A LIBERDADE NO HUMOR
O caso Rafinha Bastos
Alberto Dines | Programa nº 615 | 31/01/2012 | 1 comentários
A LIBERDADE NO HUMOR - Parte 1 de 3
Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.
A charge de Chico Caruso no Globo de hoje é duplamente antológica: pela sua qualidade mas também como exemplo da sátira hilariante, arrasadora, que no entanto não pode ser tomada como agressão pessoal. O cartunista simplesmente jogou com os homônimos e deixou que a sensibilidade e a inteligência dos leitores fizessem o resto.
Nossa mídia tem algo de vestal, detesta ser envolvida em discussões, mas o caso do humorista Rafinha Bastos do "CQC" bem que merecia ser debatido abertamente. Inclusive para lhe oferecer a oportunidade de pedir desculpas públicas à cantora Wanessa Camargo, alvo do seu cáustico comentário.
Discutir o humor faz bem ao fígado e faz um bem ainda maior ao distinto público que assim se exercita na arte da reflexão e do debate. O Brasil ressente-se da falta de humor. Isso talvez explique a longevidade de certos problemas e certos personagens.
A sátira é mais eficaz do que o panfleto: a agressão é incômoda, penosa, por isso quase sempre esquecida. A piada dá prazer, ela pede para ser repetida e multiplicada. Adolf Hitler ficou furioso quando viu "O Grande Ditador" de Charles Chaplin, o Carlitos. O poderoso Fuhrer não temia ser combatido mas apavorava-se em ser ridicularizado.
O que está faltando em nossa atribulada modernidade é compreender a essência do humor, tanto do bom como do mau humor, já que no fundo eles são contíguos. Este é um segredo ao qual só os grandes humoristas têm acesso.
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| Gilberto P |
| Enviado em: 09/02/2012 10:54:20 |
| Infelizmente está faltando bom senso na sociedade por causa dessa obsessão com o politicamente correto. Se eu não gosto de uma piada eu não rio, não fico interpretando literalmente a piada. Por exemplo: Imaginem que alguém não gostou de uma piada de português. Esta pessoa, por não ter gostado da piada, afirma que a pessoa que fez a piada é preconceituosa com relação aos portugueses por chamá-los de burros ao invés de simplesmente não rir. Esta é a nossa sociedade atual. Muitas piadas são feitas com elementos absurdos. Como disseram no programa, os comediantes chegaram na Lua muito antes dos astronautas. Rafinha Bastos fez uso de elementos absurdos para tentar nos fazer rir e foi punido por isso. Nós precisamos refletir muito sobre isso. Hoje foi um comediante, amanhã pode ser você se indignando com uma injustiça sendo censurado. PS:Não é ironico o fato do Ziraldo criticar uma PIADA e em seguida justificar um ATO de dar um tiro em uma pessoa que fizesse uma piada desse tipo com sua esposa ou filha? |


