segunda, 17 de fevereiro de 2020 ISSN 1519-7670 - Ano 20 - nº 1074

Folha de S. Paulo

MÍDIA & RELIGIÃO
Elvira Lobato

Igreja Católica quer pôr no ar 3ª TV nacional

‘A Igreja Católica caminha para implantar sua terceira emissora nacional, a partir da TV Aparecida. Em pouco mais de uma década, numa reação ao avanço das igrejas evangélicas, surgiram duas redes de televisão católicas com cobertura nacional em sinal aberto -Rede Vida e Canção Nova- e várias emissoras locais e regionais.

A velocidade de crescimento da Igreja Católica, na área televisiva, só tem similar com o da Igreja Universal, do bispo Edir Macedo, nos anos 90, embora os investimentos da Universal em emissoras seja muito maior.

A Universal tem 22 emissoras geradoras, sendo 19 da Rede Record, que disputa o segundo lugar entre as redes comerciais com o SBT. Já a Igreja Católica tem 12 emissoras em funcionamento, mas ao menos mais 14 concessões já autorizadas pelo governo, a serem implantadas.

Até a inauguração da Rede Vida, em 1995, a Igreja Católica tinha só uma emissora, a Sudoeste, no interior do Paraná, da Ordem dos Frades Menores. Na época, a igreja priorizava rádios. Em 1998, entraram no ar a primeira geradora da TV Canção Nova (hoje são quatro) e a TV Horizonte, da Arquidiocese de Belo Horizonte.

Um ano depois, surgiu a TV Século 21. Em 2002, a TV Nazaré, da Arquidiocese de Belém (PA), à qual se seguiram a TV Educar (Ponte Nova-MG, em 2003) e a TV Imaculada Conceição (Campo Grande-MS, em 2004). Em 2005, foi lançada a TV Aparecida, com a pretensão de ter cobertura nacional.

Levantamento feito pela Folha mostra que a igreja reagiu de forma desordenada. Na ânsia por espaço, aluga canais de terceiros e usa sua influência com o governo para obter TVs educativas, cujas concessões são distribuídas gratuitamente.

O resultado é uma superposição de meios e gastos e uma programação pouco atrativa, de conteúdo muito religioso e deslocado da realidade. A maioria das concessões é de caráter educativo, mas há emissoras comerciais (Rede Vida, TV Sudoeste e Canção Nova de Sergipe) e um tipo misto de TV aberta com TV paga (TV Horizonte e Canção Nova de São Paulo).

As emissoras estão registradas em nome de fundações dirigidas por religiosos e de pessoas físicas. A concessão da Rede Vida é da família do empresário João Monteiro Barros Filho, de São José do Rio Preto, que a obteve do ex-ministro das Comunicações Antonio Carlos Magalhães, no fim do governo Sarney (1985-90).

Ele propôs à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil criar um canal católico nacional. A CNBB usou sua influência para obter mais de 400 outorgas de retransmissão para a emissora, no primeiro governo Fernando Henrique (1995-98).

As dioceses financiaram a implantação das retransmissoras. Na época, estimou-se o custo de implantação da Rede Vida em US$ 100 milhões. Metade de suas 431 retransmissoras ainda é mantida por dioceses.

Descentralização

A igreja não tem informação sobre o patrimônio das emissoras. Elas pertencem a grupos que têm autonomia, e a CNBB não interfere nas decisões.

Segundo o diretor da TV Aparecida, padre César Moreira, a proliferação de emissoras acontece porque a igreja ‘tem vários rostos’ e cada um segue um modelo teológico. A Rede Canção Nova e a TV Século 21 representam o Movimento da Renovação Carismática.

Para o arcebispo de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira Azevedo, a Rede Vida ‘deu uma resposta, mas não a resposta toda’, e as novas emissoras refletem a necessidade de regionalização da programação.

A TV Educar, de Ponte Nova (MG), confirma o fenômeno. Nasceu por iniciativa dos padres salesianos, que querem implantar uma rede de 14 emissoras educativas em Minas.

Custos

A TV Aparecida diz custar R$ 1,5 milhão por mês. Tem 200 empregados e dez retransmissoras que levam seus sinais a São Paulo e ao Rio, entre outras cidades. Para crescer, alugou do grupo OESP (que edita o jornal ‘O Estado de S. Paulo’), retransmissoras em São Paulo e no Maranhão, por dois anos.

Padre Cesar Moreira, da TV Aparecida, diz estar em negociação para entrar em mais 12 capitais. A emissora é financiada pelo Santuário de Aparecida e por publicidade. A Rede Vida diz gastar R$ 3 milhões por mês. Barros Filho sustenta que os gastos são cobertos com a venda de anúncios e de espaço na grade. As dioceses pagam para divulgar seus programas.

