral da Polícia Militar segundo o qual, somente neste ano, 67 PMs foram mortos no estado e 92 outros policiais foram vítimas de tentativas de homicídio, o que demonstraria que os bandos organizados estão confrontando a polícia.

Uma análise, ainda que rápida, do noticiário disponível na internet, sugere que há um estado de guerra não declarada entre o chamado Primeiro Comando da Capital e a Polícia Militar.

Em mais de uma ocasião, representantes da PM deram a entender que a Polícia Civil não investiga devidamente as ações desse grupo desde os atentados de 2006, razão pela qual sobraria para os militares a tarefa de combater a facção.

De qualquer maneira, episódios como esse servem para alertar a sociedade de que algo de incomum está acontecendo nos bastidores da segurança pública.



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Luciano Martins Costa

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