A TV Horizonte diz ter despesa mensal de R$ 400 mil, que seria coberta com publicidade. A Canção Nova e a TV Imaculada Conceição (vinculada à Fundação Padre Kolbe) não veiculam publicidade. Segundo a direção das emissoras, mantêm-se com a doação de fiéis.’

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Canal da fé: ‘somos a tv da boa notícia’, afirma emissora Rede Vida

‘A Rede Vida não está interessada em invasões do MST, rebeliões em presídios, corrupção de políticos ou assuntos considerados quentes pelo restante da mídia. ‘Somos a TV da boa notícia’, diz o presidente da emissora, João Monteiro Barros Filho. A grande prioridade é a religião. Na última sexta-feira, por exemplo, estavam programados oito terços, duas missas e vários programas de reflexão religiosa de três padres, entre eles, o ‘Momento de Fé’, do Padre Marcelo Rossi. O principal noticiário é o JCTV, sobre fatos da igreja no Brasil e no exterior, em três edições diárias. A sacada atual de marketing da Rede Vida é o mote ‘Brasil mais Bento’, em referência à visita do Papa.’

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De cada 20 rádios, uma pertence aos católicos

‘Pelo menos uma de cada 20 emissoras existentes no Brasil pertence à Igreja Católica, que continua crescendo neste segmento. A RCR (Rede Católica de Rádios) reúne 215 concessões de rádios FM, AM, ondas curtas e ondas tropicais.

O número corresponde a 5% do total de rádios em funcionamento no país (4.546), de acordo com os dados oficiais da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

O poder dos católicos nesse segmento não tem paralelo nas outras igrejas. Grande parte das concessões de rádio da Igreja Católica foi dada pelo governo nas décadas de 50 e 60, para incentivar projetos de educação à distância, o que explica a existência de 18 rádios com o nome de Educadora.

Ela ocupa também espaço entre as rádios comunitárias. Criou a Ancarc (Associação Nacional Católica de Rádios Comunitárias) que orienta grupos de católicos no encaminhamento dos pedidos ao Ministério das Comunicações.

Segundo o presidente da entidade, padre José Donizetti do Amaral, as emissoras ligadas à igreja somam 1.200, o que representa 43% do total de 2.792 rádios comunitárias autorizadas. O padre Antonio Pinelli, presidente da Unda Brasil, que coordena as emissoras católicas comerciais, diz que ‘o rádio é o meio de comunicação mais rápido e objetivo, porque não é preciso parar o que se está fazendo para ouvi-lo’.

Segundo Pinelli, as rádios católicas continuam em expansão. Ele calcula que haja pelo menos mais 30, de concessões recentes outorgadas pelo governo, que estão no ar, mas ainda não fazem parte da RCR.

A migração das emissoras de rádio da tecnologia analógica para a digital é vista como um grande desafio para a igreja, em razão dos custos. Pinelli calcula que o custo, por emissora, será de, no mínimo, R$ 150 mil, o que implicaria um gasto total superior a R$ 30 milhões.

As rádios comerciais da igreja são registradas em nome de padres e bispos. É o caso da rádio Voz do Vale, em Fartura (SP), que está em nome dos padres José Aparecido Hergesse e Osman Procópio da Silva. O pároco de Fartura, José Sérgio Lima, administrador da rádio, veta músicas que considera ‘profanas’. Ele diz que a rádio depende financeiramente da publicidade, mas só aceita anúncios que não conflitem com a igreja. Anúncio de preservativo, por exemplo, são vetados.’

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TV católica fez 1ª transmissão em cores em 1972

‘A primeira transmissão externa em cores da TV brasileira foi feita por uma emissora católica, a Difusora, de Porto Alegre, dos freis capuchinhos, que funcionou até 1980. Em fevereiro de 1972, ela mostrou o então presidente general Emilio Garrastazu Médici na Festa da Uva, em Caxias do Sul, em cores.

‘A igreja demorou a entender a importância do cinema e da TV’ , diz o frei Isaias Borghetti, que dirigiu a TV Difusora. Para ele, um dos motivos do naufrágio da Difusora foi por ela não ter se filiado a nenhuma da redes nacionais de TV em formação. Sozinha, ficou difícil sobreviver. Atolada em dívidas, a emissora foi vendida à Bandeirantes, em 1980.

Os capuchinhos do Rio Grande do Sul se voltaram, então, para as rádios. Eles têm sete emissoras AM e seis FM no Estado, e mais duas concessões de FM esperam licitações do Ministério das Comunicações.’

ENTREVISTA / NOAM CHOMSKY
Rodrigo Garcia Lopes

Erro de gramática

‘Nos últimos anos, sobretudo no pós-11 de Setembro, Noam Chomsky tem sido cada vez mais requisitado para palestras e conferências pelo mundo como um dos principais opositores da hegemonia americana.

Aos 78 anos, autor de mais de 40 livros, Chomsky é o principal dissidente de uma cultura dominada, como ele mesmo definiu, pela ‘manufatura do consentimento’. Polêmico, é persona non grata na mídia americana, atraindo acusações de antiamericanismo e anti-semitismo, além de receber severas críticas da direita.

O ativismo político, no entanto, costuma desviar a atenção para o importante fato de que se trata não só de um dos grandes pensadores de nosso tempo mas de um renomado lingüista, cuja teoria da linguagem universal teve enormes influências nos estudos lingüísticos.

Recentemente, sua teoria foi envolvida em grande polêmica devido a estudos feitos por um ex-discípulo, Daniel Everett, e suas descobertas a partir da língua dos índios brasileiros pirahãs -que refutam a teoria chomskiana da linguagem humana universal [leia texto na outra pág.].

Numa tarde de neve em Cambridge, Chomsky nos recebeu em seu escritório no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), onde é professor há 52 anos. Nesta entrevista, ele fala da controvérsia recente, de literatura, internet, da situação no Iraque e da democracia americana.

FOLHA – O sr. acredita que a recente pesquisa sobre os pirahãs, feita por Daniel Everett, desautoriza sua teoria de uma linguagem universal? Por quê?

NOAM CHOMSKY – Evidentemente, existem muitas confusões sobre a gramática universal. Em seu sentido moderno, o termo se refere à teoria correta da faculdade humana da linguagem, o que quer que isso venha a ser.

A gramática universal tem tanto status quanto a teoria correta do sistema visual humano, o que quer que isso venha a ser.

Não é ‘minha teoria’. Nem se pode chamar de uma teoria. É um tópico, e há muitas propostas sobre qual deveria ser a teoria correta, constantemente se desenvolvendo, como no estudo do sistema visual ou de qualquer outra parte da ciência.

Não há uma controvérsia sensível sobre a existência da gramática universal, assim como não há sobre a teoria correta do sistema visual. Nos dois casos, como em toda a ciência, existem muitas questões sobre quais são as teorias corretas. Não há nada para ser ‘desautorizado’.

Nós todos reconhecemos que existe uma faculdade humana para a linguagem -que existe alguma diferença biológica com relação à linguagem entre uma criança e um gato e um chimpanzé ou um pássaro canoro, por exemplo. Everett naturalmente concorda com isso.

Mas ele também afirma ter refutado a gramática universal. Isso significaria que ele refutou a crença de que existe uma teoria correta sobre as capacidades humanas, que ele concorda existirem. É difícil extrair algum sentido a partir dessa posição.

Tão logo essas confusões sejam esclarecidas, a única questão que restará é se as recentes afirmações de Everett sobre a língua pirahã estão corretas -a mesma questão que vem à tona em relação a qualquer outro trabalho em linguagem e cultura.

Há, de fato, um estudo cuidadoso feito por Andrew Nevins, David Pesetsky e Cilene Rodrigues argumentando detalhadamente que a língua pirahã, embora seja interessante (como são todas as línguas), não é menos incomum do que outras línguas conhecidas.

Se a língua pirahã acabou revelando características incomuns (assim como as de muitas línguas, como o inglês, por exemplo), então a gramática universal teria que ser modificada para acomodá-las, da mesma forma como ela está sendo constantemente modificada para dar conta de novas descobertas sobre outras línguas, inclusive outras que são estudadas de modo mais amplo.

A situação, novamente, é bem parecida com a que acontece no estudo do sistema visual ou outros sistemas orgânicos.

O que é incomum sobre a língua pirahã é a campanha de relações públicas que tem sido promovida em relação a ela, e a confusão que tem gerado.

FOLHA – Para chegar a sua teoria da gramática universal, o sr. fez pesquisa de campo, como Everett? Como o sr. chegou a suas conclusões sobre a existência de uma linguagem universal?

CHOMSKY – Como todo mundo que se preocupa com a gramática universal, usei evidências de uma ampla variedade de línguas. Que outra alternativa poderia haver?

De fato, meu próprio departamento no MIT tem sido um dos grandes centros internacionais de pesquisa, inclusive em pesquisa de campo substancial, sobre uma ampla variedade de línguas do mundo -fatos esses bem conhecidos entre lingüistas profissionais.

Muitas pesquisas de campo têm sido feitas por excelentes lingüistas no Brasil e em muitas outras partes do mundo. Repito, parece haver uma confusão sobre esse assunto. Minhas conclusões sobre a existência de uma gramática universal -quer dizer, a existência de uma teoria correta da faculdade lingüística humana- são meros truísmos.

Se essa faculdade não existe, então a aquisição lingüística é um milagre. Se ela existe, então não há razão para duvidar de que exista uma teoria correta sobre sua natureza.

FOLHA – Em entrevistas, raramente o sr. fala de literatura. Uma das poucas observações é a de que ‘não é improvável que a literatura sempre vá render insights mais profundos para aquilo que é chamado de ‘a pessoa humana plena’ do que qualquer método de investigação pode esperar conseguir’. Poderia comentar isso?

CHOMSKY – De um lado, esse comentário é sobre quão pouco se sabe sobre o ser humano, sob qualquer ponto de vista, como o científico. Os assuntos humanos são complexos demais para que a ciência seja capaz de dizer muito sobre eles. As ciências sociais são úteis, mas não podem penetrar muito fundo.

O outro lado da questão é que a literatura e as artes freqüentemente oferecem insights penetrantes sobre como é o ser humano, como ele se comporta, como são suas inter-relações, que tipo de problemas ele enfrenta e assim por diante.

Mas esses insights não provam nada, só nos revelam coisas que podemos entender intuitivamente tão logo as percebamos. É por isso que eles são freqüentemente tão pungentes e têm tanto efeito sobre nós.

FOLHA – O sr. é autor de uma frase famosa e que já rendeu muita discussão: ‘Idéias verdes incolores dormem furiosamente’. Qual é sua opinião sobre poesia, enquanto lingüista?

CHOMSKY – É claro que a poesia tem uma enorme importância, e é por isso que encontramos alguma forma de poesia em toda cultura e tradição que se conhecem: de tradições orais, que datam de milhares de anos, até a poesia moderna e experimental, a poesia se encontra em toda parte.

Ela pode ser feita de modo brilhante e efetivo. Esse verso, em particular, foi mal entendido, e foi só um dos muitos exemplos que dei: era um exemplo porque, simultaneamente, refutava algumas teorias dominantes sobre o que torna as frases gramaticais.

Uma teoria é a de W.V. Quine [1908-2000], talvez o filósofo anglo-americano mais influente da era moderna. Para ele uma frase seria gramatical se tivesse sentido.

Mas, veja, você tem que ter cuidado ao afirmar isso. Outros, como o novelista e filósofo Michael Frayn, interpretaram isso erroneamente.

Ele apontou de modo bastante correto que você não pode dar sentido para isso, mas para tudo pode se dar um sentido. Para qualquer série de palavras pode se atribuir um sentido.

Se você inverter a ordem da frase, ‘Furiosamente dormem verdes incolores idéias’, você pode atribuir um sentido para ela também. Por esse critério, tudo seria gramatical.

Mas Quine está falando de sentido literal, e neste caso nenhuma das duas frases tem sentido literal, mas uma é gramatical, e a outra não.

De fato, a poesia joga com isso: um de seus principais procedimentos, discutido há 50 anos por William Empson [1906-84], em seu livro ‘Seven Types of Ambiguity’ [Sete Tipos de Ambigüidade], é justamente tentar lutar contra as leis gramaticais, criar uma tal concisão de expressão que force o leitor a completar o sentido.

FOLHA – Quase 20 anos depois da publicação de ‘Manufacturing Consent’ [manufatura do consentimento], o sr. acredita que o modelo de propaganda e de controle da mídia, desenhado pelo sr. e por Edward Herman, ainda está operante? Como o sr. vê o advento da internet e sua função de oposição neste novo contexto?

CHOMSKY – Bem, na versão de 2002 nós atualizamos e ampliamos nossos exemplos. Não podíamos falar nada da internet porque simplesmente ela não existia em 1988.

A internet é um desenvolvimento interessante, o que é complicado. É útil para pesquisa, há muito a ganhar com o acesso fácil a um amplo espectro de informações que competem entre si, para realizar pesquisas que antes dariam muito trabalho. Não estamos mais tão O que interessa é o que o poder dos EUA quer alcançar. O maior objetivo é estabelecer como cliente um regime estável, com bases militares e corporações estrangeiras, sobretudo britânicas e americanas, explorando o petróleo.

Os EUA vão fazer o possível para prevenir que o Iraque se torne uma democracia soberana, mesmo que moderada, porque isso seria catastrófico!

Isso seria um passo para os EUA perderem o controle das principais fontes de recursos do mundo. Talvez eles sejam forçados a isso, mas será uma batalha.

Se o Iraque se tornar soberano e minimamente democrático, provavelmente terá a maioria xiita, que seria com certeza influente. Depois os xiitas iriam se mexer para melhorar as relações com o Irã, o que já estão fazendo.

Há uma grande população xiita do outro lado da fronteira, na Arábia Saudita, sendo amargamente reprimida.

O que ocorre é que a maior parte do petróleo fica em regiões dominadas pelos xiitas.

Imagine a probabilidade de uma ampla coalizão xiita controlando a maior parte do petróleo do mundo, independente dos EUA e provavelmente gravitando cada vez mais em direção a outros países do grupo asiático, e o Irã se tornando um membro também!

Se qualquer dessas coisas acontecer, os EUA virariam uma potência de segunda classe. Isso é propaganda sofisticada.

FOLHA – Apesar de sua crítica dura à política externa americana, o sr. constantemente repete que os EUA são a sociedade mais livre e democrática que existe. Como pode um país onde as eleições são literalmente ‘compradas’, onde se observa um controle maciço da opinião pública por meio da manipulação da mídia e onde o governo, especialmente depois do 11 de Setembro, aumenta a vigilância sobre seus cidadãos e restringe as liberdades civis, ser chamado de uma democracia?

CHOMSKY – Mesmo com tudo isso, por padrões comparativos e históricos, os EUA são o país mais livre do mundo.

Pegue o exemplo do Reino Unido: há uma vigilância extrema lá, bem maior do que nos EUA, com câmeras por toda parte, vendo tudo o que as pessoas fazem. Lá existem leis de calúnia e difamação que são severas infrações à liberdade de expressão, leis que seriam inconcebíveis nos EUA.

Outro exemplo: o governo britânico criou uma comissão para investigar se a [rede] BBC estava sendo crítica demais ao governo. O que não foi debatido foi o fato de a comissão existir, em primeiro lugar. Nos EUA seria impossível pensar numa comissão para decidir se a CBS está sendo crítica demais.

Por padrões comparativos, o governo americano tem poder limitado para coagir a liberdade de expressão. Bush está tentando fazer um país mais totalitário, e ele tem feito progressos, infelizmente, mas o governo ainda tem um poder limitado.

Mesmo a liberdade de expressão hoje está sob forte proteção desde os anos 1960, na esteira dos movimentos dos direitos civis. Mas você tem toda razão quando diz que as eleições não só são compradas, mas vazias, mais parecidas com comerciais de TV, e outros países estão seguindo esse modelo.

As eleições, cada vez mais, são uma questão de criar ilusões e imagens pela indústria da propaganda -como se [o político] fosse uma mercadoria- e manter as pessoas longe dos temas importantes, do que é relevante.

Pois a população se opõe aos dois partidos, e isso elimina muito do conteúdo das eleições.

Isso nos leva à questão do controle das idéias, que é sempre ruim, mas não é uma sala de tortura. É melhor enfrentar um comercial enganoso do que uma sala de tortura -lembremos do que aconteceu recentemente no Brasil.

RODRIGO GARCIA LOPES é autor de ‘Vozes e Visões – Panorama da Arte e Cultura Norte-Americanas Hoje’ (Iluminuras) e professor do departamento de línguas românicas da Universidade da Carolina do Norte, em Chapell Hill.’

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Pensador revolucionou a linguística

‘Noam Chomsky é um dos principais ativistas de esquerda americanos e criador da teoria da gramática transformacional (às vezes chamada gerativa ou transformacional-gerativa), que revolucionou os estudos da linguagem.

Nascido em 1928 na Filadélfia, é a personalidade viva com mais citações no Índice de Citações de Artes e Humanidades entre 1980 e 1992, além de ser autor de mais de 40 livros e mil artigos.

Em seus estudos sobre o fenômeno lingüístico, Chomsky explora as fronteiras filosóficas e epistemológicas da linguagem. Para ele, a linguagem é um fenômeno biológico e pode ser estudada a partir de uma perspectiva internalista, ou seja, como fenômeno psicológico -retirando-se a ênfase em seu estudo como manifestação intersubjetiva e social.

A tese de seu discípulo Everett, que viveu sete anos com os pirahãs, sobre como a chamada ‘experiência imediata’ limita a competência lingüística desses índios, saiu do domínio acadêmico e se espalhou na imprensa.

A reportagem de 20 páginas (‘O intérprete – Será que uma tribo remota da Amazônia virou do avesso nossa compreensão da linguagem?’) publicada em 16/4 na revista ‘New Yorker’ foi citada por jornais on-line e blogs nos EUA e no Brasil.’

CASO PIRAHÃ
Eduardo Navarro

Universos paralelos

‘As teorias do lingüista norte-americano Daniel Everett sobre a língua pirahã da Amazônia têm provocado muita celeuma nos últimos tempos. Isso por várias razões, mas principalmente porque suas idéias têm profundas implicações no campo da antropologia filosófica.

Isto é, Everett põe em questão um princípio do pensamento filosófico até a modernidade, a saber, a universalidade do homem. Suas teorias ressuscitam pressupostos abandonados por muitos lingüistas e se opõem a uma corrente revolucionária na lingüística, o gerativismo de Chomsky.

A lingüística chomskiana é desenvolvimento de uma das mais importantes formulações teóricas do século 20, que foi o estruturalismo.

Seu pai foi o antropólogo Claude Lévi-Strauss, que, no campo da ciência da cultura, recusou a idéia de universalidade humana, princípio de toda a filosofia ocidental clássica, reafirmado por Descartes, por Kant e por todos os iluministas.

O estruturalismo rompe com o pensamento filosófico clássico e da modernidade, com o evolucionismo social e com a perspectiva historicista nas ciências do homem, afirmando existirem ‘os homens’, e não o ‘Homem Universal’.

Essa filosofia empolgou muitos espíritos desde meados do século 20, quando o humanismo sartriano entrava em seu ocaso.

O gerativismo de Noam Chomsky desvia-se dos pressupostos originais do estruturalismo ao afirmar a exigência da universalidade da gramática.

Sistema fechado

Com efeito, a lingüística estrutural, em seu desenvolvimento, havia posto de parte tal idéia, insistindo no caráter de sistema autônomo e fechado em si de cada língua. Chomsky, em, pleno século 20, marca um retorno aos objetivos da gramática geral francesa do século 17.

Em 1660, Lancelot e Arnauld publicam a ‘Gramática de Port Royal’, a primeira tentativa compreensiva de apresentar uma teoria da gramática, com vista a incorporar as propriedades universais da linguagem humana. Chomsky apresentou, de fato, uma versão moderna e mais explícita da gramática de Port Royal.

Assim, retoma o velho projeto iluminista de estruturar uma gramática universal. Em ‘Lingüística Cartesiana’, sua idéia central é de que os traços gerais da estrutura gramatical são comuns a todas as línguas e refletem certas propriedades fundamentais da mente.

O que as recentes pesquisas de Everett vêm fazer é mostrar que a cultura pirahã constrange a gramática dessa língua, apresentando problemas para a noção de uma gramática universal.

Tal constrangimento explica algumas características bem surpreendentes da gramática e cultura dos pirahãs.

Segundo a Sociedade Internacional de Lingüística, elas seriam a ausência de ficção e de mitos de origem, o sistema de parentesco mais rudimentar já documentado, a ausência de números e de qualquer conceito de contagem, a ausência de termos referentes a cores, a ausência de qualquer encaixamento gramatical, a ausência de ‘tempos relativos’, o fato de serem monolíngües os pirahãs após mais de 200 anos de contato relativamente constante com brasileiros e com falantes da língua kawahiva, da família lingüística tupi-guarani, a ausência de qualquer memória individual ou coletiva que remonte a mais de duas gerações passadas, a ausência de desenhos e de outras artes plásticas -sendo a cultura material dos pirahãs uma das mais elementares já documentadas-, a ausência de qualquer termo de quantificação: por exemplo, ‘todos’, ‘cada’, ‘a maioria’, ‘alguns’ etc.

A língua pirahã desafia, segundo Everett, a aplicação simplista da teoria de Chomsky, o que dá novo alento às teorias estruturalistas, já com pouco prestígio nos melhores meios intelectuais.

Boas e Sapir

Com suas teorias sobre o pirahã, Everett se situa, assim, dentro das tradições da lingüística descritiva americana de Franz Boas, Edward Sapir, por um lado, e a tradição filosófica do pragmatismo americano representado por Peirce, James e Dewey.

Seus pressupostos, contudo, não são originais: muitos missionários gramáticos do passado, principalmente os da China da dinastia Ming, chegaram a pôr em dúvida a universalidade das categorias que Aristóteles elaborou por meio de uma análise lógica da língua grega.

Por outro lado, a inexistência de números acima de quatro, no tupi, já é conhecida pelos seus gramáticos desde o século 16.

A polêmica em torno de uma gramática universal está longe de acabar. Os pouquíssimos conhecedores não-indígenas da língua pirahã tornam difícil um debate em igualdade de condições em torno da questão suscitada por Everett.

Afirmar a justeza de suas idéias seria corroborar as palavras de Lévi-Strauss, para quem não estaríamos ‘em contato com um povo de cultura primitiva, mas com um povo de cultura paralela (…), uma outra humanidade, com uma outra ética, outra moral, outra visão de mundo’.

EDUARDO DE ALMEIDA NAVARRO é professor de tupi e literatura colonial brasileira na USP. É autor de, entre outras obras, Método Moderno de Tupi Antigo’ (ed. Global)’

INTERNET
Toni Sciarretta

‘Anjos’ caçam projetos 6 anos após bolha

‘Uma idéia milionária na cabeça, mas nenhum capital para bancar o negócio. É aí que entra o ‘anjo’, investidor que busca empreendimentos com potencial de gerar fortunas e transformar talento em dinheiro. No Brasil, os investidores-anjo voltam a se articular em busca de projetos seis anos após o estouro da bolha da internet.

Trinta investidores finalizam a criação da São Paulo Anjos, uma associação que busca juntar as pontas entre empreendedores e captadores de recursos. Geraldo Carbone, ex-presidente do BankBoston, abriu uma empresa de participações que analisa cinco projetos de empresas nascentes. No Rio de Janeiro, a Gávea Angels, associação pioneira no segmento, analisa dois novos projetos e mantém aplicação em outros três.

‘[Desde a bolha] a perspectiva do Brasil mudou, com entrada de estrangeiros e aumento da renda. Empreendedorismo é como avião decolando, precisa de horizonte. E, com os juros baixando [o investidor], tem de procurar alternativas mais rentáveis’, disse Carlos Lino, sócio de Carbone na GC Partners.

O Sebrae estima que o país tenha entre 50 mil e 100 mil pequenas empresas inovadoras à espera de ‘anjo’, que procura projetos que resolvam problemas antigos, mas com um ‘algo a mais’ inovador. Ele fica de três a seis anos na empresa adotada e embolsa o lucro quando vende a participação.

No Brasil, o investimento inicial fica entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão -capital nascente, ao qual mais tarde se somam aportes dos fundos de ‘venture capital’ (capital de risco) e de ‘private equity’ (participação em empresas) dependendo da necessidade de financiamento (veja quadro ao lado).

Além do capital, o ‘anjo’ entra com trabalho e costuma participar da gestão. Identificar novos projetos é um dos processos mais longos e penosos, que envolve análise técnica e uma dose de instinto. A Gávea Angels já foi procurada por 197 empreendedores. Desse total, chegaram à análise 23, mas só receberam investimentos três projetos: a Bizvox, uma empresa de reconhecimento de voz por telefone; a Publit, editora virtual que faz impressões por demanda; e o Brazil Pass, espécie de cartão de fidelidade com desconto para turistas no Rio.

‘Ficava frustrado por só ter chegado a três projetos em três anos de trabalho. Com o contato com ‘anjos’ europeus e americanos, vi que o índice era até bom’, diz Ernesto Weber, ex-presidente da Petrobras, hoje ‘anjo’ da Gávea Angels.

Devido ao alto risco e ao volume de trabalho de prospecção, os anjos costumam atuar em grupo, por meio de uma associação ou de um fundo de investimento. Na associação, os sócios participam apenas de projetos de seu interesse.

‘Olhamos os números e vemos o retorno financeiro. Tem de ser algo maior que o DI e outros investimentos disponíveis no mercado’, disse Fábio Bellotti, da São Paulo Anjos.

Para Manuel Iglesias, da mesma associação, além de uma boa idéia, os ‘anjos’ observam se não há problemas legais ou éticos envolvidos. ‘Se for ético, ecológico, forte em governança, melhor. Mas tem de dar retorno’, disse.

O grande nascedouro dessas empresas são as incubadoras das universidades. ‘Chegam jovens brilhantes aqui com boas idéias, mas que não sabem vender nem administrar. E ainda precisam de dinheiro’, disse o professor Cesar Salim, da incubadora da PUC do Rio.

Nos EUA, os ‘anjos’ são a principal fonte de financiamento das novas empresas de tecnologia, segundo a ACA (Angel Capital Association), que reúne 200 grupos de ‘anjos’ americanos. Os investimentos totalizam US$ 12,4 bilhões. Os ‘anjos’ investem até 25% de seu patrimônio em troca de 30% das empresas. De cada 5 projetos, 1 terá grande sucesso, enquanto 2 empatarão e 2 fracassarão.’

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Investimento de R$ 300 mil virou R$ 2 mi

‘Caso de sucesso de empreendedorismo, a empresa MHW começou a atuar em 1994. Experimentou vários nichos da internet, mas só encontrou o foco quando desenvolveu um software inédito de ensino à distância em 1997. A empresa foi parar na incubadora da PUC/Rio, onde fechou com a Embratel o primeiro contrato importante e recebeu aporte de capital de dez ‘anjos’, que entraram com R$ 30 mil cada um.

A empresa se destacou com o primeiro lançamento de software totalmente na web da América Latina. Obteve certificação da Microsoft e conseguiu receita anual de R$ 1 milhão. ‘A idéia inicial era uma universidade virtual. Mas o setor corporativo tinha mais demanda para treinamento do que o acadêmico’, disse Fabio Barcellos de Paula, antigo diretor, hoje na QuickMind.

A empresa recebeu R$ 3 milhões da União Digital, um fundo de capital de risco, e outros R$ 3 milhões do Latinvest, um fundo de ‘private equity’. A história teve um final feliz em 2000, quando a Xerox fez uma proposta de R$ 10 milhões pela empresa. Os ‘anjos’ levaram R$ 2 milhões e saíram do negócio.’

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Investidores miram idéias inovadoras

‘Pizzaria, mesmo on-line, lanchonete de pão de queijo ou posto de gasolina estão fora da mira dos investidores-anjo, que procuram projetos que respondam com novidades a antigas necessidades.

‘Anjos’ afirmam que, além de uma idéia inovadora, estão atrás de empreendedores competentes, que tenham capacidade de articulação e consigam liderar uma empresa.’

TELEVISÃO
Teté Ribeiro

Atrações ‘trash’ lideram ibope nos EUA

‘Que ‘Sopranos’, que nada. A TV americana tem cada vez mais qualidade, mas, na hora da audiência, quem domina são os programas de auditório ‘American Idol’, da Fox, e ‘Dancing with the Stars’, da ABC.

Os dois são exibidos duas vezes por semana. Na primeira noite, os concorrentes se apresentam -cantando, em ‘Idol’, e dançando, em ‘Dancing’. Na noite seguinte, alguém vai embora. ‘Dancing’ é cópia de ‘Idol’, que por sua vez é uma fórmula velha: o show de calouros, mas todo repaginado.

Os concorrentes são tratados como estrelas e ‘eleitos’ pelo público. ‘Idol’ tem 50 milhões de espectadores por semana; ‘Dancing’ tem 36 milhões.

Na última quarta-feira, ‘American Idol’ fez uma edição especial beneficente -de cada telefonema feito ao programa, US$ 0,10 eram enviados a uma ONG formada pela equipe da Fox que ajuda crianças pobres na África e nos EUA. Nessa noite, o apresentador anunciou um novo recorde para o programa -70 milhões de pessoas votaram. Mas ninguém foi eliminado. ‘Como poderíamos mandar alguém para casa numa noite de caridade?’, questionou Ryan Seacrest.

Na semana passada, o mau-cantor-mas-fofo Sanjaya Malakar foi dispensado e virou ‘instant celebrity’. Foi convidado pela revista ‘People’ para o tradicional jantar dos correspondentes da Casa Branca. Durante o evento, barraram um homem que queria o seu autógrafo. Eliot Spitzer retrucou, inconformado, ‘mas eu sou o governador de Nova York’. Só assim conseguiu o que queria.

E, na terça, foi eliminada a candidata mais polêmica de ‘Dancing’, Heather Mills, ex-sra. Paul McCartney. A britânica, que perdeu a parte inferior da perna esquerda em um acidente de carro, dançou com sua prótese quase sempre à mostra. Heather está em guerra contra a opinião pública inglesa, inconformada com a idéia de a ex-modelo sair do casamento com o ex-Beatle com metade de sua fortuna.

Saiu de ‘Dancing’ com classe, aplaudida de pé pelo público e pelo júri. E deu seu recado: ‘Entrei na competição para chamar a atenção para os maus-tratos contra os animais e consegui levantar uma fortuna para minha ONG’. A atenção recebida por Sanjaya e Heather dá idéia da dimensão da popularidade dos programas.’

Bia Abramo

Os pais precisam decidir sozinhos?

‘A ASSOCIAÇÃO Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert) conseguiu, por enquanto, derrubar a obrigatoriedade de as emissoras exibirem a programação de acordo com a classificação de horário determinada pelo Ministério da Justiça (MJ). A decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que foi conhecida na quarta-feira passada, garante às redes de televisão o direito de veicular qualquer conteúdo em qualquer horário.

A Abert repudiou a portaria do MJ que instituiu a obrigatoriedade da restrição de horário a partir da classificação por faixa etária desde sua publicação, em fevereiro deste ano.

Sua argumentação, transformada em uma campanha de TV, imputa aos pais o direito -mas também o dever- de decidir o que as crianças e adolescentes devem ou não assistir.

Os pais, entretanto, estão mudos e quedos. Claro, os pais não são uma categoria, não são um grupo organizado, não têm porta-voz. Não haveria mesmo como representá-los, mas a Abert tem insistido em, de alguma forma, falar por esses ‘pais’ abstratos e genéricos.

O discurso da Abert, que fez circular uma nota à imprensa quando da decisão do STJ, quer parecer bacana, moderno, avançado. Investe contra o controle do Estado em um terreno que não lhe competiria e defende o livre-arbítrio dos indivíduos que têm filhos no que se refere à educação dos mesmos. Está aí embutida uma suposição de que qualquer atividade controladora do Estado vai contra os interesses da sociedade. É uma idéia que circula por aí com facilidade, pelo apelo liberalizante.

Pode-se, entretanto, complicar um pouco essa equação. Se é quase ‘natural’ hoje em dia pensar que o interesse da sociedade pode ser diverso do do Estado, também deveria se concluir com a mesma facilidade que sociedade e emissoras de TV não se pautam exatamente pela mesma agenda.

Num quadro de hiperconcorrência como é o atual, o que acontece, na verdade, é o inverso: o interesse das emissoras mostra estar mais distante do que próximo do interesse da sociedade.

Em relação à educação de crianças e jovens, por exemplo, há conflitos evidentes: não é segredo para ninguém que sexo e violência vendem e, toda vez que se fizer necessário, as emissoras não hesitarão em lançar mão desses recursos.

Com mais ou menos escrúpulos ou mais ou menos bom senso, importa pouco. Importaria, de fato, saber se os pais querem assumir sozinhos o dever de proteger os filhos desse fogo cruzado.’

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Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

Agência Carta Maior

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